5. Økologisk jordbruk
5.1. Økologisk produksjon og omsetnad
As definições de burguesia são muitas e diferem ao longo do tempo, porém, sempre levam em conta a questão da propriedade, pois o que realmente caracteriza um burguês é o fato de ter um bem. A relação entre nobres e burgueses obedecia a uma hierarquia, sendo que os últimos imitavam os primeiros. A nobreza dificultava a ascensão da burguesia, reservando os cargos públicos mais importantes para aqueles que possuíam o privilégio do sangue, desconsiderando a questão do mérito (LEFEBVRE, 1989).
A burguesia financiou a monarquia, através da arrecadação de impostos, originando uma nova forma de riqueza, por meio do comércio com o Oriente, bem como com a extração de metais preciosos na África, o que modificou, por completo, a estrutura social. Essa nova classe, a dos novos ricos, obteve ascensão social através da compra de títulos de nobreza e casamentos, recebendo condecorações. “Essa mescla ou fusão de sangue azul e dinheiro burguês ocorreu em todos os países de cultura capitalista.” (SOMBART, 2009, p. 12, NT)
A sociedade burguesa primava pela aparência, tanto das roupas que usava, quanto do lar em que morava. As roupas apropriadas serviam como signos de diferenciação e superioridade. A austeridade dos interiores e o mobiliário refletiam a prosperidade econômica da família.
Objetos expressavam seu custo e, no tempo em que a maioria dos objetos domésticos era ainda produzida por processos manuais, a elaboração representava um índice adequado para expressar o valor de objetos caros. O custo também comprava conforto, que era tanto visível como experienciado. Mesmo assim, os objetos eram mais do que meramente utilitários ou símbolos de status e sucesso. Tinham valor em si mesmos como expressões de personalidade, como o programa e a realidade da vida burguesa, e até mesmo como transformadores do homem. No lar, tudo isso era expresso e concentrado. Daí a sua grande acumulação. (HOBSBAWM, 2012, p. 351)
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“Luxo e guerra não formam uma boa dupla.” Luxe et guerre n’ont jamais fait bon ménage. (CASTARÈDE, 2014, p. 243, NT)
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Thorstein Veblen (1983) apontou que o vestuário é a melhor forma de se colocar em evidência a situação pecuniária do indivíduo, um código de fácil interpretação, sendo que o gasto com vestimentas tem o escopo de transmitir uma aparência respeitável. Nesse sentido, o consumo de trajes caros revela uma situação econômica superior, além de evidenciar a todos os observadores “que quem o usa não está ligado a qualquer espécie de labor produtivo. [...] O vestuário elegante serve a seu propósito de elegância não apenas porque é dispendioso, mas também porque é a insígnia do ócio.” (VEBLEN, 1983, p. 78-79). O consumo de imitações, bem como de artigos baratos, é considerado impróprio e tal ato acaba por transferir seu valor inferior ao homem que o utiliza. “Achamos belas as coisas, proporcionalmente a seu preço caro.” (ibid., p. 78). O uso de roupas sujas, desgastadas, assim como o uso de uniformes, revela uma condição de trabalhador manual, fato que corrobora a percepção de um baixo poder econômico.
Dessa forma, o luxo servia aos novos ricos como instrumento de comprovação de poder e ascensão social, uma riqueza gerada através da especulação bancária. A burguesia estava ávida por produtos de luxo que refletiam um código social de diferenciação e enquadramento. A vestimenta e os acessórios luxuosos, utilizados por tal classe, refletiam o poder de uma nova estrutura social, fazendo que a aristocracia reagisse de forma semelhante (GODART, 2010). A moda passou a ser utilizada, pela burguesia, como uma maneira de exibição de seu elevado poder econômico; em defesa, a nobreza criou leis suntuárias que impediam o uso de determinadas roupas pela referida classe em ascensão, uma clara forma de repressão.
