2.3 Trøndelag
2.3.2 Wind power development at Fosen
Tendo em conta este contexto e esta realidade específica e bem diver- sificada que caracteriza as estruturas teatrais da região de Lisboa e Vale do Tejo, desenvolveu-se uma análise que pretendeu aproveitar a expe- riência de um início de acompanhamento mais directo e regular a estas estruturas por parte dos autores, e uma reflexão mais sistemática sobre a organização e funcionamento das actividades culturais e criativas, com vista à consolidação de um conjunto de princípios e orientações que per- mitissem olhar de forma mais detalhada e afinada para esta realidade múltipla e muito diversa que é o mundo do teatro na região.
O objectivo final de toda esta reflexão é construir uma tipologia que permita mapear a diversidade das estruturas de teatro existentes, e dessa forma poder vir a servir como instrumento para ajudar a reflectir sobre a intervenção pública no sector e sobre a adequabilidade das actuais polí- ticas de apoio e dos critérios em que se apoiam.
Tendo em conta esse objectivo geral, como foi inicialmente referido pretende-se neste texto apresentar uma primeira reflexão que, com base no conhecimento acumulado em concreto sobre estas estruturas teatrais:
• Por um lado identifica um conjunto de dimensões que considera- mos ser fundamental ter em conta para mapear esta diversidade de realidades que caracteriza as estruturas teatrais apoiadas na região de Lisboa e Vale do Tejo;
• Por outro lado sugere um conjunto de tipologias que permitem ti- pificar as diversas situações identificadas em relação a cada um desses critérios, e que serão na prática, a base para uma classificação dos
grupos existentes, que permita operacionalizar a elaboração da tipo- logia geral acima referida.
O resultado preliminar deste processo de reflexão, a ambos os níveis, está expresso no quadro 9.2, mapeando, para cada uma das dimensões ou critérios definidos, um conjunto de categorias que permitem englo- bar/tipificar as diversas situações verificadas nas 35 estruturas estudadas.
Quadro 9.2 – Tipos de diferenciação das estruturas teatrais na região de Lisboa e Vale do Tejo e respectivas tipologias de classificação
Critérios 1. Estrutura organizativa Conceitos Antiguidade Estrutura de produção/ equipa administrativa e de divulgação Estrutura técnica de apoio Estrutura artística
Indicadores (alguns exemplos)
Data de fundação (oficial) das estruturas N.º de elementos fixos N.º de elementos convidados Tipos de contratos: • Por tempo indeterminado, • A prazo, qual prazo? • Recibos verdes, por quanto tempo? N.º de técnicos fixos Tempo médio de duração dos contratos
Tipos de contratos: • Por tempo indeterminado, • A prazo, qual prazo? • Recibos verdes, por quanto tempo? N.º de elementos fixos N.º de elementos convidados Tipos de contratos: • Por tempo indeterminado, • A prazo, qual prazo? • Recibos verdes, por quanto tempo? Tipos • Grupos antigos • Grupos intermédios • Grupos novos • Grupos novíssimos • Estrutura permanente de pequena, média, grande dimensão
• Estrutura de média dimensão, mais ou menos «permanente»
• Estrutura permanente partilhada com outras actividades (cinema, etc.) • Estrutura de reduzida dimensão de carácter pontual
• Estrutura técnica com equipa permanente contratada
• Estrutura técnica habitual contratada para cada espectáculo • Estrutura flexível • Grupos-família: equipa de grandes dimensões com artistas contratados permanentemente; • Grupos-empresa («microempresa»): estrutura de pequenas dimensões, com artistas contratados por períodos mais ou menos longos • «Grupos-plataforma flexível» («grupo-projecto»): artistas contratados por projecto
Critérios
2. Trabalho artístico
Conceitos
Liderança
Atitude estética e criativa
Tipo de espectáculos Público Dinamismo da estrutura Tipos • Liderança carismática (baseada na personalidade de um ou dois fundadores) • Liderança partilhada (pelos fundadores, directores ou responsáveis pelas equipas) • Liderança colectiva (baseada na responsabilidade de todos os que se ocupam de diferentes tarefas no grupo) • Liderança rotativa (baseada na responsabilidade alternada de cada membro da equipa) • Inovadores consagrados • Valores estabilizados • Inquietude permanente • Em busca do seu espaço próprio • Politicamente empenhados • Socialmente dedicados ao meio envolvente • Identidade difusa Tipo de produtos/ espectáculos/performances oferecidos pela estrutura: • Produção teatral (com pouco peso de outras vertentes)
• Produção teatral articulada com outras artes • Públicos generalistas • Públicos alternativos/ experimentais
• Tentativa de combinar as duas vertentes anteriores • Produtos nicho (por exemplo, marionetas, público infantil) Tipo de produções (novas, reposição, acolhimento) e temporadas de exibição: • Espectáculos próprios com elevados períodos em cena
Indicadores (alguns exemplos)
N.º de fundadores N.º de directores actuais • Perguntar aos próprios o tipo de liderança que consideram existir no interior de cada estrutura.
