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4. EDUCATION

4.2 An overview of the content in the subject Digital Policing and Investigation:

4.2.3 The third year (B3)

A intenção da pesquisa era discutir, compartilhar saberes e contribuir para a construção e/ou ressignificação de conhecimentos matemáticos e para o desenvolvimento de práticas pedagógicas na Educação Infantil com professoras em um grupo de estudo. Por isso, conciliamos essa intenção com um projeto de extensão universitária da UFSCar, a ser subsidiado por recursos institucionais.

Sabíamos que a Secretaria Municipal de Educação do município de São Carlos/SP buscava projetos de formação continuada para os profissionais da Educação Infantil, para tentar suprir lacunas na formação dos professores, bem como para auxiliá-los com as dificuldades e os problemas da profissão docente encontrados no dia a dia. Além disso, a área

da Educação Matemática na infância não havia sido contemplada com formação alguma. Elaboramos um projeto de extensão, com duração de 60 horas, direcionado para professoras de crianças de 3 a 6 anos que atuam em um mesmo Centro Municipal de Educação Infantil de São Carlos. Submetemos o projeto à apreciação da Secretaria Municipal de Educação que, depois de aprová-lo, nos colocou em contato com a coordenação pedagógica da Educação Infantil do Município. Nesse contato, dois centros com o maior número de professoras trabalhando com crianças de 3 a 6 anos15 foram identificados pela Secretaria de Educação de São Carlos como possíveis para desenvolvermos o projeto. Depois das consultas ao corpo docente, um dos centros se manifestou interessado em receber o projeto.

O primeiro contato com as professoras ocorreu em março de 2010, no Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC). Naquela ocasião, explicamos que o projeto seria cenário de uma pesquisa de doutorado e que o grupo estaria vinculado a um projeto de extensão da UFSCar. Esclarecemos que a UFSCar, através da Pró-Reitoria de Extensão (ProEx), emitiria certificado de participação, com carga horária de 60 horas. A certificação é importante para a progressão na carreira docente dos professores da rede municipal de São Carlos.

Nossa proposta, desde o início, não era oferecer “cursos” em formatos fechados, mas possibilitar ao grupo momentos de aprendizagem coletiva e individual por meio de partilhas, relatos de experiência, estudos de temáticas, escritas e reflexão, pela parceria entre a universidade e as professoras da Educação Infantil.

Foi negociado com as participantes que os encontros do grupo seriam semanais, às segundas-feiras, com aproximadamente duas horas de duração, no seu local de trabalho. O horário escolhido foi à noite, depois do Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC).

É interessante assinalar que nem todas as professoras que trabalham no CEMEI escolhido para a reunião do grupo participam habitualmente do HTPC realizado nesse centro, pois realizam o HTPC em outra escola em que também atuam. Entretanto, isso não foi empecilho para comparecerem no horário combinado, somente para participar do grupo.

As professoras, ao entrarem no grupo, receberam e assinaram uma “Carta convite aos professores” (Apêndice 3), o “Termo de consentimento e livre esclarecimento” (Apêndice 4), e o “Termo de autorização” (Apêndice 5). Obtivemos a autorização e o consentimento no ato, oralmente e por escrito.

15 A razão de as professoras participantes do grupo serem do mesmo centro é que todas poderiam compartilhar ideias para uma mesma realidade, espaço físico e direção pedagógica.

As reuniões sempre aconteceram na sala de aula de uma das professoras participantes. Elas se acomodavam no mobiliário infantil que faz parte da sala. Isso provoca, ocasionalmente, incômodos com a postura, mas elas não reclamavam. Diziam que, na realidade, esse desconforto nem era percebido, pois “não viam o tempo passar”. Havia a possibilidade de pegarem cadeiras para adultos, mas alegavam não ser necessário, pois o “grupo passava rápido”, isto é, o estudo no grupo era o foco, e o local e o mobiliário eram preocupação secundária das professoras.

Desde o início, foi destacado que o grupo era aberto, ou seja, que a entrada, a participação, a frequência e a permanência nele eram voluntárias. Assumimos, assim, que a “colaboração envolve um grau significativo de parceria voluntária que a distingue de um relacionamento de dominação e submissão”, como destacado por Ferreira (2003, p. 82).

A participação voluntária, o engajamento e a participação ativa nos pareceram elementos-chave para a construção de um grupo de estudo colaborativo. Veremos, pelos dados desta pesquisa, que, mesmo as professoras não sendo todas do mesmo CEMEI, com o passar dos semestres, foi possível proporcionar aprendizagens, construção e ressignificação de conhecimentos a partir do compartilhamento de suas experiências pedagógicas, em forma de narrativa oral e com o debate de textos que traziam aportes teóricos para que as práticas de aprender e ensinar matemática na infância pudessem ser compreendidas.

