8. Fordelinger på næringsgrupper og yrker
8.5. Yrkesgrupper etter utdanningsnivå
Os conjuntos ou domínios funcionais são constructos teóricos para explicar didaticamente o que, no concreto, é inseparável: o indivíduo. A teoria de Wallon considera o desenvolvimento da pessoa a partir da relação de seu organismo com o meio. Sua teoria, além de enfatizar a integração entre o organismo e o meio, enfatiza também a integração entre os vários conjuntos ou domínios funcionais: ato motor, afetividade, conhecimento e pessoa. A pessoa então, quarto domínio funcional para Wallon, é a integração dos outros três domínios funcionais.
Os alunos, ao escreverem seus diários, se revelam por inteiro, expressando assim os conjuntos funcionais – ato motor, que é caracterizado pelo próprio ato de escrever, sentimento (pelo qual expressa seus sentimentos e emoções, o que lhes afetou naquele determinado dia por meio da escrita) e, por fim, conhecimento (revelação de seus saberes, selecionando-os e explicando-os por meio da linguagem, recorrendo à sua memória e apresentando seus conhecimentos a respeito de si, do outro e do mundo que o cerca).
Assim, revelam-se uma pessoa inteira, na integração de seus domínios funcionais. Nos diários, registram-se situação agradáveis e desagradáveis, como estas:
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03/05/05
Hoje não pude ir na escola porque estava doente, com febre e garganta inflamada. Minha mãe levou no médico, ele mandou eu tomar bezotacil, dipirona e duas inalações, tomei e já estou melhorando. (Janaína, 4ª série, 10 anos)
08/05/05
Eu quis fazer o diário hoje, domingo. Acordei e dei cartão para ela do Dia das Mães, depois dei um beijo e um abraço nela. Também nos descemos no centro para trocar o presente da mãe do meu pai. Depois eu cheguei em casa, ajudei minha mãe a limpar a cozinha, eu lavei a louça e varri a casa e também arrumei as camas. Depois o meu pai foi trabalhar” (Bianca, 4ª série, 10 anos)
Wallon alerta para o fato de que só se pode separar os domínios ou conjuntos funcionais para efeito de descrição, porque estão entrelaçados. Com esse alerta, segue a descrição de cada um deles.
3.3.1 Afetividade
É a capacidade humana de afetar e ser afetado pelo mundo externo e interno, por sensações agradáveis e desagradáveis. A teoria de Wallon apresenta três momentos marcantes e sucessivos na evolução da afetividade: emoção, sentimento e paixão, que são resultados de fatores orgânicos e sociais.
3.3.1.1 Emoção
É a exteriorização da afetividade, é o primeiro recurso de ligação entre o orgânico e o social, estabelecendo os primeiros laços do mundo humano com o mundo físico. Para Wallon, é a emoção que dá o tom do real, ela é contagiosa e não
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nos deixa indiferentes diante de sua manifestação. Como não ser afetado pelo sorriso/choro, alegria/tristeza, coragem/medo? No diário abaixo, o aluno relata, emocionado, com muita raiva e nervosismo, o episódio da briga com a mãe.
07/06/05
Arrumei o meu quarto e a minha mãe brigou comigo e fiquei muito nervoso e comecei a chutar o pé de banana, dando soco, batendo a cabeça e chorando até perder minhas forças, até machuquei a mão, pensei até [em] me matar de raiva, depois esfriei a cabeça e fui assistir TV. (Breno, 4ª série, 10 anos)
A emoção é uma forma concreta de participação mútua no meio, é um instrumento de sociabilidade e comunicação, colabora para estabelecer relacionamentos e possibilita interações sociais. “À emoção compete o papel de unir
indivíduos entre si por suas reações mais orgânicas e mais íntimas” (WALLON, 2007:124).
Por apresentar um caráter contagioso e fisiológico, a emoção se manifesta por componentes orgânicos, que se explicitam por meio de ação, como: rubor na pele (arrepio), frio no estômago, suor gelado. A emoção, portanto, consiste em “manifestações orgânicas, percebidas por mudanças na plasticidade e tônus corporais e são considerados efêmeras e imprevisíveis” WALLON (apud SAUD, 2005:43).
A emoção dá rapidez às respostas de fugir ou atacar, em que não há tempo para refletir, é uma ação condicionada, determinante na evolução mental. Porém, a emoção estimula mudanças que tendem a diminuir, quando o desenvolvimento cognitivo é estimulado, como no caso do aluno Breno, no diário acima, que após passar sua ira, nervosismo, cai em si, refletindo sobre as consequências e causas da sua ação. Acalmando-se, vai assistir à televisão para esquecer o acontecido.
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Essa ação só foi possível porque a razão prevaleceu sobre a emoção. “Esfriar a cabeça” significou contrapor a razão á emoção.
3.3.1.2 Sentimento
É a expressão representacional da afetividade. Os sentimentos podem ser expressos pela mímica e pela linguagem, traduzindo intelectualmente os motivos. O sentimento é uma ação reflexiva que exige recursos de expressão representacional. O sentimento é uma representação simbólica, mais controlada e menos intensa, que se expressa normalmente por meio de mímicas e/ou de linguagens.