Autodefinição • Solicitar ao grupo três palavras-chave que descrevam a atitude estética e criativa do grupo e construir posteriormente as dimensões consideradas. • Temática central dos espectáculos criados • Tipo de espaço escolhidos para a apresentação dos espectáculos
Espectáculos de teatro Teatro interdisciplinar Teatro + outra disciplina
Idade média dos espectadores Público jovem Público infanto-juvenil Público adulto N.º de espectáculos novos por ano
Tempo de exibição de cada espectáculo
N.º de espectáculos reposição da estrutura
Critérios
3. Inserção no meio artístico
Conceitos
Capacidade de colaboração com outras entidades
Lógicas de reputação
Tipo de comunicação Formação
Tipos
• Algumas criações novas, mas exploração permanente de espectáculos em carteira e reposições;
• Grande intermitência, com espectáculos em cena por curtos períodos de tempo
• Pouca produção própria, com a actividade centrada na produção de eventos ou acolhimentos
• Colaborações/convites para trabalhar com insti - tuições culturais de prestígio • Co-produções. (por exemplo, MM, TT, D.M.II, CCB)
• Colaborações artísticas, técnicas com outras estruturas teatrais da mesma «geração» • Colaborações com estruturas variadas, de forma mais transversal por razões artísticas e técnicas • Acolhimentos a outras estruturas no espaço • Não estabelecem relações de colaboração
• Reconhecimento pelo público generalista • Reconhecimento pelos públicos teatrais mais especializados, critica, mediadores culturais • Reconhecimento pelos pares Com o exterior • Tradicional • Inovadora • Pouca comunicação • Formação interna para os membros da estrutura • Organização de acções de formação que visam o alargamento de públicos • Organização de cursos de formação para artistas e especialistas (por exemplo, curso de máscaras)
Indicadores (alguns exemplos)
Tempo de exibição de cada espectáculo
N.º de
espectáculosacolhimentos de outras estruturas Tempo de exibição de cada espectáculo N.º de colaborações financeiras N.º de colaborações baseadas na cedência de espaço N.º de colaborações baseadas na cedência/ empréstimo de material Outros tipos de colaborações institucionais, de divulgação
Colaborações com grupos da mesma geração Colaborações artísticas Colaborações técnicas Instituições com as quais colabora frequentemente N.º de prémios obtidos Tipo de prémio (menção honrosa...) e entidade que atribui o prémio Artigos na imprensa escrita jornal da região, nacional Espectáculos vistos por colegas
Programas dos
espectáculos; blogues; sites internet; Facebook Estrutura promove acções de formação
Membros da estrutura recebem formação Acções pedagógicas e de alargamento de públicos
Critérios 4. Estrutura económica Conceitos Programação Tipo de financiamento Espaço Organização de eventos Apoia acolhimentos e residências a outras estruturas Tipos • Criação teatral • Criação teatral articulada com outras artes, que testa as fronteiras da actividade teatral
• Actividades paralelas como o cinema, a edição de livros
• Organização de eventos regulares (como os festivais de teatro nacionais e internacionais) como entidade organizadora e/ou participante
• Estatal, local, privado, mecenas • Autofinanciamento (peso de actividades complementares ligadas ao cinema, edição, sociabilidades e animação nocturna)
• Espaço próprio para a realização dos espectáculos • Arrendamento de um espaço
• Cedência de um espaço/contratualizado • Espectáculos vão variando o local de apresentação • Actividade anual muito polarizada pela realização de eventos de grande repercussão
