5. Findings and discussion
5.2 Vulnerable groups affected by jiggers
Na avaliação de S1, as atividades de divulgação científica contribuem com o aperfeiçoamento dos trabalhos e que estas devem ser guiadas pelo público:
“A gente aprende constantemente, parece que a cada atendimento, a cada divulgação que a gente faz, a cada exposição de astrofotografia, a gente quer melhorar, a gente vê alguns aspectos que precisa aprimorar. A gente acaba aprendendo; eu procuro sempre registrar o que foi bem feito para se repetir e o que precisou de melhoras. Então, a gente aponta aspectos para melhoria. Eu costumo me reunir logo, em seguida, com os monitores para discutir coletivamente como foi o atendimento, o que precisa ser melhorado, se houve algumas críticas ou sugestões. A gente pede para o público para comentar sobre o atendimento também. O feedback, a gente sempre pede para os monitores da equipe que atende o público e também para o próprio público retornar, pedindo suas sugestões, críticas. Nós estamos atendendo o público. E, na verdade, é ele que tem que, vamos dizer assim, nos guiar também no atendimento. E sempre tem sugestões boas e sempre aprendemos a melhorar cada vez mais” (S1).
Para S2, o retorno do seu trabalho na área está na satisfação de encontrar pessoas que dizem haver encontrado, em seus eventos, o despertar de sua vocação e ver as pessoas, independentemente da idade, se emocionarem ao se aproximar da ciência.
“[...] acho que tem a satisfação. A satisfação de ver, às vezes, uma criança, como aconteceu no ano passado, uma criança que estava numa praça e que participou de uma exposição a céu aberto, realizada por nós; e ela entrou na Universidade, no curso de Física. Ela bateu na porta da minha sala, falando que participou desse evento e que, durante o Enem, direcionou o curso para isso, porque era o que ele queria. De fato, é uma satisfação, porque a gente vê que, ainda de maneira pequena, os resultados de uma situação dessa traz uma satisfação pessoal muito grande. Acho que o pessoal estaria nesse ângulo. De fato, fiquei muito sensibilizado com esse aluno, que veio tentar formatar um retorno desse tipo de ação. Mas acho que o melhor retorno que existe em relação a isso não é necessariamente essa formalização; acho que o melhor retorno é o encantamento de ver principalmente as crianças, jovens e adultos que também diante da ciência todos viram crianças. Quando a gente coloca o telescópio na praça ou na zona rural, como a gente, às vezes acaba fazendo, senhores de 50, 60 anos ficam com os olhos brilhando, marejados, tentando entender e compreendendo a beleza daquilo que está sendo mostrado. Acho que isso é algo que não tem preço. Isso traz uma carga emotiva muito grande nesse âmbito pessoal; às vezes, na saída, aquele tapinha nas costas, um cumprimento de agradecimento com o olhar. E, não é alguém que vai vir fazer curso, não vai procurar nada..., mas está simplesmente feliz por ter visto aquilo. Então, acho que é a melhor das recompensas” (S2).
Na mesma concepção, para S3, além do estímulo vocacional, a divulgação científica traz sensações emocionais que alimentam o coração:
“Eu acho que ficou muito mais no nível pessoal que no nível profissional. Eu acho, que dentro da academia, esse lado da divulgação científica, esse lado um pouco da educação para nós que temos uma formação na área hard, ela ainda é olhada de uma forma meio eclética, e muitas das atividades que a gente desenvolve elas não entram, como eu costumo dizer, elas não vão para o nosso currículo. No entanto elas vão pra dentro da gente, para as nossas sensações, para o nosso coração. Então, no lado pessoal, acho que a realização é muito maior que no lado profissional. Eu não vou poder colocar no meu currículo ver uma pessoa de idade chorando quando ela está olhando num telescópio e entende as coisas, quando eu passo duas ou três noites, três noites seguidas, nas praias do [nome da praia], com trezentas, quatrocentas pessoas, por noite, explicando e vendo o fascínio ali. Então, a realização, minha satisfação é muito mais pessoal do que profissional. Bom, na realidade, depois de tantos anos, o que eu consigo observar é que hoje eu tenho muitos, mas muitos ex-alunos que são hoje professores de universidades pelo Brasil afora. E que a gente percebe que, de alguma forma, essa satisfação, esse prazer que a gente tem vai se espalhando para outras pessoas. Nesse período que eu estou no mestrado, só aqui já vários ex-alunos de graduação, que foram alunos há 15 anos e que voltam. Então, muitos outros que são professores da universidade, alunos que, de repente, em contato com eles numa escola pública, ao conversar com eles há vinte e tantos anos e que hoje são professores doutores da universidade, não necessariamente na divulgação ou na Astronomia, mas foi o despertar pelo conhecimento científico que os traz. Então, são muitos, muitos; hoje mesmo, eu estou tendo mais um colega, um professor no planetário, que foi meu ex- aluno na graduação e que agora está sendo contratado como professor aqui no planetário. Então, é muito gostoso isso” (S3).
