Como referi anteriormente, as aulas de Português foram todas lecionadas tendo em conta o programa da disciplina, ou seja, baseei o meu projeto à abordagem de uma obra – Os Maias, de Eça de Queirós. Isso não constituiu, no entanto, um obstáculo ao meu processo de intervenção.
Na análise dos excertos da obra foram realizadas atividades direcionadas para o desenvolvimento da comunicação oral. Tentei desenvolver atividades motivadoras, transpondo muitas vezes as situações presentes na obra para a realidade dos nossos dias. Sempre que era possível fazer esta ponte, os alunos ficavam mais interventivos, mais motivados e participavam de forma espontânea.
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O debate realizado como atividade final foi algo do agrado dos discentes que acabou por resultar bem, pois além de se trabalhar as temáticas visadas n’Os Maias, levando os alunos a fazer uma pesquisa autónoma, fê-los também desenvolver, consciente ou inconscientemente, a competência oral, que era, na verdade, o pretendido.
Quando o tema do debate foi anunciado, foi notório que nem todos os alunos se mostraram motivados e com vontade de participar. A fim de contornar este imprevisto, pedi-lhes que transpusessem essa temática para uma realidade mais próxima. Assim, o grupo de discentes que defendia a educação tradicional abordaria também a educação patente na ditadura salazarista (anterior ao 25 de abril), e os alunos que defendiam a educação moderna, usariam o seu próprio exemplo atual para debaterem.
Ao fazer esta ligação, os alunos mostraram-se mais empenhados e motivados. Mesmo ao nível da pesquisa houve melhorias, pois alguns alunos foram entrevistar os avós, a fim de terem um contacto mais direto com a educação presente no período do Estado Novo. A meu ver, este foi também um ponto positivo do debate, pois os discentes, além de conhecerem as diferenças entre os tipos de educação patentes n’Os Maias, tomaram conhecimento de uma realidade tão próxima e simultaneamente tão afastada deles.
Ao longo do debate, foi possível verificar que todos os discentes conheciam bem os prós e os contras dos dois tipos de educação debatidos. Como foi já mencionado, os oponentes da educação moderna corroboravam a ideia de que a educação era outrora mais consistente e com regras mais restritas, ao passo que os defensores da educação moderna consideraram ser benéfico um acesso mais fácil à educação, que não havia no tempo dos seus ascendentes.
Assim, dado o empenho da turma e a utilização de argumentos válidos, faço um balanço muito positivo desta atividade final, pois além de verificar que os alunos gostaram de a realizar, foi-me possível avaliar de forma positiva a intervenção de toda a turma. Aliás, no próprio questionário entregue no final para recolher as suas opiniões quanto às atividades e quanto à minha intervenção, todos os alunos salientaram que a atividade preferida havia sido o debate, pois, na opinião dos alunos, foi possível adquirir conhecimentos e habilidades até então pouco trabalhados.
Como primeira avaliação oral, foi utilizada a avaliação oral realizada pela docente da turma, que inclusive integrava a avaliação final da disciplina. Na avaliação foi pedido aos discentes para apresentarem um livro, escolhido de uma lista cedida pela professora. Nessa
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apresentação teria de constar toda a história, personagens e no final o alunos teria de fazer também uma apreciação sobre o que havia lido.
Para me auxiliar na observação desta avaliação e para melhor poder avaliar a intervenção de cada discente, elaborei uma grelha (Anexo II), a partir da qual é possível fazer uma leitura dos dados obtidos nesta intervenção:
Tabela 1: Média de resultados da 1ª atividade oral de Português.
As médias dos resultados obtidos foram calculadas com base em diversas tabelas de avaliação oral construídas pelo GAVE. Os resultados demonstram a predominância do nível 2, que equivale a uma avaliação satisfatória, pois significa que os alunos eram capazes de utilizar determinadas estruturas e competências, mas de forma limitada.
Depois de detetar as principais dificuldades apresentadas pelos discentes, procurei promover o uso da comunicação oral nas minhas aulas, para o que contribuiu bastante a realização do debate, que foi pensado com o intuito de constituir a avaliação oral final, a fim de detetar a evolução dos alunos.
Na tabela seguinte, podemos observar os resultados da avaliação do debate: TABELA DE RESULTADOS Orga niz aç ão d o dis cu rs o Construção frásica 2,29 Organização de ideias 2,25
Respeito pela temática 3
Uso de vocabulário adequado e variado 1,89
Coerência 2,25 Coesão 2,25 As pe tos para lin gu íst ic os Dicção 2,29 Entoação 2,29 Ritmo 2,39
Linguagem não-verbal (expressividade) 2,5
Legenda dos níveis: 1 – Não satisfaz; 2 – Satisfaz; 3 - Satisfaz mais; 4 – Satisfaz Bastante; 5 – Excelente.
