DEL III DEN EMPIRISKE UNDERSØKELSEN
12.3 Etikkens konsekvenser for rettssikkerheten
O posicionamento epistemológico do investigador tem uma influência direta nas escolhas que efetua no desenrolar da investigação. É incontornável ter-se em consideração quando se fala em opções metodológicas, já que aceitar que podem existir vários posicionamentos epistemológicos é considerar que podem existem caminhos diversos que podem ser escolhidos. No que respeita à pesquisa em Relações Públicas, esta abrange duas grandes abordagens aos dados35: a pesquisa qualitativa e a
pesquisa quantitativa (Stacks, 2010). A escolha entre uma destas abordagens é moldada, de forma explicita ou implícita, pela compreensão que o investigador tem do mundo e de como o deve estudar. A isto dá-se o nome de posicionamento filosófico do investigador, que se encontra normalmente
35 Entendemos dados como as observações que fazemos ao mundo através de uma determinada metodologia, sejam
associado a um determinado paradigma de investigação, às premissas do que constitui a Comunicação e de como esta deve ser estudada. Assim, pode-se agrupar os diferentes tipos de estudos, de acordo com a forma que o investigador entende a Comunicação e a realidade social, não constituindo um certo ou errado, mas apenas formas diferentes de entender o que constitui o conhecimento a partir dos diferentes paradigmas ontológicos, epistemológicos e, consequentemente, metodológicos36. (Daymon
e Holloway, 2010)
A forma como se vê o mundo social influencia as decisões de investigação. Ou se vê o mundo social como algo que existe à espera de ser descoberto, ou se o entende como algo construído a partir das nossas crenças, valores, contextos culturais e sociais ou experiências, é determinante para a escolha de uma determinada metodologia de investigação. Em Relações Públicas, os paradigmas dividem-se essencialmente em dois, que moldam a forma como investigamos, o que queremos investigar e o tipo de conhecimento que construímos a partir da investigação: o positivismo e o interpretativismo.
1.1.1-OPOSITIVISMO
O Positivismo parte do principio que o estudo do homem pode ser realizado por meio das abordagens das ciências naturais, preferindo métodos quantitativos e adoptando uma orientação que aceita o comportamento humano como sendo resultado de forças, fatores, estruturas internas e externas que atuam sobre as pessoas (Oliveira, 2008). Este tem sido um paradigma dominante em diversos campos de estudo:
36 A ontologia refere-se ao estudo do Ser e envolve as ideias relacionada com a existência humana, a natureza do ser
e da realidade social. Esta influência o posicionamento epistemológico do investigador, onde ele determina o que conta como conhecimento válido e a adquisição. Por fim, a metodologia refere-se à maneira como esse conhecimento é adquirido, incluindo as ideias e princípios que guiam essa adquisição, as regras e procedimentos de um campo de estudo em particular. A metodologia, apesar de por vezes ser confundida com método, não constitui um sinónimo. Convém diferenciar estes dois conceitos, esclarecendo o seguinte: enquanto o método é o procedimento e a ferramenta usada para efectuar a pesquisa, a metodologia é o conjunto de princípios, conceitos e teorias que suportam a aplicação do método num determinado contexto. O método é a técnica usada no processo metodológico escolhido e que este não é exclusivo de nenhum paradigma epistemológico. Por vezes, os diferentes métodos são usados em vários tipos de metodologias e por investigadores com diferentes perspectivas epistemológicas. (Daymon e Holloway, 2010)
“Durante o séc. XIX o pensamento filosófico, metodológico e os métodos das ciências naturais tornaram-se no modelo para a pesquisa das ciências sociais tais como a Psicologia e a Sociologia, e este modelo (ou paradigma) tem dominado durante décadas em diversas disciplinas modernas tais como a Gestão, a Saúde, a Educação, e também na pesquisa das Relações Públicas e do Marketing de Comunicação.” (Daymon e Holloway, 2010, p. 101) 37
Esta linha de investigação é popular entre os investigadores que consideram a pesquisa qualitativa como subjetiva e não científica, uma vez que não opera com dados matemáticos, que permitem descobrir relações de causa e efeito com validade estatística (Oliveira, 2008). Isto acontece porque os investigadores positivistas partem normalmente de uma abordagem dedutiva, procurando leis e padrões que expliquem o comportamento comunicativo, usando leis, regras e teorias existentes, que são aplicadas num determinado número de fenómenos, pessoas ou contextos (Daymon e Holloway, 2010). Isto significa que a sua investigação normalmente começa com uma teoria geral, ou um conjunto de hipóteses a serem testadas, através de uma prova empírica que as confirma ou nega. Esta abordagem tem origem na crença ontológica de que a realidade existe de forma objetiva e que pode ser revelada. A realidade social é entendida como o mundo material, que existe de forma independente da percepção do indivíduo, sendo o mundo externo ao investigador e algo que “está à espera de ser descoberto”. Tem como objetivo da pesquisa a descoberta de leis universais, que permitam descrever objetivamente o mundo, explicando um fenómeno com base no que já se conhece. É um paradigma relevante quando se pretende examinar questões sobre causa-efeito ou quando se pretende medir ou avaliar alguma coisa, num quadro de investigação estático e fechado, onde o processo é controlado de forma a manter as intenções iniciais e um resultado fiel à pesquisa. (Daymon e Holloway, 2010)
Para isso são usados métodos de natureza quantitativa, dando relevância à avaliação da quantidade, análise estatística e a procura de causa-efeito, numa amostra que permita garantir a relevância estatística. Assim, a investigação de cariz positivista é, normalmente, mais linear e com base em hipóteses, tornando-a forte na descoberta de leis universais que permitam a generalização, mas menos
37 “In the nineteenth century the underlying philosophy, methodology and methods of natural science became the
model for social science research such as psychology and sociology, and this model (or paradigm) has dominated for decades in many modern disciplines such as business, health, education, and also public relations and marketing communications research.”
