As técnicas designam os instrumentos (ou operações) destinados a produzir certos resultados julgados úteis na observação e nos factos sociais. No âmbito destas, está o questionário, a escala de atitudes, a entrevista, a observação participante (Lima, 2000: 11). Assim, as técnicas dizem respeito ao conjunto de instrumentos em que o investigador se apoia para a recolha e tratamento dos dados sobre as realidades sociais que se encontra a investigar.
No que concerne aos procedimentos lógicos de investigação empírica, Lima (2000: 15-16), refere a existência de três procedimentos. O primeiro, o método experimental, tem como objectivo a realização de observações e a recolha de dados, com vista à comprovação da existência de uma relação causal entre dois factores. O segundo, o método da medida (ou análise extensiva) traduz-se na observação, através de perguntas directas ou indirectas, de populações relativamente vastas de unidades em situação real, a fim de obter respostas susceptíveis de serem conduzidas mediante uma análise quantitativa. Por último, o terceiro procedimento diz respeito ao método de estudo de caso (ou análise intensiva), que consiste no exame intensivo (tanto em amplitude como em profundidade, utilizando todas as técnicas disponíveis) de uma amostra particular seleccionada em função de um determinado objectivo, de um fenómeno social ordenando os dados resultantes, de forma a preservar o carácter unitário da amostra. Este método tem por objectivo último, a obtenção de uma ampla compreensão do fenómeno na sua totalidade.
Por outro lado, Lima (2000:18), relativamente ao estudo de caso acrescenta ainda que, “a unidade de observação pode ser um acontecimento, uma situação, um indivíduo, um grupo, um processo, uma decisão, uma instituição, etc”.
Após identificação dos métodos referidos por Lima (2000), importa ainda referir que, a escolha do método deve ser feita em função dos objectivos da investigação e, estes podem até combinar-se em função das exigências impostas pela concretização dos objectivos em causa. A natureza do objecto de estudo é que deverá determinar a escolha dos instrumentos de pesquisa. Por outro lado, a escolha, está também dependente da própria natureza da investigação científica a desenvolver.
No que diz respeito à metodologia de investigação, esta pode ser classificada de quantitativa e qualitativa. De forma sintética, a metodologia qualitativa não se preocupa com a representatividade numérica, mas sim com aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, entre outros. Por outro lado, a metodologia quantitativa fundamenta-se em dados métricos. Os investigadores que optarem por esta metodologia, têm de identificar os elementos constituintes do objecto a estudar, estabelecendo a estrutura e a evolução das relações entre os elementos.
Relativamente às fontes de informação, estas dividem-se em fontes documentais e não documentais. Para Almeida e Pinto (1982:95) estes envolvem “procedimentos muito diversificados, desde logo porque são muito diversos também os documentos reveladores de fenómenos sociais”. E, segundo estes mesmos autores, estas fontes abarcam uma multiplicidade de documentos escritos e não escritos gerados para outros fins, mas que são utilizados por todas as ciências sociais (Almeida e Pinto, 1982:95).
Tendo em conta Greenwood (1965) a vantagem do recurso, por parte do investigador, das fontes documentais está associada à quantidade e diversidade de informação que, por sua vez, permite a comparação de dados de diferentes épocas e de diferentes abordagens, e, é de menor custo em termos de recolha de informação. No entanto, este mesmo autor, considera que, muitos dos dados obtidos através desta fonte não estão comprovados cientificamente, exigindo do investigador uma maior atenção, pois a sua recolha está sujeita a erros (Greenwood, 1965). No que diz respeito às fontes não documentais, estas integram a informação produzida, nomeadamente, por meio de entrevista, de inquéritos, entre outros. Greenwood (1965) considera que, uma das vantagens de maior importância da natureza destas fontes, diz respeito ao facto de poder ser o investigador a formular o tipo de questões adequadas ao seu estudo, permitindo-lhe assim, recolher dados pertinentes para o seu estudo. No entanto, esta técnica de recolha de dados pode ser dispendiosa e morosa.
Para a elaboração do nosso estudo recorremos às fontes de informação documentais e às fontes não documentais.
Em termos metodológicos, podemos referir que o estudo foi dividido em duas fases. Na primeira fase, recorremos fundamentalmente a fontes de informação documentais, e, na segunda fase, a fontes não documentais. As fontes documentais permitiram-nos efectuar um estudo exploratório constituindo o enquadramento necessário para dar sentido ao texto
explicativo do estudo de caso efectuado. Para tal, recorremos à consulta de documentos escritos oficiais de origem governamental ou administrativa, como por exemplo, documentos das instituições europeias e das entidades hospedeiras dos Carrefours Rurais nacionais, bem como de trabalhos de investigação relacionados com o nosso estudo.
A base conceptual do estudo exploratório foi baseada, fundamentalmente, na consulta de fontes de informação documentais que, por articulação de teorias e factos, permitiram a definição de alguns dos conceitos inerentes ao nosso objecto de estudo.
Na segunda fase, recorremos à efectivação de um inquérito (ANEXO I) enviado pelo correio, às pessoas que constituíram o nosso universo a inquirir. Este inquérito serviu-nos de suporte para a obtenção de informação que nos permitiu efectuar uma caracterização dos Carrefours Rurais nacionais ao nível dos recursos humanos e eles adstritos, das suas entidades hospedeiras e espaços físicos a eles adstritos, dos meios e actividades de informação por eles desenvolvidas, da apresentação de candidaturas e execução de projectos e, ainda, das relações de cooperação por eles estabelecidas.
Importa salientar que a metodologia seguida permitiu, por um lado, uma plataforma contextual e factual capaz de nos facultar elementos de resposta aos objectivos e propósitos delineados neste estudo. E, por outro lado, proporcionou-nos a obtenção e sistematização de conhecimentos sobre o tema proposto; a recolha de elementos e opiniões sobre o tema que se encontra muito pouco explanado, na tentativa de formular um quadro de referências; e ainda, a apresentação e sistematização da análise dos resultados obtidos.
Em termos conclusivos, podemos referir a sua importância na condução e sistematização da informação, na resposta à hipótese formulada, razão da realização do nosso trabalho científico agora apresentado.