Inicialmente estabelecemos que os dados seriam coletados durante os três primeiros semestres do grupo (de março de 2010 a julho de 2011). No entanto, como o grupo continuou se reunindo, consideramos importante coletar alguns dados obtidos no 4º e 5º semestres do grupo (agosto de 2011 a julho de 2012).

A carga horária semestral dos encontros do grupo foi de 60 horas, sendo 30 delas destinadas aos encontros presenciais do grupo e 30 para a elaboração individual de textos narrativos, planejamento e execução de atividades. A partir de agosto de 2011, a carga horária presencial do encontro do grupo foi renegociada: os encontros passaram a ser quinzenais. O grupo decidiu, então, compartilhar ideias também virtualmente no blog “Educação Matemática na Infância”, do qual a pesquisadora é a administradora. Para que pudessem ser compartilhados no grupo (presencial ou virtualmente), a escrita de textos, o planejamento de atividades e sua execução continuaram sendo tarefas das participantes.

2.4.1 E o grupo ganhou um nome...

No final do primeiro semestre de 2010, as participantes do grupo escolheram e elegeram um nome e uma logomarca para o grupo: GEOOM – Grupo de Estudo “Outros Olhares para a Matemática”, o que pode ser observado na Figura 3, a seguir. Essa escolha coincidiu com o propósito da formadora-pesquisadora, que, além de ter o foco na pesquisa de doutorado, não se afastou do objetivo de também contribuir para a constituição da identidade do grupo.

FIGURA 3 – Logomarca do grupo GEOOM16

Fonte: Imagem elaborada pela pesquisadora

A cada encontro, as professoras se envolviam mais com as temáticas escolhidas e estudadas por elas e desenvolviam seu espírito crítico quanto ao que liam. Em alguns momentos, discordavam dos autores, com relação a expressões como, por exemplo, “aula de matemática”. Quando o autor dava a impressão de estar sugerindo tarefas específicas para ensinar matemática, havia certo protesto, pois elas entendiam que, na Educação Infantil, não há aulas de matemática sistematizadas como nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Elas concordavam que, nessa etapa da escolarização, há a possibilidade de trabalhar a matemática nas diversas situações e nos vários espaços que a instituição de Educação Infantil oferece, como já indicamos no Capítulo 1.

As leituras dos textos (Apêndice 6) - em cópias distribuídas previamente -, somadas aos vídeos assistidos e às discussões realizadas levaram as professoras a produzir narrativas orais e escritas em que comentavam o que estavam aprendendo; e, por vezes, foi possível perceber que ocorreu ressignificação de diversos temas relacionados à matemática na

16 Logomarca idealizada pela pesquisadora e aprovada pelas professoras participantes do grupo no primeiro semestre de 2012.

Educação Infantil. Nossa intenção era promover o confronto teoria-prática, para tentar inserir o conhecimento matemático no processo reflexivo da prática pedagógica das professoras.

2.4.2 As fases do grupo...

A cada semestre, o grupo se movimentou, e isso pôde ser percebido, durante cinco semestres, pelo número de participantes, como mostra a Tabela 1, a seguir:

TABELA 1 — Perfil e número das participantes em cinco semestres de grupo Primeiro semestre de 2010

10 professoras da Educação Infantil 1 graduanda da Pedagogia (bolsista) 1 formadora-pesquisadora

TOTAL: 12 participantes Segundo semestre de 2010

10 professoras da Educação Infantil (mas não são as mesmas do primeiro semestre – 2 saíram e 2 entraram)

2 graduandas (1 da Pedagogia (bolsista), 1 da Matemática) 1 formadora-pesquisadora

TOTAL: 13 participantes Primeiro semestre de 2011

17 professoras da Educação Infantil (3 professoras saíram, permaneceram 7 e entraram 10 professoras)

2 graduandas (1 da Pedagogia (bolsista nova), 1 da Matemática) 1 formadora-pesquisadora

TOTAL: 20 participantes Segundo semestre de 2011

20 professoras (permaneceram 15 e entraram 5 professoras)

3 graduandas (2 da Pedagogia (1 delas, bolsista desde primeiro semestre de 2011), 1 aluna da Matemática)

1 formadora-pesquisadora TOTAL: 24 participantes

Primeiro semestre 2012

24 professoras (permaneceram 15 e entraram 9 professoras)

4 graduandos (3 alunos da Matemática (sendo 1 bolsista da Pedagogia, participante do grupo desde do segundo semestre de 2010) e 1 aluna da Pedagogia-EaD/UFSCar)

1 formadora-pesquisadora 29 participantes

O foco da coleta de dados desta pesquisa foi estabelecido para os três primeiros semestres do grupo; contudo, como o grupo continuou, não poderíamos deixar de registrar que houve o crescimento no número de participantes do grupo no segundo semestre de 2011 e no primeiro semestre de 2012.

