4. Vurdering av resultatene
4.3 Fiskebestandene i Longum
No Educandário Nossa Senhora Aparecida, da Vila Bela, em São Paulo, participaram da atividade 31 alunos de primeiro ano e 39 de segundo ano do Ensino Médio. Nessa escola, a mecânica permitiu aos alunos uma preparação prévia para o desenvolvimento da atividade, embora não tenha havido qualquer tipo de supervisão por parte de algum professor. O contato no Educandário Nossa Senhora Aparecida foi com a professora Ana Paula Milinavicius. A escola foi visitada quatro vezes: na primeira, o objetivo da pesquisa foi apresentado para a coordenação pedagógica e para a direção da escola; na semana seguinte, os alunos de ambas as salas receberam as orientações sobre a atividade. Foi solicitado a eles que preparassem apresentações para os colegas sobre temas das disciplinas que mais lhe agradassem ou qualquer outro assunto que fosse de fácil domínio de cada um, esta última opção a que acabaria por prevalecer.
As atividades foram orientadas a partir da leitura, por parte do pesquisador, e posterior interação com os alunos, das citações de autores utilizadas nos primeiros dois capítulos desta dissertação para que entendessem o que se esperava deles. A atividade não era obrigatória, mas a participação dos estudantes pode ser considerada positiva. Depois da primeira visita, quando os jovens foram orientados, houve ainda uma segunda visita, que serviria como um plantão de dúvidas — que não
9 Anexo a esta tese, segue um CD com o áudio de trechos das principais apresentações de estudantes tratadas neste capítulo.
teve a participação de nenhum aluno — e a visita final, em que os alunos fizeram suas apresentações, ocorrida em 15 de setembro de 2015.
Entre os alunos do primeiro ano, houve três apresentações e, entre os do segundo ano, quatro apresentações, porém com uma repetição de grupos, formados por três alunos, cada um, em média. Nenhum dos temas apresentados tinha ligação com o conteúdo das disciplinas, o que pode ser explicado pelo fato de o pesquisador preferir não criar obstáculos para a capacidade criativa dos estudantes. No primeiro ano, foram realizadas apresentações sobre ―A Culinária Egípcia‖, o jogo infantil ―Cobra- Cega‖ e o dicas sobre o curso universitário de ―Direito‖. No segundo ano, foram temas das apresentações: ―Mulheres‖, ―Dragon Ball Z‖, ―Os Cavaleiros do Zodíaco‖ (mesmo grupo, não será considerada) e sobre o time ―Palmeiras‖. Notou-se que os temas escolhidos tinham relação com as preferências e gostos comuns dos integrantes do grupo ou individuais, em casos de apresentações por parte de um só aluno.
Para que se estimulasse a criatividade na utilização dos recursos de gesto, som e voz nos alunos apresentadores e, especialmente, o ouvir, nos jovens que estavam sentados em sala de aula, como ouvintes, as apresentações foram feitas na parte de trás do recinto, isto é, os alunos ouvintes não viam os colegas, da mesma forma que o ouvinte não vê o apresentador de rádio. Assim, os alunos apresentadores deveriam se apoiar em recursos de comunicação primária para desenvolver sua atividade e os alunos ouvintes, por sua vez, deveriam estar preparados e dispostos a compreender as apresentações.
Após as atividades, os estudantes foram estimulados a relatar suas impressões sob o ponto de vista dos elementos estudados e se de fato cada apresentação os utilizou de forma satisfatória. É importante destacar que a apresentação que utilizou melhor recursos de som, gesto e voz foi aquela que melhor resposta e avaliação positiva recebeu dos estudantes. Com o objetivo de facilitar a compreensão do leitor quanto aos resultados da atividade, optamos por transcrever alguns comentários dos alunos, feitos por escrito em folhas de caderno que estão com o pesquisador, a cada uma das apresentações, bem como realçar elementos citados por eles que indicam a compreensão de cada um sobre o tópico abordado. São apresentados os depoimentos dos alunos-apresentadores e, em seguida, dos alunos-ouvintes. Uma análise mais pormenorizada será feita após os relatos e comentários da segunda escola.
