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Del 4: Diskusjon og konklusjon

12.1 Vurdering av benyttede metoder

Tudo emana de Deus por meio de seus agentes primeiros no universo, os anjos. Ou seja, os anjos são responsáveis por realizar as vontades divinas no mundo dos homens, o decreto de Deus, que “consiste na fixação das formas de todas as coisas no mundo intelectivo em modo universal”200. Se as essências já estão presentes na tábua escrita pela caneta do real (ق ل – alḥq) 201, o decreto consiste em realizar a existência, transferi-la da vontade divina para o intelecto, que pode ser apreendido pelos homens. Assim, é a partir do decreto que há a concretização das essências criadas e guardadas pelo real. É também dessa maneira que são criados os homens: “sua primeira tábua é um anjo anímico, cuja tarefa é adquirir as realidades e as Ciências do lado direito, e fazê-las manifestas e conhecidas por meio da doação de suas formas e traços do lado esquerdo”202. Nesse excerto, observamos elementos da doutrina da

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adr , segundo Kalin, considera o coração uma força intelectiva. É o lugar da “percepção do divino” / maš‘ar

al-ilāhī e a casa dos sinais e inspirações de Deus. O coração é, assim, o depositário da realidade espiritual da

existência quando o desvelamento ocorre. KALIN, 2010, p. 217. 198

Significa critério, separação, salvação e prova. É um outro nome usado para referir-se ao corão. 199

ADR , 2003, p. 69. 200

Ibidem, p. 8. 201

“E abençoe as essências ( و ل - lḏū t), cujos nomes foram fixados na tábua escrita pela caneta do real ( ق ل

– l q) antes que ele criasse as criaturas, cujos atributos foram escritos”. Ibidem, p. 3. 202

81 unidade entre os existentes, que são originários da mesma forma, do mesmo existente. A duplicidade da composição humana possibilita o exercício da materialização da criação divina, do conhecimento da alma, da apreensão da verdadeira realidade, do entendimento das Ciências. A dupla configuração humana relaciona-se à participação do homem nos assuntos dos mundos divino e terrestre, de forma concomitante203.

Toda a vontade divina é orquestrada de maneira minunciosa para que o homem consiga perceber a relação entre os existentes e, então, perseguir a verdadeira realidade, cuja criação parte do movimento e, consequentemente, dos existentes (dos mais inferiores aos mais superiores), até a elevação dos existentes ao pós-mundo e ao mundo divino. O estabelecimento do mundo, dos anjos, dos elementos, dos vegetais, dos animais e dos homens, tudo faz parte da criação divina e presta-se, de forma precípua, à existência do homem e ao desvelamento.

Para adr , o conhecimento de Deus não possui lugar, por sua total abrangência. Afinal, é o conhecimento divino que constitui e materializa todos os existentes. A sua primeira existência precede a fixação do lugar, que também é parte da criação.

Seu conhecimento abrangente, sob a visão do povo do real ( ث – thbūt)204, não tem lugar, em contraste com a forma do decreto e da medição. O lugar do decreto é o mundo da inteligência205, e a sua tábua é o mundo da alma, que é o lugar da medição206.

O decreto e a medição, no entanto, por serem Ciências existentes a partir da criação do mundo e da doação de existência por Deus, possuem um lugar, que é o mundo da inteligência, onde a relação do homem com o real se realiza. A constituição desse lugar existe, segundo adr , apenas para tornar possível a percepção do real pelo homem, das coisas divinas, responsáveis pela materialização da vontade divina no mundo elemental. O lugar do decreto e

203

A dupla configuração humana a qual adr se refere constantemente é bastante similar a ideia da dupla face da alma humana proposta por Ibn S n , em que uma das faces tem em vista as necessidades do corpo, e a outra

os princípios supremos. ATTIE Fº, M. Os Sentidos Internos em Ibn Sīnā (Avicena). Porto Alegre: EDIPUCRS,

