• No results found

4. Vurdering av resultatene

4.4 Vurdering av behov for tiltak

Na Escola Professora Therezinha Sartori, de Mauá, São Paulo, o contato do pesquisador ocorreu de maneira distinta por questões de agenda de ambas as partes; uma semana antes das apresentações dos estudantes, um material em diapositivos, que seria utilizado para explicar o trabalho aos alunos, foi enviado para a direção da escola. Com o material em mãos, a diretora, Rita de Fátima Sola, pediu à professora de Literatura, Helena Yukie Kanomato, que o estudasse e orientasse os alunos a preparar uma apresentação para o pesquisador, mesmo sem uma explicação inicial por parte deste, como ocorrera no Educandário Nossa Senhora Aparecida. Na Escola Professora Therezinha Sartori foram preparadas duas únicas apresentações, sob a supervisão da professora Helena, de Literatura: uma sobre a obra ―O Cortiço‖, de Aluísio Azevedo, e outra sobre o ―Auto da Barca do Inferno‖, de Gil Vicente.

Apresentadora:

A aluna Bianca Kemmlly, do terceiro ano, fez a apresentação sobre ―O Cortiço‖: ―Minha apresentação seria melhor se tivesse recursos de imagem, som de fundo ou algum tipo de encenação‖.

Ouvintes:

“A apresentação de „O Cortiço‟ foi criativa e interessante, pois a menina que falava as notícias conseguiu transmitir com o tom de um radialista. Porém, em alguns momentos ela falava com um ritmo ‘robótico‟, em sua voz não dava para diferenciar se estava indignada, calma, feliz, triste”, disse Amanda.

“Na primeira apresentação, a minha sensação foi que eu estava na frente de uma televisão, assistindo um telejornal com notícias cotidianas”, Edmilson.

“Sobre „O Cortiço‟, a menina utilizou bem ao enfatizar algumas palavras quando era necessário, além da entonação na voz ao relatar as notícias”, Natália.

“Na primeira apresentação, O cortiço, faltou mais expressão na voz da

locutora, mais intensidade de acordo com o acontecimento”, Raquel.

“Na primeira apresentação, não consegui formar a imagem na mente, mas as histórias contadas no jornal eram ótimas”, Brenda.

“Na obra, „O Cortiço‟, a repórter narrava a notícia como se aqueles fatos realmente tivessem acontecido, a entonação da voz recordava um rádio jornal.

Suas notícias pareciam ser verdadeiras e que haviam sido investigadas por um jornalista real”, Letícia.

“A apresentação da Bianca prendia minha atenção, porque eu imaginava

cada cena facilmente”, Amanda.

“Na apresentação de „O Cortiço‟, não consegui compreender muito bem o que estava sendo falado, porque a repórter falava um pouco rápido em alguns momentos”, Donovan.

Apresentador:

A apresentação sobre ―O Auto da Barca do Inferno‖ foi feita pelo aluno Eduardo, do terceiro ano: ―‗O Auto da Barca do Inferno‘, de Gil Vicente, foi minha apresentação, fiz uma radionovela, com adaptações criadas por mim. E como ninguém me veria, pude fazer diferentes entonações de vozes, dar risadas maléficas e sarcásticas, com tom de um ser muito orgulhoso de seu papel em definir o destino dos mortos, e usar efeitos de som, como mexer nos papéis, procurando as acusações dos condenados, nos passos ou nas respirações pesadas‖.

Ouvintes:

“Na segunda apresentação do „Auto da Barca do Inferno‟, o garoto que apresentou já tinha uma personalidade em sua voz, ele dava uma gargalhada que mostrava uma característica do personagem (o diabo). A única coisa que faltou foi o som do ambiente, como os outros personagens levantando da cadeira, caminhando para o inferno, purgatório e céu. Experimentar a sensação de estar ouvindo o rádio foi muito legal, apenas ouvir e ficar imaginando tudo na minha

mente foi bacana”, Amanda.

“Na segunda apresentação, tive a sensação de estar em uma sala de julgamento, onde o juiz anunciava as sentenças aos condenados. A risada sarcástica de quem estava apresentando deu a impressão de ser uma pessoa

ruim. Eu gostei muito de participar da experiência”, Edmilson.

“O narrador estimulou a maneira de entender a apresentação e o diabo, com

suas risadas, mostrava um sarcasmo diante dos condenados”, João.

