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Commonalities: Reconciling with life and the Other

In document Moving on (sider 57-62)

428 Cf. Livermore, S. W. (Setembro de 1948). Op. cit.

429 Comunicação do Alto-Comissário para os Açores ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, 30 de

agosto de 1918. MNE-AHD-PBNA.

430 O Alto-Comissário da República para os Açores, General Simas Santos, de origem açoriana, é

nomeado a 25 de abril de 1918, tendo a figura sido criada pelo Decreto nº 3986, de 27 de março de 1918 (Cf. Secretaria Regional da Cultura dos Açores (2016). Alto Comissário da República para os Açores.

Secretaria Regional da Cultura dos Açores Web site. Acedido em janeiro de 2016, disponível em

http://www.arquivos.azores.gov.pt/details?id=1216665). Assume todas as funções políticas, administrativas e militares, salientando-se a defesa marítima (cf. Ferreira, J. M. (2008). José Bruno Carreiro, o Almirante Dunn e o Presidente Wilson: o Triângulo que Nunca Existiu?. In Rodrigues, L. N. (Coord./Ed.) (2008), Franklin Roosevelt e os Açores nas Duas Guerras Mundiais, pp. 61-80. Lisboa: FLAD). São conferidos ao Alto-Comissário os poderes de nomear e demitir as autoridades administrativas e militares de todo o território das ilhas, dando sempre conta aos respetivos Ministros das resoluções que tomar (Decreto nº 3986, de 27 de março de 1918, Artigo 2º). Os norte-americanos são informados a 4 de Abril de 1918 da futura nomeação do general Simas Santos. A nomeação terá sido trabalhada pela diplomacia inglesa, que temia a nomeação de um progermânico, até porque Sidónio Paes estava sob suspeita, por se ter colocado contra a apreensão de navios da Alemanha em portos nacionais, que foi a causa imediata da entrada de Portugal na guerra, decisão que não agradava a Paes. O General Simas Santos é considerado leal à causa aliada, tendo a sua nomeação acabado com as fricções existentes em Ponta Delgada entre responsáveis portugueses e norte-americanos. Cf. Livermore, S. W. (setembro de 1948). Op. cit.

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Após o ataque do U-155 a Ponta Delgada, os EUA decidem defender o porto com um navio- base e cinco destroyers movidos a carvão, chegando a força a 26 de julho de 1917 sem que Portugal seja informado. O cruzador-submarino alemão permaneceu nos mares dos Açores durante alguns dias, fazendo um número significativo de vítimas431. A força colocada pelos

EUA em Ponta Delgada acabou por gerar conflitos entre os norte-americanos e as autoridades portuguesas, que pretendiam tratar os navios de guerra como navios mercantes, aplicando-lhes as taxas respetivas432, situação que acabou por ser resolvida pelos EUA em Lisboa, como vimos.

Passado o susto inicial, a dimensão da força norte-americana nos Açores, particularmente no que diz respeito à presença de destroyers, começa a ser posta em causa, designadamente por falta de alvos ou por impossibilidade de chegar em tempo útil a uma localização identificada. A defesa do porto de Ponta Delgada, que Portugal é incapaz de garantir, continua a ser um problema. Em agosto de 1917 os destroyers partem para Brest (França), onde eram necessários para escolta de comboios433. Uma nova força ruma aos Açores, composta por um monitor, três

destroyers de pequena dimensão e uma divisão de submarinos, sendo quatro da classe K e um da classe E. Os submarinos constituem um problema desde o início da operação. Desde logo não conseguem chegar aos Açores pelos seus próprios meios, devido a razões técnicas, entre elas pouca autonomia. Quando colocados nos Açores, continuaram a dar sérios problemas operacionais. “Fortunately, after arriving in the Azores – where they were eventually tended by the monitor, USS Tonopah (BM-8) – they spent an uneventful year, largely because mechanical problems kept them out of service for much of that period”434. Tais eram os problemas técnicos

dos submarinos que o responsável pelas forças navais dos EUA na Europa, Almirante Sims, toma a iniciativa de solicitar a Portugal que o Arsenal da Marinha, em Lisboa, dê apoio técnico aos submergíveis norte-americanos em serviço nos Açores. O pedido é transmitido a Sidónio Paes a 6 de maio de 1918435, pelo Ministro dos EUA em Lisboa. A resposta de Sidónio Paes, de

18 de Maio de 1918436, é negativa no que diz respeito ao Arsenal da Marinha, que não tem

docas disponíveis. No entanto e após contatos estabelecidos com uma empresa privada que possui três docas em Lisboa, Portugal disponibiliza os serviços, oferecendo os engenheiros

431 Cf. Livermore, S. W. (Setembro de 1948). Op. cit.; Telo, A. J. (1993).Op. cit. 432 Cf. Livermore, S. W. (Setembro de 1948). Op. cit.