2000. p, 75-76. 204

Povo do Real, segundo Chittick, está se referindo aos estoicos e a Suhraward . Em oposição estariam os peripatéticos, especialmente al-F r b , Ibn S n , e Bahmany r. Para o último grupo adr diz em al-mabda’ wa

al-ma‛ād, 124, que solicitude, o conhecimento divino, é uma impressão / naqš alheia / zā’id a sua essência, tendo

um lugar que é a sua essência. Para o primeiro grupo, isso seria inaceitável, pois não há nada que Deus não saiba. Por esse mesmo motivo a solicitude também não teria lugar, pois toda a existência é compreendida inteiramente e a todo momento pelo criador. Tudo o que existe é conhecimento divino.

205

Será chamado, posteriormente, de “mãe do livro” e de “a tábua preservada contra mudança e rasura”, em oposição a “dissipação”

206

82 da medição, entretanto, não é físico, não é encontrável no mundo das coisas materiais. De fato, trata-se de uma relação, de um lugar onde o intelecto humano apreende a vontade divina e a materializa no mundo elemental. A compreensão e submissão ao decreto divino depende de pontes estabelecidas entre os mundos terrestre e divino. Daí adr afirmar que o decreto e a medição localizam-se no mundo das inteligências e são alcançáveis pelo intelecto apenas. A alma, por sua vez, onde está contido o intelecto, é o lugar de registro da materialização da vontade divina no microcosmo, no mundo da alma. A metáfora da tábua está relacionada com o cálamo, no sentido de que só possível a gravura sobre a tábua a partir da existência do cálamo. Ou seja, a tábua é o local onde Deus escreve seus decretos, onde é registrada a vontade divina, que pode ser alcançada pelo homem por meio do intelecto. A alma é, assim, a tábua de Deus no mundo dos homens.

Na mesma passagem, observamos ainda a cosmologia proposta pelo filósofo. De acordo com Chittick, esse texto tem relação direta com o livro A origem e o retorno / al-

mabda’ wa al-ma‛ād de Mull adr 207, no qual o filósofo procura demonstrar como a inteligência divina criou o universo. Nessa obra, o filósofo diz existirem três derivações a partir de Deus, a inteligência criadora de todas as outras: a inteligência primeira, a alma universal e a alma atribuída ao corpo universal. Essas derivações são como três grandes livros, em que toda a existência está contida, ou seja, são os lugares onde Deus consegue escrever seus decretos. Um quarto livro, o do “homem perfeito” / al-insān al-kāmil, entretanto, consegue reunir e compreender os três primeiros, por possuir a dupla configuração micro e macrocósmica. Dos existentes criados por Deus, somente o homem é capaz de compreender a própria existência e controlar o destino, à medida que escreve a própria história. Assim, o homem atua também como “escritor”, e não somente como tábua para as vontades divinas. Cabe ressalvar que a aparente “liberdade” do homem para escrever seu livro também é parte da vontade de Deus, afinal, Deus é o responsável por dotar o homem da capacidade de autogoverno e de perceber a própria existência.

A partir da diferenciação entre o mundo da inteligência divina e o mundo da alma, é possível dizer que só há mudanças e, consequentemente, tempo, no microcosmo. O macrocosmo tem sua configuração em Deus, alheio ao conceito de tempo, portanto. Aqui nada perece, pois toda a sua constituição é dada a partir do decreto e da vontade divina, ao contrário do mundo do testemunhado.

207

83 O lugar onde o decreto (ء ل ل م – mhl alqḍā’) está escrito é chamado “a mãe do livro” e “a tábua preservada contra a rasura e a mudança”, por pertencer ao mundo do

jabarūt, que é o mundo das inteligências consagradas além da mudança e do tempo.

Mas as tábuas da medição não estão preservadas desses dois, como exemplificado por suas palavras: Deus destrói e conserta o que ele quer, e com ele está a mãe do livro

[13:39]208.