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Da mesma forma que para o número de poros, resina K, no G3, exibiu também a maior área de poros. Por meio das Figuras 30 e 31, observa-se grande quantidade de microporos distribuídos na superfície das amostras. Quando se compara com o G1 (sem tratamento) – Figuras 32 e 33, nota-se uma alteração na superfície do material. Além de pequenos poros, há uma grande concentração de partículas de carga. Quando o material foi submetido a sete irradiações, observou-se maior uniformização da superfície, com menos quantidade de partículas e maior concentração de microporosidades, o que leva a supor que foram originados pelo deslocamento das partículas. Um aspecto interessante se observa no G4, onde K foi estatisticamente diferente dos materiais TR e L e teve comportamento semelhante aos materiais NT e UGH, apresentando alterações na área de poros. Sabe-se que a água exerce efeito plastificante sobre os polímeros68, causando alterações nas propriedades mecânicas,

entretanto, sobre a porosidade superficial nenhuma informação foi encontrada. De acordo com Austin9, na maior parte do monômero residual se encontra na superfície da amostra, portanto, a sua eliminação se dá de maneira mais rápida e eficiente. Dessa forma, uma explicação provável para o G4, seria a ocorrência de um processo de difusão das moléculas de

monômero residual, localizadas na superfície das amostras, para a água durante o período de imersão, resultando em espaços vazios. Se essa hipótese for correta, esse processo poderia, inclusive, ter auxiliado no aumento da porosidade do G3, pelo fato das amostras terem permanecido em água entre as exposições. Um outro aspecto que pode ser observado, ainda nessas imagens, é que a maioria dos poros pequenos apresenta formas regulares e irregulares. Apesar da diferença do método de polimerização, esses resultados concordam com os de Wolfaardt et al.84, que

também observaram a presença das duas formas de poros, em resinas termicamente ativadas, utilizando duas espessuras.

Quando se analisa o material NT, observa-se que o efeito das microondas foi significativo na área de poros somente entre G2 e G3. Apesar de o número de ciclos não ter alterado o resultado em relação ao número de poros, nota-se que a área para o G2 foi aumentada, somente em relação ao G3. Nas imagens de microscopia (Figura 34) observa-se que a conformação topográfica dos poros, neste grupo, deu-se de forma regular, sugerindo que a porosidade foi originada pelo fenômeno de vaporização do monômero residual15,83. Ao contrário, no G3, onde se observa uma redução da área total de poros. A imagem (Figura 35) evidencia que os poros se apresentam de forma irregular, na região periférica da amostra, sugerindo rompimento das ligações entre as moléculas e rasgamento do material (crazing). Já na região

central (Figura 36), observa-se densificação das pérolas de polímero, com redução da matriz polimérica, sugerindo que novas ligações foram realizadas, fechando os microespaços deixados pela vaporização do monômero.

Para o material TR, no G3, houve redução significativa na área de poros, ou seja, o efeito da irradiação por microondas reduziu significativamente o número e a área de poros. Na Figura 37, nota-se que, no G1, esse material apresenta superfície com microporosidades espalhadas e a presença de partículas de carga. No G3 (Figura 38), a uniformização da superfície é notável, assim como a ausência quase total do material de carga. Assim, para essa resina, a desinfecção com microondas contribuiu para a lisura da superfície, diminuindo assim, a probabilidade de adesão de microrganismos61,78. Com base nessas imagens pode-se supor novamente que próteses reembasadas com a resina TR podem ser irradiadas com microondas, ao contrário da K. Deve-se ressaltar ainda que, seu comportamento foi superior ao da resina L, parâmetro de comparação deste estudo.

Com relação ao material UGH, observa-se que a área total dos poros não sofreu alteração significativa em todos os grupos experimentais. É interessante observar, na Tabela 1, que este material exibiu redução significativa da porosidade nos grupos irradiados. Entretanto, isso não se

confirma em relação à área. Esse fato pode ser explicado com base nas imagens (Figura 39 e 40), onde se nota que o material apresenta muitas microporosidades no grupo G1. Assim, provavelmente, quando ocorreu a diminuição do número de poros, no G3, essa redução não foi suficiente para promover uma alteração na área total de poros, devido às pequenas dimensões dos poros eliminados durante as irradiações. No entanto, podemos supor que esse material, apesar de conter muitos poros, não apresenta condições ideais para o alojamento de microorganismos, uma vez que esses apresentam pequenas dimensões (em torno de 10µm2).

