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Vurdering av framtidsutsikter

In document 2021 Politiets årsrapport (sider 57-61)

Mål 5 – Tilgjengelige tjenester med god service

5. Vurdering av framtidsutsikter

Atualmente, os estudos sobre cibergêneros seguem duas grandes linhas, funcionalistas, de fundamentação teórica: 1) os principais cri- térios de definição dos gêneros da web são as propriedades das mídias digitais; e 2) o cibergênero, assim como qualquer gênero, estabiliza práticas sociais-linguísticas. A primeira linha tem mais representantes nos Estados Unidos, Canadá, Espanha e países baixos (Dinamarca e Suécia). A segunda linha é mais forte no Reino Unido e França. Me- lhor, a primeira linha está nas áreas de Ciências da Computação e da Informação e a segunda nas áreas de Linguística e Retórica. De forma resumida, as Ciências da Computação e da Informação analisam os cibergêneros pelos critérios de forma, conteúdo, propósito e funciona- lidade, enquanto a linguística se preocupa com o caráter de fixação e estabilidade que o gênero impõe aos tipos discursivos.

As pesquisas dedicadas a cibergêneros jornalísticos têm se funda- mentado na análise das propriedades da mídia digital, principalmente, hipertextualidade, multimidialidade e interatividade. Enquanto a inte- ratividade dispõe sobre a troca, a hipertextualidade é da ordem do modo discurso e a multimidialidade parece ser da ordem do dispositivo. A midialidade até então não fora investigada como critério para compre- ensão de gênero no campo jornalístico. Não só porque a possibilidade

de escolha das mídias analógicas é restrita, mas também porque as lin- guagens estão diretamente ligadas ao dispositivo midiático (impresso, rádio, televisão). O paradoxal é que o dispositivo, até então, foi um elemento desconsiderado na configuração do gênero, pois que tem sido ‘o’ elemento de partida das análises. Como vimos, estudam-se os gêne- ros televisivos, os gêneros radiofônicos, os gêneros digitais como se a mídia fosse o critério de definição do gênero de um campo. Duvidamos desta concepção.

Em sua tese de doutorado, Ihlström faz uma sistematização das ca- racterísticas de gêneros sugeridas pelas principais referências da Genre Theorye das Ciências da Informação e da Computação, que reproduzi- mos abaixo (IHLSTRÖM, 2004, p. 17).

CARACTERÍSTICAS DE GÊNEROS

AUTORES

Forma e conteúdo Berkenkotter e Hukin (1995)

Forma e propósito Swales (1990); Orlikowski & Yates

(1994); Crownston & Williams (1997); Yates et al. (1997)

Conteúdo, forma e funci- onalidade

Shepherd & Watters (1998, 1999); Ryan et al. (2002); Crownston & Kwasnik (2004)

Propósito, forma e funci- onalidade

Toms & Campbell (1999); Schmid-Isler (2000)

Depois de apresentar sinteticamente a sugestão de cada autor, a pes- quisadora escolhe adotar a definição de gênero de Erickson - “Um gê- nero é um modelo de comunicação criado pela combinação de forças individual (cognitiva), social e técnica implícita em situações de comu- nicação recorrentes. [...]” (ERIKSON, 1999, p.2) –, mas adicionando um aspecto da definição de Orlikowski e Yates (1994): propósito reco-

nhecido socialmente. Dentro destas forças, não fica claro como Ihls- tröm coloca as características que considera fundamentais para o gê- nero digital: 1ª) conteúdo seria substância; 2ª) forma se refere às ca- racterísticas observáveis; 3ª) funcionalidade se refere às capacidades disponível através da mídia; e 4ª) propósito, visto da perspectiva de quem publica (IHLSTRÖM, 2004, p. 21).

Pode-se dizer que, exceto a separação entre conteúdo e forma, as duas outras “características” são as mesmas trabalhadas pela teoria li- terária e pelos estudos da comunicação, em especial os estudos dos gêneros jornalísticos. Propósito está relacionado à finalidade, somada, inclusive, pela autora, à dimensão social. A funcionalidade reflete a re- lação dos gêneros com as propriedades digitais, principal critério para os estudos de cibergêneros jornalísticos.