• Eventos com peso na actividade da estrutura, mas com menos repercussão • Não é muito importante a realização de eventos regulares na actividade da estrutura
• Acolhimentos regulares, de estruturas mais novas, menos reputadas ou mais experimentais • Acolhimento/ programação regular de estruturas consagradas • Não acolhem, só em situação pontuais
Indicadores (alguns exemplos)
Espectáculos para a comunidade (e participação da comunidade nas actividades do grupo) Serviços educativos Edição de livros Produções para cinema Festivais de teatro nacionais (organização e participação) Festivais de teatro internacionais (participação e organização) Apoio público do MC e duração Bilheteira
Apoio da autarquia local Outras receitas Outros financiamentos (fundações, mecenato...) Espaço próprio Espaço cedido/ contratualizado por prazo longo
Espaço cedido/ contratualizado por médio/curto prazo Sem espaço próprio Realizou espectáculos de grande repercussão/ impacto mediático (televisão e jornais) e sucesso de público importante número de espectadores) Acolhimento de estruturas mais jovens Acolhimento de estruturas consagradas
Tempo de duração média dos acolhimentos
Critérios 5. Amplitude geográfica Conceitos Tipo de itinerância Residências ou estadias para criação
Localização dos grupos
Mercados para os quais o grupo se dirige Grau de internacionalização Tipos • Nunca fazem programação com entidades externas • Não têm espaço disponível
• Fazem regularmente via co-produções com as principais entidades institucionais (convidados) • Fazem regularmente circulação pelas redes de programação municipal (convidados, etc.) • Têm carteira de espectáculos disponível para venda
• Não fazem itinerância dos seus espectáculos • Em estruturas públicas ou em estruturas apoiadas por outros programas (p. e., CCB, ZdB, Espaço do Tempo); no exterior do país; espaços próprios/não convencionais
Centralidade e periferia dos grupos • Lisboa – cidade • Concelhos da AML (periferia próxima) • Concelhos da AML (com autonomia significativa) • Fora da AML • Local/concelhio, fora da cidade de Lisboa e sua periferia directa • Local/concelhio, dentro da periferia mais directamente polarizada por Lisboa • Local/metropolitano Hinterland metropolitano/ regional/extra regional/ nacional (em geral ou em eventos específicos regulares) Espectáculos realizados fora do país; Intenção do grupo de se internacionalizar
Indicadores (alguns exemplos)
Itinerância via co-produção Itinerância via rede municipal
Vendas de espectáculos
N.º de residências em Portugal e no estrangeiro Tipo de estrutura que acolhe as residências do grupo Local Regional Nacional N.º de espectáculos realizados fora do país
Tendo em conta a definição de cinco ordens de factores – estrutura organizativa, trabalho artístico, inserção no meio, estrutura económica e amplitude geográfica – e as respectivas dimensões de análise, preliminar- mente definidas para cada um dos critérios, importa agora adaptar e testar esta grelha na prática, procedendo à classificação e enquadramento de cada uma das estruturas, para cada uma das dimensões definidas. Esse será o passo seguinte na elaboração da tipologia geral aqui proposta, o qual será possível apenas com uma análise aprofundada e o prossegui- mento do acompanhamento regular das estruturas que os autores estão a desenvolver, e com a intensificação de uma colaboração mais intensa com estes diversos grupos, no sentido da identificação dos principais pro- blemas e desafios com que se defrontam e das estratégias que percepcio- nam para se colocar perante eles.