3. Theoretical background
3.5. Basic analytical methods in meat science and technology
3.5.3. Water binding/ cooking loss
A premissa básica em todo esse trabalho é a de que conceitos são construídos a partir de nossas relações culturais. Isso requer que prescindamos de todas as naturalizações e, portanto, a própria problematização dos termos se mostra como uma prerrogativa essencial. No que diz respeito ao conceito de pastoral, Libânio (1982), por exemplo, considera-a como
o agir da igreja no mundo, onde três categorias fundamentais se apresentam, a saber, “Igreja”, “agir” e “mundo”.
Entretanto, é preciso ainda definir qual igreja, que tipo de agir e de qual mundo estamos falando. Libânio apresenta realidades distintas e se pergunta como a pastoral poderia abarcar e cobrir todas essas dimensões, como por exemplo, a disparidade contextual de uma ação pastoral feita por um bispo em uma paróquia tradicional com suas manifestações religiosas no sul de Minas e, uma organização sindical que se prepara e se legitima para as eleições formando uma chapa intitulada “chapa pastoral”. Em suas palavras:
Como com a palavra “pastoral” posso cobrir duas realidades tão distantes? A chegada tradicional de um bispo, na pompa colorida de trajes eclesiásticos, e a luta de homens de macacão em busca de uma vitória sindical? Visita pastoral, chapa da pastoral. Me pergunto que Igreja? Que agir? Que mundo? (LIBANIO, 1982. p.12).
Nestes termos, a complexidade de realidades tão diferentes nos impediria de dar demasiada ênfase a univocidade dos termos. Precisamos, portanto compreender sua evolução, ou mesmo transformações, a partir das relações estabelecidas entre o conceito e o contexto em que ele se situa. Para Libanio, esta dinâmica é essencial, daí uma análise que vise buscar os princípios do termo.
Segundo sua etimologia a palavra “pastoral” semanticamente permanece ligada à sua origem, ou seja, faz referência a raiz “pastor”. A imagem do pastor entrou na teologia pela prática eclesiástica e esta, através da tradição bíblica, onde o povo de Israel encontrava no cultivo do rebanho de ovelhas a sua principal riqueza e forma de subsistência. Em outras palavras, são características simbólicas advindas da realidade concreta da comunidade. A vida destes povos estava intimamente ligada ao rebanho, neste contexto podemos pensar a respeito da grandeza e importância da função pastoral na medida em que ela nos remete à prática pastoril e seu indispensável valor na constituição e manutenção da comunidade.
No âmbito da função pastoral, enquanto ação do povo de Deus na comunidade eclesial e na realidade social (FLORISTAN, 2002), esta ação não se configura como um sinônimo de prática, mas de uma ação reflexiva, que segundo Castro:
Prática, do termo grego prakticós, resume-se a repetição rotineira e ordinária de trabalhos que exigem certas agilidades, portanto não requer
nenhuma reflexão ou teoria para embasá-la. Não se deve reduzir a ação pastoral a uma mera prática. (CASTRO, 2008. p. 752).
Nesta mesma linha de pensamento, Vagaggini (2009) aborda o termo “pastoral” como a arte de conduzir e conservar o povo em Cristo e também Cristo no povo, o povo a Deus em Cristo e Deus em Cristo ao povo, sendo também, a arte de realizar e conservar o encontro entre o povo e Cristo e Cristo e o povo no quadro da Igreja pelos meios indicados pelo próprio Cristo àqueles determinados, impostos ou sugeridos pela igreja.
A pastoral visa atingir o grau mais perfeito e possível nesta relação de encontro que se faz quando o povo recebe a santificação de Deus e responde a essa ação, pressupondo, entre outras coisas, que Deus trata os homens segundo a lei da salvação em comunidade, que é eclesial e hierarquicamente estruturada.
É nessa comunidade estruturada hierarquicamente que Deus age sobre os homens e mulheres por intermédio de outros homens e mulheres, seus mandatários, dando-lhes o título de pastores (as) na prestação da sua obra instrumental; é o próprio Deus em Cristo que age externamente enquanto internamente age com sua graça.