É o que se pode apreender dos trabalhos dos linguistas brasilei- ros e dos pesquisadores de jornalismo, Ramón Salaverría e Javier Díaz Noci. Mas, enquanto Salaverría busca caracterizar os ‘novos’ gêneros do webjornalismo, Díaz Noci tem procurado compreender e sugerir critérios taxonômicos. Além de descrever e analisar os gêneros, Díaz Noci avança para uma compreensão dos critérios taxonômicos em que propõe, além das já apontadas propriedades da mídia digital – hiper- textualidade, multimedialidade e interatividade-, mais dois elementos: as técnicas retóricas e características temporais.

São cinco critérios, trazidos das cinco operações retóricas sugeri- das por Quintiliano: inventio (a possibilidade de escolha), dispositio (ordenamento de seqüências), elocutio (expressão do discurso), actio (a ação da troca comunicativa) e memória (memória). Cada operação estaria ligada a uma propriedade da mídia digital. Então, a inventio seria da ordem da multilinearidade; a dispositio, das estruturas hiper- textuais; a actio, da interatividade; a elocutio, dos recursos multimídia e a memoria estaria ligada à memória (múltipla, instantânea e cumula- tiva – Palácios, 2003) (DÍAZ NOCI, 2004, p. 12).

Inventio, dispositio, actio, elocutio e memoria são, para Quintili- ano, as operações necessárias à produção integral do discurso. A busca

CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO RETÓRICA Topoï Gêneros narrativos Gêneros interpretativos Gêneros dialógicos Gêneros argumentativos Partes do Discurso

Inventio: multilinearidade e polia- crosis

Dispositio: estruturas hipertextuais Actio: interatividade

Elocutio: Recursos multimedia Memoria

de conteúdo (inventio) seria a operação inicial. Como a mídia digital é caracterizada pela múltipla escolha, não só de conteúdo, mas também de caminho, essa ação seria da ordem da multilinearidade. A escolha do tema, no caso do campo de produção jornalístico, é determinada por formações discursivas de domínios do saber (editorias), relacionadas aos valores-notícia e paradigmas do campo.

A composição e ordenação do material (dispositio) são tanto uma ação do autor como do usuário-leitor, que pode decidir um intinerário dentro do hipertexto, com um número de intinerários possíveis. A dis- positio estaria diretamente relacionada ao modo discursivo, narrativo, descritivo ou argumentativo. No campo do wejornalismo, devem-se analisar os recursos hipertextuais: estruturas e tipo de links. Díaz Noci sugere duas classes para cada critério. As estruturas segundo o tipo (axial ou reticular) e o grau (profundidade e número de itinerários por nível). Os links segundo o destino e segundo o propósito. Assim como a narração, caracterizada por ordenamentos cronológicos e composição baseada na intriga, as unidades hipertextuais têm as lexias e as ligações (links) que marcam sua composição.

Já a elocutio, expressão do discurso, seria operação de escolhas dos significantes para os significados que já se vai ordenar, portanto, opera- ção também sobre escolhas de linguagem (texto escrito, áudio, vídeo,

foto). Este é um elemento diretamente relacionado ao dispositivo me- diático, até então visto apenas como gramática midiática. Com a mídia digital, tanto o fazer jornalístico, como o campo de pesquisa, estão se questionando sobre a lógica de cada linguagem e que funções operam com base em suas lógicas.

A actio seria exatamente a interação. Como vimos com os cha- mados gêneros dialógicos, o foco de decisão estaria na própria troca comunicativa: além do estatuto dos participantes, número de partici- pantes, na possibilidade de troca de papéis, grau de dialogismo (um para um, um para muitos, muitos para um) e o momento da troca (sin- crônico e assíncrono). Por fim, a memoria, permanente e disponível informação produzida e armazenada, que pode ser usada, tanto pelo produtor como pelo usuário.

As operações, como veremos, estão diretamente relacionadas às competências do saber-fazer jornalístico (competência de reconheci- mento, de procedimento e discursiva), assim como também não estão tão afastadas das dimensões diferentes das condições extra e intralin- guísticas trabalhadas pela Análise do Discurso. Entretanto, exatamente por serem operações, não acreditamos que devem estar relacionadas à mídia e, mas sim às competências empregadas na produção de uma composição discursiva do jornalismo de atualidade.

