• No results found

DEL IV AVSLUTTENDE VURDERINGER OG

13.1 Vurderinger og kommentarer

O comício enquanto fenómeno de comunicação é interativo por natureza. A sua compreensão necessita de um apanhado teórico-metodológico que se adeque às necessidade de entender o seu sentido social e a sua realidade interpretativa. Assim, a abordagem metodológica de cariz qualitativo adequa-se aos objetivos da investigação, pelo fato de os investigadores lidarem com a interpretação de entidades que, por sua vez, interpretam o mundo que as rodeiam (Oliveira, 2008).

A escolha por uma pesquisa qualitativa decorre por esta ocupar um lugar reconhecido entre as várias possibilidades de se estudar os fenómenos, que envolvem os seres humanos e suas relações sociais, em diversos contextos (Godoy, 1995), dando-nos a oportunidade de perceber como um indivíduo, um grupo ou uma organização se posicionam relativamente a um determinado assunto (Stacks, 2010). A sua capacidade de generalização difere da que encontramos na metodologia quantitativa, pois não está interessada na generalização estatística, mas numa generalização analítica. Enquanto na generalização estatística o estudo é entendido na perspectiva de escala, em que uma amostra pretende representar um todo maior, uma população, a generalização analítica fornece um método alternativo de generalização nas ciências sociais, focado na relação entre os elementos estudados e na construção de preposições

38 O investigadores interpretativista costumam optar um guiões de entrevista flexíveis e mais exploratórios, em vez

teóricas, que podem ser implicadas a outras situações onde os elementos chave decorrem de forma semelhante (Yin, 2012). Esta generalização não pode ser tida como uma “prova geométrica”, mas como uma hipótese em permanente construção, que, em circunstâncias semelhantes, o constructo teórico pode ser aplicado e colocado à prova, produzindo e acrescentando novo conhecimento ao modelo inicial. A pesquisa qualitativa está associada a uma visão interpretativista do mundo social e interessa-se por compreender os significados e relações de comunicação nele existentes, procurando criar conhecimento a partir das perspectivas reveladas pelos seus participantes, percebendo como entendem a realidade e o que ela significa aos seus olhos (Daymon e Holloway, 2010).

Como se considera que a realidade social é construída a partir das perspectivas dos indivíduos, o conhecimento, que se constrói a partir de uma metodologia qualitativa, é efetuado a partir da compreensão das perspectivas dos participantes sobre o fenómeno (Daymon e Holloway, 2010). No caso específico do comício, considera-se o foco principal nos detalhes do fenómeno, optando por uma abordagem que, não nos permitindo prever ou generalizar sobre o efeito, para além daquele que é observado, pois não é esse o intuito, fornece uma compreensão detalhada do assunto particular que se está a estudar (Stacks, 2010).

Aquilo que interessa é a especificidade do fenómeno dos comícios enquanto ação de comunicação estratégica numa campanha eleitoral, partindo da interpretação do próprio investigador e dos participantes. Aceita-se que o investigador é um sujeito ativo da investigação, com o objetivo de estudar aquela realidade específica, que a réplica do estudo noutros contextos, ou generalização estatística das conclusões, não é a prioridade do estudo (Daymon e Holloway, 2010), indo ao encontro do que refere Silverman, no livro Doing Qualitative Research:

“Acredito que a resposta reside em olhar para este tipo de pesquisa não como uma tentativa de apresentar ‘verdades categoriais’ sobre a generalidade de fenómenos semelhantes, mas como uma tentativa de levantar questões sobre uma ocorrência através da análise detalhada de um caso em particular.” (Silverman, 2013, p. 36) 39

39 “I believe the answer lies in seeing this research not as an attempt to provide categorical ‘truths about all parents’

evenings in general, but as an attempt to raise questions about such meetings by looking at a single case in detail.”