O princípio fundador da moda é a ‘ostentação’ (conspicuity) [...]. A ostentação é a afirmação agonística, fundamental na luta por posição econômica, status social ou inclusão cultural por meio de elementos visíveis e suscetíveis de serem interpretados por todos. (GODART, 2010)
Veblen (1983) também analisou a relação entre as classes sociais e o uso do tempo, afirmando que a “classe ociosa” não produz riquezas, uma vez que não se sujeita ao trabalho, enquanto a “classe trabalhadora”, da qual faz parte o proletariado, utiliza o tempo de forma produtiva. No que tange ao consumo, o autor apontou que a “classe ociosa” se caracteriza pela prática do esbanjamento, de um dispêndio supérfluo,32 o que definiu como “consumo
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Veblen apontou que o termo supérfluo, apesar de carregar uma conotação negativa, não deve ser compreendido como uma condenação. O autor observou que o consumo ostentatório ocorre a partir do desperdício de recursos na busca pela diferenciação social, exemplificando tal fato com a troca de coleções de moda e o uso de talheres de prata, claras manifestações de que a ostentação precede a utilidade.
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conspícuo”, uma maneira de demonstração de riqueza através da aquisição de bens caros e diferenciados; assim, o objeto em si é um artifício utilizado para a exibição do status social de quem o possui. Artigos de luxo, nesse sentido, deveriam ser adquiridos, exclusivamente, pela nobreza, constituindo um consumo honorífico e prova de superioridade.
A diferenciação entre as classes também está presente nos costumes, na educação, no refinamento, sendo que o homem pertencente à “classe ociosa” não deve se “embrutecer”. A obtenção de produtos de valor superior exige um esforço diferenciado, não braçal, mas um amplo conhecimento do que é válido para viver de forma faustosa e ostentatória.
Nesse contexto, a classe superior servia como referencial de etiqueta, boas maneiras, comportamento, sendo seus hábitos copiados pelas classes menos abastadas. “A observância desses padrões, em certa medida, torna-se também incumbência de todas as classes inferiores da escala”. (VEBLEN, 1983, p. 41). Dessa forma, as classes mais baixas copiavam o estilo de vida das classes superiores, que impunham seus padrões como sinônimos de boa reputação e diferenciação. A imitação, por parte das classes inferiores, almejava conquistar o prestígio e reconhecimento conferidos às classes mais elevadas.
De acordo com Georg Simmel (2008), o processo de imitação é ininterrupto, uma vez que a classe mais elevada, ao adotar um estilo, será copiada pela classe inferior, fato que forçará a primeira a buscar novos padrões, que também serão assimilados pela casta mais baixa, em uma busca constante pela diferenciação. A teoria do trickle-down33 se alicerça na questão de que o ser humano, simultaneamente, deseja ser igual, ou seja, pertencer a um grupo, conservando sua singularidade, o que corresponde à dualidade entre individual e social. A imitação, dessa forma, enquadra-se na esfera social, na aceitação perante o grupo, enquanto a diferenciação resulta na procura do novo, numa fuga da generalização. Esse movimento pela busca do ineditismo e de reprodução de padrões é hierárquico, inicia-se no topo da pirâmide, nas classes nobres, “escorrendo” para as demais, simbolizando uma onda ou um gotejamento, processo este, acelerado pelo capitalismo.
O estilo de vida faustoso da nobreza passava, assim, a ser imitado pela burguesia. Até a década de 1670, o luxo só era representado pela suntuosidade, porém, tal concepção começou a mudar, em Paris, nas mais diversas esferas, tais com a arquitetura, o mobiliário e a moda. O luxo ostentatório revelava-se na grandeza, não estando relacionado, na maioria das vezes, ao conforto, e Versailles é um bom exemplo dessa premissa. A informalidade era o
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“[...] o emprego da palavra ‘supérfluo’ como termo técnico não implica condenação dos motivos ou dos fins buscados pelo consumidor sob essa regra de consumo conspícuo”. (VEBLEN, 1983, p.47)
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oposto da elegância, as roupas eram apertadas e incômodas e os assentos duros garantiam uma postura adequada. A privacidade não era respeitada, até porque Luís XIV gostava de exibir sua superioridade em rituais destinados a um grande número de pessoas. Porém, durante o reinado de Luís XV,34 o luxo passou a se relacionar com o conforto, delimitando novos comportamentos e assegurando uma vida mais privada.