Primeiro ano – Culinária Egípcia, Cobra-Cega e Direito
Apresentadoras:
As estudantes Alice e Giovanna, que apresentaram o trabalho, afirmaram que o tema foi escolhido pois queriam ―aprofundar os interesses sobre a cultura egípcia‖ e que a forma como a receita foi passada ―faz com que o ouvinte imagine como ela é‖. Disseram, ainda, que a música ―é relaxante e muito comum no lugar‖. Nota-se, portanto, o real entendimento que as estudantes tiveram sobre a atividade proposta e, mais ainda, sobre os conceitos apresentados. As duas utilizaram uma música do próprio smartphone para servir de trilha sonora para a apresentação. Houve também preocupação com a interpretação, o que teve reflexos nas impressões dos colegas sobre a apresentação.
Ouvintes:
“Eu gostei do grupo, a trilha sonora ajudou a imaginar a cultura dos egípcios e também a culinária. O seu jeito de falar convence o ouvinte a escutar mais sobre ambos os assuntos e faz imaginar esta receita, bateu até uma fome”, Gabriel.
“Achei legal a forma como a „matéria‟ foi passada, de forma lenta, com música ao fundo, ajuda a montar um cenário em nossa mente, facilitando a compreensão do assunto”, Isabela.
“A música egípcia contribuiu para a construção mental do doce...”, Pablo.
“As alterações de voz determinaram quais sensações queriam passar para o ouvinte, além de forçar seus sentidos perante ao assunto falado”, Vinicius.
“Quando eu estava ouvindo a apresentação delas, parecia que o cheiro do
bolinho estava presente ali... eu via a imagem do bolinho”, Julyana.
Os relatos sobre as outras apresentações, que acompanharemos a seguir, demonstram o entendimento dos alunos em relação ao exercício proposto, porém indicam que a falta do som ou de elementos que contribuem para que ele exista é algo percebido por quem o recebe e não por quem poderia emitir esse som. Os alunos demonstram um comportamento passivo em relação ao som. Este não integra o rol de possibilidades de comunicação de quem produz o evento comunicacional, mas é sempre esperado por quem o recebe.
Apresentadoras:
As alunas Isabela e Milene disseram que escolheram narrar algo sobre o jogo ―Cobra-Cega‖ por ser algo ―dinâmico, fácil e divertido de falar‖. O que se percebe, porém, é que as impressões dos colegas de sala sobre a apresentação vão de encontro às expectativas das duas, que não utilizaram nenhum recurso sonoro para a apresentação.
Ouvintes:
“Forçado, não aparentavam estar falando com alguém”, Alice. “Foi interessante, mas faltou entonação”, Giovanna.
“Faltou algum som ou música característica sobre o assunto”, Carolina.
“Eu imaginei os participantes brincando (...)apesar de que sem uma
música ou coisa do tipo, foi bem complicado imaginar”, Camila.
“Faltou uma trilha sonora de fundo, a linguagem não foi muito boa, porém o conteúdo foi interessante”, Matheus.
Apresentadora:
A apresentação sobre o curso de Direito foi feita por uma única aluna e os comentários estavam relacionados à falta de elementos sonoros que motivassem uma maior atenção ao tema. A apresentadora Giovanna destaca: “A maior dificuldade foi na hora de explicar, por não ter um contato visual com o ouvinte e não saber se a informação está clara”.
Ouvintes:
“Falta de elementos comunicativos” e “falta de conteúdo imaginário”, Alice. “Uma ótima explicação (...), mas ficou uma coisa vazia, meio repetitiva, sem harmonia”, Daniel.
“Uma pequena entrevista com um advogado viria bem a calhar, mas teve uma boa explicação, só faltou sentimento na palavra”, Vinicius.
Segundo ano – Dia Internacional da Mulher, Dragon Ball e Palmeiras
Apresentadoras:
Falaram sobre o Dia Internacional da Mulher as alunas Bruna e Victória. As duas classificaram a apresentação como boa, mas com a ausência de alguns exemplos para que ―a imaginação das pessoas fosse um pouco mais ampla‖. A aluna Victória disse que ―o ruim foi que eu, em vez de interpretar, li e acho que isso atrapalhou‖.
Ouvintes:
“O fato de ter sido uma apresentação lida e não natural afetou negativamente‖, Lucas.
