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Del 3: Casestudie

10.7 Sammenstilling av resultater for ulike tiltak

O homem possui as configurações micro e macrocósmica de forma concomitante. Em

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ADR , 2003, p. 19. 135

58 essência, ele é o macrocosmo, e, em sua materialidade, ele é o microcosmo. A dupla configuração permite a ele entender e sobreviver ao mundo material, assim como ascender aos dois próximos mundos: o pós-mundo e o mundo da soberania. Essa plena potencialidade de compreensão e ascensão faz com que o homem seja um existente especial dentro da criação. O homem é o único ser que possui dupla configuração e potencialidade de perfeição, de forma que lhe é possível ascender ao último estágio. Somente o homem possui todos os existentes em potencialidade em sua essência, o que signifca, primeiro, que ele pode compreender todas as coisas e, segundo, que todos os existentes foram feitos para serem compreendidos pelo homem.

Será desvelado para o inteligente e para aquele que vê que todas as coisas no cosmo estão potencialmente entre as partes do homem, e que pertence a ele trazê-las adiante de potência a ato com a confirmação de Deus, o originador, aquele que faz o retorno (...) Por isso, o lugar de retorno do cosmo é a essência do homem, e seu lugar de retorno é a identidade divina. 136

Nesse ponto da obra, adr estabelece, em sua cosmologia, o lugar do homem. Se por um lado, o homem é um existente distante do reino da soberania, colocado entre os anjos (as esferas celestes)137 e os elementos existentes na Terra, por outro ele é parte de um todo que permite, por meio de seu próprio esforço, vincular-se ao emanador de sua existência. Assim, os homens possuem, ao mesmo tempo, algo de divino em sua essência, que os torna superiores a outros existentes, e algo de elemental, que os liga aos demais existentes. A dupla configuração, micro e macrocósmica, torna o homem um existente distinto dos demais no sistema de adr , pois possui a capacidade de ascender a Deus por esforço próprio. Portanto, o homem é o único existente que possui as ferramentas necessárias para encontrar o caminho do retorno à origem. Ademais, todas as coisas que existem sujeitam-se ao homem, o que nos leva a concluir que o mundo foi criado em função do homem. Seja na Terra, seja nos céus, tudo está sujeito às necessidades humanas.

No capítulo 7 (“Que o homem possui um outro mundo”) da “Parte II” do Elixir, adr irá discorre sobre “outro mundo”, exclusivo ao homem. Trata-se, em realidade, do pós- mundo, que não é acessível a outros animais, a anjos ou outros existentes. Trata-se do mundo de onde os confirmados ascenderão ao mundo real. A casa divina só pode ser alcançada por

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ADR , 2003, p. 21-22. 137

Na verdade, adr relaciona os nove chefes das tropas humanas com as nove esferas celestes. O que significa que enquanto os sentidos dominam o microcosmo, os anjos dominam o macrocosmo. Ibidem, p. 25.

59 aqueles que passaram antes pelo pós-mundo e, por isso, já compreenderam a verdadeira realidade em sua totalidade. Desses homens, os aprovados no dia do juízo final terão garantida sua entrada no terceiro mundo. Os reprovados, ao contrário, passarão daí para o inferno.

adr expõe e exemplifica a sujeição dos demais existentes ao homem: “saiba que a sujeição pode ser de dois tipos - a verdadeira e a não-verdadeira”138. Esta última é dividida em sujeição não-verdadeira mais baixa, sujeição não-verdadeira intermediária e sujeição não- verdadeira mais alta. A sujeição não-verdadeira é aquela relativa à sujeição desse mundo; trata-se de não-verdadeira por não pertencer ao mundo da soberania. Esse tipo de sujeição diz respeito somente ao perídodo de existência do corpo físico.

A primeira sujeição – não-verdadeira mais baixa – é situacional, de causa acidental. É quando Deus subjuga a face da Terra, e o que nela existe, para que o homem lavre, plante, enfim, conduza sua vida elemental. É a sujeição das montanhas, dos minerais, dos mares, dos navios, das árvores, das feras, do gado, “das mulheres e das meninas escravas”139. A segunda sujeição – não-verdadeira intermediária – é natural e diz respeito às tropas das faculdades vegetais e seus lugares em relação ao homem, para permitir o florescimento, crescimento, procriação, atração, retenção, digestão, expulsão e formação. É o que permite o usufruto por parte do homem da sujeição não-verdadeira mais baixa. A terceira sujeição – não-verdadeira mais alta – é a sujeição anímica, conforme a seguinte passagem:

O tipo mais elevado é a sujeição anímica ( ن ل ي ل - altsḫīr alnfsānī). É a sujeição da soberania ( ك م - mlkūt) dos sentidos e do reino de seus orgãos para a alma humana. Essas tropas sujeitas ao homem são de duas variedades – a variedade do mundo testemunhado ( ھ ل - alšhādä), que são os orgãos e os sentidos externos; e a variedade do mundo da ausência (بيغل – alġīb), que são as faculdades e os meios de consciência. Com respeito a suas disposições inatas, todas são sujeitas ao espírito humano e inatamente inclinadas a obedecê-lo. O espírito humano transfere os assuntos para elas [as tropas] com seus dois dedos - o intelectivo e o prático. 140

As tropas geralmente não desobedecem o comando recebido, à exceção da faculdade estimativa (a faculdade entre os sentidos e o intelecto), que possui certa satanidade no que diz

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ADR , 2003, p.19. 139

Ibidem, p.20. Aqui encontramos a única referência clara a respeito da separação entre homens e mulheres na obra.