Luís XV acreditava que tinha direito a uma segunda existência, paralela à oficial, e que podia viver essa outra vida longe dos olhos do público. Enquanto Luís XIV praticamente não dedicou espaço a sua vida não oficial, seu bisneto criou para si todo um universo paralelo, em Versalhes. (DEJEAN, 2012, p. 14)
A magnificência e os espaços enormes ainda eram sinônimo de status, porém, a preocupação em tornar as coisas mais confortáveis passou a ser fundamental. A arquitetura criou lugares específicos para atos que deveriam ser praticados longe da observação do público. Dormir, lavar-se, usar os sanitários passaram a ser atividades privadas, o que resultou em um significativo aumento das condições de higiene. Mudanças de hábitos resultavam na criação de novas palavras no idioma francês, como toilette e coiffeurs, citadas anteriormente. Nesse momento, uma nova palavra passou a ser amplamente utilizada: commodité, que além de comodidade, tinha um significado de bem-estar. A alta-costura se aproveitou desse momento e passou a criar modelos mais soltos e confortáveis, o que acabou sendo aceito, gradativamente, em Versailles e copiado pela classe burguesa.
O governo de Luís XV conferiu um novo sentido ao luxo, o conforto em detrimento da suntuosidade. A arquitetura de interiores ganhou novas dimensões, e Versailles, templo da magnificência e formalidade, passou a ser considerado o palácio mais incômodo da Europa. A importância do conforto transformou o luxo em algo mais restrito à família, mais intimista, rompendo com seu caráter puramente ostentatório. O luxo do período era baseado na busca de uma vida confortável, não deixando de ser caro e restrito a poucas pessoas.
Na nova economia da casa confortável, indivíduos se dispunham a pagar fortunas por algo que seria visto apenas pela família e por amigos íntimos, desde que fosse requintado e tornasse sua vida mais fácil. (DEJEAN, 2012, p. 20)
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Luís XV governou a França durante o período compreendido entre 1715 a 1774. Bisneto de Luís XIV, o
delfim herdou o trono aos cinco anos de idade. Até sua maioridade, em 1723, a França foi governada por
Philippe D’Orléans, tio-avó do herdeiro do trono. O reinado de Luís XV foi caracterizado por dificuldades econômicas, descrédito do monarca, além de uma política externa fracassada, fatos que culminaram na preparação da Revolução Francesa (AUGÉ; PETIT, 2013).
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As pinturas da época deixaram de ser feitas na esfera individual, passando a retratar toda a família, o que gerava mais estabilidade social. Os móveis eram confeccionados com o propósito de oferecer conforto. Cadeiras duras, altas, que lembravam um trono, foram substituídas por assentos articulados que podiam reclinar. Os sofás surgiram nessa época com o escopo de proporcionar relaxamento, originando uma nova profissão, a de estofador. Enquanto no reinado de Luís XIV, sentar-se significava uma honra, uma vez que tal ato só era conferido ao rei, a era do conforto rompeu com essa etiqueta. Em busca de privacidade, Luís XV construiu uma série de cômodos pelo interior do palácio de Versailles. As vestimentas duras, pesadas e apertadas foram substituídas por vestes mais leves, confeccionadas com tecidos como seda, musselina e algodão, conferindo uma nova postura corporal. “Esses panos se moviam com o corpo, estimulando um estilo de movimento mais relaxado.”(ibid., p. 25)
A era do conforto proporcionou destaque à burguesia, fazendo que as pessoas mais endinheiradas ditassem tendências. A França estava em crise, em função dos gastos de Luís XIV e das guerras, e o povo se encontrava em uma situação amarga de miséria. Financistas e banqueiros passaram a construir monumentos e habitavam as casas mais luxuosas de Paris, não havendo mais barreiras entre a nova elite financeira e a nobreza, originado os nouveaux riches (novos ricos).
[...] com a ascensão da burguesia, o luxo deixa de ser um privilégio exclusivo de uma condição baseada no nascimento para passar a adquirir um
status autônomo, libertando-se do vínculo com o sagrado e linhas
hereditárias. Assim, intensificam-se os gastos em prestígio e surgem estilos de luxo mais decorativos, lúdicos e impregnados de superficialidade. (ROSA, 2010, p. 25, NT)
A ostentação da riqueza era promovida através de festas, que além de proporcionarem diversão, podem ser caracterizadas como rituais de exibição de um elevado padrão econômico. Índios americanos, em cerimônia conhecida como potlatch, realizavam uma demonstração de superioridade, oferecendo grandes dádivas que deveriam, posteriormente, ser retribuídas em dobro, sob pena de perda de prestígio. A superação dos rivais, em alguns casos, culminava na perda de bens, porém servia como base de diferenciação. As festas galantes do século XIX, les fêtes galantes, foram retratadas por pintores como Antoine Watteau, François Boucher e Jean-Honoré Fragonard, apresentando o caráter lúdico e mundano do período, os costumes e as atitudes de uma sociedade em busca da felicidade, da alegria de viver e dos prazeres sensuais.