Os estudos da linguística sobre cibergênero seguem os mesmos pa- râmetros de análise dos estudos do jornalismo, mas têm objetivos di- versos. O que a linguística tem feito, em se tratando de gêneros digi- tais, é: 1) compreender as interfaces com os gêneros tradicionais; 2) realizado um trabalho descritivo de reconhecimento, relacionando con- ceitos da linguística com teorias das novas mídias e 3) relido a noção de gênero, não só por causa do novo cenário, mas também pela própria noção, controversa. A linguística quer entender o nível de mudança na escrita pelo seu uso nas mídias digitais, a contribuição destas para o letramento de professores e o que mudou no ensino através destes meios20, ao passo que, ao jornalismo interessa analisar as mudanças

da produção da informação com as mídias digitais. Os parâmetros, no entanto, constituem aspectos como tempo (instantaneidade/atualização contínua), número e tipo de interlocutores (interatividade), formato tex- tual e extensão (hipertextualidade), limites impostos à revisão (atuali- zação contínua), grau de automatização das operações, método de ar- mazenamento, busca, gerenciamento de textos (memória) e riqueza e variedade de sinais, ou seja, texto, áudio, imagem (multimidialidade) .

QUADRO 10 – PARÂMETROS DE TIPOLOGIAS DE CIBERGÊNEROS PARA LINGUÍSTICA E JORNALISMO

DIGITAL

LINGUÍSTICA JORNALISMO DIGITAL

Relação temporal

(síncrona e assíncrona; duração)

Tempo (sicronismo e assincronismo; per- manência)

Extensão do texto Hipertextualidade (links) Formato textual Hipertextualidade Participantes Interatividade Relação dos participantes Interatividade Troca de falantes Interatividade Canal/semioses Multimidialidade Recuperação de mensagem Memória Função

Tema Estilo

Exceto estilo, tema e função, todos os outros critérios são comuns aos dois campos. Estilo, tema e função seguem a tradição da linguís- tica, constituindo também em elementos de análise de classificações de gêneros no jornalismo desde a década de 60. Tanto estes como os

(FALE-UFMG), editou outra obra intitulada “Interação e Aprendizagem em Ambi- ente Virtual”. PAIVA, Vera Lúcia Menezes (org.) Interação e Aprendizagem em Ambiente Virtual, Belo Horizonte, FALE-UFMG, 2001.

outros parâmetros são compostos de mais de um aspecto como, por exemplo, formato textual – turnos encadeados, texto corrido, sequên- cias soltas, estrutura fixa – e relação entre participantes – conhecidos, anônimos e hierarquizados. Os aspectos de cada parâmetro são com- preendidos por quatro (4) níveis: presença, ausência, irrelevância do traço para a definição de gênero e indefinição quanto à presença e rele- vância. Analiticamente, seriam níveis de importância para a configura- ção de um gênero, sugerindo, assim, que alguns critérios são determi- nantes, outros constitutivos e outros apenas influentes na configuração do gênero. Esta é a perspectiva de autores da AD.

A similitude do método está, então, em se balizar a análise por pro- priedades das novas mídias. Entretanto, a linguística é mais enfática quanto aos níveis de relevância, está preocupada com 'gêneros emer- gentes' do domínio do ensino e trabalha com outras referências, mesmo como fundamento das propriedades da mídia digital. A lista de novos gêneros inclue: e-mails, chat aberto, chat reservado, chat agendado, chat em salas privadas, entrevista com convidado, e-mails educacio- nais, aula chat, vídeo-conferência interativas, lista de discussão, ende- reço eletrônico e blogs. Apenas os chats e a entrevista são também classificados como cibergêneros do jornalismo. Classificação esta de pesquisadores espanhóis, principalmente Díaz Noci e Salaverría, pois não existem tipologias sugeridas por estudiosos brasileiros.

Com exceção de David Bolter e Marshall McLuhan, os linguis- tas fundamentam-se pelas Ciências da Computação e da Informação, principalmente com o norte-americano Thomas Erickson, Shepherd & Watters, Yates, & Sumner, Ryan et all, Crowston & Kwasnik e Tom & Campbell. Estes pesquisadores, preocupados com o papel de carac- terísticas tecnológicas na configuração de gêneros digitais21, dialogam

21. “As genre theory is applied to digital media rather than speech or writing, a couple of differences in emphasis have emerged. One of the chief differences is that those studying the digital medium are paying more attention to the role of technical features in shaping the evolution of digital genres. [...]” ERICK- SON, Tom. Rhyme and Punishment: The Creation and Enforcement of Con- ventions in an Online Participatory Limerick Genre. In: Anais do Thirty-

teoricamente com a Genre theory, com interesse em gêneros literários, nas implicações pedagógicas dos gêneros acadêmicos e na aplicação de gêneros no ensino da linguagem.

