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4.1 Profesjonell kompetanse – funn fra intervjuene

4.1.2 Yrkesspesifikke ferdigheter

É importante esclarecer que as informações obtidas através dos entrevistados sobre os Faróis se referem ano letivo de 2011, tendo sido possível verificar, durante a nova visita, em meados do primeiro semestre de 2013, diversas alterações. A principal delas diz respeito à mudança dos supervisores, devido à troca de prefeitos. Dos cinco Faróis pesquisados, quatro tiveram alterações em relação aos funcionários – foram trocados todos os supervisores e a maioria dos auxiliares. Codó foi o único Farol que manteve os seus funcionários, o que pode ser explicado pelo fato de o prefeito ter sido reeleito. Essa prática fica clara na fala de uma supervisora:

Outra coisa também que eu acho que posso estar falando para você é a questão dos auxiliares de biblioteca. Porque as formas como as pessoas são selecionadas para trabalhar aqui, geralmente são auxiliares administrativos, e aí tem determinadas funções que eu acredito que estão mudando, assim quando terminam aqueles quatro anos [mandato], aí chega novamente outra pessoa. Eu acho que deveria manter aquelas determinadas pessoas, realmente a gente tem uma funcionária que é desde que fundou, ela tem bastante experiência, teve capacitação no início, aí, quando muda assim, acaba prejudicando. Geralmente eles mudam, e não é nem questão da supervisora para estar acompanhando o Farol, porque estar mudando é muito desagradável. Eu acredito que agora eu tenho que sair para entrar outra pessoa no próximo mandato. Eu acredito que isso prejudica bastante a biblioteca. Devia ser uma pessoa que realmente tem competência, que esteja realmente atingindo os objetivos. Se ela estiver atingindo os objetivos deveria continuar, independente de questões políticas”58.

A partir de uma breve conversa com os atuais supervisores, foi possível observar as dificuldades enfrentadas por eles, uma vez que iniciam o trabalho, muitas vezes, sem nenhuma orientação ou, até mesmo, nenhuma informação sobre o espaço. No caso específico de Coroatá, o Farol que abria em três turnos, agora só funciona durante a manhã e a tarde, por

58 Considerando a flutuação dos funcionários dos Faróis a partir de interesses políticos, optei por não nomeá-los

falta de funcionários; além disso, ficou fechado durante três meses devido à mudança da gestão. Outra dificuldade apontada foi o fato de que, até o final do mês de maio, ainda não haviam recebido nenhuma verba para fazer compra de material de limpeza e /ou expediente. Tal verba se refere aos dois mil reais ao ano (quatro parcelas de quinhentos reais) destinados ao Farol através de uma escola. Foi relatado em um Farol específico que cada funcionário estava tendo de levar o seu papel higiênico e que, muitas vezes, a limpeza estava sendo feita apenas com água.

Cabe aqui sublinhar que o propósito da pesquisa não é analisar a atuação da gestão e coordenação dos Faróis em relação aos municípios do interior – até porque, durante o levantamento dos dados, foi possível constatar a dificuldade de material humano e financeiro da equipe –, mas, sim, verificar quem são os mediadores de leitura e qual é o papel dos Faróis na formação de leitores. É possível que as dificuldades em obter informações dos Faróis pesquisados estejam diretamente relacionadas ao momento vivido pela coordenação e às condições atuais das bibliotecas. Não obstante, faz-se necessário analisar mais profundamente a questão, tendo em vista as relações históricas de dominação que se estabeleceram no Maranhão desde sua fundação e que se ressignificaram com a chamada modernização do estado, a partir do governo Sarney (COSTA, 2006).

Portanto, considerando a realidade observada, algumas questões acompanharam o percurso da pesquisa: Qual seria a real intenção de gastar milhões na construção dos Faróis, sem que houvesse qualquer investimento na formação de pessoas capacitadas, na atualização dos acervos, no planejamento e acompanhamento das atividades realizadas? Como formar leitores sem mediadores de leitura? Como formar um leitor sem ser um leitor? As respostas às indagações realizadas só foram possíveis a partir do contato estabelecido durante a pesquisa com as pessoas que trabalham nos Faróis e com a equipe gestora do projeto.

É sabido que a existência do projeto Farol da Educação do Maranhão se deve ao sucesso do projeto Farol do Saber de Curitiba. Diante desse fato, torna-se necessário conhecer um pouco mais o histórico e o funcionamento dos Faróis do Saber, que se apresentam como importantes espaços produtores de conhecimento e, principalmente, formadores de leitores. Tendo em vista realidades tão díspares, é importante apresentar o contexto do projeto Farol do Saber.

2.3OFAROL DO SABER

A palavra “farol”, segundo o dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, pode significar:

s.m. Torre elevada que possui no seu cimo poderoso facho de luz que serve para orientação dos navios e aviões durante a noite. Marinha. Conjunto das velas de um mastro: o farol do artimão. Projetor de luz colocado na frente de um veículo: o farol do automóvel. Fig. Aquele que esclarece, que guia.

O verbete sugere a seu leitor que através do farol haverá uma orientação, uma luz para guiá-lo em meio à escuridão. Seria esta a ideia que influenciou a concepção do Farol da Educação do Maranhão?

A inspiração para o nome e a arquitetura do prédio vieram da Biblioteca e do Farol de Alexandria. O projeto é inspirado no Farol de Alexandria59 e na Biblioteca de Alexandria, que representa o renascimento cultural, pois aproximou os povos e iluminou a antiguidade com a luz do conhecimento.

Inspirado pela biblioteca de Alexandria, o Farol do Saber é uma rede de pequenas bibliotecas espalhadas pelos 54 bairros de Curitiba. O projeto arquitetônico do Farol do Saber é caracterizado por uma torre de farol com dez metros de altura e área construída de 88 metros quadrados. Essa mesma estrutura foi utilizada pelo estado do Maranhão, ao construir seus Faróis da Educação. Há uma semelhança com o Farol de Alexandria, como se pode observar nas imagens abaixo.

Foto 48 - Farol de Alexandria Foto 49 - Farol do Saber Foto 50 - Farol da Educação

59 O Farol de Alexandria (torre construída em 280 a.C.) é uma das sete maravilhas do mundo antigo; foi

construído para servir de referencial para os navegantes. Ptolomeu mandou construir o Farol de Alexandria para servir de entrada no porto e para informar aos navegantes sobre a proximidade de terras. O Farol tinha lugar na Ilha de Faros e, por causa do nome da ilha, todas as construções com o mesmo objetivo, até hoje, são chamadas de farol.