adequada quando se pretende investigar a complexidade das relações de comunicação num determinado fenómeno ou contexto. (Daymon e Holloway, 2010)
1.1.2-OINTERPRETATIVISMO
Contrastando com a abordagem positivista, o paradigma interpretativista emerge com o objetivo de estabelecer uma abordagem diferente sobre o conhecimento, diferenciando as ciências sociais das ciências naturais. Expressa a crença ontológica de que existem múltiplas realidades e verdades que são construídas socialmente, não havendo uma separação do indivíduo e daquilo que é o seu mundo social. (Daymon e Holloway, 2010)
O interpretativismo distancia-se do posicionamento positivista, considerando que uma abordagem científica sobre o Homem deve-se preocupar com a essência do objeto, defendendo que o estudo dos indivíduos deve ter em conta que estes interpretam o mundo de forma contínua, não sendo meros sujeitos passivos. O homem é entendido, pelos interpretativistas, como diferente dos objetos e, como tal, necessita de uma metodologia que tenha em consideração essas diferenças. Os investigadores, que se posicionam a favor deste paradigma, defendem que o estudo da experiência humana deve ser feito através da compreensão de como as pessoas interagem, interpretam e constroem o mundo social através de significados (Oliveira, 2008). O Homem é, então, considerado inseparável do seu contexto social e histórico, sendo a realidade construída pelas relações entre os seres humanos e os significados que estes dão às suas próprias ações e às dos outros.
Os investigadores interpretativistas preocupam-se em compreender um fenómeno e como as relações de comunicação constroem significados entre si. Não procuram prever comportamentos ou descobrir leis que determinam as relações de comunicação, mas sim conhecer aquilo que é único e individual num objeto de estudo. Não procuram generalizar os resultados da sua pesquisa, mas descobrir os significados através dos quais as pessoas compreendem as suas próprias experiências, comportamentos e comunicação, havendo um adequação natural entre a pesquisa qualitativa e a capacidade de construir significado através da interpretação do mundo enquanto construção social. (Daymon e Holloway, 2010)
Enquanto os investigadores positivistas estão preocupados com a generalização estatística dos fenómenos, os pesquisadores interpretativistas priorizam a compreensão. Ou seja, o significado torna- se mais importante do que a capacidade de medir um fenómeno. Consequentemente, opta-se por
métodos qualitativos, partindo que uma abordagem particular, não se começando com hipóteses, mas desenvolvendo a matriz teórica ao longo da pesquisa. A pesquisa é, então, processual e não se encontra fechada à partida, sendo que o plano de investigação e os próprios métodos são mais flexíveis38 do que nas abordagens positivistas.
Para o investigador interpretativista os critérios fundamentais são os da autenticidade e da confiança dos dados que recolhe, não os da sua validade estatística. No que respeita ao tamanho da amostra, esta é relativamente pequena, mas capaz de gerar um conjunto rico de dados. Isto prende-se pelo facto de o investigador não estar preocupado com a generalização estatística, mas com a compreensão do fenómeno que estuda. (Daymon e Holloway, 2010)
No que respeita a este trabalho, defende-me uma perspectiva interpretativista da Comunicação, compreendendo o mundo social como uma construção humana. Como tal, escolheu-se uma metodologia qualitativa para atender aos objetivos do trabalho.