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WORKING GROUP RECOMMENDATIONS

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As atividades aqui expressas emergiram das necessidades e interesses das crianças verificados durante a realização de algumas atividades de desenho e pintura, no período de observação, nomeadamente a temática das cores. Das suas necessidades, porque aferiu-se que algumas crianças não identificam nem nomeiam corretamente as cores e, algumas crianças não tinham noção do esquema corporal, nem identificavam corretamente as várias partes do corpo. Dos seus interesses porque demonstravam muito gosto em atividades lúdicas e de desenho. No entanto, isto pôde ser ainda percetível mediante reflexão com a educadora cooperante sobre as caraterísticas do grupo e sobre o trabalho desenvolvido até ao momento.

Deste modo, foram desenvolvidas um conjunto de ações, em cooperação com a equipa da sala, que decorreram entre o dia 7 e 8 de novembro, que visaram, por um lado, a aprendizagem das cores e do esquema corporal, por outro lado, um alargamento dos seus conhecimentos nestas dimensões (Apêndice 21).

Neste seguimento, as atividades orientadas encetaram-se com uma canção intitulada “eu mexo um dedo”, acompanhada de uma coreografia que indicava as partes do corpo em sintonia com a letra.

Para Hohmann e Weikart (2003), as crianças através da música, não aprendem somente sobre si e sobre o mundo, mas também desenvolvem competências de coordenação motora e ganham um sentimento de prazer e de autoconfiança nas suas capacidades. Neste sentido, as crianças constroem a sua perceção sobre os movimentos específicos do seu corpo por meio das ações diretas e das experiências que experienciam com o seu corpo e os seus sentidos.

A atividade anteriormente referida foi iniciada no tapete, com as crianças dispostas pelo mesmo, onde dançaram, cantaram e movimentaram-se pelo espaço, realizando os gestos corporais indicados, desfrutando assim da atividade. Contudo, algumas crianças mostravam- se um pouco inibidas, preferindo não realizar os gestos e apenas cantar ou então limitavam-se a observar os colegas a praticar essas ações.

Na sequência desta atividade, foi promovido um diálogo sobre as partes do corpo que exploraram através do qual, juntamente com a estagiária, o grupo refletiu sobre o seu esquema corporal individual e dos seus pares. As crianças conseguiram acompanhar a ação desenvolvida, relembrando as partes do corpo exploradas e souberam nomeá-las corretamente.

Partindo desta situação, passou-se ao segundo momento desta atividade, onde foram apresentadas ao grupo, uma representação de um menino e de uma menina, com alguns membros do corpo em falta. Estas representações despertaram interesse no grupo e suscitaram questões por parte das crianças. Foi iniciada uma conversa em grande grupo de modo a incentivar as crianças a referir aspetos comuns e distintos entre as duas figuras e, principalmente, que mencionassem quais os membros do corpo em falta em ambas as representações. Desta forma, propus ao grupo a realização do preenchimento dessas representações, individualmente, a fim de verificar a perceção que elas possuíam dos membros superiores e inferiores do corpo humano. Possibilitando uma atenção individualizada a cada criança, surge um “momento de linguagem pessoal, de reconstruir com

ela os procedimentos de ação, de orientar o seu trabalho e dar-lhe pistas novas, de apoiá-la na aquisição de habilidades ou condutas muito específicas” (Zabalza, 1998, p. 53)

Sendo este grupo de crianças muito grande, foi necessário desenvolver esta atividade em pequenos grupos. As restantes crianças, enquanto não participavam na realização desta tarefa estiveram envolvidas noutras atividades como plasticina e exploração das áreas da sala.

Apenas ressalvo que, foram notórias grandes diversidades na representação gráfica das crianças, no entanto, há que salvaguardar que as idades das mesmas variam entre os 3 e 4 anos. Também, não era pretendida uma representação percetível com as partes do corpo humano, mas sim uma representação de acordo com as competências e ideias de cada criança, onde estas revelaram ter a consciência de que algo estaria a faltar (Figura 31,32 e 33).

Importa salientar que no decorrer da atividade incentivei as crianças a falarem sobre a sua representação de forma a exteriorizarem verbalmente os seus conhecimentos. Bem como, deu-me oportunidade de aferir não só o conhecimento sobre as partes do corpo humano, mas também se utilizavam de forma adequada os materiais e observar a sua capacidade de concentração na atividade a se desenvolver.

Abordando outra atividade realizada – o jogo de associação de cores. Este jogo foi realizado em grande grupo e consistiu em solicitar às crianças que retirassem uma bola colorida do saco, a fim de serem capazes de identificar corretamente a sua cor e posteriormente associá-la ao espaço da caixa com a cor similar. Todas as crianças participaram no jogo e verifiquei que o mesmo despertou a sua curiosidade e o seu interesse. Contudo, algumas crianças não conseguiram atingir o objetivo desta atividade, pois não reconheceram acertadamente a cor da bola selecionada e, consequentemente não conseguiram associá-la ao espaço colorido correspondente. Neste sentido, foi necessário orientá-las e, Figuras 31,32 e 33. Representações dos membros do corpo em falta de três crianças.

assim, conseguiram estabelecer corretamente a associação entre a cor da bola e a cor do espaço da caixa.

Importa referir a importância do jogo na educação infantil, tal como Kishomoto (1994) refere “o jogo favorece o aprendizado pelo erro e estimula a exploração e a solução de problemas” (p.21). Atendendo que, no jogo a criança também “mostra não só a sua inteligência, mas também a sua vontade, o seu carácter dominante, numa palavra, a sua personalidade” (Chateau, 1975, p. 142).

Neste sentido, é por meio do jogo que a criança coloca “em acção as possibilidades que dimanam da sua estrutura peculiar, realiza as potencialidades virtuais que afloram sucessivamente à superfície de seu ser, assimila-as e desenvolve-as, une-as e complica-as, coordena o seu ser e dá-lhe vigor” (Chateau, 1975, p.17).

Neste seguimento, foi sugerido ao grupo o manuseamento livre de massa de cor. O grupo explorou espontaneamente a massa de cor, não existindo o pressuposto de que fosse realizada uma representação fidedigna de algum objeto ou animal, mas sim a exploração e manuseamento livre desse material. Foi notório um forte envolvimento das crianças nesta atividade, sendo traduzido pelo seu prazer e desejo de explorar o material.

Figura 34. Momento de exploração livre da massa de cor.

Quando as crianças exploram materiais que permitem reprodução, nomeadamente a massa de cor “estão activamente a segurar, virar, bater e transportar, rolar, estender, pôr de pé, empilhar e alinhas; e a estabelecer ligações, impor fronteiras, e modelar”, ou simplesmente, “usam os materiais apenas pelo prazer e interesse na sua exploração” (Hohmann & Weikart, 2003, p. 507).

Efetivamente, as crianças adoraram explorar os materiais, partilhando-os e sem disputa. Finalizada a atividade foi interessante observar as crianças a apanhar os bocadinhos de massa dispersos pela mesa e a arrumar os materiais no seu devido lugar. Todo este processo torna-se necessário para que haja harmonia e bem-estar dentro da sala, sendo desta

forma visível uma aprendizagem e um envolvimento ativo das crianças na execução da atividade.

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