No que refere ao procedimentos de pesquisa, este tipo de metodologia é menos controlada e não sistemática no que respeita à recolha e análise dos dados (Stacks, 2010). Os procedimentos são muitas vezes não estruturados e adaptáveis ao desenrolar da investigação, permitindo que a investigação se ajuste a acontecimentos inesperados antes de se encontrar finalizada:

“Em certa medida, os investigadores qualitativos trabalham ‘à beira do caos’, que está no ponto de equilíbrio em que a investigação tem alguma estrutura, mas o investigador não detém a totalidade do controle, estando aberto a ideias ou experiências novas e interessantes, que podem não ter sido antecipadas no início da investigação.” (Daymon e Holloway, 2010, p. 7) 40

Esta investigação caracteriza-se por ter o seu foco, não na rigidez do método, mas na validade da interpretação que resulta da investigação. Neste contexto, entende-se que o investigador tem uma importância redobrada e é encarado como um elemento ativo, que não se limita a recolher dados, mas que os interpreta constantemente41. Neste sentido, à semelhança de muitos estudos qualitativos, não

existem hipóteses à partida da investigação (Silverman, 2013), mas sim objetivos que se pretende alcançar. Segue-se uma metodologia qualitativa, que tem o seu foco na interpretação, não tendo uma definição à priori das situações, sendo flexível na forma como o estudo é conduzido, priorizando o fim e não o meio, ou seja, o seu objetivo e não a rigidez do método. O objetivo é compreender uma situação, interpreta-la e descreve-la (Oliveira, 2008).

No quadro seguinte pode-se contrastar a metodologia qualitativa com a metodologia quantitativa, identificando as diferenças substanciais entre as duas.

40 “To some extent, qualitative researchers work ‘at the edge of chaos’, which is at the point of balance where the

research has some structure but the researcher may not be totally in control if they are open to spontaneously following up on new and interesting ideas or experiences which may not have been anticipated when the research began.”

41 A título de exemplo, isto decorre durante o desenrolar de uma entrevista, onde o investigador não se limita a

colocar um conjunto de questões predefinidas, mas interage com o próprio entrevistado, encorajando-o a falar sobre o que algo significa para ele. (Oliveira, 2008)

Metodologia Qualitativa Metodologia Quantitativa

Principal foco Sentido Medição

Propósito - exploração

- compreensão e descrição das experiências dos participantes

- criação de teoria a partir de dados

- procura de relações causais - teste de hipóteses

- previsão - controlo

Abordagem - foco inicial alargado - orientada para o processo

- contextualizada e em ambientes naturais - relação de proximidade com os dados

- foco restrito

- orientada para o resultado

- isolada do contexto, muitas vezes em ambientes laboratoriais

Amostragem - participantes, fontes

- unidades de amostra como locais, hora, conceitos

- amostra intencional e teórica

- amostra flexível e alterável no decorrer da pesquisa

- respondentes e participantes - amostra aleatória

- amostra definida antes da investigação começar

Recolha de dados - entrevistas não pré-definidas e em

profundidade

- observação participante/trabalho de campo - documentos, diários, fotografias, vídeos

- questionários ou entrevistas pré-definidas - observação estruturada

Documentos e experiências Testes aleatório e controlados

Análise - temática ou constantemente comparativa - análise de conteúdo etnográfica

- descrição exaustiva - análise narrativa

- análise estatística

Resultado - uma história - uma etnografia - uma teoria

- resultados mensuráveis

Relações - envolvimento direto do investigador - relação de proximidade com a pesquisa

- envolvimento limitado do investigador com os participantes

- relação de distância com a pesquisa

Qualidade/Rigor - confiável - autêntica - significado transferível - validade - validade interna/externa - replicáveis - passível de generalização

Tabela 1 - - Comparação entre metodologia qualitativa e metodologia quantitativa. Traduzido e ligeiramente adaptado de Daymon e Holloway, 2010, p.13

Apesar das diferenças entre a abordagem qualitativa e a abordagem quantitativa, é importante referir que qualquer pesquisa é liderada pelo problema ou questão e não pelos métodos (Daymon e Holloway, 2010), não sendo nenhum método exclusivo de uma determinada abordagem. O modo como são trabalhados é que difere em função da abordagem metodológica escolhida.

Percebendo as diferenças substanciais entre estas duas abordagens, a escolha para este trabalho recaiu numa metodologia qualitativa assente no intuito de compreender o comício do ponto de vista das Relações Públicas na Política. O subcapítulo que se segue apresenta as escolhas efetuadas, no que respeita à recolha de dados, para responder ao problema de investigação e objetivos anteriormente apresentados.