Esta intersecção com a Genre Theory levou os linguistas brasilei- ros a trabalharem com Thomas Erickson, por exemplo, além de John Swales, Charles Bazerman, Carolyn Miller e Vijay Bhatia, os autores mais mencionados pelos linguistas brasileiros que estudam os gêneros digitais. Um dos motivos da força deste grupo é que a sócio-retórica aprofunda sua análise em um ponto decisivo para a teoria de gêneros, elevado à potência com o aparecimento das mídias digitais: o problema da situação do discurso, da interação. A interatividade é tida, pela lin- guística brasileira, como uma das características centrais dos gêneros no ambiente digital. A interatividade implica num novo contexto de relações entre fala-escrita, com nova relação tempo-espaço, uma pos- sibilidade de contatos mais veloz, sem barreiras geográficas, um novo modo de circulação de textos22. Enfim, é uma propriedade da mídia

digital que chama atenção deste domínio principalmente pelo fato de instaurar novas situações de troca linguística. Como sintetizou Irene Machado:

second Hawaii International Conference on System Sciences. Havaí, janeiro de 1999. Disponível em: http://www.visi.com/˜snowfall/limerick.html#anchor3302129. Acesso em 05/12/2008.

22. “Uma das características centrais dos gêneros em ambientes virtuais é a alta interatividade, em muitos casos síncronos, embora escritos. Isso lhes dá um caráter inovador no contexto das relações entre fala-escrita. [...] Aspecto importante nas formas comunicativas semiotizadas desses gêneros é o uso de marcas de polidez ou indicação de posturas com os conhecidos emoticons [...] ao lado de uma espécie de etiqueta netiana [...], trazendo descontração e informalidade [...], tendo em vista a volatilidade do meio e a rapidez da interação. [...]” MARCUSCHI, op.cit., p. 33. “Uma das principais características atribuídas aos suportes eletrônicos da Internet é a questão da interatividade. [...] A noção da interatividade na Internet pode ser assim associada à questão do tempo e à do espaço. Interessa-me analisar a interatividade na intertextualidade e no modo de circulação os textos produzidos.” KOMESU, F. Blogs e as práticas de escrita sobre si na Internet. In: MARCUSCHI, L.A. e XAVIER, A. C. (Org.) Hipertexto e Gêneros Digitais. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2004, p.113.

[...] A classificação foi substituída pelas relações interativas. O conceito de gênero abandona a escala hierarquizante e passa a va- lorizar a interação. Considerar os gêneros em tempos de cultura digital implica atentar não só para o modo como as mensagens são organizadas e articuladas do ponto de vista de sua produção, como também para sua ação sobre a troca comunicativa, vale dizer, para o processo de recodificação pelos dispositivos de mediação. [...] (MACHADO, 2001, p.13) (grifo nosso)

O vigor da sócio-retórica está em algumas noções-chave: situa- ção retórica, ação retórica tipificada, comunidade retórica (MILLER, 1984), comunidade discursiva (SWALES, 1990) e recorrência (BA- ZERMAN, 1994). A noção de situação retórica coloca luzes na di- mensão retórica das práticas sociais, nos critérios pragmáticos como propósito, tomado como um componente essencial na constituição da situação discursiva (do ato comunicativo). A compreensão do gênero é baseada na prática retórica, ou seja, nas convenções do discurso que uma sociedade estabelece como maneiras de agir. O gênero é conside- rado como mediador entre as intenções privadas e as exigências sociais, o particular e o público, contendo, portanto, um potencial estruturador da ação social (MILLER, 1984, p. 163).

O fato de essas situações serem recorrentes é o que permitiria tipificá- las por analogias e semelhanças. As regularidades nas propriedades das situações recorrentes dariam origem a recorrências na forma e con- teúdo. Para reconhecer e interpretar situações recorrentes é preciso ter um conhecimento compartilhado, por isso a noção de comunidade dis- cursiva é influente na teoria dos gêneros. A comunidade discursiva é hoje entendida como “um grupo que trabalha junto, mantém seu re- pertório de gêneros, com traços retóricos evidentes e com a força que valida as atividades da comunidade” (HEMAS e BIASI-RODRIGUES, 2005, p. 127). Na noção de comunidade retórica (MILLER), os traços retóricos seriam, na verdade, ações retóricas comuns; seria importante destacar também o modo de agir e incluir a noção de reprodução. Um dos desafios atuais da linguística é relacionar as noções de comunidade discursiva e comunidade retórica com a noção de comunidade virtual

(CV) para chegar a uma definição mais operativa nos estudos dos ci- bergêneros.