Embora a ação pastoral esteja intimamente ligada com a própria ação de um pastor, que para Libanio (1982) já não nos é mais imediata, pois com a desnaturalização do termo percebemos que na medida em que se distancia do contexto em que se origina e passa a se circunscrever ao nosso urbano e moderno mundo, feito de cimento armado e asfalto e não de campos de ovelhas, o esforço de recuar daquela experiência arcaica se faz mister. Acima de tudo, ganha os contornos de uma responsabilidade por parte da Igreja em instituir o Reino de Deus e sua justiça: “práxis de libertação da sociedade” (FLORISTÁN, 2002. p.20).
É preciso, portanto superar a comum associação que se faz entre pastoral e as atividades do pastor ou pastora, esvaziando a dimensão social do termo. Inserir a pastoral nos espaços públicos e tornar a ação do povo de Deus eficaz na realidade cotidiana requer essa ressignificação ou desnaturalização: “pastoral (é) fruto do esforço missionário da Igreja que busca mudanças, vislumbrando novos tempos na perspectiva do Reino Messiânico de Deus. Não é uma ação esvaziada de sentido” (CASTRO, 2008. p. 753).
O objeto direto da pastoral deve ser o povo, não como soma desconexa de indivíduos, mas o povo “comunidade”, matriz e ambiente vital dos indivíduos (Vagaggini, 2009, p.689). Na América – Latina, por exemplo, “povo” tornou-se uma categoria
preponderante para toda prática comprometida com a transvalorização religiosa. Segundo Comblin: “Na Europa, a palavra “povo” já não representava as lutas sociais – prevalecia o conceito de classe e luta de classes, por influência do marxismo. A longa luta operária havia deixado sua marca na linguagem” (COMBLIN, 2002. p. 90).
O grande feito da teologia da libertação foi associar a imagem do povo de Deus aos pobres. Tratava-se de uma retomada hermenêutica, cujo método dialético determinava uma interpretação bíblica que partisse: “da população do campo ou da periferia das cidades, feita de indígenas, negros descendentes dos escravos ou de mestiços” (COMBLIN, 2002. p. 91).
Nestes termos, o que a teologia da libertação buscou foi justamente incluir a participação popular no processo histórico, algo que consequentemente dava lugar para novos desenvolvimentos teológicos. Assim, a teologia passava a ser mais uma ferramenta para os indivíduos em sua prática de libertação.
Dessa compreensão surgiram as pastorais de cunho mais proféticas e voltadas para a libertação dos pobres e marginalizados. Também a partir daí um número cada vez mais significativo de pessoas passaram a se envolver no próprio processo de libertação, tornando- se assim, agentes dessa missão.
O objeto ao qual se endereça a pastoral, portanto, é o povo. Para Vagaggini (2009), a Igreja tem o dever de conduzir e conservar o povo em Cristo. Apesar de a salvação ter seus aspectos individuais, este autor enfatiza a salvação em comunidade, no quadro da comunidade e por meio da comunidade. A pastoral, não pode ignorar o aspecto individual da salvação, mas muito menos o seu aspecto comunitário.
Quando se trata de tentar estabelecer um elo entre a pastoral e a educação sexual para crianças, toda e qualquer proposta deve ressaltar a ação de uma comunidade e não apenas a figura de um pastor (a), membro ou educador da escola dominical. Todos devem empenhar-se para que a difusão, conceituação e trabalho com as crianças ocorra da maneira mais saudável possível.
Quando se especifica a pastoral a partir de princípios ligados à libertação e ao Reino de Deus surge a possibilidade de fazermos convergir pastoral e educação sexual numa perspectiva de diálogo e mútua cooperação, em que a comunidade estabelece como meta a superação de todas as formas de opressão, inclusive as ideológicas que se difundem a partir
das ideias correntes sobre a sexualidade, perpetuando um número infindo de problemas eminentemente éticos.