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Tabela 2: Média de resultados da 2ª atividade oral de Português
TABELA DE RESULTADOS Orga niz aç ão d o dis cu rs o Construção frásica 3,14 Organização de ideias 2,71
Respeito pela temática 3,82
Uso de vocabulário adequado e variado 2,54
Coerência 2,36 Coesão 2,25 As pe tos para lin gu íst ic os Dicção 2,61 Entoação 2,57 Ritmo 3,11
Linguagem não-verbal (expressividade) 3,11
Legenda dos níveis: 1 – Não satisfaz; 2 – Satisfaz; 3 - Satisfaz mais; 4 – Satisfaz Bastante; 5 – Excelente.
Nesta segunda tabela, é possível verificar novos dados avaliativos da intervenção, na qual, em comparação com os resultados da primeira avaliação, podemos ver a alguma evolução dos alunos. No que diz respeito aos aspetos paralinguísticos, houve uma melhora significativa, motivada, talvez, pelo interesse e entusiasmo dos alunos no debate que, como referi, eram notórios.
Na organização do discurso, os discentes também tiveram melhorias, nomeadamente no Respeito pela temática, o que se deve possivelmente às pesquisas prévias, à abordagem da obra em aula, e ainda à vontade dos alunos em partilhar a sua opinião e expor o seu ponto de vista.
O gráfico que apresento de seguida contém os dados da evolução dos alunos, da primeira avaliação para a segunda.
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Pode verificar-se que os alunos tiveram melhorias a todos os níveis, mas os que mais se destacam são o Respeito pela temática, a Entoação e a Linguagem não-verbal. Tal facto poderá dever-se à preparação que os discentes tiveram para o debate.
A aula posterior ao debate foi destinada à reflexão sobre o modo como este decorreu, com base em ideias de Trindade et alii (2011, p. 248), tendo-se apurado os aspetos que não funcionaram da melhor forma, nomeadamente a participação pouco equitativa entre os alunos, uma vez que alguns acabaram por intervir menos do que outros. Além disso, verificou-se que alguns alunos, ao longo da sua intervenção, divagavam e acabavam por afastar-se do tema em questão, tendo os moderadores que interromper, e alertar esses intervenientes para o cerne do tema a ser tratado. Ainda assim, a dificuldade predominante em ambos os grupos consistiu na seleção da informação relevante a ser debatida, e da respetiva distinção face às informações secundárias. Todos estes fatores foram mencionados na reflexão pós-debate, a fim de melhorar uma futura intervenção.
3.4.2. Avaliação da turma de Espanhol
Durante a planificação geral das minhas aulas tive também o objetivo de propor atividades que não só estivessem sequencialmente interligadas entre si, mas também que desenvolvessem a autonomia dos alunos, nas quais era expectável que os alunos alcançassem metas relativas aos conteúdos lecionados, sem que estes lhes fossem ensinados de forma explícita e direta.
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O questionário inicial que elaborei (Anexo III) permitiu-me averiguar quais as dificuldades e os interesses dos discentes. Vimos que a língua espanhola é mais utilizada na sala de aula quando a professora solicita a participação dos discentes. O medo de dar erros e a timidez estão entre as principais causas que dificultam ou inibem a participação oral dos alunos. Em geral, verificamos que os alunos dizem não sentir dificuldades quanto à compreensão oral, têm problemas na exposição oral. Durante a minha intervenção, fiz com que os alunos perdessem esse medo de falar pela dúvida relativa à coerência dos seus enunciados. Quis demonstrar-lhes que não se deviam preocupar em demasia com isso, mas sim intervir sempre que tivessem dúvidas ou que achassem oportuno.
O questionário ajudou-me na escolha de atividades, tendo sido mais fácil para mim decidir que iria recorrer a vídeos, diálogos, jogos e tarefas mais lúdicas, não só para cativar a turma, mas também para que alcançassem mais facilmente melhorias na comunicação oral. A tabela seguinte mostra os resultados obtidos nesta primeira avaliação oral:
Tabela 3: Média de resultados da 1ª atividade oral de Espanhol
TABELA DE RESULTADOS Orga niz aç ão d o dis cu rs o Construção frásica 1,75 Organização de ideias 1,86
Respeito pela temática 3,86
Uso de vocabulário adequado e variado 1,96
Coerência 1,93 Coesão 1,96 As pe tos para lin gu íst ic os Dicção 2,54 Entoação 2,64 Ritmo 2,21
Linguagem não-verbal (expressividade) 2,93
Legenda dos níveis: 1 – Não satisfaz; 2 – Satisfaz; 3 - Satisfaz mais; 4 – Satisfaz Bastante; 5 – Excelente.