05/03/05
Olá, diário! Hoje eu tive um dia muito difícil, não tive um dia agradável, fiquei com o coração partido, o motivo não posso dizer, por mais que soubesse que ninguém ia ler. Neste momento comecei a chorar e prefiro não escrever mais. Hoje criei um amigo imaginário. (Breno, 10 anos)
No trecho do diário acima, o aluno expressa por meio da linguagem escrita seus sentimentos em relação a seus conflitos familiares e pessoais. O aluno Breno vive uma angústia tão grande, que nem confia em ninguém, chegando a ponto de criar até um amigo imaginário.
3.3.1.3 Paixão
É o aparecimento do autocontrole, tornando a emoção silenciosa, procura dominar a situação. A paixão não aparece antes do estágio do personalismo. Com a
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chegada da paixão, a criança se torna capaz de alimentar secretamente ciúmes, apegos exclusivos e ambições. O diário da aluna abaixo ilustra a sua paixão pelo conhecimento:
25/05/05
Eu sempre gostei de estudar, mas agora estou desgostando, apesar de que eu nunca vou desistir de estudar para ter um futuro melhor. Em casa ajudei meu pai lavar o carro. Eu amo o meu pai. Meu pai me chamou para jogar dama, ele ganhou 9 e eu 1, ele joga dama muito bem. Tive que fazer tarefas de casa porque minha mãe estava gripada, mesmo se ela não estivesse eu ia ter que ajudar, depois lavei meu tênis, brinquei com minha irmã, a gente brinca muito. (Breno, 10 anos)
O aluno neste diário expressa um autocontrole, demonstrando saber o que quer, pois, mesmo estando “desgostoso” com os estudos, sabe do seu valor e necessidade para alcançar um futuro melhor.
3.3.2 Ato motor
O ato motor é o tecido comum para o desenvolvimento dos conjuntos afetividade e cognição. O movimento começa desde a vida fetal. No nascimento persistem, em respostas a determinadas estimulações, sistemas definidos de gestos e atitudes. “Um movimento não se constrói como um edifício, a partir de pedaços talhados conforme seu projeto; tem de substituir o projeto das atividades anteriores pelo seu próprio” (WALLON, 2007:132).
É pelo movimento que a criança imita o adulto, estabelecendo relações, pois ela só imita as pessoas por quem se sente atraída, cativada. O movimento é a primeira forma de expressão da criança, ele revela o que se passa no seu mundo interno e será de importância crucial na formação do seu mundo mental.
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3.3.3 Conhecimento
As funções intelectuais possibilitam à pessoa adquirir conhecimento sobre si e sobre o mundo que o cerca, permitem selecionar informações, compará-las, defini- las, enfim, tais funções possibilitam explicar o que se percebe no mundo, situando- se no tempo, no espaço e na causalidade.
Nossa sociedade valoriza cada vez mais as funções cognitivas, como: percepção, memória, atenção, linguagem, pensamento, raciocínio. Essas funções são prioridades no processo de escolarização, pois acredita-se que, dominando-as, as crianças têm mais probabilidade de ter sucesso nesta sociedade. Muitas vezes o afetivo é esquecido, para priorizar o cognitivo.
Para Wallon, o desenvolvimento pressupõe uma sucessão de estágios, caracterizados não só pela maturação cerebral, mas também pelas práticas sociais. Cada estágio é um sistema completo, e um estágio é gestado no anterior, e prepara para o seguinte.
É a linguagem que abre caminhos para a inteligência discursiva, que possibilita substituir a ação motora direta sobre as coisas, abreviando a aprendizagem. Até o surgimento da linguagem, a criança intervém no mundo tendo como recurso a inteligência prática ou inteligência das situações. Sem a linguagem, a criança ficaria mergulhada em cada instante do presente, sem compreender as relações. Para Wallon, compreender o desenvolvimento das capacidades intelectuais no conjunto do desenvolvimento significa compreender o processo de formação do indivíduo e suas necessidades, levando em conta as diferenças de idade, do corpo, do movimento, da afetividade e da cognição.
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3.3.4 Pessoa
O quarto conjunto funcional expressa a integração dos conjuntos funcionais em todas as suas inúmeras possibilidades. Segundo Prandini (2004:30)
Pessoa é o conceito empregado por Wallon para definir e nomear o domínio funcional resultante da integração dos três primeiros: ato motor, afetividade e conhecimento. Pessoa é o todo diante do qual cada um dos outros domínios deve ser visto, pois para Wallon cada parte dever ser considerada diante do todo do qual é parte constitutiva, sob pena de, ao contrário, perder seu significado essencial.
O conceito pessoa é um termo abstrato, genérico que se refere o que há de comum entre os homens, opondo-se assim, o conceito de
indivíduo, como homem particular, concreto. De acordo com Dourado e Prandini (apud Prandini, 2004:32)
Uma visão de conjunto, em que as dimensões da pessoa se integram de forma dinâmica, alternando-se em relação à predominância de uma ante as demais é necessária para a compreensão da concepção de desenvolvimento walloniana. A integração não é um estado alcançado ao final de um processo, mas define a condição plástica, o equilíbrio dinâmico da pessoa em desenvolvimento.