Universitetet i Oslo
2. Vurdering av status
Na fase de implementação, procurei aplicar estratégias para um melhor desempenho dos alunos na comunicação oral, algumas delas baseadas nas propostas de Amor (2006, p. 71): desenvolvimento de breves relatos sobre experiências pessoais presenciais ou não; adaptação de conteúdos lecionados às realidades de cada um; transmissão de traços descritivos de uma pessoa, objeto ou lugar; construção de uma narrativa (oral); sessões de perguntas e respostas sobre determinados temas, troca de opiniões e ainda sínteses orais da informação recolhida.
Estas atividades propostas pela autora estiveram na base de algumas das estratégias implementadas nas aulas da intervenção. Assim, aquando da abordagem da obra Os Maias de Eça de Queirós, parte integrante do programa nacional do 11º ano do Ensino Secundário, procurei fazer, em todas as aulas, uma análise detalhada dos diferentes excertos selecionados. Não só pretendia que os discentes compreendessem melhor o cerne da obra, como quis que se tornassem ativos e críticos relativamente à sua análise. Todas estas aulas centradas n’Os Maias
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tinham, por isso, em atenção o tema do meu projeto. Sempre que abordávamos uma personagem e que estudávamos as suas características, propunha-se que os alunos descrevessem os traços característicos dessa personagem. Os alunos expunham os seus conhecimentos e explicavam o porquê de os interpretarem desse modo.
Aproveitando ainda o facto de os discentes terem ido ver a peça de teatro sobre Os Maias, foi-lhes pedido que fizessem um reconto da peça, ou seja, que elaborassem uma narrativa oral e a apresentassem perante a turma.
Por fim, após as aulas lecionadas, a intervenção direcionou-se particularmente para uma atividade de avaliação, também ela baseada numa temática da obra queirosiana. A atividade consistia num debate, cuja discussão se centrava na educação abordada n’Os Maias (Anexo
IV), tema que aliás havia já sido abordado por mim nas aulas.
Antes da aula dedicada ao debate, foi lecionada uma aula de preparação do mesmo (Anexo V), na qual se abordaram as suas características e elementos constituintes. Abordou-se também o papel da exposição oral, de como se deve desenvolver a prática da expressão oral, e como esta deve ser feita num debate. No fundo, esta aula de preparação, lecionada com antecedência, foi importante para elucidar a turma, e sobretudo para os incitar a fazer as suas pesquisas prévias de informação a utilizar na atividade. Tiveram, portanto, tempo para recolher dados, consultar fontes ou fazer entrevistas.
Fiz com que os alunos percebessem a importância da realização de um debate e os benefícios que este acarreta, como, por exemplo, para falar em público e se sentirem mais à vontade para expor as suas ideias. Foi muito interessante verificar como os alunos, mesmo os mais tímidos, no decorrer do debate, se mostraram com entusiasmo e vontade em expor a sua opinião, falavam perante toda a turma, vencendo a timidez.
Os pontos debatidos no debate foram a educação moderna e a tradicional. De facto, pareceu-me relevante possibilitar aos alunos uma reflexão aprofundada sobre a esta temática, patente na obra através do contraste entre a educação de Carlos da Maia e de Eusebiozinho, que se caracteriza pelo confronto de ideias entre a educação moderna, a do primeiro, e a educação tradicional, a do segundo.
Neste sentido, criaram-se diferentes grupos: um de mediadores, constituído por três alunos; dois grupos de defesa, que sustentavam pontos de vista distintos (de um lado a educação tradicional, e de outro a educação moderna); dois grupos que constituíam o público, cuja função consistia em questionar o grupo com uma ideologia “adversária” à sua.
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Importa referir que, imediatamente antes da lecionação, organizei a disposição da sala de aula (Anexo VI), de forma a recriar um ambiente que mimetizasse o posicionamento para a realização de debates. Com efeito, efetuei esta organização na sala de aula para motivar e dinamizar a interação durante o debate. Eu própria me posicionei num local mais favorável, para poder observar a prestação de todos os alunos, não só ao nível oral, mas também ao nível da linguagem não-verbal.
O debate iniciou-se de forma tranquila, com uma breve apresentação por parte dos moderadores sobre a temática versada. Após a exposição, a primeira intervenção defendia a educação tradicional. A partir daqui, a interação oral decorreu naturalmente, evidenciando os argumentos construídos pelos alunos durante a pesquisa.
Todos os alunos participaram na atividade de forma ativa, e mostraram agrado em fazê- lo, na medida em que demonstraram que haviam feito o trabalho prévio devidamente, o que os estimulou a defender as suas ideias ao longo do debate. Os argumentos utilizados variavam. A educação moderna foi defendida com base na importância da educação física e do inglês, como está referido n’Os Maias. Os alunos transpuseram, aliás, este assunto para os nossos dias, com base nos seus conhecimentos e experiências contextuais, e ainda nas pesquisas feitas anteriormente, nas quais puderam estabelecer um termo de comparação entre a sua educação e a dos seus avós, por exemplo, refletindo sobre as suas vantagens e desvantagens. Defendiam, assim, que atualmente o acesso ao ensino é sem dúvida mais fácil e variado, e que a variedade de disciplinas que se pode aprender abre um leque de várias oportunidades aos estudantes. Por outro lado, os defensores da educação tradicional defendiam que esta era mais consistente, no sentido de que era mais rígida e que se regia por outros valores. Apesar de estudarem menos anos, esses anos eram extremamente exigentes. A par da escola, os alunos tinham ainda obrigações de trabalho, o que lhes incutia sentido de responsabilidade.
Creio, por isso, que a contextualização do tema, feita com o intuito de motivar os alunos, surtiu os efeitos desejados, uma vez que a atividade resultou de forma positiva, tendo levado todos os discentes a expor os seus pontos de vista e a pôr em prática o que havíamos trabalhado sobre o desenvolvimento da competência comunicativa. Comprovou-se, com isto, que o debate é, indubitavelmente, um exercício oral útil, que possibilita aos alunos um momento de aprendizagem singular, no que concerne ao desenvolvimento da comunicação oral.
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No final da intervenção, foi pedido aos alunos que fizessem uma avaliação de todas as aulas lecionadas, momento adequado à expressão dos aspetos que mais e/ou menos lhes tinham agradado (Anexo VII e Anexo VIII).