O Gráfico 1, a seguir, auxilia na visualização do movimento crescente da participação de professores e graduandos no grupo:

Gráfico 1 — número de participantes em cada semestre

Fonte: Elaboração da autora. Dados obtidos na pesquisa.

O gráfico aponta o movimento de crescimento do grupo e o controle do número de participantes, isto é, o grupo cresceu do primeiro semestre de 2010 ao primeiro semestre de 2012. Já no segundo semestre de 2012 o número de participantes foi controlado pela formadora-pesquisadora, e não foi possível agregar novas professoras, mas quem quisesse sair, poderia. Esse controle do número de participantes foi importante para melhorar a qualidade das interações do grupo colaborativo. Na Tabela 2, é possível notar qual a frequência das integrantes do grupo.

0 5 10 15 20 25 30 35 1º semestre 2010 2º semestre 2010 1º semestre 2011 2º semestre 2011 1º semestre 2012 Doutoranda/pesquisadora Graduandos Professores

TABELA 2 — Tempo de participação das professoras no grupo Nomes das Professoras17 Primeiro semestre 2010 Segundo semestre 2010 Primeiro semestre 2011 Segundo semestre 2011 Primeiro semestre 2012 1 Letícia X18 X X X X 2 Maria Clara X X X X X 3 Ariane X X X X X 4 Pitanga X X X 5 Lucinha X 6 Simone X X 7 Drikinha X 8 Teca X X X X 9 Luana X X 10 Antônia X X X X 11 Laura X 12 Patrícia X X 13 Bianca X X 14 Gabi X X 15 Karen X X X 16 Alice X X X 17 Nicole X X 18 Fernanda X X X 19 Marília X X X 20 Joana X X X 21 Sofia X X X 22 Santuza X 23 Fabiana X X 24 Helena X 25 Luíra X 26 Isabella X 27 Maria X X 28 Belinha X X 29 Laurinha X X 30 Dara X X 31 Julia X 32 Lívia X 33 Zilda X X 34 Mel X 35 Mariana X 36 Analú X 37 Bebel X 38 Laudicéia X 39 Matilde X19

Fonte: Tabela organizada pela autora com dados da pesquisa.

17 Todos os nomes mencionados são fictícios e escolhidos pelas próprias professoras participantes do grupo GEOOM.

18 A marcação “X” representa que a professora participou do semestre correspondente à coluna.

19 Participou no primeiro semestre de 2012 como aluna do curso de licenciatura em Matemática da UFSCar, mas, como é Pedagoga e atua na rede, no segundo semestre de 2012 participou como professora.

Notamos, na Tabela 2, que 39 professoras já participaram do grupo GEOOM, algumas permaneceram 1 semestre, outras 1 ano, outras 2 anos, outras 2 anos de meio. Esse movimento de tempo de permanência no grupo é natural: algumas professoras entram, outras saem; e assim vai se renovando o grupo e vai se configurando também um ciclo de estudos das temáticas relacionadas aos blocos de conteúdos matemáticos. Por exemplo, no primeiro semestre de 2010, entre o estudo dos jogos e das brincadeiras, enfocamos o estudo dos números e do controle de quantidades e, 2 anos depois, no primeiro semestre de 2012, essa temática voltou a ser estudada. Das 25 participantes daquele semestre, somente 3 já tinham estudado essa temática no grupo e quiseram abordá-la novamente em outros textos. O mesmo aconteceu com a temática medidas: foi trabalhada no grupo no segundo semestre de 2010 e, no segundo semestre de 2012, voltou a ser estudada, pois nenhuma participante havia estudado anteriormente.

Outro aspecto interessante na Tabela 2 é que, se cada professora tem anualmente uma turma de aproximadamente 24 crianças, então essa formação continuada realizada no grupo GEOOM atingiu aproximadamente 1.416 crianças. As professoras se esforçaram para “enxergar” mais a matemática presente na rotina da Educação Infantil e proporcionaram às crianças atividades lúdicas, nas quais puderam lidar com o conhecimento matemático. O planejamento e a intencionalidade dessas 39 professoras que já participaram do grupo GEOOM puderam, de alguma forma, beneficiar as crianças e os CEMEIS nos quais essas docentes trabalharam.

O crescimento do grupo se deveu a vários fatores: ele ficou conhecido na cidade; as professoras começaram a falar sobre ele com suas colegas de trabalho, que se interessaram em também fazer parte dele; a participação das professoras no grupo começou a ser sentida nos CEMEI, ou seja, o trabalho do grupo começou a fazer diferença na atuação profissional das professoras.