• No results found

Vurdering av miljøvirkninger til løsning 1.B

Oversikt over løsningene

Løsning 3.C: Vannkraftverk i Geiranger

4.4.3 Vurdering av miljøvirkninger til løsning 1.B

Este capítulo tem por objetivo apresentar o suporte teórico que será adotado para o desenvolvimento desta pesquisa. Antes, porém, é necessário abrir um parêntese para, ainda que brevemente, discorrer sobre o movimento de transformação da psicologia social ocorrido na Europa nos anos sessenta. O trabalho desenvolvido por Serge Moscovici com o desenvolvimento da Teoria das Representações Sociais constitui um marco importante nessa trajetória. A formulação da teoria é o resultado da tese de doutorado do autor, publicada na França em 1961, sob o título La Psychoanalyse, son imagem et son public. Essa concepção nasce com uma proposta de reconstrução da Psicologia Social como uma ciência social, em contraposição ao modelo individualista e psicologizante do ser humano, ao paradigma positivista e à técnica experimental como recurso exclusivo para estudar as relações do indivíduo com o social. Essas posições representavam o paradigma4 orientador dos estudos no campo da psicologia dominado, à época, pela psicologia social norte-americana. A nova concepção ganha corpo na Europa, como a vertente européia da psicologia social. O paradigma dominante na visão de Montero (1994) caracterizava-se pelos seguintes aspectos:

ƒO método hipotético-dedutivo como método científico por excelência; a irrelevância dos aspectos histórico-temporais;

ƒO predomínio do modelo metodológico experimental como o mais adequado, válido e confiável para produzir o conhecimento científico;

ƒO distanciamento entre o sujeito e o objeto;

ƒA pressuposição de que o objetivo que orienta a investigação e se origina de alguma teoria será alcançado, não obstante existirem causas que tendem a evitá-lo;

4 Segundo Kuhn (1987) paradigmas são realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência (p. 13).

ƒA suposição da existência, nos fenômenos psicossociais, de variáveis responsáveis pela tendência em manter uma conseqüência ou finalidade, em um fato ou fenômeno, e que funcionam como causas do comportamento em qualquer situação.

Esse paradigma é visto como próprio do modernismo que, como tradição filosófica ocidental, coloca o ser humano como centro e dominador do universo, estende os conceitos cartesianos de objetividade, certeza, verdade, dualismo e hierarquia até o século XX (Grandesso, 2000).

Conforme destacado por Sá (2002), entre as características próprias do paradigma dominante, mencionadas anteriormente, o individualismo é a que mais nitidamente opõe as duas vertentes, americana e européia. Montero (1994), procurando situar o movimento de oposição à psicologia social dominante no tempo, enfatiza que na América Latina a inconformidade vinha sendo sentida desde a década de 70. Entretanto, tal inconformismo não se restringe ao território latino-americano. O pensamento pós-moderno, caracterizado pela importância que tem os determinantes culturais, sociais e históricos no desenvolvimento da atividade científica e a inter-relação entre o sujeito e objeto de estudo, passou a permear as ciências sociais de forma mais consistente, não apenas na América Latina, mas em diversas partes do mundo, também a partir de 1970.

Entretanto, vale salientar que já no século XVIII, segundo análise de Grandesso (2000), quando Kant escreveu a Crítica à Razão Pura, já estava ali esboçada uma contraposição ao modernismo, ao considerar que a mente não é um mero receptáculo das impressões da natureza, mas criadora de significado. Assim, esse movimento vem de longa data. A resistência à ciência dominante desde o século XVII deságua na consolidação de um novo paradigma.

O paradigma emergente se apóia, entre outros, nos seguintes postulados: a psicologia deve-se reconhecer como uma ciência histórica e temporal; a realidade social é orientadora fundamental dos estudos psicológicos, e esta decorre de uma construção cotidiana; a psicologia não é uma ciência “objetiva” a exemplo das ciências naturais; o reconhecimento do caráter ativo das pessoas, que são consideradas como atores e construtores da sua realidade; a necessidade de incluir no estudo psicológico o ponto de vista dos oprimidos, evitando-se realizar o estudo dos fenômenos psicossociais unicamente do ponto de vista de quem tem poder e em função dos seus interesses; o reconhecimento da importância da ideologia como fenômeno humano e produto psicossocial, no qual o indivíduo é sujeito tanto ativo quanto passivo; a concepção dinâmica e dialética dos seres humanos e de sua relação com a sociedade, que em essência também é construída por eles; o desenvolvimento do trabalho dentro do

pressuposto de que as pessoas adquirem controle sobre suas vidas e circunstâncias vitais; o caráter impreciso da percepção, que se organiza dentro de interpretações mediadas e mantidas pela linguagem (Montero, 1994).