433 Cf. Telo, A. J. (1993). Op. cit.

434 U.S. Submarines in World War I (Primavera de 2004). Underseawarfare Web site. Acedido em

novembro de 2015, disponível em

http://www.public.navy.mil/subfor/underseawarfaremagazine/Issues/Archives/issue_22/ww1.htm.

435 Comunicação do Ministro dos EUA em Lisboa a Sidónio Paes, 6 de maio de 1918. MNE-AHD-PBNA. 436 Comunicação de Sidónio Paes ao Ministro dos EUA em Lisboa, 18 de maio de 1918. MNE-AHD-PBNA.

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navais que a entidade privada não possui. Os EUA aceitam o expediente a 20 de Maio de 1918437.

1.1.

Força consolidada e tática utilizada

Segundo Telo438, a força consolidada dos EUA nos Açores em 1918 é composta por duas

baterias em terra para proteger o porto e respetiva guarnição; uma companhia aeronáutica de fuzileiros com cerca de 150 homens; a quarta divisão de submarinos; um ou dois navios-base; um pequeno número de patrulhas costeiras; um ou dois destroyers de forma permanente; uma frota de unidades de apoio que inclui um navio-base, draga-minas, cargueiros, rebocadores e navios-oficina.

Sob o ponto de vista tático, os norte-americanos mantêm no porto dois submarinos prontos a entrar em ação, para que possam atacar unidades inimigas detetadas pelo serviço de informações. Não havendo informações sobre inimigos nas proximidades, um submarino deve manter-se ao largo de Ponta Delgada, pronto a mergulhar e atacar. Horta e Funchal (Madeira) também são protegidas por submarinos, mas apenas quando tal é possível. Os submarinos norte- americanos nunca atacaram um submarino alemão durante a sua presença nos Açores, permanecendo avariados uma boa parte do tempo em que decorreu a missão. No entanto, após o estabelecimento da base não se registaram mais ataques de submarinos nos Açores, nem na Madeira. Quanto aos hidroaviões, que iniciam os voos em março de 1918, avariam com frequência e despenham-se no oceano. Não tiveram contatos confirmados com submarinos. As duas peças de artilharia que os norte-americanos trazem para os Açores são montadas em março de 1918 de modo a proteger os acessos ao porto de Ponta Delgada, mas nunca chegam a disparar, por falta de alvos. Já perto do final da guerra, são destacados dois destroyers para os Açores, em part-time, para apoiar casos excecionais, uma vez que os Açores permanecem sempre fora das rotas dos comboios439.

1.2.

O dispositivo comentado por olhos portugueses

Através de uma comunicação do Ministério da Marinha ao Ministério dos Negócios Estrangeiros de 1 de Abril de 1918440 ficamos a conhecer o dispositivo norte-americano à altura

437 Comunicação do Ministro dos EUA em Lisboa ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, 20 de maio de

1918. MNE-AHD-PBNA.

438 Telo, A. J. (1993). Op. cit. 439 Cf. Idem, ibidem.

440 Comunicação do Ministro da Marinha ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, 1 de abril de 1918.

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em Ponta Delgada, sendo o rol comentado em termos que nos parecem curiosos, chegando a ser jocosos. O dispositivo consta de um navio monitor de tipo antiquado, armado com quatro peças de grosso calibre e amarrado junto a uma ponta do molhe que está em construção, com boa posição de tiro sobre essa infraestrutura, constando que os EUA esperam outro navio do mesmo tipo; um número variável de seis a oito submarinos de costa, cujas guarnições estão alojadas em casas particulares; um navio-oficina, que serve de navio-chefe e emite sinais radiotelegráficos de avisos submarinos; navios-patrulha e “acidentalmente” alguns destroyers; uma esquadrilha de hidroaviões em fase de organização; um acampamento para forças terrestres, “que se julga de pequeno número” e outro para pessoal, junto a uma zona onde foram construídos hangares; duas peças de 178 mm montadas em viaturas; uma bateria em terra, que deverá ser montada entre duas peças portuguesas já montadas. O Almirante americano está instalado numa casa alugada que domina o porto e que ostenta, à frente, “…um pau espetado no terreno onde arvora a bandeira americana”. Finalmente, uma “casa apalaçada” foi arrendada para serviços administrativos, recreio e outras funções.

Um documento enviado ao Major General da Armada pelo Comandante do cruzador Vasco da Gama, com data de 27 de Abril de 1918441, especifica, por observação direta, o modo de atuar

dos norte-americanos na vigilância a partir de Ponta Delgada. Todas as tardes, é enviado um submarino para a entrada do porto, onde permanece com a torre emergida, recolhendo às oito da manhã do dia seguinte. Registam-se operações aéreas, mas os aviões demoram pouco tempo em cada operação, o que, para o Comandante Neuparth, “…demonstra que não vão longe e que o serviço é para instrução”. Quanto aos navios colocadas em permanência no porto, um monitor, uma canhoeira e três patrulhas, “…ou estão atracados ao cais ou fundeados e amarrados de popa e proa e não estão de modo algum prontos a sair repentinamente se houver qualquer alarme”.

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