5 CITIZENSHIP REVOCATIONS
5.2 Extent of Citizenship
5.2.1 Who are excluded?
A primeira edição da Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) foi realizada em 2005. O Brasil foi surpreendido por uma proposta de inscrição em uma Olimpíada de Matemática que contemplava somente as escolas públicas de Educação Básica. Este foi o ponto de partida para a criação da OBMEP, cujo lema era “Somando Novos Talentos”.
Assim, a principal razão para a existência da OBMEP são os alunos das escolas públicas, seus desempenhos, interesse e motivação pela Ma- temática. Este grupo de atores individuais é o foco principal dessa po- lítica porque está no cerne de problemas existentes e inter-relacionados:
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o baixo desempenho dos alunos em Matemática, a importância da Ma- temática para o desenvolvimento tecnológico do país, a baixa adesão dos profissionais a esta carreira, a necessidade de profissionais para a formação de novos alunos (BARBOSA,2014, p. 37).
Com uma estratégia de divulgação do evento bastante eficiente, os organizadores conseguiram a participação de 10.520.831 inscritos, 30.031 escolas, contemplando 93,5% dos municípios brasileiros. Essa adesão colocou o Brasil como recordista mundial em número de participantes em competições de Matemática, “superando o último Concours Kangourou, realizado na França, que contou com a participação de quatro milhões de competidores oriundos de vários países do mundo” (MACIEL,2009).
A Tabela4 lista o número de participantes e premiados nos últimos 10 anos. Tabela 4 – Inscrições na OBMEP na primeira e segunda fase e premiados por ano.
Ano Primeira Fase Segunda Fase Premiados
2005 10.520.831 457.725 31.109 2006 14.181.705 630.864 34.743 2007 17.341.732 780.333 33.003 2008 18.326.029 789.998 33.017 2009 19.198.710 841.139 33.011 2010 19.665.928 863.000 33.256 2011 18.720.068 818.566 33.202 2012 19.166.371 823.871 45.434 2013 18.762.859 954.926 44.835 2014 18.192.526 907.446 45.664
SegundoSchirlo e Meza(2013), o formato da OBMEP foi construído com base em um projeto que inclui como objetivo o desenvolvimento de estratégias que possibilitem melhorar a qualidade do Ensino de Matemática na Educação Básica. Trata-se do Projeto NUMERATIZAR: “Descobrir, divulgar e aprimorar os talentos de nossa juventude é a forma mais efetiva e rápida de inclusão social”.
Esse projeto, desenvolvido no estado do Ceará a partir de 2003, sob a supervisão da Universidade Federal do Ceará (UFC), foi motivado pelos resultados obtidos pela utilização da estratégia das Olimpíadas de Matemática nas escolas privadas de Fortaleza- CE, cujos alunos se destacaram em Olimpíadas de Matemática e nos principais concursos vestibulares do país (BELLOS, 2007).
Em sua primeira edição, o NUMERATIZAR organizou uma Olimpíada de Matemática na qual participaram cerca de 110.000 alunos do 6o ao 8oano do Ensino Fundamental e da 1asérie do Ensino Médio de escolas
públicas do Ceará. Seus idealizadores o conceberam como um projeto matemático de inclusão social, caracterizado por um conjunto de ati- vidades que tinham como objetivo validar a hipótese de que é possível
encontrar grande número de jovens talentos em Matemática em todas as classes sociais. Segundo um dos objetivos do projeto, após identificá-los (1aFase do Projeto), era necessário motivá-los a avançar nos estudos em
Matemática (2a Fase do Projeto) (SCHIRLO; MEZA, 2013, p. 5).
Com amplitude maior, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas é uma realização do IMPA, com apoio da SBM, e promoção do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC). Esta competição é dirigida aos alunos do 6o ao 9o ano do Ensino Fundamental e aos alunos do Ensino Médio das escolas públicas municipais, estaduais e federais, que concorrem a prêmios de acordo com a sua classificação nas provas. Professores, escolas e secretarias municipais de educação também concorrem a prêmios. Segundo seu regulamento, os objetivos desta competição são (IMPA; SBM, 2014a):
(a) estimular e promover o estudo da Matemática entre alunos das escolas públicas; (b) contribuir para a melhoria da qualidade da Educação Básica;
(c) identificar jovens talentos e incentivar seu ingresso nas áreas científicas e tecnológi- cas;
(d) incentivar o aperfeiçoamento dos professores das escolas públicas, contribuindo para a sua valorização profissional;
(e) contribuir para a integração das escolas públicas com as universidades públicas, os institutos de pesquisa e as sociedades científicas;
(f) promover a inclusão social por meio da difusão do conhecimento.
