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The world regained

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Chapter 4: Duplications and self-reflections

4.3 Reflections in Tlön

4.3.5 The world regained

A distribuição em dose individual unitária implica uma distribuição diária de medicamentos para um período de 24 horas (63). De acordo com o Despacho conjunto, de 30 de dezembro de 1991, publicado no Diário da República n.º23 - 2ª série, de 28 de janeiro de 1992, este tipo de distribuição de medicamentos constitui irrefutavelmente um elemento fulcral no complexo processo terapêutico (78); no entanto, nem sempre é aplicável e, portanto, nesses casos é aplicado o sistema de distribuição que satisfaz melhor os objetivos pretendidos em relação à eficácia e segurança (71).

A prescrição médica, que pode ser informatizada ou manual, é transmitida aos SFH para ser analisada e validada por um farmacêutico hospitalar; aquando da validação, este deve ter em conta as interações farmacológicas possíveis, a duplicação terapêutica, as alergias do doente e as posologias inadequadas. Existem alguns serviços que ainda não se encontram informatizados, (ex. pediatria) e, nesse caso, para além da análise e validação da prescrição médica, o farmacêutico também é responsável pela sua transcrição. Qualquer elucidação que seja necessária relativamente à prescrição, em qualquer momento da validação, é feita diretamente com o prescritor ou com a equipa de enfermagem do serviço onde o doente se encontra internado. O sistema informático utilizado possui um atalho para consulta do RCM e do Prontuário Terapêutico, permitindo assim, esclarecer rapidamente quaisquer dúvidas que surjam no decurso da validação. O farmacêutico tem acesso a uma base partilhada onde estão disponíveis as análises bioquímicas e microbiológicas dos doentes a fim de verificar parâmetros analíticos do doente, contribuindo por exemplo para uma seleção da antibioterapia mais adequada. A validação da prescrição origina a dispensa da medicação

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a um determinado doente; no momento da validação o farmacêutico pode dar indicação se determinado medicamento é para ser distribuído por doente, ou então, por serviço através da distribuição tradicional (ex. injetáveis de grande volume, colírios, pomadas, xaropes, medicação de SOS, insulinas, entre outros) (75).

A prescrição médica deve conter os seguintes elementos: nome, idade e número de processo clínico do doente, identificação do médico prescritor e do serviço onde o doente se encontra internado, designação do medicamento por DCI, indicação da dosagem, forma farmacêutica e via de administração, data da prescrição, diagnóstico do doente e justificação do uso de um determinado fármaco, como se verifica com alguns antibióticos, caso esta seja requerida e considerada obrigatória. (ex. a prescrição de alguns antibióticos, como linezolide e tigeciclina, necessita de ser justificada e autorizada pela Comissão de Antibióticos para serem dispensados). Ao longo do estágio curricular tive a possibilidade de acompanhar todos estes passos de validação, colocando em prática vários conhecimentos teóricos adquiridos ao longo do curso.

Após a validação, o farmacêutico elabora mapas de distribuição para o circuito de dose unitária de cada serviço de internamento que posteriormente se bifurcam para os sistemas semiautomatizados Kardex e FDS (Fast Dispensing System). O Kardex possibilita a dispensa por princípio ativo, orientando o TDT através do número da cama, para a respetiva gaveta, por intermédio de sinalização. A FDS aprovisiona os medicamentos por doente, utilizando para tal mangas adequadas para o efeito, assegurando desta forma a estanquicidade, proteção mecânica, proteção da luz e do ar, conservando a integridade e a atividade farmacológica da fórmula oral (75). É importante que a chegada da unidose seja a tempo útil dos respetivos serviços clínicos, sendo que fora dos horários estabelecidos, apenas é fornecida a terapêutica de carácter urgente.

A preparação das gavetas de cada doente, integradas em módulo próprio é feita por serviço, sendo da responsabilidade dos TDT afetos a esta área, com o auxílio dos sistemas semiautomatizados supracitados e de um stock de apoio presente na sala da dose unitária. A existência deste stock de apoio faz jus à existência dos chamados medicamentos externos, ou seja, daqueles que não são distribuídos nem pelo Kardex nem pela FDS. Os módulos estão identificados com o serviço e por sua vez, as gavetas, com o nome do doente, o número da cama e o número do processo. Alguns medicamentos, devido a razões físicas são impossíveis de colocar nas gavetas (ex. paracetamol IV) são dispensados em caixas próprias para o efeito após a correta identificação do serviço e do doente. A medicação que necessita de refrigeração é retirada do frigorífico imediatamente antes do envio do serviço. É importante salientar que até ao momento da saída da medicação individualizada para os serviços podem ser feitas alterações à prescrição inicial, como são exemplo as altas, transições de serviço/mudanças de cama e internamentos de novos doentes, conduzindo a alterações nas respetivas gavetas do doente. Caso a medicação já tenha sido enviada para os serviços, a distribuição é realizada de forma personalizada, através do envio para o respetivo serviço, dos fármacos não existentes no stock avançado da enfermaria. O setor da dose unitária é responsável pela reposição dos stocks avançados de cada enfermaria, ou seja, dos stocks de apoio à dose unitária, todos os dias, à exceção do fim de semana e da quinta-feira. Este stock está pré-definido e é gerado automática e informaticamente, sendo posteriormente enviado com os módulos dos respetivos serviços, com a inscrição “stock avançado”. A entrega da medicação é

realizada pelos AO dos SF, que se dirigem aos respetivos serviços clínicos. No momento da entrega são recolhidos os módulos do dia anterior e, já nos SFH, são realizadas as devoluções dos medicamentos não administrados no perfil de cada doente, ocorrendo a revertência ao stock dos SFH.

No CHTV a distribuição em dose unitária é feita para um período de 24 horas à exceção do fim de semana e feriados que é para 48 horas e para alguns doentes do serviço de medicina física e reabilitação que é para 72 horas.

Durante a minha passagem pelo setor da dose unitária foi-me possível observar e participar em múltiplas atividades acima descritas, nomeadamente a preparação das gavetas de cada doente com o auxilio dos sistemas semi-automatizados ou com recurso ao stock existente, alterações às gavetas de cada doente tendo em conta as alterações da prescrição médica, resposta a pedidos urgentes, reposição dos stocks avançados e devoluções.

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