“A segunda apresentação, „Auto da Barca do Inferno‟, me fez imaginar e compreender mais facilmente o texto, na forma de falar, as risadas irônicas, fez que o entendimento fosse mais claro”, Raquel.

“Na segunda apresentação, fechei bem os olhos e, a partir daí, me concentrei bastante no que estava ouvindo e realmente parecia que estava ouvindo o rádio, e pelo jeito da voz do Eduardo e principalmente as risadas ajudaram

bastante a descontrair a cenas contadas, pois eram muito intensas”, Brenda.

“A risada do Diabo foi o mais impressionante, algumas vezes cheguei a me arrepiar. Alguns elementos sonoros poderiam ser inseridos nesta apresentação para acrescentar mais realidade a encenação”, Letícia.

Os alunos da Escola Professora Therezinha Sartori foram orientados pela professora Helena Yukie Kanomato, cujo depoimento sobre a atividade realizada na escola está a seguir:

―O professor, quando entra em uma sala de aula, precisa antes pensar quais recursos utilizará para que o aprendizado aconteça, que tipo de linguagem é a ideal para que a compreensão seja completa, quais técnicas de ensino realmente irá tornar o aprendizado prazeroso. Quanto mais interessante e desafiadora a atividade for para os alunos, a participação deles é mais proveitosa. A participação dos alunos na atividade de experimentar a linguagem utilizada no rádio tornou a aula diferente e enriquecedora, pois quando propus a tarefa aos alunos Bianca e Eduardo, eles não tinham ideia que fariam um programa de rádio, pois eu não queria podar a mente criativa; à medida que as trocas de informações foram acontecendo, fui moldando para que ficasse com o formato que pudesse ser apresentado em um programa de rádio ou de televisão. E o mais interessante é que em nenhum momento os alunos perguntaram ‗vai valer nota?‘, como é típico de muitos educandos. Eles aceitaram porque era um desafio para os dois, que fizeram com prazer, já que era uma chance de ambos experimentarem e vivenciarem situações inovadoras e que tinham afinidades, já que tinham estudado as duas obras. Na apresentação, pude perceber que a experiência foi uma novidade também para os alunos-ouvintes‖. (21 de setembro de 2015, Mauá, SP).

Nota-se, a partir dos depoimentos acima, tanto dos alunos do Educandário Nossa Senhora Aparecida como da Escola Therezinha Sartori, que os estudantes, se devidamente estimulados a repensar seu repertório de recursos de comunicação, passarão a incorporar o som como estratégia de contato com o interlocutor e de criação de vínculos com colegas, amigos e professores. Em cada um dos relatos apresentados, percebe-se que faltam ao estudante chances de cultivar o som e valorizar o ouvir em exercícios escolares. As atividades que normalmente estão baseadas apenas na escrita e na imagem podem ter o som como ponto de partida. E, neste caso, incluem-se o som da voz com boa entonação, em que se reconhece o saber, o conhecimento sobre algum tema.

Esse necessário cultivo do som está ligado à necessidade de uma postura ativa por parte do aluno em relação a esse elemento da comunicação primária, isto é, o som não pode ser algo apenas esperado por ele e, sim, algo que ele ofereça como parte integrante de sua expressão. É certo que tal não se dará de forma simples, como ocorre com a voz ou com o gesto, mas, em casos de atividades escolares e outros tipos de exercício, o estímulo a essa produção criativa deve ser valorizado. Como foi possível concluir, a maioria dos alunos reconhece que o som tem participação fundamental na formação de uma mensagem; no entanto, falta aos estudantes um real conhecimento sobre como aplicar esse recurso em atividades escolares.