S4 fala do reconhecimento de suas ações na área por parte de alguns colegas, lembrando das resistências enfrentadas no início dos trabalhos:
“[...] e quanto às atividades do [nome do laboratório] , por exemplo, a gente vê que alguns profissionais sejam pesquisadores ou educadores usam o termo de [nome do laboratório] que é o nome próprio do nosso observatório didático, digamos assim, usam esse termo como termo genérico para criar um observatório de cunho educacional, educacional informal. Então, a gente vê, de certa maneira, um retorno, um reconhecimento da instituição, das pessoas. Muitos funcionários me conhecem por ter proporcionado o [nome do Laboratório] dentro do Instituto que interage com a sociedade num horário fora do normal, fora do horário comercial. Também com isso, houve uma resistência na época. A gente conseguiu vencer todas as resistências e consegue fazer de alguma maneira, e a gente percebe retorno, mas não sabemos avaliar de forma científica, digamos assim; mas, existe a contabilização do número de pessoas durante as visitas, momento em que fazem a autoavaliação da visita” (S4).
No discurso de S5, observa-se a sua entrega pessoal às atividades de divulgação científica, além da satisfação de ver direcionamentos profissionais:
“O tempo que a gente dedica a este público; deixamos de fazer várias coisas; às vezes, de ficar em casa com a família pra fazer..., para ficar longe, com o telescópio, atendendo o público [...] Teve uma aluna que vinha do ensino médio assistir às palestras, e ela resolveu a fazer Física e se formou este ano. Já teve outros alunos que estão no exterior, inclusive para fazer seu mestrado, doutorado, e, às vezes, a gente toca a vida da pessoa e não sabe. Também o resultado e quantas pessoas já foram atendidas; por exemplo, a gente sabe que algumas pessoas seguiram a carreira” (S5).
Além de despertar vocação, para S6, a resposta da divulgação científica é o estímulo à vontade de aprender, servindo como instrumento didático em suas aulas:
“[...] como eu dizia pra você, falar para pessoas que já entendem de ciência, já dominam a matemática, já dominam a ciência, é fácil, porque a gente usa o jargão normal da ciência, e é tranquilo isso, mas como você vai, por exemplo, para uma sala de aula onde as pessoas vão ver essa matéria pela primeira vez e você cativa essas pessoas para que elas façam um semestre da disciplina com um pouco mais de ânimo e motivação. Então, é essa ferramenta da divulgação científica que eu utilizo para as primeiras aulas. A minha primeira aula é, basicamente, divulgação científica. Eu dou uma sobrevoada na matéria em geral, e essa maneira de expor que é utilizada na divulgação científica que eu acho que é mais envolvente, certamente, durante o curso também. Sem perceber, a gente volta nisso várias vezes. Eu aprendi muito nessa linha. [...] hoje à noite, por exemplo, eu vou dar uma aula sobre Astronomia, e uma das alunas veio falar comigo: “ah professor eu vim fazer Física porque assisti a uma palestra sua”. Então, ela é minha aluna hoje, porque assistiu a uma palestra minha” (S6).
Basicamente, os relatos das entrevistas demonstram que as atividades de divulgação científica promovem mudanças, especialmente na vida pessoal dos pesquisadores e, consequentemente, do seu público. Em caráter geral, pode-se depreender que o feedback de suas ações às pessoas representa um dos motores que impulsionam esses profissionais a realizar eventos de divulgação científica, numa perspectiva panorâmica inspirada pela paixão, ancorada em valores e crenças revelados nas expressões: “aprendemos a melhorar cada vez mais” “a gente quer melhorar” “precisa aprimorar” “Nós estamos atendendo o público [...] é ele que tem que [...] nos guiar”, “satisfação”, “participou desse evento e que durante o Enem direcionou o curso”, “melhor das recompensas”, “o encantamento” “a beleza” “não tem preço” “olhos brilhando, marejados” “vão pra dentro da gente”, “para as nossas sensações”,
“para o nosso coração” “ver uma pessoa de idade chorando quando ela está olhando num telescópio” “o fascínio”, “esse prazer que a gente tem vai se espalhando para outras pessoas” “o despertar pelo conhecimento” “alunos que de repente em contato [...] numa escola pública e que hoje são professores doutores da universidade” “horário fora do normal” “vencer todas as resistências” “deixamos de fazer várias coisas; às vezes de ficar em casa com a família” “ficar longe com o telescópio” “a gente toca a vida da pessoa” “uma aluna que vinha, do ensino médio, assistir as palestras e ela resolveu a fazer física” “ânimo e motivação” “mais envolvente” “a gente volta nisso várias vezes” “vim fazer física porque assisti a uma palestra sua”.