Mål 5 – Tilgjengelige tjenester med god service
4. Styring og kontroll i virksomheten
Nesses pouco mais de 50 anos de estudo, os gêneros jornalísticos estiveram divididos por um critério-chave: função ou finalidade, com- preendidos como sinônimos. Na escola mais tradicional, em Navarra, cinco dos principais autores empregam os termos função, finalidade, fim comunicativo ou atitude como principais critérios; além de traços estilísticos.
Nas escolas norte-americanas, por influências da Sociologia da Co- municação e da Retórica da Comunicação (na década de 70, com AUS- TIN e SEARLE), os parâmetros giraram em torno de propósito (pur- pose), definido como intenção em Austin e burilado para intencionali- dade em Searle, embora as pesquisas sejam caracterizadas pelo conhe- cimento empírico de cada unidade discursiva ou técnicas de redação e apuração.
No Brasil, Luiz Beltrão falava de função, enquanto José Marques de Melo classificou os textos produzidos pela indústria jornalística por “intencionalidade dos relatos” e “natureza estrutural dos relatos”.
Os estudos de gênero jornalístico refletem as preocupações das te- orias do jornalismo. A teoria do espelho e as teorias construcionistas da década de 70 focam na notícia, ou seja, na relação entre discurso e realidade (reflete X constrói a realidade). As teorias macrosociológicas – teoria da ação política e estruturalista – têm o propósito de analisar o nível de autonomia do jornalista. Os critérios função e finalidade
QUADRO 8 – CRITÉRIOS DE TIPOLOGIAS DE GÊNEROS JORNALÍSTICOS (ESPANHA E BRASIL)
Martinez Albertos (1962, 1974) Gomis, Lorenzo (1989) Núñez Ladevèze (1991, 1995) Sánchez e López Pan (1998) Beltrão, Luiz (1976) Marques de Melo (1985) Estilístico (infor- mativo, editoria- lizante e ameno) Função (inter- pretação opinativa e inter- pretação informa- tiva) Fim comu- nicativo (informar, ajudar a compreender o que ocorre e convencer) Finalidade Função (informar, orientar e divertir) Intencionalidade deter- minante dos relatos: a) reprodução do real; b) leitura do real Atitude (relatar, analisar e persuadir) Traços esti- lísticos cor- respondentes Estatuto Natureza (do tema) Tratamento dado ao tema Morfologia Topicalidade Estilo Conteúdo Caráter
Natureza dos relatos ob- serváveis (relação entre os acontecimentos, expressão jornalística e apreensão pela coletividade): informativos: a partir de referencial exterior à insti- tuição;
opinativos: estrutura da mensagem é co- determinada por variáveis controladas pela institui- ção jornalística (autoria e angulagem)
pontuam exatamente o elemento de definição de cada unidade discur- siva produzida pela indústria jornalística, problematizando, conseqüen- temente, o nível de autoridade, responsabilidade e, portanto, autonomia desse sujeito.
A grande diferença que existe entre as noções de função, finalidade, fim comunicativo, atitude e propósito é o grau de coletividade e cultura profissional embutida na ação discursiva do jornalista. Enquanto as li- nhas sociológicas vêem a função como organizacional, as linhas mais próximas da Retórica trabalham com a noção de intencionalidade re- conhecida intersubjetivamente. As tradições inglesa e norte-americana dirigem sua atenção para a distinção entre o que é intencionalmente informativo e o que é explicitamente opinativo.
Todos defendem, com pequenas diferenças, o critério de função para a diferenciação de gêneros. As funções giram em torno de re- latar ou informar, comentar ou opinar, orientar, divertir e variam muito quanto à concepção do lugar da interpretação (entendida na tradição norte-americana como procedimento explicativo, sentido reivindicado por Marques de Melo).
QUADRO 9 – FINALIDADES DO JORNALISMO PARA ESTUDIOSOS DO CAMPO (ESPANHA, BRASIL, EUA)
Martinez Alber- tos (1962, 1974) Gomis Lorenzo (1989) Núñez La- devèze (1991, 1995) Beltrão Luiz (1976) Marques de Melo, J. (2006) Bond, Fraser (1959) Macdou- gall Curtis (1963) Meyer, Phillip (1991) Relatar Interpre- tação informa- tiva
Informar Informar Informar Informar Transmitir informa- ção Interpre- tação opina- tiva Ajudar a com- preender o que ocorre
Orientar Opinar Orientar Analisar Jornalismo
Interpre- tativo
Interpretar Interpretar Interpre- tação com método Divertir Jornalismo diversio- nal Entreter Jornalismo Utilitário Jornalismo Público Persuadir Convencer
Informar é, para as teorias do jornalismo, uma finalidade indiscu- tível, exceto pelo nível ‘interpretativo’ do fazer jornalístico, sempre em debate. Seja função, finalidade ou atitude, relatar não é, essenci- almente, diferente de informar. Tanto relatar, quanto informar pres- supõem um conhecimento da realidade limitado pela objetividade de fatos, acontecimentos ou eventos. Em verdade, o que está em questão é uma definição de jornalismo, a noção de objetividade e, portanto, do
caráter ‘interpretativo’ do fazer jornalístico.