Para a resina Lucitone, a área total de poros não apresentou diferenças estatísticas em todos os grupos. Assim, a irradiação em microondas, nos grupos G2 e G3, não alterou a área inicial dos poros desse material. De acordo com Faraj e Ellis40, resinas processadas com suficiente pressão de prensagem e polimerizadas com temperatura inicial em torno de 700C e, posteriormente aumentada para assegurar a completa polimerização, com baixo índice de monômero residual reduz a formação de poros. Neste estudo, a resina L, utilizada como parâmetro de comparação, foi processada durante 90 min a 730C e mais 30 min a 1000C, de acordo com as instruções do fabricante. Assim, é provável que houvesse pouco monômero residual para induzir uma reação adicional de polimerização.

Quando os materiais são comparados entre si, nota-se no G3, que os materiais apresentaram diferentes comportamentos. A resina K apresentou a maior área total de poros e a TR a menor, em relação aos demais materiais, confirmando que esses dois reembasadores foram influenciados significativamente pelas microondas.

Dentro das limitações deste estudo, a implicação clínica dessas observações é que próteses reembasadas com a resina Kooliner deveriam ser desinfetadas por outros métodos, uma vez que uma superfície porosa apresentará mais irregularidades, depressões e vales, os quais contribuem para o aumento da rugosidade. Pacientes portadores de estomatite protética deveriam utilizar próteses com superfícies mais lisas para facilitar a remoção dos microrganismos. Para os outros materiais, a exposição às microondas até 7 ciclos não trouxe grandes alterações de superfície, em relação ao grupo sem tratamento. Entretanto, nos casos de estomatite protética mais severa, tem sido observada a necessidade de um maior número de desinfecções para eliminação da candidose. Além disso, neste estudo foram utilizadas amostras com 3 mm de espessura e a espessura de um reembasamento clínico varia em torno de 1,3 mm69. Assim, outros estudos complementares são necessários para avaliar o efeito de um maior número de ciclos de irradiação, utilizando espessura de material reembasador mais próxima dos procedimentos clínicos.

Figura 30 - K – G3 - Região Central

Aumento de 100x. Figura 31 - K – G3 - Região Central Aumento de 100x.

Figura 32 - K – G1 - Região Central Aumento de 100x.

Figura 33 - K– G1 – Região Central Aumento de 100x.

Figura 35 - Microfissuras - NT – G3 – Região periférica

Figura 34 - Poros regulares NT – G2 - Região central

Figura 36 - Compactação das pérolas de polímero – NT – G3 – Região central.

Figura 37 - TR – G1 - Região Central.

Aumento e 100x. Figura 38 - TR – G3 - Região Central. Aumento de 100x.

Figura 39 - Microporos - UGH – G1 – Região Central. Aumento de

100x.

Figura 40 - Imagem ampliada. Microporos (10µm2) UGH – G1 –

7 Conclusão

Com base nas condições experimentais deste estudo e de acordo com a metodologia empregada, pôde-se concluir que:

1. as irradiações por energia de microondas aumentaram o número de poros para o material K (P<0,05), quando este foi submetido a 7

ciclos, em relação ao G1. Entretanto, a área total de poros não exibiu essa influência (P>0,05) em todos os grupos avaliados;

2. o material NT não sofreu influência das irradiações para o número de poros em todos os grupos, entretanto a área de poros foi reduzida (P<0,05), quando utilizados 7 ciclos (G3), em comparação a 2 ciclos

(G2);

3. as microondas reduziram o número de poros para o material TR (P<0,05), quando este foi submetido a 7 ciclos, em comparação ao G1

e G2. Sua área total de poros, no G3, exibiu redução significativa em relação aos demais grupos avaliados;

4. a resina UGH, quando submetida a 7 ciclos de irradiação (G3), teve o número de poros reduzido (P<0,05), em relação ao G1 e G4.

Entretanto, a área total de poros foi estatisticamente igual para todos os grupos;

5. o número e a área de poros do material L não foram influenciados (P>0,05) pelas irradiações.

*ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e documentação – referências – elaboração. Rio de Janeiro, 2002. 24 p.

1. ALVES, M.O. et al. Efeito de tratamentos térmicos sobre a temperatura de transição vítrea de resinas para reembasamento e base de prótese.

Pesqui. Odontol. Bras., São Paulo, v. 17, supl., 2, p. 93, set. 2003.

2. AMERICAN DENTAL ASSOCIATION. COUNCIL ON DENTAL