3.1 O BAMA - ADMINISTRASJONENS BEGRUNNELSE
3.1.2 A DMINISTRASJONEN
Absolutamente Absoluto Ardor Audácia Autoridade Batalha Canalha Coitado Comando Companheiro Comparsa Complicado Complô Controladamente Controle Dá a entender Deixa isso pra lá Deixe estar! Demagogia Dependência Desespero Desgaste Desistir Devagar Discriminação Disseram Elemento Empolgação (precipitação) Encolher Esperar Esperteza Esperto Fanático Fanatismo Gasto Grandeza Implacável Indivíduo Intimidade Inveja Irrefutável
Isso não me interessa Jogadas Luta Lutador Maleável Manifestação Montanha Mudança Muralha Nebuloso Negar Nuvem Obstáculo Oportunismo Ousadia Ouvi dizer Pobre coitado Preconceito Provação Punhalada Religiosamente Repugnância Repugnante Revolução
Se estiver ao meu alcance Se eu puder
Tanto faz! Taxativamente Tipicamente Típico Vamos ver! Vítima Você deve Você tem de...
35) Quando utilizar uma palavra negativa, introduzir uma que seja positiva, logo a seguir.
36) Ter cuidado ao empregar sinônimos. Exemplo: “Comparsa e companheiro são sinônimos, porém no subconsciente coletivo se referem, respectivamente, a bandido e trabalhadores” (p. 173).
As técnicas ora mencionadas deixam transparecer a importância da retórica e do marketing, na criação de uma abordagem falaciosa e ideológica. Sua eficácia se traduz na obtenção de votos, que servirá para legitimar um poder baseado em um discurso mítico.
É possível enxergar nessas técnicas elementos que direcionam a atenção do eleitor, que é convocado por valores mercadológicos, ou seja, baseada no marketing. Tais técnicas justificam as críticas marxistas com relação à ideologia.
Em Marx, a ideologia é um instrumento de dominação que oblitera a realidade, alienando a consciência do individuo.
A consciência jamais pode ser outra coisa do que o ser consciente, e o ser dos homens é o seu processo de vida real. E, se, em toda a ideologia, os homens e suas relações aparecem invertidos como numa câmara escura, tal fenômeno decorre de seu processo histórico de vida, do mesmo modo por que a inversão dos objetos na retina decorre de seu processo de vida diretamente físico. (MARX; ENGELS, 1993, p. 37)
Em A Ideologia Alemã, Marx e Engels (1993, p. 36-37) notam que os homens constroem suas representações mentais da realidade, ou seja, a mediação entre o acontecimento do mundo e sua forma de enxergá-la, a partir de uma vivência social que se concretiza. Em outras palavras, a partir de necessidades criadas pela existência social.
Os homens são produtores de suas representações, suas idéias, etc., mas os homens reais e ativos, tal como se acham condicionados por um determinado desenvolvimento de suas forças produtivas e pelo intercâmbio que a ele corresponde até chegar às suas formações mais amplas. A consciência jamais pode ser outra coisa que o ser consciente, e o ser dos homens é o seu processo de vida real (Idem, Ibidem).
Nesse caso, a doxa é variável conforme os interesses dos produtores de ideologias (ideólogos), por isso não deve ser confundida como uma crença qualquer. A falsa consciência que ela gera, a alienação, inverte o sentido da realidade para a vontade de uma classe dominante.
Para ganhar as eleições, os políticos constroem imagens atraentes e críveis que mexem com o lado emocional do eleitor. Entretanto, a política se torna uma competição tendo em vista os dispêndios financeiros, de tempo e de trabalho investidos. Por isso, o desgaste provocado ao político, ao partido e aos assessores torna inviável o processo eleitoral, caso não seja alcançada a vitória.
O marketing político, por meio de meus métodos técnicos e científicos de organização, transforma as ideologias que não estão de acordo com a opinião pública majoritária em discursos maleáveis. Essas ideologias devem ser adaptadas ou serão esquecidas, caso não sejam enquadradas como um nicho de mercado.
Existem políticos que deixam de defender suas próprias convicções, com o intuito de atingir seus objetivos. A opinião pública é, pois, utilizada como um meio para conhecer o que pensa o público, bem como as atividades e as motivações que levem certos segmentos da sociedade a agirem de uma forma esperada. Essa forma é traduzida pelas pesquisas de opinião e devolvida ao público em forma de propaganda e entretenimento.
Para estar relacionado aos valores populares, esse discurso age com alto grau de eficácia no convencimento dos eleitores. Entretanto, esses valores e tendências outrora captados são manipulados no que diz respeito ao mito e ocultamento da realidade. Uma vez que a técnica (o marketing e seus métodos organizacionais) prevalece sobre valores e crenças, existe o mascaramento de intenções reais dos produtores de discurso (mistificadores), que o devolvem como uma simulação que toma o lugar da reprodução fidedigna do real, que ali existia. Aqui podemos ver claramente o cruzamento do conceito de mito, segundo Roland Barthes (2006, p.199), com o conceito de simulacro, de Baudrillard (1991, p.30).