A maioria dos autores trabalha com a diferenciação entre infor- mação e interpretação, com seleção crítica de recolhimento de dados, contextualizando-os, aprofundando, explicando e ensinando até, como acreditava Beltrão: “Essa análise preliminar de submeter os dados re- colhidos a uma seleção crítica, e transformá-los em matéria para a di- vulgação é a interpretação jornalística. [...]” (BELTRÃO, 1980, p. 47)
Defende-se que a atividade jornalística interpretativa tem três parti- cularidades: 1) o fato é tratado como acontecimento, ou seja, gera uma discussão sobre a realidade contextual; 2) as técnicas produtivas são particulares, como sugere Beltrão – identificação do objeto, que deve ter valor absoluto de notícia; decomposição da ocorrência em elemen- tos básicos e investigação dos valores essenciais para estruturação da informação; redação do texto de forma que o leitor seja capaz de, por si próprio, interpretar a ocorrência; e 3) a unidade interpretativa per- mitiria uma dose maior de análise crítica do autor-jornalista, incluindo adjetivos, advérbios e abolição do lead. A finalidade (interpretar) vem, assim, associada à qualidade do objeto, ao modo discursivo (narração, dissertação, descrição, argumentação), ao grau de interferência do au- tor e às técnicas de apuração e produção.
A qualidade do objeto é o que se entende como natureza do tema ou grau de vinculação com a notícia. A natureza do tema está ligada ao valor-notícia da ocorrência. Defendeu-se tanto o valor absoluto da ocorrência como o inverso, a não necessidade de ter valor-notícia para se fazer jornalismo interpretativo. Beltrão acreditava que o jornalismo interpretativo deveria saber identificar as notícias que despertam inte- resse e importam a todos os seus leitores, com uma gradação medida por alguns aspectos: proximidade no tempo, proximidade no espaço, número e qualidade das pessoas envolvidas e valor material e/ou ideo- lógico. Martinez Albertos entretanto, entendia que a reportagem inter- pretativa (para ele, o gênero interpretativo por excelência) seria a expli- cação de fatos atuais que já não seriam notícia. A notícia seria factual, estruturada segundo o lead, limitada a responder o que, quem, como,
quando, onde e porque, e a reportagem, tipo característico do jorna- lismo interpretativo, não precisaria tratar, necessariamente, de algo que eclodiu na realidade.
Confundido com estilo, os modos discursivos do jornalismo inter- pretativo poderiam ser narrativos, descritivos e explicativos em grau muito maior do que para o jornalismo informativo. A afirmação mais clássica desta compreensão dizia: a reportagem não segue a lógica do lead e pode criar imagens, impressões e invocar sentimentos. No foco, portanto, o grau de subjetividade do enunciador-jornalista, pois sua ação de interpretar permite comparar, explicar, transmitir segundo sentimentos e exige aprofundar e investigar.
É exatamente uma necessidade de ir além da transmissão de fatos que cria as condições para o nascimento do jornalismo interpretativo entre as duas grandes guerras.
A necessidade do chamado “interpretative reporting” se sentiu en- tre as duas guerras mundiais. Curtis MacDougall (1968) intitulou Interpretative Reporting as sucessivas edições que haviam come- çado, chamando-se, em 1932, Reporting for Beginners. É uma ilus- tração de uma evolução que explica o mesmo. A primeira guerra mundial pegou os americanos de surpresa. Nada os havia anunci- ado que algo assim iria ocorrer e muito menos os havia explicado porque. A culpa se lançou aos periódicos e especialmente às agên- cias. Haviam-se limitado a transmitir fatos, mas isso não bastava. Acusou-se a Associated Press de não querer interpretações, mas só a pura transmissão factual do óbvio”. (GOMIS, 1991, p. 109)
A polêmica chegou, já depois da Segunda Guerra, em Londres e Paris, onde a prática foi reconhecida pelo produto, grand reportage, e não com uma denominação genérica. O também chamado jornalismo de explicação (hispânicos) e jornalismo de profundidade, desenvolvido, basicamente no impresso, era, ainda, uma demanda criada pelas mídias eletrônicas: o rádio e a TV, surgidos nas décadas de 20 e 30. Havia uma necessidade de saber mais sobre os assuntos que a televisão noticiava, inclusive com o ‘ao vivo’.