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60 repeito à sua disposição inata de obedecer141. Ela aceita ser desencaminhada pelo satã142, de forma a resistir ao intelecto em seus objetivos de demonstração e de fé143. É por essa razão que o intelecto necessita nova e pós-múndica confirmação, para subjugar, superar e afastar a escuridão da faculdade estimativa. Só então a alma consegue livrar-se totalmente de vícios anteriores, quando os sentidos limitavam a capacidade do homem, mesmo que dedicado ao propósito do retorno, de perceber o real. O pós-mundo é o estágio em que, por fim, será processada a separação entre os que serão salvos e os que não serão. Vale lembrar que a superação plena da tentação se dá somente com o fim dos sentidos, dadas as barreiras impostas pela existência do corpo físico. A subjugação da faculdade estimativa e, consequentemente, a compreensão total da verdadeira realidade só é alcançável no pós- mundo.

Por isso o intelecto precisa de uma nova, pós-múndica confirmação (ييأت - t’yīd) da parte de Deus para subjugar [a faculdade estimativa], superá-la e afastar sua escuridão.144

Se a sujeição não-verdadeira está relacionada ao mundo terrestre e ao corpo, a sujeição verdadeira diz respeito ao pós-mundo e ao mundo do ausente145. A sujeição verdadeira é o

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Para adr , assim como para Ibn S n , o nível de entendimento da faculdade estimativa corresponde ao mínimo em existência e conhecimento. Isso porque, além de ser a forma mais frágil de percepção, ela corresponde ao nível mais baixo de existência. Quando a substância está parcialmente desconectada da matéria, ela é chamada de imaginação / khayāl e representa o estágio intermediário, ou ístimo / barzakh, entre a matéria e os inteligíveis puros, que correpondem ao mundus imaginalis / ‘ālam al-khayāl, pelo qual nos transferimos do nível da sensação e da matéria para o do inteligível e espiritual. Quando alguma coisa está completamente desconectada da matéria, ela se torna puro intelecto / ‘aql e inteligível / ma‘qūl, de forma a permitir a intelecção / ta‘aqqul. KALIN, 2010, p. 108.

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Como será visto adiante, na parte do “desvio”, os satãs também estão subjugados aos homens para ajudá-los na busca do retorno, o que significa que aqui, Satã, não está relacionado à maldade ou à satanidade, mas a parte que é sensível à materialidade do mundo terrestre.

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Essa passagem, com o detalhamento das sujeições encontra-se nas páginas, 19 e 20. ADR , 2003, p. 19-20. 144

Ibidem, p. 20. 145

adr trabalha no Elixir com a existência de quatro mundos. Os três primeiros são mais usados e melhor explicados pelo autor, enquanto o quarto é apenas insunuado, sem grandes desenvolvimentos. São eles:

I) O mundo terrestre – também chamado de: mundo testemunhado, físico, humano, das imagens, material, da alma, anímico, da soberania anímica, visível, da Terra, elemental, da multiplicidade, da sensação e da Natureza. Esse mundo, ademais, possui gradação, ao contrário dos outros, o que significa dizer que, dentro do mundo da multiplicidade, existe o mundo dos homens e o mundo que o filósofo chama de “mundo das esferas celestes”. Este, apesar de fazer parte do mesmo mundo terrestre, está muito mais próximo do mundo divino, sendo de categoria mais elevada dentro do mundo da alma.

II) O mundo do meio / barzaḫ, ou pós-mundo, é onde o corpo físico já não existe e a alma toma a forma de um corpo imaginal para guiar os homens.

III) O mundo divino é aquele imperceptível ao homem durante a vida terrestre. É o mundo da origem e do retorno; é nesse estágio que o homem entra em comunhão com Deus, caso aprovado no dia do juízo final (então, a alma passa do pós-mundo ao mundo divino). O mundo divino também é chamado de: mundo oculto, da inteligência, da inteligência plenamente ativa, da inteligência divina, das inteligências consagradas, do jaburūt,

61 contato do homem com a inteligência plenamente ativa, que o permite compreender a verdadeira realidade. Ou seja, é o processo de ativação do intelecto em potência existente em todos os indivíduos. É por meio do intelecto, e somente por ele, que o homem consegue ligar- se ao mundo do testemunhado e transferir coisas para o mundo do ausente. Essa transferência permite ao homem extrair universais dos particulares e, assim, compreender a unidade em todas as coisas. A multiplicidade é, a partir desse processo, entendida como não verdadeira, e a sujeição verdadeira passa a ser a instância que possibilita ao homem ascender ao mundo do real, por ser responsável pela conexão com o divino. É por esse motivo que a salvação e a compreensão da verdadeira realidade dependem exclusivamente do esforço de cada um dos homens, pois o segredo a ser desvendado e a ligação a ser estabelecida localizam-se em seu próprio intelecto.

Em relação à sujeição verdadeira, que consiste da sujeição por parte de Deus do intelectivo, dos significados ( ن ل - alm‛ānā) divinos para o homem perfeito146

e santo que, pela sua força interna sobre os significados, torna suas formas espirituais ou imagens existentes ausentes em seu mundo intelectivo ou em sua configuração pós- múndica.147

Possuir alma significa ter potencial acesso à inteligência plenamente ativa e à compreensão da existência. A inteligência, exemplificada pela capacidade de compreensão e raciocínio do homem da realidade criada por Deus, não existe em outros existentes. Os animais, por exemplo, acessam as cinco primeiras tropas (nos termos a serem descritos a seguir), mas não as quatro últimas conjuntamente; de outra forma, também possuiriam a faculdade de compreensão divina e de ascensão ao mundo do ausente.