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Forskjeller mellom norskfødte med innvandrerforeldre og innvandrere mht

4.4.3.1.Coordenadora M e diretor A

M faz uma leitura individualizada do caso de F, que teria criado um escudo:

Olha, eu acho que no caso do F, em específico, foi esse escudo que ele criou. Porque depois que ele veio pra cá e no ano passado nós acabamos, ficamos sabendo mais a fundo, que ele era um aluno assim muito problemático em termos de disciplina, que era um escudo que ele tinha criado, então as pessoas não olhavam pra ele de uma outra forma, entendeu? Porque ele só mostrava essa questão da indisciplina.

O diretor da escola de F comentou sobre o tema da minha pesquisa, em momento de solicitação para verificação da documentação, e se referiu aos sujeitos da pesquisa como sobreviventes na escola em razão da sociabilidade. Mediante sua opinião, comentei que F, por exemplo, era muito popular na escola e o diretor respondeu:“Arroaceiro”.

É possível verificar, nesses depoimentos, as manifestações sobre estereótipos de conduta criados pelos alunos sem a preocupação da identificação do percurso dos alunos, sem o diálogo necessário diante da realidade.

4.4.3.2. Vice-diretora R

R relatou que, com algumas práticas advindas de ações governamentais para a educação, como a chegada dos professores auxiliares, os alunos com defasagem não conseguem mais se camuflar na multidão:

Isso acontecia com mais frequência [os alunos conseguirem esconder sua condição], agora tá acontecendo menos, por quê? Porque tem o professor auxiliar. Para eu colocar o aluno na recuperação que é dentro do horário de aula, é um professor a mais na sala, de português e de matemática. E como tem esse professor ali na sala, eu preciso de um diagnóstico da sala. Então o professor aplica uma atividade individual, o aluno vai fazer e de acordo com essa atividade, vai ter uma pré-recuperação. Então está mais pontual, quando nós não tínhamos isso, passava mesmo, despercebido e lá ficava.

R, assim, confirmou que os alunos, até pouco tempo atrás, disfarçavam-se na multidão. Apontou uma nova situação diante da chegada, nas escolas, de professores auxiliares. Entretanto, não se pode concluir que a situação esteja totalmente alterada pela implementação da medida, já que, diante do quadro geral caótico de condições de implementação do trabalho, é possível que o professor que tenha a função de auxiliar o percurso em sala, esteja sendo realocado para outras tarefas, em casos que se mostrem mais extremos, como na opção da escola 02, para que a professora auxiliar da manhã trabalhasse diretamente com F fora da sala de aula. Especificamente sobre as estratégias dos alunos, R discursou:

Disciplina e alguns, é... Falam que estão cansados, dormem, durante a aula, quer dizer, nem dormem, ficam com a cabeça abaixada porque daí o professor não vai chamar, quando o professor tenta estimular, ele dá qualquer desculpa, um quer ir embora... Se você pegar o livro de registro do aluno que quer ir embora mais cedo, tá com dor de barriga, tá com dor de cabeça, é o aluno que tem maior problema, você entendeu? Então se você for ver, você tem a indisciplina, eu tenho aquele que quer ir embora, porque ele vai ficar livre, fica ali deslocado mesmo, você entendeu? Então assim, alguma coisa ele vai fazer, ele vai dormir... Alguma coisa ele faz. Essas são as estratégias que eles mais usam: ou dormir, ou ficar indisciplinado, ou querer ir embora.

4.3.3.3. Coordenadora J

A coordenadora J assim se manifesta sobre as estratégias usuais dos alunos:

Bem, eles sabem que pra passar de ano, eles precisam ter a presença escolar. Eles não podem ser reprovados porque não adquiriram o conhecimento que aquela série precisava. Eles são alunos que estão na escola, que estão presentes, que estão passando. Mas eles têm um mecanismo, eles estão disfarçados. é melhor a gente ser o bagunceiro. É melhor ser o bagunceiro, ser o bad boy da escola do que ser o analfabeto. Então, eles têm um mecanismo de disfarçar a não aprendizagem. É melhor a gente mostrar indiferença do que a gente mostrar que não tem, que não está aprendendo. É melhor a gente buscar outras tribos do que assumir o rótulo de não aprendiz. Esses alunos vão criando esses rótulos, essas máscaras, é... Criar máscara é uma coisa que a gente aprende desde criança, né? A gente vai interpretando papéis conforme a... Conforme os locais. E esses meninos interpretam, eles interpretam o papel da pessoa que está desinteressada, o da pessoa indisciplinada, eles é... fingem. Os que fazem atividade, se tornam os alunos copistas e vão passando assim... Alguns até parecem ser bons alunos, porque são quietinhos, não dão trabalho, não incomodam, né? Que é uma técnica de não ser notado, né, não incomodar ninguém, e são bons copistas, eles vão passando assim, disfarçadamente pelas salas.

Esses depoimentos dos representantes das escolas convergem com os dos alunos: ou se isolam, escondem-se; ou querem ser o centro das atenções, criando outros motivos que se sobressaiam às marcas de não aprendente. Contudo, existe um papel da escola mediante as estratégias usuais dos alunos de conhecimento da escola que são mesmo utilizadas. Um aluno não pode ter êxito em se passar despercebido, se a escola de fato não deixar de percebê-lo. A conclusão a que se chega é a de que é permitido que atue, já que não se sabe o que fazer com ele. O aluno e a escola convergem numa única representação: jogam o jogo do faz de conta. A frase - o professor finge que dá aula e o aluno finge que aprende - tornou-se lugar comum na fala de ambos (SOUZA, 2003, p.19).

Capítulo 5

MARCAS DO PERCURSO ESCOLAR DESQUALIFICADO E

EXPECTATIVAS ATRELADAS À PERMANÊNCIA COMO ALUNO

Neste capítulo, procurou-se responder às questões relativas às marcas que são incutidas nos sujeitos devido ao seu percurso escolar desqualificado, no ambiente escolar e para além dele. São também explicitados os motivos que fazem com que os alunos, ainda que com essas marcas, permaneçam neste ambiente.

5.1. Manifestação dos alunos