[...] Um dos efeitos inesperados da TV sobre a imprensa foi o grande aumento de popularidade das revistas Time e Newsweek. De maneira inexplicável para elas próprias e sem maior esforço de gran- jear assinaturas, suas circulações mais do que dobraram desde o advento da TV. Antes de mais nada, essas revistas noticiosas apre- sentam, sob forma em mosaico, imagens corporativas da sociedade em ação – e não simplesmente janelas para o mundo, como as velhas revistas ilustradas. Enquanto o espectador de uma revista ilustrada é passivo, o leitor de uma revista noticiosa se envolve na formação de significados para a imagem corporativa da sociedade. Assim o hábito televisivo de envolver-se em imagens em mosaico aumen- tou enormemente o apelo dessas revistas noticiosas, ao mesmo tempo em que fazia diminuir a atração pelas velas revistas de temas ilustradas.” (MC LUHAN, 1964, p. 231) (grifo nosso)
A revista, consolidada como o produto de reportagens, era o meio onde mais se experimentava a contextualização, o aprofundamento, os dados comparativos, técnicas que, em princípio, não eram diferentes daquelas utilizadas para produção de uma notícia, como diziam os pró- prios autores defensores da interpretative reporting.
O que o chamado jornalismo “interpretativo” faz com as informa- ções é ampliar a margem de interpretação. Captar uma notícia no mais típico jornalismo de “fatos” era já, e segue sendo, interpretar a realidade social, mas o “interpretative reporting” amplia a margem de interpretação para servir melhor ao leitor e dar-lhe mais elemen- tos de juízo para que, por sua vez, ele interprete a atualidade que o serve. (GOMIS, 1991, p. 111)
O professor catalão Lorenzo Gomis, um dos importantes defensores do jornalismo como método de interpretação da realidade social, acre- ditava, então, que a diferença entre notícia e reportagem, por exemplo, estava apenas no grau de interpretação, já que o juízo interpretativo era o mesmo. Independentemente da função, informativa ou opinativa, interpretação era parte das duas.
No jornalismo, como método de interpretação sucessiva da reali- dade social, corresponde aos gêneros jornalísticos cumprir distintas
funções para responder também a diversas necessidades sociais e satisfazê-las. A informação e o comentário são duas necessidades sociais distintas. (. . . ) (GOMIS, 1991, p. 44) (Tradução nossa)11
Em outras palavras, as técnicas de apuração, seleção das informa- ções, comparação, hierarquização seriam as mesmas. Mais do que isso, para o precision journalism (Meyer, 1971), a interpretação jornalística do jornalismo informativo deveria ser um método, com a conversão de números em porcentagens, o dimensionamento de grandezas, de ten- dências baseadas em dados comparados, uso de índices e dados pa- dronizados, entre outras técnicas. Métodos científicos ofereceriam o caminho para o sucesso daquilo que se chamou objetividade.
Apesar dos problemas, a nova notificação permanece um esforço interessante em lidar com a complexidade da informação e encon- trar uma modo de comunicar a verdade essencial. Ela empurra o jornalismo em direção à arte. O problema é que o jornalismo re- quer disciplina, e a disciplina da arte pode não ser a mais adequada. Uma melhor solução seria levar o jornalismo em direção a ciência, integrando tanto o poder do levantamento de dados quanto as ferra- mentas de análise da ciência e a sua procura disciplinada por uma verdade verificável. (Meyer, 1991) (tradução nossa)12
Meyer defendia uma aproximação com métodos científicos para a mais objetiva e fiel compreensão da realidade; uma das cinco princi- pais competências da atividade profissional jornalística: a capacidade
11. “En el periodismo como método de interpretación sucesiva de la realidade so- cial corresponde a los géneros periodísticos cumplir distintas funciones para respon- der también a diversas necessidades sociales y satifacerlas. La inforamción y el co- mentário son dos necesidades sociales distintas. (. . . )” (GOMIS, 1991, p.44).
