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CONCEITOS TEÓRICOS

Figura 5. Sentido bottom up da fundamentação teórica

O software para análise de dados qualitativos Atlas/ti.12 apóia na marcação de parágrafos das entrevistas e posterior identificação dos conceitos teóricos, dos quais emergiram as propriedades, categorias emergentes e categoria central.

Para facilitar a localização das categorias com suas respectivas propriedades e dimensões, foi preciso desenhar um quadro de análise (quadro 3) no qual se fundamenta esta tese e que será desenvolvido no capítulo 8 sobre o modelo proposto.

CATEGORIA A PROPRIEDADES Conceitos teóricos DIMENSÕES PROPRIEDADE A Conceito a Conceito b Conceito c

Quadro 3. Quadro de análise

12 http://www.atlasti.com/

3.6 LIMITAÇÕES DO MÉTODO

Todo trabalho que se dispõe a uma investigação empírica apresenta limitações das mais diversas naturezas, o que orienta o pesquisador a não tomar como verdade absoluta qualquer descoberta realizada durante a pesquisa.

A pesquisa ocorreu no universo das organizações do setor público de energia do Brasil (Petróleo, Eletricidade e Gás) em uma linha de conhecimento emergente e ainda em investigação em países como Estados Unidos (Santa Fe Institute), Inglaterra (Cranfield - University) e França (CREA - Ecole Polytechnique e Futuribles).

Na pesquisa de campo, para as entrevistas, existiu a dificuldade de contatar as pessoas- chave que conhecessem o assunto, por falta de disponibilidade devido a suas funções de alto nível na hierarquia organizacional. Além disso, o tema a ser pesquisado, por ser estratégico e o ano ser de eleições, afetou a participação de um número maior de entrevistados. A legitimidade dos respondentes, porém, permitiu a captação de informações em profundidade de alta qualidade.

Gaskell (2000) observa que o número ideal de entrevistas vai depender de alguns fatores como, por exemplo, disponibilidade de tempo e acesso a entrevistados, e chama a atenção para o fato de que a quantidade não melhora a qualidade do tema investigado. A interpretação da realidade é limitada a um número de versões e, como o grupo compartilha o mesmo universo simbólico, as representações sociais não se diferenciam de maneira significativa. Temas comuns começam a aparecer com certa frequência, não sendo necessário um número muito grande de entrevistas para captar as informações de que o investigador necessita.

No questionário eletrônico, não há certeza de que os sujeitos da pesquisa tenham respondido os questionários de forma oportuna e adequada. O fato de que os questionários foram respondidos via internet apresenta aspectos positivos e negativos. Se, por um lado, não há a pressão de um superior na tarefa a ser executada, por outro, o sujeito da pesquisa não tem a obrigação de responder de forma adequada o questionário.

3.7. METODOLOGIA DA MODELAGEM

A Defense Intelligence Agency13 (DIA) - Agência de Inteligência para a Defesa - dos Estados Unidos está desenvolvendo um modelo inovador de análise chamado Full Spectrum Analysis (Análise de Espectro Completo) baseado na competição pelo conhecimento, o que permite que uma organização tenha vantagem competitiva sobre outra reagindo mais rapidamente a mudanças no ambiente. Essa análise consiste em três áreas:

1. Espectro completo das fontes de informação, isso é, a capacidade de pesquisar em detalhe toda a informação necessária para a tomada de decisão.

2. Espectro completo de técnicas e ferramentas analíticas que sejam disponíveis, novas e em experimentação.

3. Espectro completo de habilidades cognitivas e visões, relacionado com aprendizagem organizacional e modelos mentais.

Um esquema interessante da agência DIA para a análise de cenários futuros é o “Contexto para a Mudança” que é formado por cinco elementos ou dimensões: tecnologia, processos, estrutura, estratégia e pessoas, dentro dos quais se incorporam as variáveis de estudo. Assim, na dimensão tecnológica são considerados todos os últimos avanços da técnica e informação - nos processos analisa-se a capacidade de economies of scope ou possibilidade de produzir variedade de produtos na mesma linha de produção, na estrutura a possibilidade de novo arranjos organizacionais, nas estratégias a capacidade emergencial para gerenciar a complexidade e nas pessoas o “empoderamento” em nível máximo, chamado hyper-empowerment.

O desafio da modelagem organizacional, segundo Cavalcanti (2007), é influenciar o comportamento dos elementos do sistema por meio de mecanismos formais de gestão.

13 http://www.dia.mil/

Assim, o que se espera é modelar um sistema com diferentes atores em nível máximo de empoderamento, agindo de acordo com seus interesses, mas que, de forma integrada, atingem os objetivos organizacionais.

A modelagem usada neste projeto é baseada na matriz morfológica tridimensional conhecida como Caixa de Zwichy.14

A matriz morfológica foi inventada no início dos anos 1930 pelo professor de astronomia do Caltech15 Fritz Zwichy. Etimologicamente, morfológica vem do grego morphe que significa forma ou configuração. Assim, trata-se de configurar uma solução para um problema complexo originado sob uma situação de caos ou turbulência.

Esta matriz mais conhecida como análise morfológica serve para estruturar e pesquisar o conjunto total de relações em problemas complexos, não quantificáveis e multidimensionais (ZWICHY, 1969), ou seja, facilita a configuração de um “espaço de solução” de uma situação complexa. Por exemplo, problemas sociopolíticos podem ser analisados em qualquer número de variáveis não quantificáveis e variação de condições (RITCHEY, 1998).

O método morfológico adota um sistema de filtragem das combinações mais viáveis e das inaceitáveis. Na modelagem utilizada nesta tese, porém, por se tratar de propriedades que formam a capacidade de adaptação a situações de turbulência, todas as propriedades têm igual valor ou importância, dependendo de os gestores definirem o melhor espaço de solução. O principal critério das possíveis combinações das propriedades é que seja internamente consistente.

A matriz morfológica é a base da análise morfológica usada para estruturar e analisar problemas complexos em áreas não quantificáveis, que contêm incertezas, que não podem ser linearmente modelados ou simulados e que, por essa razão, precisam de um julgamento para ser solucionados. (RITCHEY, 2002, 2006).

14 Ritchey, 1998.

A matriz que se vai construir terá um sentido tridimensional, para facilitar que todos seus componentes consigam uma rápida auto-organização e ajuste, dependendo do problema emergente que tenham que solucionar, em circuitos de feedback constante de informação.

Graficamente, essa matriz teria a tipologia de um cubo, composta por uma rede complexa de componentes mais fáceis de configurar e se ajustar a situações imprevistas (figura 6).

Figura 6. Matriz morfológica tridimensional (espaço morfológico ou de solução)

Os capítulos a seguir (quatro, cinco, seis e sete) vão se desenvolver combinando sustentação teórica e sustentação empírica. Essa combinação teórico-empírica dá como resultado o modelo de organização adaptável a cenários turbulentos, apresentado no capítulo oito.

Cabe ressaltar que os parágrafos em itálico dos capítulos quatro, cinco, seis e sete constituem as partes das entrevistas que deram origem aos conceitos teóricos (marcados usando o Atlas/ti e revisados pelos professores orientadores), que por sua vez originaram as propriedades que configuraram as categorias emergentes. E finalmente a categoria central.