Um espaço pedagógico diferenciado, de fácil acesso, organizado com todo um conjunto de materiais variados e estimulantes, possibilita a aquisição de diferentes aprendizagens significativas, bem como desta forma, assiste-se uma vivência única da realidade, onde as crianças são os principais edificadores da sua aprendizagem. A escolha individual da criança de atividades livres, de acordo com os seus interesses e no que lhe dá mais prazer e, em que lhe é proporcionado o espaço e os materiais para brincarem livremente, permiti-lhes desenvolver a sua de independência em relação ao adulto, de responsabilidade pelos objetos e materiais que utiliza, bem como desenvolver a sua autoconfiança. Todavia, por meio das atividades livres as crianças desenvolvem a sua autonomia, no que concerne a escolha de experiências em que se sintam efetivamente felizes e com as quais se relacionem, intimamente.
As atividades livres nas áreas são momentos de grande enriquecimento, porquanto as crianças iniciam atividades que partem dos seus interesses pessoais e das suas intenções, o que reforça a sua aprendizagem pela ação, sendo reconhecível o seu envolvimento na aprendizagem, pelo nível de concentração que evidenciam nas suas ações e nos seus pensamentos. Por meio das interações com materiais, pessoas, ideias e acontecimentos, que envolvam escolhas e tomada de decisões, onde surgem diálogos sobre o que estão a fazer, tornam as crianças, pequenos aprendizes ativos (Hohmann & Weikart, 2003).
Assim sendo, uma das tarefas fundamentais do educador será, de acordo com Zabalza (1998), organizar um ambiente estimulante com uma grande variedade de materiais, possibilitando às crianças inúmeras possibilidades de ação, ampliando, assim, as suas vivências e desenvolvimento de aprendizagens. O educador, todavia, detém o papel fundamental de motivar e apoiar as crianças em ação, propiciando-lhes segurança e confiança.
Na sala de atividades Arco-Íris, como anteriormente relatado, o espaço está organizado em distintas áreas de atividades, nas quais as crianças no geral gostavam de estar.
Durante todo o meu período de estágio, foi possível observar momentos de cumplicidade e interação com os outros nessas áreas de aprendizagem. Momentos, em que para além das crianças se dedicarem a desenvolver atividades com os materiais desses espaços, de acordo com os seus interesses e forma de ver o mundo, ainda encetavam pequenos diálogos sobre as tarefas que desenvolviam ou até mesmo outros assuntos nos quais se envolviam e faziam parte do seu dia-a-dia. A título de exemplo, tive a oportunidade de observar um pequeno grupo de meninas de 3 anos, que imitavam o momento em grande grupo no tapete, onde era apresentada uma história. Uma menina sentou-se de frente para as restantes, folheava um livro contando a história, realizando expressões faciais e gestuais e mostrava as ilustrações do livro as colegas. São estas múltiplas vivências, de envolvimento, de exploração e de desenvolvimento que as atividades nas áreas permitem.
Deste modo é pertinente que o educador esteja atento às brincadeiras das crianças nas diferentes áreas de atividades e como se processam as suas interações nos vários espaços da sala, pois são nesses momentos que se revelam os interesses e as necessidades de cada criança, sendo estes essenciais para a reflexão do educador e às suas intenções educativas. Neste sentido, quando não estava a orientar alguma atividade com o grupo de crianças, tentava gerir o meu tempo de forma a acompanhar o que podia destes momentos, com ou sem interferência na ação a se desenvolver. Por vezes, havia alguma criança que solicitava ajuda na execução de um jogo ou eu própria inferia essa necessidade. Nas restantes áreas, as crianças eram autónomas e facilmente desenvolviam atividades sozinhas ou em colaboração com outras crianças.
O espaço pedagógico, além de estar organizado para a aprendizagem, deve ser também visto como lugar de bem-estar, alegria e prazer, não descurando assim, que o mesmo seja utilizado pelas crianças para a atividade lúdica. As brincadeiras livres das crianças são de igual modo importantes para o seu desenvolvimento como indivíduos.
O espaço exterior é igualmente considerado um espaço educativo, onde as crianças podem escolher brincadeiras livres, pois oferece uma diversificação de oportunidades educativas, com outras caraterísticas e oportunidades, bem como é um lugar privilegiado de recreio, onde as crianças possuem a possibilidade de explorar e recriar o espaço e os materiais nele disponíveis (ME, 1997).
Neste momento de brincadeira livre externa à sala, o educador poderá observar as crianças ou interagir com as mesmas nas suas brincadeiras, tornando-o num período profícuo e enriquecedor para a sua ação educativa, na medida que, desta forma proporciona um maior entendimento sobre os interesses e habilidades das crianças.
De acordo com Hohmann, Banet e Weikart (1995):
Os adultos deverão desempenhar, no tempo de recreio ao ar livre, o mesmo papel que no tempo do trabalho. Deverão ter uma envolvência activa nos jogos e actividades das crianças; quando brincam com as crianças, deverão falar com elas sobre o que estão a fazer, ajudá-las a resolver problemas a encontrar alternativas e apoio, encorajar e alargar as suas actividades (p.130).
Este tempo exterior permite que as crianças se sintam à vontade para se movimentar, falar e explorar, bem como para brincar com as outras crianças, inventar os seus próprios jogos e regras e familiarizarem-se com os ambientes naturais (Hohmann & Weikart, 2003, p. 231)
Durante o meu período de estágio era frequente participar nestes momentos, juntava- me ao grupo no recreio e interagia com o mesmo. Por vezes, ficava a observá-lo, durante as suas as brincadeiras e, de que forma as escolhiam, que muitas vezes faziam-nas em grupo, outras individualmente, dependendo do tipo de brincadeira que realizavam.
Era comum o pedido de intervenção do adulto na gestão do uso do baloiço, onde era frequente a existência de conflitos, sendo necessário estabelecer regras e estimular o poder da partilha e da amizade entre as crianças. Notava-se que havia um grande interesse das crianças pelo baloiço e pelo escorrega, observando-se a maior parte das crianças junto destes, restando pequenos grupos dispersos, nomeadamente no cavalinho e junto ao muro do jardim, no qual debruçavam-se para observar as plantas e animais aí existentes.
De modo geral, estes momentos de brincadeiras livres, tanto as de interior como as de exterior possibilitam o desenvolvimento de competências fundamentais como a formação pessoal e social da criança.