12. “Despite the problems, the new notification remains an interesting effort at coping with information complexity and finding a way to communicate essential truth. It pushes journalism toward art. Its problem is that journalism requires dis- cipline, and the discipline of art may not be the most appropriate kind. A bet- ter solution is to push journalism toward science, incorporating both the powerful data-gathering and analysis tools of science and its disciplined search for verifiable truth.” MEYER, Philip. The new precision journalism. 1971. Disponível em: http://www.unc.edu/%7Epmeyer/book/. Acesso em 28/07/2008.
de dominar o tempo, a capacidade de reconhecer quais são os aconte- cimentos com valor-notícia, o saber relativo à apuração (identificação e verificação dos fatos), o conhecimento de regras acerca das fontes de notícias e, finalmente, o “saber da narração”, compilar informações e saber formatá-las num discurso noticioso aceito socialmente (TRA- QUINA, 2005, p. 40-43).
São os saberes especializados, ao lado do habitus13, as normas e controles de realização de funções, a legitimação e o tipo de relação que mantém com os outros campos, suas formações discursivas e pa- radigmas, que formam o campo. Um dos consensos sobre os gêne- ros jornalísticos é exatamente o fato de cumprirem funções sociais no campo.
Chegados neste ponto e antes de adentrarmos no estudo das dis- tintas classificações propostas pelos autores espanhóis, poderíamos resumir o que já foi escrito:
(1) o jornalista escreve inevitavelmente em gêneros,
(2) os gêneros funcionam para o jornalista como balizas/modelos de expressão que facilitam sua tarefa,
(3) os gêneros cumprem determinadas funções sociais,
(4) os gêneros são instituições vivas que evoluem para ajustar-se às funções próprias da atividade a que servem Eles não só evoluem, também desaparecem e surgem outros novos,
(5) a classificação dos gêneros importa, e muito, na medida em que reflete os valores da profissão e seus pressupostos epistemológi- cos. (SÁNCHEZ e LÓPEZ PAN, 1998, p.18) (tradução nossa)14
13. “[...] – o habitus, como indica a palavra, é um conhecimento adquirido e tam- bém um haver, um capital (de um sujeito transcendental na tradição idealista) o ha- bitus, a hexis, indica a disposição incorporada, quase postural – [...]” (BOURDIEU, 2001, p. 61).
14. “Llegados a este punto, y antes de adentrarnos en el estúdio de las distintas clasificaciones propuestas por los autores españoles, poderíamos resumir así cuanto llevamos escrito:
(1) el periosita escribe inevitablemente em géneros,
(2) los géneros funcionan para el periodista como cauces/modelos de espressíon que facilitan su tarea,
A questão-chave está aí. Os gêneros exercem funções, não só infor- mar e opinar, mas divertir, convencer, entreter, também seriam funções da atividade jornalística? Ou, talvez, a diferenciação entre instituição jornalística e organização jornalística ajude a compreender as finalida- des reconhecidas em relação aos compromissos efetivamente realiza- dos nas composições discursivas produzidas na organização jornalís- tica.
Essa diferenciação pode contribuir, ainda, para esclarecer outra con- cepção firmada nos estudos dos gêneros, não só no Brasil, onde se tra- balha por domínio, por mídia e/ou por fundamento teórico, mas não se trabalha por mídia e domínio ao mesmo tempo. Ou melhor, enquanto a mídia é considerada um critério de genericidade, o domínio é colocado em segundo plano. Se “a diferença entre as mídias é, igualmente, uma diferença de gêneros” (MACHADO, 2001, p.12), como acreditam a sócio-semiótica e setores do campo da comunicação, não será possível falar em gêneros jornalísticos. Só podem existir gêneros jornalísticos, se o domínio for determinante para a genericidade de tipos discursivos. As características da mídia devem ser relacionadas às condições de re- alização da ação comunicativa para que se possa dizer, por exemplo, que a entrevista veiculada no impresso e no site jornalístico da rede é um mesmo gênero da indústria jornalística.
Essa separação por mídia gerou uma ausência de diálogo entre pes- quisadores do mesmo campo, influenciados pela adoção de metodolo- gias que melhor explicassem as características da mídia analisada. Os estudos sobre gêneros televisuais têm hoje como metodologias a semi-
(3) los géneros cumplen determinadas funciones sociales,
(4) los géneros son instituciones vivas que evolucionan para ajustarse a las fun- ciones propias de la actividad a la que sirven. Eles no solo evolucinan, también desaparecen e surgen otros nuevos,
(5) la clasificación de los géneros importa, y mucho, em la medida en la que refleja los valores de la profesión y sus presupuestos epistemológicos.” SÁNCHEZ, J. F. e LÓPEZ PAN, F. Tipologías de géneros periodísticos en España. Hacia un nuevo paradigma. In: Comunicación y Estudios Universitarios, Revista de Ciències de la Informació, nº 8, CEU San Pablo, Valencia, 1998, p.18.
ologia estruturalista (Stuart Hall), os Estudos Culturais e as teorias da interação (Erving Goffman). Já os estudos sobre gêneros jornalísticos, preocupados em desatar o nó “opinião X informação”, ainda seguem as teorias classificatórias, embora levem em conta a ACD e a AD.