Nas aulas de Espanhol, foi minha intenção promover o uso da língua tendo como objeto de estudo o contexto real, desenvolvendo atividades que ensinassem aos alunos estratégias de
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comunicação fundamentais para o futuro. Procurou-se, por isso, criar atividades e estratégias que pusessem os alunos em contacto com a língua e a cultura espanholas.
As aulas foram motivadoras e dinâmicas, pois foram delineadas várias atividades “práticas”, em que eram simulados contextos reais. Os recursos aí utilizados foram uma mais- valia para captar a atenção e despertar o interesse dos alunos. Por exemplo, na atividade em que lhes dei um folheto de um supermercado, os alunos aderiram com muito entusiasmo, pois puderam estar em contacto com a realidade espanhola. Lembro-me que viram todo o folheto com muita atenção, repararam nos nomes dos produtos, nos preços e até os compararam com a realidade do nosso país (Anexo IX). Uma outra atividade bastante positiva e produtiva foi quando propus aos alunos uma ida às compras, em que recriei um mercado na sala de aula.
Os recursos audiovisuais também foram um ponto de interesse para os discentes. Quando, por exemplo, mostrei um vídeo em que apresentava um mercado tradicional espanhol, eles revelaram-se interessados, uma vez que, além de ser um fator cultural distinto da sua própria realidade, estava a ser abordado com recurso às tecnológias, que esta geração muito aprecia.
Em todas as aulas, promovi a participação de todos os discentes, de modo a fazer com que estes se sentissem interessados e que demonstrassem ter iniciativa em participar, sem que fosse, por isso, necessário incitá-los. Para tal, recorri ao uso de materiais atuais. Foram usadas várias estratégias para promover o processo de aprendizagem. Planeei atividades de grupos, de pares e individuais, a fim de ter tarefas de cariz variado, sem tornar as aulas monótonas.
Como atividade final de avaliação oral, propus que os alunos pusessem em prática a oralidade numa situação próxima do real, através da recriação de uma situação quotidiana. Segundo Fernández (2001, p. 19), “os alunos, na aula, devem realizar tarefas significativas, como as que se realizam na vida quotidiana, que os levem a adquirir os elementos linguísticos necessários à sua execução”.
Estrategicamente, cada aluno tinha de desempenhar um papel para poder participar oralmente, sendo que a alguns alunos coube o papel de se “vestirem” de vendedores, e os restantes de clientes. A fim de garantir que todos tinham um papel ativo, esta atividade foi desenvolvida em aulas de turnos.
Foi sem dúvida uma atividade do agrado dos alunos, pois sentiram-se motivados devido à semelhança da situação criada com realidade.
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Na tabela seguinte, é possível observar os resultados da avaliação feita aos discentes no momento da tarefa final:
Tabela 4: Média de resultados da 2ª atividade oral de Espanhol
TABELA DE RESULTADOS Orga niz aç ão d o dis cu rs o Construção frásica 2 Organização de ideias 2,14
Respeito pela temática 4,64
Uso de vocabulário adequado e variado 2,61
Coerência 2,04 Coesão 2,25 As pe tos p ara lin gu íst ic os Dicção 2,64 Entoação 3,68 Ritmo 2,75
Linguagem não-verbal (expressividade) 4,11
Legenda dos níveis: 1 – Não satisfaz; 2 – Satisfaz; 3 - Satisfaz mais; 4 – Satisfaz Bastante; 5 – Excelente.
Após a análise das duas avaliações orais pude efetuar a comparação dos resultados obtidos, para isso concebi um gráfico a fim de visualizar melhor as evoluções.
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Através do gráfico, pode verificar-se que houve uma melhoria na segunda atividade de avaliação oral, efetuada depois da minha intervenção.
Tendo por base o meu Plano de Intervenção e os objetivos que me propus atingir, promovi, em toda a intervenção pedagógica, a interação oral, fosse através de diálogos fosse na reprodução de situações reais.
No final das minhas aulas, distribuí um questionário de avaliação da minha intervenção e do meu desempenho, através do qual tomei conhecimento dos resultados obtidos. Daí se pôde concluir que, face ao exposto, a implementação da dinâmica de trabalho foi alcançada, porquanto os alunos perceberam o seu objetivo, registando efetivas melhorias.
O próximo e último capítulo é dirigido às considerações finais, onde descrevo o que aprendi com todo este processo, assim como os resultados obtidos pelos intervenientes. São essencialmente descritos os aspetos nos quais as turmas intervenientes registaram maior evolução, atestando a conveniência deste projeto e os respetivos benefícios. Numa perspetiva um pouco mais ténue, explico o que aprendi pessoalmente com este relatório e com todo o trabalho a ele adjacente, que constituiu indubitavelmente uma experiência gratificante e marcante para mim, enquanto professora de línguas.
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CAPÍTULO IV
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CAPÍTULO IV – CONSIDERAÇÕES FINAIS