A ebulição dessas idéias fez com que na década de 60 os países mais desenvolvidos da Europa ocidental, num movimento de dissidência da Psicologia Social academicamente institucionalizada, criassem o seu próprio canal de expressão – o European Journal of Social

Psychology e a European Monographs in Social Psychology. Essa decisão tinha como propósito divulgar a produção de conhecimento decorrente desse novo posicionamento e, também, a intenção de se tornar independente da hegemonia científica americana, buscando os próprios sinais de identidade apoiados na tradição intelectual européia (Crespo 1991). A Teoria das Representações Sociais vai ao encontro desse movimento que, como já salientado, busca reconstruir a Psicologia Social como uma ciência social.

Vale registrar que, de acordo com a visão de Moscovici (2003, p. 113), “... o avanço real feito pelos psicólogos sociais americanos não foi tanto no seu método empírico ou nas suas construções teóricas, mas no fato de que... tomaram como temas de suas pesquisas e conteúdo de suas teorias os problemas de sua própria sociedade”. Portanto, a produção gerada nos Estados Unidos foi importada por diferentes países, considerando também que a Europa, destruída pela Segunda Guerra Mundial viu comprometida a sua capacidade de produção, inclusive de conhecimento. A dominação da psicologia social americana, denominada de psicologia social psicológica, pode ser vista, também, como decorrência de razões político- econômicas. Como destaco por Farr (2004, p. 28). Após a 2ª Guerra Mundial

“... os americanos desempenharam um papel importante na Europa, ao ajudar a constituir o que é hoje a Associação Européia de Psicólogos Sociais Experimentais. Havia, freqüentemente, psicólogos sociais individuais trabalhando longe, isolados uns dos outros, em vários países europeus. Os americanos envolvidos na reconstrução da Europa... ajudaram esses psicólogos sociais isolados a se encontrarem”.

Assim é que o modelo de exportação da psicologia social dos Estados Unidos tornou-se a forma dominante de psicologia social. A psicologia social produzida em todo o mundo, inclusive na Europa, apenas replicava as descobertas americanas e aplicava os instrumentais teóricos e metodológicos lá consagrados (Sá, 2002).

Falar de um paradigma dominante e de um paradigma emergente pode pressupor a substituição de um pelo outro. Não se sabe se isso irá ocorrer. Entretanto, a crescente aceitação dos postulados do paradigma emergente pela “comunidade científica”, amplia as formas de

estudo dos fenômenos no âmbito da psicologia social. Acredita-se que do ponto de vista epistemológico, essas duas concepções podem não se conciliar, mas no campo da pesquisa e da produção do conhecimento, elas podem se adequar, dependendo dos objetivos de pesquisa desejados. Como há uma evidente reação à hegemonia do positivismo na ciência, fazendo surgir uma nova concepção, não se pode admitir que esta queira também ocupar um lugar hegemônico, como o fez o positivismo.

No caso da presente pesquisa, buscar-se-á alcançar o objeto de estudo a partir dos conteúdos estruturados pelos sujeitos em decorrência de suas vivências sociais e da compreensão que têm desse objeto, numa opção de desenvolvimento do estudo de acordo com a perspectiva social sociológica. “A identificação da visão de mundo que os indivíduos ou grupos trazem consigo e utilizam para atuar ou tomar decisões é reconhecida como indispensável para entender a dinâmica das interações sociais e aclarar os determinantes das práticas sociais” (Abric, 2001, p. 11). Assim, a opção pela Teoria das Representações Sociais como suporte teórico desta pesquisa justifica-se pela sua adequação a esse propósito. Na seção seguinte serão apresentadas as fontes nas quais Moscovici se abasteceu para estruturar a sua teoria e as indagações que mobilizaram o autor a formulá-la, assim como o conceito de representações sociais.

2. O SURGIMENTO DA TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E O