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Os nove Carrefours Rurais que existiram em Portugal desde o ano de 1993 ao ano de 2004 deram início às suas actividades informativas entre o ano de 1993 e o ano de 1999 (Tabela 16). 43,5% dos inquiridos identificaram o ano de 1994, como o ano em que mais Carrefours Rurais nacionais iniciaram actividade.

Tabela 16 – Distribuição percentual do início de actividade dos Carrefours Rurais nacionais, por anos

Ano de início de actividade Número de inquiridos Frequência (%)

Ano de 1993 4 17,4% Ano de 1994 10 43,5% Ano de 1996 2 8,7% Ano de 1998 4 17,4% Ano de 1999 3 13,0% Total 23 100,0%

Fonte: Inquérito efectuado no âmbito desta investigação

Esta realidade está certamente relacionada com o facto dos Carrefours Rurais europeus, desde 1989 até 1993, terem constituído um projecto-piloto e, no ano de 1994, ter sido iniciada uma nova fase de implantação destes ao nível da União Europeia, tal como referido no IV Capítulo deste trabalho. Portugal respondeu positivamente com a criação de novos Carrefours Rurais, nesse mesmo ano.

Distribuição geográfica dos Carrefours Rurais

Como o objectivo principal dos Carrefours Rurais era o de difundir informação europeia junto dos cidadãos das regiões rurais, a sua criação implicava a identificação de uma região para a

qual iriam procurar desenvolver actividades de informação e de animação. Em Portugal, tal como já o dissemos no IV Capítulo, foi definido que a distribuição geográfica destes corresponderia a um Carrefour Rural por cada uma das NUTs II (Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos).

Mas, o que aconteceu na realidade foi que, em algumas das respectivas regiões, foram criados mais do que um Carrefour Rural. Vejamos a Figura 3, abaixo apresentada.

Figura 3 – Mapas das NUTs e localização geográfica dos Carrefours Rurais nacionais

Fonte: INE – Gabinete Censos 2001 –

Núcleo de Cartografia Fonte: Produção própria

De uma forma geral, aquando da formalização da candidatura, a instituição proponente procurava envolver outras entidades regionais designadas de entidades subscritoras – entidades parceiras, de natureza diversificada e representativas dos interesses da região para melhor fundamentar a candidatura a apresentar à Comissão Europeia. Para que o envolvimento de diversas instituições/organizações na candidatura em causa fosse uma realidade, a entidade promotora procurava suscitar o interesse de participação em instituições/organizações de vários quadrantes. Primeiro, sob a forma de convite, a entidade promotora procurava juntar à mesma

mesa diversas entidades para proceder à exposição da intenção de apresentação de uma candidatura para a criação de um Carrefour Rural. Depois desta ocorrência eram identificadas as instituições/organizações que pretendiam participar da candidatura em causa, estabelecendo- se relações de parceria mais ou menos formais.

Número de parceiros implicados na criação dos Carrefours Rurais

As entidades parceiras que faziam parte da formalização da respectiva candidatura apoiavam a entidade proponente aquando da apresentação do projecto e, posteriormente, eram desenvolvidas em conjunto actividades informativas no âmbito do respectivo Carrefour Rural. O grau de envolvimento destas prendia-se com a natureza das actividades desenvolvidas. Se as actividades a desenvolver, propostas agora pela entidade hospedeira, as implicassem directamente o seu envolvimento seria maior. Quando não se sentiam directamente implicadas, ou quando seu envolvimento implicasse recursos financeiros, o seu envolvimento era quase nulo ou mesmo nulo. O que quer dizer que, em termos de suporte financeiro, era apenas a entidade hospedeira que tinha que suportar as suas actividades. Claro é, com o apoio proveniente da Comissão Europeia.

A própria Comissão Europeia dava indicações às entidades que demonstrassem interesse em promover a criação de um Carrefour Rural, sobre a importância dessa cooperação regional, referindo mesmo que privilegiaria as candidaturas que o fizessem (Comissão Europeia, 1994a)).

Tabela 17 – Distribuição percentual do número de parceiros para a criação dos Carrefours Rurais nacionais: por classes

Número de parceiros, por classes Número de inquiridos Frequência (%)

1 a 3 parceiros 19 82,6%

4 a 6 parceiros 2 8,7%

7 a 9 parceiros 1 4,3%

Mais de 10 parceiros 1 4,3%

Total 23 100,0%

Fonte: Inquérito efectuado no âmbito desta investigação

No caso dos Carrefours Rurais nacionais podemos verificar que a escala de parceiros que obteve um maior número de respostas por parte dos inquiridos foi a de «1 a 3 parceiros», perfazendo uma percentagem de 82,6%; seguida pela de «4 a 6 parceiros» com uma percentagem de 8,7%; e, por fim, com igual percentagem, pela de «7 a 9 parceiros» e pela de «mais de 10 parceiros» com 4,3% (Tabela 17).

Esta realidade permite-nos referir que o número de parceiros não era significativo. No entanto, parece-nos importante salientar que mais importante do que reunir um conjunto de parceiros aquando da apresentação da candidatura, eram as parcerias que foram sendo estabelecidas ao longo do tempo na consubstanciação e execução de actividades informativas e ou nos projectos no quais os Carrefours Rurais nacionais estiveram directamente envolvidos.

A cooperação e o estabelecimento de parcerias entre os Carrefours Rurais nacionais e outras entidades, bem como entre a própria rede nacional, será analisada posteriormente.

A análise feita neste segundo ponto permite-nos referir que os Carrefours Rurais nacionais deram início às suas actividades informativas entre o ano de 1993 e o ano de 1999, sendo o ano de 1994 o que apresentou maior percentagem de respostas. Certamente que esta realidade se prendeu no facto de os Carrefours Rurais europeus terem constituído um projecto-piloto desde 1989 até 1993 e, só em 1994 ter sido iniciada uma nova fase de promoção da criação destes ao nível dos diferentes Estados-Membros da União Europeia.

No que diz respeito à área de intervenção dos Carrefours Rurais nacionais constatamos que, por um lado, esta estava directamente dependente da distribuição geográfica dos mesmos e, por outro lado, era muito alargada. Apesar de não ser cumprida a indicação inicial dada por Portugal de se constituir apenas um Carrefour Rural por NUTs II, esta era ainda muito alargada. Esta realidade condicionava certamente, por um lado, a actividade informativa ao ser extremamente difícil conseguir chegar junto de todos os cidadãos do mundo rural e, por outro lado, o estabelecimento de relações que promoveriam a desejada proximidade com estes mesmos cidadãos.

Pudemos ainda verificar que os parceiros envolvidos nas parcerias estabelecidas aquando da formulação das candidaturas à criação dos Carrefours Rurais nacionais apresentadas à Comissão Europeia, na sua grande maioria compreendiam não mais do que três entidades. No entanto, parece-nos importante referenciar que, mais importante do que o número de parceiros envolvidos nas candidaturas, foram as parcerias estabelecidas ao longo da existência dos Carrefours Rurais nacionais na concretização das suas actividades informativas diárias e na execução de diferentes projectos. Estas irão ser abordadas nos pontos seguintes desta secção.