6. DISKUSJON – WEBKAMERA SOM INTIMITETENS VERKTØY OG HINDRING . 117
6.1.3 Webkameraets portvokter
De acordo com Maia (2007, p. 77), “quando se trata do gênero 'música' é importante que a sua densidade estética não seja analisada de maneira isolada, já que é parte de um contexto”. No Brasil, São Paulo foi responsável por mudanças e consolidações de gostos musicais. Desde a Semana da Arte Moderna, em 1922, o país começou a criar sua identidade, que antes era marcada pela cultura européia. A cidade se desenvolveu acolhendo imigrantes de várias origens e estava “em constante ebulição”.
Foi nesse período que surgiram as primeiras emissoras de rádio. Em 1923 nasceu a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A década de 30 assistiu a uma verdadeira proliferação de rádios. Maia (2007, p. 78) afirma que,
A música, com seu poder lúdico, arrebatava corações e mentes. Era como se a procura por algo idílico estivesse no centro das atenções das pessoas, que acolhiam as mais variadas tendências, sempre optando por aquelas que satisfizessem as suas necessidades mais imediatas. Fenômeno nacional, a música vai se constituindo como uma referência cotidiana. E assim a música criou raízes no cenário nacional passando a fazer parte do cotidiano das pessoas dos grandes centros urbanos e das áreas rurais também, devido a amplitude radiofônica que foi se fortalecendo cada vez mais. A autora salienta que a música sertaneja ganhou notoriedade no período, por causa do
público interiorano que residia nas cidades e sentia falta do seu lar. Além disso, as músicas detinham um lugar privilegiado nas programações radiofônicas.
O rádio mantinha uma presença muito forte na vida das pessoas, trazendo os lançamentos dos mais variados estilos musicais, contribuindo assim para a formação de um público que podia saciar a sua vontade de audição de uma maneira mais plural. (...) A quantidade de programas e o tempo dedicado ao gênero demonstram a importância da música na composição da grade da programação. Maia (2007, p. 81 82)
Maia observa também que a “americanização” não obteve tanto sucesso com os produtos musicais como os filmes hollywoodianos, pois a música brasileira sempre teve seu espaço garantido e ainda era mais ouvida que a estrangeira. Além disso, o rádio, mesmo sendo um difusor de propagandas e consumismos, foi responsável pela construção da cultura musical do país.
Hoje, são outros tempos. Na era da informática, muita coisa mudou. Prado (2007, p. 88 89) afirma que,
Ao pensarmos o rádio hoje, na aurora do século 21, é preciso considerá lo em seus diferentes formatos emergentes das novas tecnologias. Mais que um sinal que sai do espectro, vai para a Internet, e pode ser ouvido em qualquer aparelho, seja um tocador de MP3 ou mesmo um celular, o rádio de hoje pode ser produzido na rede de computadores por qualquer pessoa, radialista ou não. (...) A identificação da proliferação de rádios nas redes telemáticas demonstra o fenômeno que cresce com a própria Internet que, por sua vez, oferece diariamente mais facilidades de utilização, provocando assim um impacto considerável na radiofonia convencional.
Essa nova fase da grande teia mundial, com uma infinidade de meios interativos, está sendo chamada de web 2.0; o que parece ser um termo dado a uma época, ao período de transformações potencializadas pela Internet, depois de se estabilizar mundialmente. E o rádio não escapou dessa mudança.
O importante é escapar do jeito retrógrado da produção radiofônica que imperou na maior parte das emissoras nos últimos 30 anos, com a massificação de músicas ditas populares, e que não passavam de produção musical de qualidade duvidosa. Prado (2007, p. 91)
Isso evidencia uma aparente liberdade sem limites na produção e divulgação musicais, visto que o rádio sempre foi um meio importante para a consolidação de determinado artista ou gênero. Além de ser um entretenimento, infelizmente ele também é usado para jogos políticos e religiosos. A maioria das rádios significativas está nas mãos dos poderosos, o que demonstra que a
programação não tem a “cara do povo”, como deveria ser. Até as canções por ele veiculadas acabam entrando num esquema de “jabá”, só toca quem pode pagar. Segundo Prado (2007, p. 91),
É sempre bom reforçar a função do rádio: a de oferecer entretenimento com liberdade de expressão, imparcialidade política e de qualquer crença, no momento de fornecer as notícias e programar a grade musical, pois sabemos que nem todas as rádios levam o lema em consideração.
Raddatz (2007, p. 98) diz que as zonas fronteiriças físicas são marcadas por uma miscigenação de culturas; as ondas do rádio penetram os países vizinhos e acaba havendo uma troca significativa. Mas e ao pensar numa região sem fronteira como a ? Além da superação de distâncias, há a superação do tempo.
O rádio na web, mesmo que não tenha a intenção primeira de participar na acumulação multicultural do capital, acaba ocupando nichos multiculturais do mercado mundial. Desse ponto de vista, como pensar a questão da identidade cultural em um meio, como a Internet, que não pode ser tratado como local? O local, na rede, é o lugar não de onde se fala, nem e quem se fala. O local tem relação com um espaço relativamente novo: o ciberespaço, o espaço criado virtualmente. Concreto, porque tem um endereço, mas abstrato na sua forma invisível e irrepresentável. Esse espaço é de natureza fabricada artificialmente, mas propicia relações naturais de comunicação. Ele tem sua própria linguagem e segue uma lógica que não pode ser avaliada pelos moldes comuns do que seria lógico. Raddatz (2007, p. 98) Isso revela o papel do ciberespaço nessas novas interações radiofônicas. Os multivíduos têm acesso ao rádio produzido por qualquer internauta, em qualquer lugar do planeta. Raddatz (2007, p.100) aponta que “o número de rádios no espectro é finito, mas na web, não. Não há controle na web, enquanto as tradicionais só podem funcionar sob concessão”. Além disso, o tipo de escuta é modificado, porque na , o espectador pode ouvir a programação antiga que ficou armazenada, o que não acontece com o rádio tradicional.