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8 Vurdering av prioriterte områder for revisjon og Riksrevisjonens framtidsutsikter

A forma como olhamos para a escola tem mudado ao longo dos anos. Após a década de oitenta

do século passado a escola ganha importância enquanto objeto de estudo, como escola-organização

(Nóvoa, 1992a, p. 19), sendo, seguramente, uma das “áreas de reflexão do pensamento educacional que se tornou mais visível nos últimos tempos” (Costa, 1996, p. 7).

Atendendo à valorização crescente da escola como objeto de estudo, tem aumentado a sua análise e a procura de “pontes com a análise das políticas educacionais, com modelos, imagens e metáforas para a interpretação das organizações sociais formais” (Lima, 2003, p. 7). Essa análise carece de conhecimentos teóricos, que sirvam de “lentes”, que permitam entender a complexidade da escola enquanto organização.

Entender a escola como uma organização, pressupõe, antes de mais, contextualizar o conceito de organização. Segundo Gareth Morgan as organizações são “muitas coisas ao mesmo tempo! Elas são complexas e têm muitas facetas. Elas são paradoxais“ (Morgan, 2006, p. 19). Este autor defende o uso de metáforas60 para entender a organização, uma vez que defende que “o próprio conceito de organização é uma metáfora […uma vez que se baseia] numa imagem tirada da palavra grega que significa instrumento ou ferramenta” (Morgan, 2006, p. 21).

Na literatura, quase sempre, o termo organização vem associado a um qualificativo, que o delimita. Assim, Peter Blau e Richard Scott (1979) apresentam o conceito de “organização social”61, “organização formal”62 e “organização informal”63 (Blau & Scott, 1979, pp. 14–21), apesar de defenderem que a distinção entre eles é apenas analítica, visto que existe apenas uma organização. Vários autores (Bolman & Deal, 2003, p. 20; Etzioni, 1974, p. 11; Morgan, 2006, p. 19; Thompson, 1976, p. 20) recorrem ao termo “organização complexa”. Desses, James Thompson (1976) entende as organizações como sistemas naturais na medida em que são “um conjunto de partes interdependentes que, juntas, formam um todo, porque cada uma delas contribui com alguma coisa e recebe alguma coisa

60 Gareth Morgan (2006) apresenta-nos algumas metáforas para melhor compreendermos o conceito e a dinâmica das organizações. Assim explora as implicações de diferentes metáforas sobre a natureza da organização: organizações como máquina (2006, pp. 33–52), organizações como organismos (2006, pp. 53–84), organizações como cérebros (2006, pp. 90–132), organizações como culturas (2006, pp. 136–169), organizações como sistemas políticos (2006, pp. 177–208), organizações como prisões psíquicas (2006, pp. 215–243), organização como fluxo e transformação (2006, pp. 250–297) e organizações como instrumentos de dominação (2006, pp. 301–337).

61 Segundo Peter Blau e Richard Scott (1979) “organização social” refere-se às “maneiras nas quais a conduta humana se organiza socialmente, isto é, às regularidades observadas no comportamento de pessoas, regularidades essas mais devidas as condições sociais, nas quais essas pessoas se encontram, do que as suas características fisiológicas ou psicológicas como individuo” (Blau & Scott, 1979, pp. 14–15).

62 Podemos falar de “organizações formais”, segundo Peter Blau e Richard Scott (1979), quando as “finalidades a serem atingidas, as regras a que os membros da organização devem obedecer e a estrutura de posição que define as relações entre eles (esquema organizacional) não surgiram espontaneamente durante o curso da interação social” (Blau & Scott, 1979, p. 17), antes forma foram designadas propositadamente. É o caso das escolas que partilham uma finalidade e regras comuns.

63 As “organizações informais”, defendem Peter Blau e Richard Scott (1979), surgem quando “grupos constituintes da organização, como todos os grupos, desenvolvem seus próprios hábitos, valores, normas e relações sociais” (Blau & Scott, 1979, p. 18).