Os alunos participantes são divididos em 3 (três) níveis, de acordo com o seu grau de escolaridade:
Nível 1: alunos matriculados no 6o ou 7o ano do Ensino Fundamental. Nível 2: alunos matriculados no 8o ou 9o ano do Ensino Fundamental. Nível 3: alunos matriculados em qualquer ano do Ensino Médio.
Participam das provas somente os alunos que, na data da realização das provas, estiverem regularmente matriculados nas escolas inscritas. A OBMEP realiza-se em 2 (duas) etapas:
Primeira Fase: aplicação de prova objetiva (múltipla escolha) a todos os alunos inscritos pelas escolas;
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Segunda Fase: aplicação de prova discursiva aos alunos selecionados pelas escolas, 5% (cinco por cento) dos alunos que realizaram a primeira fase e obtiveram os melhores resultados. Havendo empate, as escolas devem divulgar previamente os critérios de desempate a serem aplicados.
A Primeira Fase caracteriza-se pela aplicação de prova com questões de múltipla escolha pelos professores das escolas inscritas na OBMEP, seguindo instruções e gabari- tos elaborados pela Coordenação Geral da OBMEP. As notas da Primeira Fase não são consideradas para classificação final.
A Segunda Fase da OBMEP caracteriza-se pela aplicação de prova discursiva por fiscais selecionados pela Coordenação Geral para esse fim.
A OBMEP premia alunos, professores, escolas e secretarias municipais de educa- ção, ao alunos da seguinte forma:
i. 500 (quinhentas) medalhas de ouro;
ii. 1.500 (mil e quinhentas) medalhas de prata;
iii. 4.500 (quatro mil e quinhentas) medalhas de bronze;
iv. Até 46.200 (quarenta e seis mil e duzentos) certificados de Menção Honrosa; v. Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC): bolsas de Iniciação Científica Jr do
CNPq concedidas aos 6.500 alunos medalhistas matriculados em escolas públicas no ano seguinte à aplicação das avaliações. Em caso de vacância de bolsas, um medalhista poderá ser substituído por um aluno que tenha recebido uma Menção Honrosa e esteja matriculado no ensino público, a critério da coordenação do PIC; e
vi. Programa de Iniciação Científica e de Mestrado (PICME): bolsas concedidas aos medalhistas de ouro, prata ou bronze de qualquer edição da OBMEP, regularmente matriculados no ensino superior, concedidas por diversas Instituições de Ensino Superior.
Aos professores, até o limite de 1.029 (mil e vinte e nove), e às Escolas, até 495 (quatrocentos e noventa e cinco), as premiação estarão vinculadas à pontuação de seus alunos, segundo os seguintes critérios:
i. 10 (dez) pontos para cada aluno premiado com medalha de ouro; ii. 8 (oito) pontos para cada aluno premiado com medalha de prata; iii. 6 (seis) pontos para cada aluno premiado com medalha de bronze;
iv. 3 (três) pontos para cada aluno premiado com menção honrosa;
v. 1 (um) ponto para cada aluno que compareceu à Segunda Fase e não obteve premi- ação.
A premiação dos docentes será de aparelhos eletrônicos e assinaturas de revistas do professor. E serão distribuídos desde kits esportivos até material didático à escola.
Como visto, as escolas são responsáveis pela participação de seus alunos, não ha- vendo limite para o número de inscritos e todos devem ser estimulados a participar. As escolas são responsáveis pela organização e pela infraestrutura da aplicação das provas da Primeira Fase e também pela sua correção, de acordo com o calendário determinado pela OBMEP. As escolas são também responsáveis pela guarda do material de provas e pela manutenção do sigilo do mesmo, desde o recebimento até a correção e envio da lista de classificados , cabendo até desclassificação em caso de quebra de sigilo.
A Coordenação Geral da OBMEP, designada pela Diretoria do IMPA, tem as seguintes responsabilidades:
(a) planejamento e organização do projeto;
(b) elaboração de material didático das provas e dos gabaritos;
(c) envio dos gabaritos das provas da Primeira Fase e de material didático às escolas; (d) processamento das informações enviadas pelas escolas com os resultados da Primeira
Fase;
(e) aplicação das provas da Segunda Fase;
(f) correção das provas da Segunda Fase e indicação de todas as premiações;
(g) conservação das provas da Segunda Fase por um período de 4 (quatro) meses a contar da data da divulgação dos resultados;
(h) manutenção da página do evento na internet atualizada com informações sobre a Olimpíada;
(i) elaboração do Relatório Final dos resultados.