Com a necessidade de resolver o problema da recepção e as exi- gências dos mercados acadêmico e profissional, era preciso compre- ender como os produtos televisuais eram determinados pela lógica da televisão, entendida como tecnologia e forma cultural. Neste campo, entende-se gênero apenas como estratégia de interação, estratégia de comunicabilidade ou modo de endereçamento, na medida em que en- dereçamento constitui o fato de o destinatário fazer parte de todo e qual- quer enunciado, propriedade 'constitutiva e determinante' do gênero do discurso – nas palavras de Bakhtin. Os fundamentos nos estudos dos gêneros televisuais incluem as concepções de que: o processo comuni- cativo deve ser analisado como uma estrutura em dominância, articu- lada por produção, circulação, distribuição/consumo e reprodução; há um sentido preferencial da mensagem construído na codificação, mas os sujeitos da recepção são ativos, a partir de sua competência cultural (Martín Barbero). Os modos em que se reconhece e se organizam as competências culturais são exatamente os gêneros (GOMES, 2002).
As pesquisas sobre os chamados gêneros televisuais diferenciam, em geral, formato de gênero, ao mesmo tempo em que focam em dois aspectos: os regimes do dispositivo televisivo e os reconhecimentos do ‘receptor’ (herança de Bakhtin). Diferentemente das análises dos gê- neros de produtos jornalísticos impressos, preocupados com funções e estilos, as análises dos gêneros televisuais investem na compreensão da gramática televisiva e da diferença entre formato e gênero. Entretanto, toma-se as definições dadas aos estudos dos impressos (MARQUES DE MELO) como as noções de gêneros informativos e gêneros opina- tivos para os gêneros jornalísticos, sem explicar, no entanto, a diferença de dimensões, já que o campo jornalístico é apenas um dos muitos cam- pos que operam com a televisão.
REZENDE, 2000), os formatos estão dentro do conjunto de gêneros, que, por sua vez, estariam dentro de categorias (ARONCHI DE SOUZA, 2004). Dentre os gêneros informativos estariam os telejornais, debate, documentário e a entrevista. Dentro dos telejornais alguns formatos como nota, notícia e reportagem, por exemplo. A noção de formato, embora corrente no campo televisivo, é discutida enquanto termo para conceptualizar a produção discursiva.
[...] Enquanto designação do dimensionamento físico de um pro- duto de comunicação (dimensões de um livro, de formas gráficas, de fitas magnéticas para o registro da captação audiovisual, etc.), formato é um termo indicador de atributos. Todavia, quando passa a conceptualizar a produção discursiva que, em princípio, não tem nada a ver com dimensão, mas com a organização de informações e interações dispersas num ambiente, graças ao desenvolvimento de ferramentas que tornam possíveis a construção de discursos, surge um problema a ser investigado. (MACHADO, 2005, p. 4)
Irene Machado entende que as pesquisas sobre gêneros televisivos têm se limitado ao termo formato, além de guardarem resquícios do pensamento Aristotélico, para quem (como vimos) o gênero era uma unidade imutável, natural. O termo formato parece estar diretamente ligado à lógica do dispositivo, enquanto gênero trata do discurso.
[...] Fora do ambiente semiótico da codificação tecnológica, o for- mato simplesmente não pode ser concebido. Os gêneros, ao serem redesenhados no contexto da mediação tecnológica, revelam a face metalingüística do formato: para criar linguagem é preciso pro- cessar linguagens e gêneros. Logo, o formato é uma noção que leva em conta todo um ambiente ecológico: a mídia (o sistema), os códigos (as linguagens) e as interações possíveis (as semio- ses). Fora dessas disponibilidades de caráter ecológico, o formato não existe. (MACHADO, 2006, p. 16) (grifo nosso)
O foco está na compreensão da ‘gramática televisiva’ - programa- ção, necessidade de velocidade, (instantâneidade), unidades temporais – onde o gênero seria uma ‘chave de análise’.
Nessa perspectiva, um gênero seria, antes de tudo, uma estratégia de comunicabilidade, e é como marca dessa comunicabilidade que se faz presente e analisável no texto. Os gêneros são então fatos culturais e sua redução a receitas de fabricação ou a etiquetas de