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Para o homem ocioso, o consumo conspícuo de bens valiosos é um instrumento de respeitabilidade. À medida que acumula riqueza, ele é incapaz, sozinho, de demonstrar a própria opulência dessa forma. Recorre, por isso, ao auxílio de amigos e rivais, dando-lhes presentes valiosos e convidando-os para festas e divertimentos dispendiosos. (VEBLEN, 1983, p. 38)
A burguesia passou a ter acesso ao que antes era exclusivo da nobreza. Mudanças sociais, nas cidades e na tecnologia caracterizam um novo momento, a modernidade, palavra criada pelo poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867), que vem de modernité, tendo sido utilizada, pela primeira vez, na obra “O Pintor da Vida Moderna” (1863). Nesse texto, o poeta afirma:
Por modernidade eu entendo o efêmero, o contingente, a metade da arte cuja outra metade é eterna e imutável. O pintor (ou romancista ou filósofo) da vida moderna é aquele que concentra sua visão e energia, sua moda, sua moral, suas emoções, no instante que passe e [em] todas as sugestões de eternidade que ele contém. [...] Nós, os artistas, somos acometidos de uma tendência geral a vestir todos os nossos assuntos com uma roupagem do passado. A fé estéril de que vestimentas e gestos arcaicos produzirão verdades eternas deixa a arte francesa imobilizada em um abismo de beleza abstrata e indeterminada e priva-a de originalidade, que só pode advir do selo que o Tempo imprime em todas as gerações. (BERMAN, 2007, p. 160)
O cenário da modernidade de Baudelaire ocorreu na primeira metade do século XIX, sendo vivenciado na primeira capital moderna, Paris, envolta por um período de prosperidade, sob o comando de Napoleão III,35 que se proclamou imperador em 1852. Napoleão III pretendia revitalizar a economia francesa, através do desenvolvimento e da modernização da rede ferroviária e da agricultura (BÉLY, 2009). Seu governo promoveu um processo de urbanização liderado pelo barão Haussmann,36 marcado pela construção de bulevares,37 pela pavimentação de ruas e pela maior velocidade do tráfego. Além de impedir as barricadas38 e manifestações populares, as grandes avenidas compunham um moderno plano urbanístico para Paris. A construção do Opéra Garnier remonta a esse período, fazendo parte do processo de urbanização da cidade. O palácio exibe uma decoração luxuosa que imprime o gosto pessoal de Napoleão III.
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Luís Napoleão Bonaparte, Napoleão III, foi presidente da Segunda República francesa e Imperador do Segundo Império francês, durante o período compreendido entre 1852 e 1870, sendo o último político absolutista a governar a França. O imperador foi responsável pela reforma urbana de Paris, bem como pela melhoria econômica da França, fazendo que a nação voltasse a ser rica e poderosa.
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Haussmann (1809-1891), administrador francês que dirigiu as grandes obras de transformação de Paris, durante o Segundo Império.
37
Os bulevares podem ser considerados as mais representativas formas urbanísticas do século XVIII. 38
As barricadas são o ponto central do movimento conspirativo do governo de Napoleão III, aparecendo com frequência nos textos de Baudelaire.
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Cabe ressaltar que, durante o governo de Napoleão III, denominado Segundo Império (1852-1870), houve o renascimento do luxo francês, que passou por uma série de crises em função de governos anteriores que impediram o crescimento do setor no país, como a expulsão de peritos protestantes em relojoarias e tecelagens, a pedido da marquesa de Maintenon, segunda esposa de Luís XIV, uma católica fervorosa. A imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III, foi a grande responsável pela revitalização do mercado de luxo na França. A imperatriz, juntamente com Charles-Fréderic Worth,39 inovaram a alta-costura através da inserção de marcas às criações de moda, medida que objetivava dificultar a contrafação (Figura 2). “E, tal como o artista, também o estilista se torna uma verdadeira celebridade, e suas criações são conhecidas através do seu nome.” (RIELLO, 2012, p. 22, NT). Worth revolucionou a haute couture40 (alta-costura), pois suas criações não eram feitas sob encomenda, havendo, dessa forma, uma inversão no processo de criação, iniciando-se com a produção do couturier e não com a encomenda do cliente. Outra novidade tange à apresentação das peças de roupa em manequins vivos (sosies), originando os desfiles de moda, fato comum no lançamento das coleções de maisons atuais.