Mas o som não deve ser valorizado apenas sob o ponto de vista da boa trilha sonora ou de algum efeito sonoro que remeta a algum tema em estudo. Na verdade, o ouvir deve ser valorizado como forma de alertar o aluno sobre qualquer atividade ou exercício que a ele seja proposto. Mais do que prestar atenção no que se lê, deve-se prestar atenção no que se ouve ao ler. Que sejam propostas atividades em que um colega leia para o outro o enunciado do exercício de modo a fazer com que ambos possam ouvir, tanto aquele que lê como aquele que escuta. A performance de cada um dos colegas em sala de aula ao ler o enunciado de uma atividade é fator que contribui para o entendimento de um tema qualquer e deve ser valorizado pelo professor. A valorização do som e, portanto, do ouvir em sala de aula proporciona ao aluno a possibilidade de compreender melhor um tema, relacionar este tema com outros e assim por diante. Esse estímulo à sensorialidade significa uma alternativa a mais de aprendizado. Nesse sentido, o professor Norval Baitello faz menção a três teóricos e estudiosos sobre o som e afirma:

―Vamos reunir a opinião de Berendt a respeito do som enquanto ‗massagem sonora‘, e que o ouvir é uma estimulação tátil, com a demonstração de Montagu, segundo a qual nosso corpo precisa da estimulação tátil para o funcionamento do seu sistema nervoso e portanto da sua sensorialidade. E vamos ainda retomar a consideração de Sacks: com a audição constroem-se nexos, proposições. Descobrem-se, desvendam-se sentidos‖ (BAITELLO, 1997, p. 22).

O que se busca, portanto, é o som que garanta o aprendizado ou que, ao menos, motive a busca pelo conhecimento, o som que faça massagem na vontade de saber mais e estimule um jogo de aprendizado sempre desafiador para o aluno. O professor José Eugenio Menezes (2012, p.33) diz que ―o cultivo do ouvir pode enriquecer os processos comunicativos hoje muito limitados à visão e nos ajudar a

viver melhor num mundo marcado pela abstração‖, para em seguida sugerir que se repensem ―posturas na compreensão dos vínculos sociais, das relações pedagógicas e das práticas dos profissionais da comunicação‖. É certo, parece-me, que o repensar de posturas na compreensão das relações pedagógicas vai ao encontro da proposta desta pesquisa, isto é, o cultivo do ouvir deve existir não só por parte do aluno, mas também por parte do professor a partir de sua forma de ensinar, de ler, de explicar, de dar destaque a um aspecto de um texto complexo ou de uma frase simples qualquer. E assim deve ser não apenas nas aulas de Português ou outra disciplina da área de Humanas. A boa entonação, o gesto correto e o saber ouvir contribuem para o entendimento de qualquer disciplina. Não é sem razão que se diz que, na maioria dos casos, a resposta, ou boa parte dela, a um exercício está em seu próprio enunciado e, como já dito, mais do que ler, deve- se ouvir com atenção.

O rádio, como mídia terciária, tem a função de despertar no jovem a senso criativo para gerar seu próprio conhecimento e não apenas servir de fonte de lazer no intervalo das aulas. Se o aluno não está acostumado a ouvir o rádio tradicional, como faz seu pai ou seu avô, certamente tem acesso aos aparatos como smartphones e outros suportes que podem servir de ponto de partida para a criação de programetes e atividades em que se valorize o som, a voz e o gesto como fatores que ajudem a compreender uma disciplina ou um tema qualquer que esteja em estudo. Caberá ao professor mediar, depois de bem orientado, atividades que tenham como foco principal o som como forma de expressão e, portanto, o ouvir como estratégia de aprendizado. Esse aprendizado, em sala de aula, será fator de aproximação entre os colegas, gerando maior sociabilidade entre os integrantes da turma, mesmo os mais tímidos, que terão o som como uma maneira lúdica de expor suas ideias e interagir com os colegas. Esses mesmos programetes, produzidos pelos próprios alunos — o que é comum em muitas escolas — geram oportunidades de vínculos por meio da troca de informações e da possibilidade de um grupo apontar equívocos e sugerir ideias para o trabalho de outro grupo, o que significa o aluno ser ―corrigido‖ pelo próprio colega sem a necessidade da interferência pesada do professor. Da mesma forma, ao se valorizar o som, não se deixa de dar valor à palavra, porque a palavra mal pronunciada e mal escrita — ou escrita incorretamente —, é uma palavra que não se quer ouvir e, assim, deve ser retirada do repertório sonoro em sala de aula.

Os exercícios mostraram também, por outro lado, que a boa comunicação por meio do gesto, da voz e do som independe da presença real de elementos do rádio no espaço físico da escola. A performance tem a ver com o desejo e o envolvimento com a atividade e até com a disposição para criar ou perceber efeitos sonoros com objetos encontrados no ambiente no momento do exercício ou mesmo no próprio corpo.