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Why are they excluded?

In document From Citizen to Non-Existent (sider 71-76)

5 CITIZENSHIP REVOCATIONS

5.2 Extent of Citizenship

5.2.2 Why are they excluded?

A OBMEP é uma ação política pública que nasce em um momento de grandes transformações educacionais, principalmente no que se refere à avaliação em larga escala

1.5. Contribuições da OBMEP 41

e à criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). As ações motivadas pela Olimpíada podem ser confrontadas com os resultados de avaliações educacionais.

Entre as realizações da OBMEP desde sua criação até 2014, em sua décima edição, destacam-se, segundo IMPA e SBM (2014b):

∙ o atendimento pelo PIC de 36 mil e 500 alunos, uma oportunidade de estudar Matemática por 1 ano, com bolsa do CNPq;

∙ a distribuição para as escolas de material didático de qualidade, como apostilas do PIC e Banco de Questões, também disponível em sítio específico;

∙ o atendimento pelo PICME de cerca de 1.321 alunos;

∙ a preparação de medalhistas de ouro, selecionados para participar de competições internacionais, pelo PECI – Preparação Especial para Competições Internacionais; ∙ a preparação de competidores, em 2012, foi criado o POTI – Polos Olímpicos de

Treinamento Intensivo – em parceria com a OBM, com o objetivo ampliar o acesso dos alunos brasileiros a treinamento para competições matemáticas;

∙ a preparação de docentes, em 2012, foi criado o PROF, programa destinado ao aperfeiçoamento dos professores de Matemática. Este programa está em seu terceiro ano no Estado de São Paulo, em parceria com a SEED;

∙ a preparação de estudantes, em 2013, a OBMEP lançou o programa Clubes de Matemática, que já conta com a adesão de cerca de 3000 alunos em 389 clubes em todo o Brasil;

∙ o lançamento do Portal da Matemática, com aplicativos e videoaulas que cobrem todo o currículo da Matemática, do sexto ano do Ensino Fundamental ao terceiro ano do Ensino Médio; e

∙ a mobilização dos Coordenadores Regionais da OBMEP para a realização de ativi- dades, como seminários com professores e cerimônias de premiação.

Em 2015, com o apoio da CAPES, foi criado o programa OBMEP nas Escolas, voltado para o professor de Matemática das escolas públicas. O programa quer estimular atividades extraclasse com o uso dos materiais da OBMEP, tais como provas e Bancos de Questões. Professores de todo o país são habilitados e preparados para desenvolver essa atividade em sua escola ou em escolas vizinhas (OBMEP,2015).

Ressalta-se que a contribuição da OBMEP vai além de criação, ampliação e manu- tenção de projetos a ela vinculados. Uma contribuição que propostas dessa natureza po- dem agregar à qualificação do Ensino de Matemática no país é a possibilidade de oferecer

uma formação na qual o aluno, ao concluir sua escolarização básica, esteja “alfabetizado quantitativamente”.

Cidadãos quantitativamente alfabetizados precisam conhecer mais que fórmulas e equações. Eles precisam de uma predisposição de olhar o mundo através de olhos matemáticos, para ver os benefícios (e os riscos) de pensar quantitativamente acerca de assuntos habituais e para abordar problemas complexos com confiança no valor do raciocínio cuidadoso. Al- fabetização quantitativa dá poder às pessoas ao oferecer-lhes ferramentas para que pensem por si próprias, para fazer perguntas inteligentes aos especialistas e para confrontar a autoridade com confiança. Estas são ha- bilidades requeridas para prosperar no mundo moderno (OCED, 2014, p. 5).

Essas habilidades vão ao encontro dos fundamentos filosóficos da Educação Mate- mática Crítica, de Ole Skovsmose, que defende a necessidade do entendimento do papel da Educação Matemática em uma sociedade democrática: “(...) a alfabetização Matemática, como construto radical, tem de estar enraizada em um espírito de crítica e em um projeto de possibilidades que habilite pessoas a participarem no entendimento e na transformação da sociedade” (SKOVSMOSE,2004, p. 95).

Esse caráter inclusivo associado à OBMEP fica explícito na análise de sua es- trutura de funcionamento, com suas Coordenações Regionais preocupadas em viabilizar a participação de alunos das mais diferentes regiões do país. Além disso, a sistemática de premiação segue o que tradicionalmente é utilizado nas competições olímpicas, mas proporcionou um avanço considerável na condução das atividades.

Além disso, é necessário ressaltar que houve movimento considerável dentro de muitas escolas no sentido de divulgar e, até mesmo, preparar seus alunos para a OBMEP. Esse movimento levou professores a pro- curarem oportunidades de aprofundar e qualificar seu trabalho. Nesse sentido, a discussão sobre os resultados obtidos pelos alunos nas Olim- píadas pode oferecer subsídios à reflexão sobre a qualificação do Ensino de Matemática no país (MACIEL,2009, p. 7).

O desempenho do Brasil nas avaliações do PISA – Programa Internacional de Ava- liação de Estudantes, os relatórios das secretarias de educação e os relatórios de programas de capacitação de professores indicam que há no país uma deficiência séria na qualidade do ensino de Português e Matemática, disciplinas fundamentais na formação profissional e no exercício da cidadania. Em 2012, o resultado do PISA (OCED,2014), apresenta uma ligeira melhora em Matemática: o Brasil saiu de 386 pontos, em 2009, e foi a 391 pontos. Mesmo assim não atingiu a média desejada que é de 494 pontos, ocupando a 58a posição mundial. E quanto ao aprendizado, na escala de 6 níveis, a maior parte dos alunos situa-se nos primeiros níveis.

Em contrapartida, em 2012, foram distribuídas 4.500 medalhas aos alunos com melhor desempenho entre 19 milhões de alunos de mais de 99% dos municípios brasilei-

1.5. Contribuições da OBMEP 43

ros. Cocal dos Alves (PI) é exemplo entre as cidades com cerca de 12 mil habitantes que receberam número expressivo de medalhas. A partir do envolvimento dos alunos premi- ados em atividades de estudos em grupo ou monitorias acompanhadas por professores, elevou-se o nível de aprendizagem dos alunos. Em 2011, 89% deles sabiam o esperado em Matemática nas séries finais do ensino fundamental (QEDU, 2014). Estes dados sugerem um impacto positivo da Olimpíada contribuiu no aprendizado dos estudantes de Cocal dos Alves, embora seja necessário um estudo mais aprofundado para mensurar este possível impacto.

No que diz respeito ao contato entre o aluno premiado e o meio universitário, na OBMEP, este é promovido a partir do PIC, pois seus responsáveis são professores uni- versitários e o Programa se desenvolve sobretudo em salas universitárias, o que traz uma convivência natural do aluno da escola pública com a universidade. Enquetes realizadas entre os medalhistas da OBMEP mostram que a vontade geral dos alunos é a de prosseguir nos estudos universitários.

Observa-se ainda que uma parcela significativa não chega à universidade por causa de suas limitações econômicas, o que tem levado a propor às agências de fomento a criação de bolsas de manutenção para atender a esses alunos.

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2 Avaliação

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