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Charles-Fréderic Worth é considerado o pai da alta-costura. Worth foi o responsável pela confecção do enxoval da Imperatriz Eugênia.
40
Haute couture refere-se à produção de moda artesanal, confecção profissional de roupas exclusivas, conforme as medidas da cliente. Na França, esse termo goza de proteção jurídica, podendo ser utilizado, somente, por empresas que atendam a determinadas normas predefinidas pela comissão reguladora das casas de moda, a
Chambre Syndicale de la Haute Couture Parisienne, fundada em 1868, por Charles Frederick Worth. As maisons que desejem utilizar o nome haute couture, devem obedecer critérios tais como: produção feita a mão e
sob encomenda; possuir um atelier, em Paris, que empregue, no mínimo, quinze funcionários especializados em seus ofícios, em tempo integral; apresentar, a cada coleção, trinta e cinco desenhos originais (até 1992, deveriam ser apresentados setenta e cinco modelos). Os desfiles de alta-costura são apresentados em período diferente dos de prêt-à-porter. Atualmente, a lista de participantes conta com vinte associados, uma baixa significativa em relação ao ano de 1946, que apresentava cento e seis nomes. A alta-costura é um setor pouco rentável economicamente, mas que carrega consigo uma simbologia esplendorosa de luxo.
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Figura 2 - Etiqueta da Maison Worth, 1900
O tráfego e a multidão são as expressões mais fortes da modernidade, bem como o movimento frenético, a agitação e, consequentemente, as novas formas de comportamento, que acabaram por resultar no “caos”, explorado nos poemas de Baudelaire. O macadame (superfície de pavimentação) é um exemplo desse contexto tumultuado, uma vez que apresentava uma série de problemas aos transeuntes parisienses, fato que contribuía para o agravamento do caos na cidade. Em períodos secos, o revestimento ficava empoeirado e abafado pelo calor; já em épocas de chuva, ficava enlameado com a chuva e a neve.
Nessa época, a rede ferroviária começou a se expandir por toda a França, num período marcado pela Revolução Industrial, pela difusão de ideias socialistas e por grandes transformações no âmbito cultural. A modernidade foi fruto das Revoluções Francesa, Industrial e Americana, trazendo consigo modificações profundas na sociedade, como o desaparecimento da figura do artesão e da tendência de produção de um bem específico para cada pessoa, sendo seus lugares ocupados pela larga escala de produção. O tempo controlado pelo relógio passou a orientar a vida da sociedade moderna, que agora tinha como principal objetivo o lucro, uma decorrência da Reforma Religiosa.
A religião protestante rompeu com a tradição católica de um mundo mágico e da salvação após a vida. Os mais importantes valores disseminados pelo protestantismo referiam- se à salvação em função do trabalho e a não-condenação do lucro. Dessa forma, pode-se perceber que a origem do capitalismo remonta ao protestantismo, com a valorização do trabalho e a conscientização de que somente o esforço realizado em vida garantiria a salvação, e de que somente o trabalho árduo geraria a recompensa.
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O mundo moderno pode ser caracterizado por sua efemeridade, transitoriedade, sendo cercado de velocidade e de novos acontecimentos. Nada é eterno, o que importa é o aqui e o agora. A salvação deve ser conquistada em vida, mediante o trabalho, não devendo ser esperada na eternidade, pois nada será como antes, nada é permanente. O homem moderno somente acredita no hoje, busca algo maior, algo que tenha uma nova sensibilidade, algo que seja capaz de unir o eterno e o efêmero.
As características da modernidade tornam-se ainda mais acentuadas na contemporaneidade. O mercado de luxo se amoldou a esse novo contexto, apresentando uma sólida configuração industrial, estratégias agressivas de comunicação e marketing, estando ancorado em marcas prestigiosas, algumas surgidas na modernidade, que mantêm, até o momento, a mesma tradição e sofisticação do início, tais como Hermès, Cartier, Boucheron,