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The welding of sandbars as a possible factor in spit, berm, and beach ridge building

Definida a técnica de pesquisa, a primeira iniciativa foi uma aproximação com os jovens moradores de periferia, para conhecer melhor a realidade deles e dar-se a conhecer.

Por meio de um cadastramento na ONG Favela É Isso Aí, foi possível receber, por e-mail, notícias das atividades realizadas pela organização, que tem muitos trabalhos com jovens de periferia ligados a atividades artístico-culturais. Durante toda a pesquisa, o banco de dados do Favela É Isso Aí, que está disponibilizado no site93

Além de acompanhar a movimentação cultural dos jovens de meios populares por intermédio da ONG, como já narrado no primeiro capítulo, também se assistiu a alguns eventos culturais protagonizados por jovens de periferia. Uma terceira iniciativa foi a realização de uma entrevista semiestruturada com uma jovem de 26 anos, de camada média, ligada a dois programas da UFMG: o Observatório da Juventude,

da ONG, foi uma preciosa fonte de consultas sobre os jovens, bem como o histórico de suas comunidades. Clarice Libânio, coordenadora da ONG, foi quem também disponibilizou os primeiros contatos de jovens de periferia de Belo Horizonte, ligados a movimentos artístico-culturais, que poderiam compor os grupos de discussão.

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que desenvolve ações de pesquisa e ensino ligadas à educação, à cultura e à juventude, e o Ações Afirmativas,95

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que elabora estratégias de combate à exclusão social dos afro-brasileiros e de apoio a estudantes negros(as), sobretudo, os(as) de baixa renda, matriculados(as) nos cursos de graduação da universidade. A entrevista com essa jovem foi proveitosa porque significou uma nova

http://www.favelaeissoai.com.br/

94 http://www.fae.ufmg.br/objuventude/ 95 http://www.fae.ufmg.br/acoesafirmativas/

aproximação com o universo juvenil e uma oportunidade de testar o roteiro de perguntas que seria aplicado no grupo focal.

Também como já comentado no primeiro capítulo, foi feita uma visita a Granja de Freitas com a intenção de conhecer os jovens dessa comunidade e convidá-los para o primeiro grupo focal. Apesar de, ao longo da pesquisa, o recrutamento dos jovens ter se estendido a várias comunidades pobres, a visita a Granja de Freitas foi o ponto de partida para a realização dos grupos de discussão. A visita também teve um significado especial: a aproximação real com uma periferia de Belo Horizonte.

Conhecendo melhor algumas questões do universo da juventude de periferia, começaram os contatos para a formação do primeiro grupo. Partiu-se dos nomes disponibilizados pelo Favela É Isso Aí, dos contatos feitos em Granja de Freitas e de indicados pela “bola de neve”, ou seja, os amigos foram apontando jovens ou pessoas que soubessem de jovens com o perfil necessário. Quando o indicado não se enquadrava no perfil, pedia-se o nome de um amigo ou um vizinho. Em todos os convites, explicava-se que haveria uma pequena ajuda de custo para o transporte e o lanche dos participantes.

Nas primeiras sondagens à procura de jovens para o debate, a emoção falou mais alto, algumas vezes. Nas conversas, as moças e os rapazes contavam da vida dura de trabalhar o dia inteiro, estudar à noite e chegar em casa exaustos depois da jornada dupla. Por causa dessa rotina apertada, muitos que foram convidados não demonstravam motivação em participar dos encontros, que foram noturnos, entre 19 e 21h. Além das aulas no turno da noite ou da jornada de trabalho apertada, também o compromisso religioso foi citado como um impedimento para a participação nos debates. Um dos rapazes sondados alegou que não poderia participar porque estaria em um ritual importante na igreja evangélica que frequentava.

Na conversa telefônica com esse mesmo rapaz, morador de Granja de Freitas, outra manifestação remeteu à realidade penosa da juventude de periferia. Quando informado de que a pesquisadora havia conhecido a mulher dele, a primeira pergunta é se não havia um emprego para ela. O pedido do rapaz, como já comentado anteriormente, foi somente uma das muitas situações demonstrando o índice elevado de desemprego entre os jovens pobres de Belo Horizonte. No decorrer do trabalho de campo, outros jovens também disseram, às vezes constrangidos, que não tinham emprego formal.

No recrutamento dos jovens também se confirmou, não só no primeiro grupo, mas em todos eles, que a juventude é bastante adepta da tecnologia e o telefone celular é o objeto

que mais marca essa adesão; quase todos têm os aparelhos. Outra característica interessante notada nos jovens foi a perspicácia. Nem sempre eles tinham créditos para usar o celular; o aparelho servia, na maior parte das vezes, para receber ligações. Uma das jovens procuradas, ao notar uma chamada em seu celular, não atendeu na hora, mas, curiosa por checar quem a procurava, retornou, em um telefonema a cobrar.