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do todo que, por sua vez, é interdependente com algum ambiente maior” (Thompson, 1976, pp. 20– 21). Nesse sentido, para Yves Bertrand e Patrick Guillemet64 (1988), “uma característica das organizações contemporâneas é a sua complexidade crescente [… na medida que são formadas … ] por uma grande variedade de elementos que possuem funções diversas” (Bertrand & Guillemet, 1988, p. 69).

Para muitos autores as organizações são encaradas como formas ou sistemas de realização de objetivos (Bertrand & Guillemet, 1988, p. 144; Lima, 1998, p. 69), orientadas para uma “finalidade, controladas e atravessadas pelas questões do poder” (Hutmacher, 1992, p. 58), sendo desenvolvidas de modo “impessoal e estabelecida[s] para se alcançarem objectivos específicos” (Giddens, 1997, p. 350). Para Idalberto Chiavenato além do enfase nos objetivos e de as organizações tenderem a cumprir propósitos comuns, estas só existem quando há interação entre as pessoas e estão dispostas a cooperar com determinada ação (Chiavenato, 2001, p. 126).

Face ao exposto anteriormente emerge a ideia que a definição de organização assume diferentes interpretações,

“em função das perspectivas organizacionais que lhe dão corpo, já que estamos em presença de um campo de investigação plurifacetado, constituído por modelos teóricos (teorias organizacionais) que enformam os diversos posicionamentos, encontrando-se, por isso, cada definição de organização vinculada aos pressupostos teóricos dos seus proponentes” (Costa, 1998, p. 12, s no original).

Apesar de o conceito de organização conduzir a um grande número de definições, das quais destacamos apenas algumas, a definição de organização escolar identifica-se com qualquer definição delas, na medida em que “é difícil encontrar uma definição de organização que não seja aplicável à escola […] nomeando-a expressamente” (Lima, 1998, p. 48). Nesse sentido a escola é unanimemente encarada como uma organização65 (Lima, 1998, p. 63), sendo que, para Licínio Lima trata-se de um objeto de estudo “complexo” e “polifacetado” (Lima, 2011c, p. 148), que sofre influências teóricas diferentes. Carlos Estêvão defende que a escola é uma “organização compósita” (2011, pp. 206–207), na medida em que está associada a novas definições de organização, principalmente como organização social, constituindo-se um “lugar de vários mundos” (Estêvão, 2004, p. 51). Segundo este autor “a escola pode compreender-se como uma organização plural, ou um mundo de mundos” (2011, p. 207) na

64 Yves Bertrand e Patrick Guillemet (1988) consideram a existência de dois tipos de organização: as organizações abertas perante o meio e as organizações fechadas, que valorizam a sua estrutura interna na regulação dos seus assuntos e procedimentos (Bertrand & Guillemet, 1988, p. 69).

65 Para António Nóvoa (1992b) “a abordagem das escolas como organizações é olhada [pelos professores e cientistas] com grandes desconfianças e suspeições no terreno educativo” (Nóvoa, 1992b, p. 9).

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medida que contempla, entre outros, lógicas e princípios do mundo doméstico, industrial, cívico, mercantil e mundial.

Nesse sentido é extremamente importante que a escola enquanto organização seja objeto de estudo “não apenas enquanto investigação sobre a escola, mas já como investigação na escola, ou mesmo com a escola e a partir da escola” (Lima, 1996b, p. 27). Depreende-se deste facto que além de

uma “mesoaborgagem” é imperioso que sejam realizados estudos do tipo “macro” e “micro”66 (Lima,

1996b, p. 30).

Desse ponto de vista é necessário pensar a escola como um todo, uma vez que, “a análise das instituições escolares só tem sentido se for capaz de abrir o pensamento a outros possíveis. E só tem utilidade se tiver a inteligência de perceber os seus limites” (Nóvoa, 1992a, p. 42, itálico no original).

Para uma análise cuidada da escola enquanto organização, e atendendo ao facto de sobre ela recaírem diferentes perspetivas organizacionais, será necessário utilizar diferentes “lentes” teóricas para melhor a compreender. Na verdade, o “recurso à pluralidade de modelos teóricos de análise das organizações torna-se imprescindível para uma compreensão crítica da escola como organização educativa” (Lima, 2006b, p. 18).