Ana Beatriz disse que o que mais dificultou o entendimento foi “a rapidez
com que o texto foi lido”, mas o texto “estava bem estruturado”.
A aluna Larissa afirma que as colegas poderiam ter falado “pausadamente, contando realmente a história, sem ficar lendo e errando algumas palavras”.
“As duas falaram muito bem, com um tom de voz não muito alto nem muito baixo, no volume certo”, Fillipe.
“Como não tem alguém físico para você olhar, acaba facilitando a
dispersão, mas fora isso foi muito bom”, Caio Henrique.
“Elas deveriam ter falado e explicado sem ler, mas foi uma apresentação boa com exemplos e datas”, Isabela.
“Foi complicado entender a entonação da voz delas, principalmente por
não estarmos vendo as alunas”, Letícia.
“Para uma rádio, falta um pouco de som de entonação, som de fundo”, Gabrielle.
“Poderia ter ao fundo uma música de superação, que fosse apenas instrumental”, Olívia.
“Tom de voz muito baixo e sem efeitos sonoros ou entonação de voz, o que é típico do rádio”, Tábata.
“Quando se trata de ouvir, a leitura de textos deve ser feita pausadamente (...) para que os ouvintes consigam visualizar e entender o que foi dito”, Isabella.
Apresentador:
O aluno Lucas, um dos integrantes do grupo que fez a apresentação sobre Dragon Ball Z, afirma: “A apresentação sobre Dragon Ball foi excelente. Pra fazer o trabalho, dividimos um pedaço da história e depois improvisamos. As cartas foram importantes para saber o que os alunos queriam”. As cartas a que se refere o estudante foram sugeridas de surpresa pelo pesquisador durante a apresentação, como se elas de fato tivessem chegado à redação ou ao estúdio. O pesquisador então lia a "carta" e solicitava que os narradores descrevessem melhor os personagens, simulando uma situação típica de rádio.
Ouvintes:
“Eles falaram muito rápido, falaram com as vozes dos personagens, o que é muito importante”, Priscila.
“Eles souberam ‘mostrar’ pra gente como é cada personagem e o seu papel do Dragon Ball”, Diego.
“Não havia uma ordem de explicação, havia palavras repetidas, conversas paralelas entre os ‘radialistas’, Ana Beatriz.
“Somente um dos integrantes falou com entusiasmo, seria legal tocar a
música de entrada”, Emmily.
“Escolheram um tema divertido, gostei da coragem deles de não terem lido; com as cartas do ouvinte, deu para entender melhor a história e os personagens”, Isabela.
“As cartas foram importantes para compreendermos visualmente a história”, Letícia.
“Com as cartas que chegaram, facilitou a imaginação do que eles estavam falando”, Caio Henrique.
“A explicação foi bem confusa, mas como eu lembrava da história, deu para pegar umas partes e lembrar....as cartas dos leitores foram essenciais,
principalmente para aqueles que nunca viram o desenho”, Sabrina.
Apresentadora:
A aluna Ingrid quis falar sobre o time de sua preferência: ―Eu falei sobre o Palmeiras, pois é um dos principais times do Brasil, o clube que torço, além de envolver o futebol e uma área que me interessa que é o jornalismo esportivo‖.
Ouvintes:
“Achei uma boa apresentação porque ela falou devagar e com calma... se tivesse tocado o hino ou grito da torcida de fundo, teria passado mais
emoção”, Caio Henrique.
“Acho que ela se enrolou na hora de explicar, falou muito baixo e acho que deveria ter hino de fundo”, Nikolas.
“Achei que seria legal se tivesse tocado o hino, porque se alguma pessoa ligasse o rádio depois de ter começado não saberia de imediato o tema”, Filippe.
“O som ao fundo incomodaria as torcidas rivais, que são maioria, mas em uma homenagem cairia bem”, Lucas.
“Um assunto muito interessante para mim, pois fala sobre o Palmeiras, meu time do coração. Poderia, como é um programa de rádio, ter alguns sons de fundo”, Wilson.
“Ao fundo, poderia ter o som de uma torcida no estádio, para dar uma animada”, Olívia.
“Acho que faltou um tanto de empolgação na voz dela e também alguns sons como o ‘gooool‟ ou ainda o hino do time”, Bruna.