O marketing é uma ferramenta poderosa, que nas mãos de profissionais inescrupulosos se torna a possibilidade do engano. O controle sobre o discurso, ao exaltar os pontos que interessam ao candidato e esconder o que lhe convém é, pois, a principal evidência de uma opinião que será formulada a partir de dados distorcidos.
Essa nova crença numa imagem que é mítica, comprova as teorias sobre ideologias, como sendo produtos de algo que nunca existiu (nesse caso, a imagem exata de um político), portanto ilusórias. Quanto aos instrumentos de sondagens de opinião, eles impõem um discurso autoritário (a voz da maioria que elege) a qual faz com que a democracia seja um instrumento para legitimar o poder de uma classe dominante. Essa classe é não apenas os detentores do grande capital, mas também os detentores da informação.
A opinião pública, medida por indicadores estatísticos, também é outro problema no que se refere às reais preferências e necessidades de um povo. Através da espetacularização da política, que agora leva em consideração os aspectos sociais, econômicos e outras particularidades, não existe a intenção de promover a emancipação do indivíduo, mas de dominá-lo.
A variedade das formas e meios de comunicação, bem como o complexo processo de conhecimento do homem mediante a ciência tem tornado comum um novo meio de dominação. Ela é possível graças ao desnível cultural entre os indivíduos, que preocupados com sua sobrevivência e com as atribuições que dela decorrem, não conseguem perceber o engodo em forma de mito.
A legitimação de um discurso mítico se dá também na fala de especialistas apresentados ao público, que emprestam sua credibilidade em torno de um fato, sem questionarem todo o contexto que está atrelado a ele. São os ideólogos, no sentido marxista, que convencem a população sobre dados aparentemente técnicos, massificando a opinião pública.
Ao se perguntar quem são os divulgadores das informações, a que classe, a que grupo pertencem e quais seus interesses – que podem ser deduzidos pelo contexto em que estão inseridos – é possível perceber os meandros ou as armadilhas dos donos do discurso. Eles são próprios de cada grupo, família, religião, associações, grupos políticos etc. e refletem suas ideologias carregadas de valores baseados em interesses próprios, que por vezes não contribuem para o bem comum.
O princípio de que cada um deve buscar sua representatividade gerou uma guerra entre detentores de discursos das mais variadas espécies. Desse modo, as eleições refletem a disputa entre classes e valores, que por vezes colaboram com a manutenção do status quo, como nota Althusser (1996, p. 140) em “Aparelhos
O argumento dos profissionais de marketing – que declaram que a ética nos trabalhos organizacionais e de comunicação dá conta das questões ideológicas – não se sustenta, uma vez que não conseguem explicar os mitos que se formam ao longo de uma campanha política. Desse modo, como é possível combater as potencialidades de uma ferramenta, que é utilizada sem a preocupação devida com a reprodução de uma realidade e que se fixa apenas nas obtenções de vantagens que um discurso bem reformulado pode lhes trazer? Como conduzir a uma reflexão crítica e individual, uma vez que são escondidos os pontos fracos e mostrados apenas os positivos?
Dentre os problemas educacionais, notórios principalmente em países em desenvolvimento, há de se discutir também os tipos de analfabetos funcionais, que lêem, mas não conseguem extrair os significados de inúmeros signos que se impõem à sua percepção. Para esse tipo de analfabetismo não basta uma educação tradicional, mas uma reflexão conceitual em que os conhecimentos básicos seriam ensinados, até provocarem uma atualização contextual.
A popularização da política não é papel do marketing político, que por sua vez é instrumentalizado e direcionado aos interesses de quem contrata os profissionais da área. A promessa de transparência e ética de que muitos mercadólogos afirmam ser possível no marketing político é uma utopia, na medida em que interesses estão em jogo durante as eleições e ainda existe o acobertamento de informações relevantes para direcionar o público na escolha de seu candidato.
A espetacularização da política, provocada pelos métodos publicitário-eleitorais, faz com que apenas os discursos que sejam bons aos ouvidos do público sejam aceitos. Para tanto, são omitidos termos que possam ser compreendidos como negativos. O crescimento de uma sociedade parte das críticas e exposição de idéias, que interferem nas mudanças de comportamento e provocam atritos. Sem elas não existe crescimento ou amadurecimento de uma sociedade. E na medida em que não existe a possibilidade de outro discurso - contrário o que diz a maioria dos participantes de uma eleição - predomina apenas um olhar, com a manutenção de uma ordem estabelecida, que precisa ser superada diante dos problemas contemporâneos das sociedades.
O marketing não contribui com a democracia, na medida em que apenas extrai um discurso da opinião pública sem apresentar-lhe alternativas diferentes, que vão contra ao que inicialmente possa parecer mal visto ou não aceito pelo público. O
medo de perder as eleições, a submissão do marketing aos interesses apenas do candidato (ele nunca vai contra os interesses do cliente) e o mascaramento de aspectos importantes da realidade provocam festivais de discurso em que o mais bem articulado sai na frente.