O recrutamento dos jovens do segundo e do terceiro grupos, ligados a movimentos artístico-culturais, partiu da listagem cedida pelo Favela É Isso Aí. Além dessa ONG, também se recorreu a outras e a coordenadores de projetos sociais desenvolvidos nas periferias de Belo Horizonte. As primeiras sondagens foram difíceis. Em algumas situações, os jovens estavam fora da faixa etária estipulada;96

Também chamou a atenção, no recrutamento do segundo e do terceiro grupos, o vocabulário usado, bem diferente dos primeiros entrevistados. Os jovens, especialmente os ligados ao hip-hop, tinham uma forma muito própria de conversar, usando gírias do movimento. No encerramento de um contato telefônico, por mais de uma vez, era usado o “Já é!”, expressão que, no decorrer das conversas, foi decifrada: remete a vários significados, mas, no geral, quer dizer, “Combinado!”.

em outras, não era possível localizá-los porque estavam trabalhando, em sala de aula, ensaiando ou realizando suas apresentações artísticas. Outro complicador é que algumas entidades aos quais os jovens estavam vinculados exigiam trâmites que dificultavam a participação nos debates.

O recrutamento desses grupos também foi diferente porque surgiram alguns mediadores. Oficineiros de ONG’s, líderes comunitários, coordenadores de entidades e até produtores culturais foram, algumas vezes, essenciais para se chegar aos jovens, mas em outros momentos, dificultaram o acesso a eles.

Arregimentar garotas envolvidas com atividades artístico-culturais também foi mais trabalhoso que recrutar rapazes. Elas já eram minoria na listagem inicial e também apareciam menos nos canais de divulgação, como sites de movimentos culturais ou ONG’s. Através da “bola de neve” é que os grupos femininos ligados a movimentos culturais foram sendo descobertos e se pode convidar as garotas para os grupos focais.

No decorrer dos recrutamentos, foi se tornando menos desconfortável a abordagem dos jovens porque já se sabia como falar do grupo focal sem detalhar excessivamente o tema da pesquisa, para não influenciar o debate. Com o passar do tempo,

96 Mesmo considerando que jovens iguais vivem juventudes diferentes, houve uma preocupação em não alargar

demasiadamente a faixa etária dos que participariam dos grupos, fixando-a entre 18 e 22 anos, já que, como faz notar Gatti (2005), é desejável que o grupo focal tenha certa homogeneidade.

também foi se formando uma rede de contatos, 97

Outro ponto que chamou a atenção nos contatos com os jovens é que alguns pediram para levar colegas para assistir ao debate. No quarto e último encontro, uma participante desistiu do grupo de discussão em cima da hora para ir a uma festinha de Natal com as colegas. Os comportamentos confirmam uma das marcas da sociabilidade juvenil, o fato de eles preferirem andar em turma, na companhia dos amigos.

a maioria deles de oficineiros, coordenadores de ONG’s ou de jovens fora da faixa de idade estabelecida, mas que tinham colegas que se encaixavam no perfil, indicando quem poderia compor os debates. Mesmo assim, muitos jovens desistiam de participar na última hora e outros, quando eram contatados para confirmar a participação, diziam que haviam perdido o endereço do local da discussão.

FIGURA 4 – Moradores do Aglomerado da Serra. Foto: Elisa Mendes

Os grupos também tiveram duas “participações especiais”. No primeiro debate, uma jovem levou o bebê de colo porque não tinha com quem deixar a criança. No segundo, um educador cultural levou o aluno de uma das suas oficinas para assistir às discussões.

97 As pessoas e as organizações que ajudaram no recrutamento dos jovens estão citadas nos agradecimentos desta

Apesar de desejável que os participantes fossem desconhecidos uns dos outros, nos grupos focais com jovens ligados a movimentos culturais alguns participantes tinham certa proximidade, o que só foi detectado no momento dos debates. Mesmo recrutados por canais diferentes, alguns já se conheciam porque haviam participado da mesma ONG ou faziam parte do mesmo movimento cultural.

Os jovens que participaram dos grupos deram a entender que gostaram da atividade. Muitos ficavam conversando mesmo após o encerramento dos debates, outros pediam que fossem incluídos em discussões futuras. Pelo menos em dois encontros, no fim das discussões, os jovens trocaram seus endereços eletrônicos e combinaram entre si de se relacionarem por redes como o Orkut.

Neste capítulo, foram discutidas algumas correntes teóricas sobre recepção televisiva, com destaque para as reflexões vinculadas à perspectiva dos estudos culturais, que auxiliará no entendimento da recepção dos jovens aos quadros de Minha Periferia. Também se explicou por que foi escolhida a técnica do grupo de discussão, como foram desenhadas as composições dos grupos e de que maneira se chegou aos jovens de camadas pobres, com o intuito de compreender as percepções deles sobre os quadros de Casé, que serão apresentadas nas duas próximas seções.