O gênero tomado como ação social assegura aos linguistas uma to- mada em perspectiva menos tecnicista e mais sócio-histórica23. Para

além dos enunciados, o linguista defende que o analista de gênero precisa do contexto, da situação recorrente na qual um gênero está constituído numa dada cultura (MOTTA-ROTH, 2005). Em artigo so- bre metodologias de análise de gênero, a linguista Désirée Motta-Roth (UFSM) sugere investigar a linguagem como gênero, para que a relação dialética entre texto e contexto se evidencie.

A Análise de Gêneros Discursivos, portanto, pode situar a lingua- gem em contextos específicos, conectando linguagem a contexto de situação e esses dois elementos ao contexto de cultura mais amplo, relacionando os processos de interação linguística aos processos so- ciais, a ordem social com a ordem do discurso, as práticas sociais com as práticas linguageiras (Fairclough, 1989:25-29). (MOTTA- ROTH, 2003, p. 17)

Motta-Roth chega a propor a elaboração de uma “descrição ex- pressa” de contextos específicos numa análise de gêneros discursivos. A questão é que, a despeito do seu valor para a categoria de gênero discursivo, a noção de contexto tem ainda arestas a aparar para se tor- nar ferramenta de análise. O contexto não aparece nas pesquisas dos linguistas sobre cibergêneros, talvez porque a troca comunicativa seja pensada em um ambiente onde os limites de tempo e espaço se dis- solvem, permitindo uma troca síncrona ou assíncrona, numa rede de qualquer tamanho, sem limites geográficos definidos.

23. “Se tomarmos o gênero como texto situado histórica e socialmente, cultural- mente sensível, recorrente, “relativamente estável” do ponto de vista estilístico e com- posicional, segundo a visão bakhtiniana (Bakhtin, 1979), servindo como instrumento comunicativo com propósitos específicos (Swales, 1990) e como forma de ação so- cial (Miller, 1984), é fácil perceber que um novo meio tecnológico, na medida em que interfere nessas condições, deve também interferir na natureza do gênero produzido.” (MARCUSCHI; XAVIER, 2004, p. 17).

A noção de contexto é mais desenvolvida na Análise Crítica do Discurso (Fairclough), que privilegia o estudo da interligação entre po- der e ideologia, entendendo, portanto, o discurso como prática social, com poder constitutivo. A ACD, juntamente, com a Análise do Dis- curso (Maingueneau e Charaudeau), são as principais abordagens teó- ricas nos estudos sobre gêneros jornalísticos brasileiros. De maneira geral, as teorias que estudam as condições extralinguísticas (retórica, pragmática e a AD), têm crescido aos olhos das teorias de gêneros. Além de defenderem conceitualmente a noção, situam o gênero den- tro de rotinas, de comportamentos estereotipados que se estabilizam, portanto, dentro de domínios e circunstâncias. Ou seja, procuram en- tender o gênero como atividade social, submetida, então, a critérios de êxito. Esses critérios dialogam com os elementos de análise das teo- rias classificatórias. A função está relacionada à finalidade, o grau de interferência do autor está relacionado ao estatuto dos participantes e a organização textual, ao modo discursivo (narração, dissertação, descri- ção e argumentação), critério revisto a partir da retórica pelas tipologias de gêneros digitais espanholas.

Enquanto o corpus de análise das teorias classificatórias tem sido basicamente o produto, a AD tem sugerido a análise da produção, pois as condições de êxito de um ato comunicativo são, principalmente, ex- tralinguísticas: finalidade reconhecida, estatuto/identidade dos parcei- ros, lugar e momento legítimos, domínio do saber, dispositivo-suporte material e organização textual-modo de organização discursiva. A AD defende a análise de elementos internos (do discurso) e externos (si- tuação de troca). Pode-se dizer, portanto, que a AD está no mesmo caminho da sócio-retórica e da linguística porque tem focado nas con- dições de situação, contexto e produção do discurso.

Enfim, as noções de função (finalidade) e de estatuto têm sido em- pregadas com diferentes graus de importância e concepções nas pes- quisas sobre gênero jornalístico, ainda que esteja claro o quão tênue é o limite dessas condições. Assim também há uma escolha prática e mercadológica pelo estudo de gêneros através das mídias nas quais se

apresentam. O que coloca o dispositivo como uma condição determi- nante na definição do gênero. O modo do discurso é, em geral, visto como estilo de redação sem nenhuma relação com os atos de lingua- gem. Os pesquisadores do campo jornalístico embasam-se nas técnicas de redação, sendo o modo do discurso entendido como relação texto e

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