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A closer look at the complexity of reconciliation

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6.1 The research questions revisited

6.1.1 A closer look at the complexity of reconciliation

O caso do Faial é exemplar sobre o estado de desguarnição das ilhas e respetivas consequências. A 23 de janeiro de 1918483, o Governador Civil da Horta escreve ao Ministro do Interior

pedindo os seus bons ofícios junto do Ministro da Guerra para que o porto da Horta seja dotado de meios de defesa própria e para os navios que ali se acolhem. Os bombardeamentos por submarinos alemães do Funchal e de Ponta Delgada tinham deixado a população do distrito da Horta alarmada. A defesa do porto estava entregue à “divina providência”, uma vez que as peças de artilharia existentes eram antigas, com quase meio século de vida, ineficazes e até perigosas. A própria comunicação entre os postos militares ocorre com sinaleiros, não existindo telefones. Em dias de nevoeiro não é possível comunicar. A sensação de insegurança agravava- se com o avistamento de submarinos da Alemanha nas proximidades da ilha do Faial.

478 Informação do Comando Militar dos Açores, sem informação de destinatário e sem data. AHM-

PBNPDL , doc. 153.

479 Comunicação do Comando Militar dos Açores ao Ministro da Guerra, 26 de novembro de 1917. AHM-

PBNPDL , doc. 134.

480 Telegrama da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo ao Ministro da Guerra, 26 de novembro de

1917. AHM-PBNPDL, doc. 156.

481 Sobre a concentração de cidadãos da Alemanha em Angra do Heroísmo, ver, por exemplo: Corsépius,

Y. (2010). O Depósito de Concentrados Alemães no Castelo de S. João Batista, Angra do Heroísmo (1916- 1918 – I Grande Guerra). Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, LXVII e LXVIII, pp. 225 a 251.

482 Comunicação do Ministério da Guerra ao Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo,

sem data. AHM-PBNPDL, doc. 155.

483 Comunicação do Governo Civil da Horta ao Ministro do Interior,23 de janeiro de 1918. AHM-PBNPDL,

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O Governador Civil484, posto perante burocracias que impedem a simples montagem de

telefones, chama a atenção para a rapidez com que os norte-americanos resolvem “as suas coisas” e considera que, por comparação, a situação é “vexatória” para a parte portuguesa. O Governador dá conta da passagem pela Horta de um navio de transporte de tropas americano escoltado por três destroyers, tendo na altura sido visitado pelo Comandante da Base Naval dos Açores (comandante norte-americano, entenda-se), que o informou levar para Ponta Delgada artilharia pesada. Face a pedidos de informação sobre os meios de defesa do porto da Horta, o Governador ficou convencido que os EUA estariam a pensar estabelecer uma base naval na Horta. Assim, aproveita para solicitar que “…o nosso governo se antecipe a dotar esta ilha com os necessários meios de defesa, prevenindo assim desagradáveis consequências futuras”.

5.1.

Clima propício a mal entendidos fatais

A 21 de Maio de 1918485, em telegrama enviado ao Ministro das Colónias, o Governador Civil

da Horta dá conta de mal entendidos em troca de telegramas com o Alto-Comissário Simas Machado a propósito de uma informação de um comandante de um submarino dos EUA estacionado na Horta sobre a chegada no navio Funchal de supostas peças americanas para defesa da cidade. Em reunião mantida com todas as entidades militares presentes na Horta, que parece ter sido sugerida pelo Alto-Comissário e que pretendia combinar um plano de defesa e o processo de entendimento, quando necessário, com os aliados, o Governador dá conta que “…o comandante militar apresentava ordens de entendimento com comandante submarino americano”. As instruções pedidas ao Alto-Comissário são, na verdade, pedidos de explicações, dado ao Governador constar oficiosamente “…que o Almirante americano tomava supremacia defesa Ponta Delgada”. Informado pelo Secretário de Estado das Colónias do telegrama do Governador Civil da Horta, o Alto-Comissário responde àquele a 23 de maio de 1918486,

referindo que as peças que seguem no Funchal “…são portuguesas e não americanas”. Refere o Alto-Comissário que o comandante do submarino americano foi informado da chegada das peças e do cruzador Vasco da Gama e que terá informado o Governador Civil “…por mera condescendência”. O Alto-Comissário confirma que a reunião do Governador Civil com as autoridades militares foi ordem sua. Acusa o então já ex-Governador de mentir ao dizer que as peças eram norte-americanas e ao colocar a hipótese de o Almirante norte-americano ter tomada

484 Comunicação do Governo Civil da Horta ao Ministro do Interior,23 de janeiro de 1918. AHM-PBNPDL,

doc. 160.

485 Telegrama do Governador Civil da Horta ao Ministro das Colónias, 21 de maio de 1918. AHM-

PBNPDL, doc. 163.

486 Carta do Alto-Comissário ao Secretário de Estado das Colónias, 23 de maio de 1918. AHM-PBNPDL ,

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supremacia na defesa de Ponta Delgada ou do arquipélago. Garante que “Mesmo almirante tem- se comportado até hoje e em tudo como cavalheiro e (como é) próprio de um aliado, nenhuma interferência tendo nos assuntos da defesa, salvo na parte que lhe diz respeito”. O Governador, agora ex-Governador, é acusado de desrespeitar o Governo e o Alto-Comissário e de imprudência, sendo esta última a razão principal da sua exoneração. Este episódio é significativo para perceber não só a confusão instalada e a escassez de meios militares portugueses nos Açores, mas também o poder do Alto-Comissário, que resulta, aliás, do Decreto que o nomeou, como já se viu.

5.2.

Defesa mínima dos cabos submarinos

A 23 de Maio de 1918487 é ordenado pela primeira vez no decurso da I Guerra Mundial, no caso

pelo Alto-Comissário, a colocação de “…pequenas forças militares…” na defesa e proteção das amarrações de cabos submarinos na Fajã de Santo Cristo, ilha do Faial, e na Praia, ilha Graciosa. É também ordenado o estudo da defesa da telegrafia sem fios dos ingleses no Faial, tendo por objetivo evitar que fossem os ingleses a efetuar a defesa do local, desembarcando, para isso, forças militares suas.

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