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5.   Findings  and  discussion

5.6   Mobile  jiggers  removal  program,  Bungoma  Red  Cross:  a  case  study

A relevância dada pelos pesquisadores tanto à educação científica quanto à divulgação científica é com relação à falta de formação para atuar nas áreas, conforme mostram os discursos:

“Só que acho que falta na própria formação dos professores, a questão de como se faz a divulgação científica, de como ocorre a popularização da ciência” (S1).

“[...] mas muitos não tiveram, não tiveram uma trajetória que passou pela divulgação em algum momento, na qual estimulou ou deu ferramentas para isso” (S2).

“E aí volta aquela questão, sabendo que ele vai, talvez, com uma formação que não é na área dura só, mas uma formação pedagógica, que permita isso, talvez, tenha uma linguagem com equipes interdisciplinares que possam elaborar material de divulgação que possa chegar à sociedade, e que seja uma criança com seus quatro ou cinco anos, servindo de material de apoio pedagógico para as escolas, elaboração de material de ensino” (S3).

“[...] então, tem essa parte de divulgação científica dentro do ensino formal que acho que é o mais importante, e difusão científica. Também a pessoa pode ter formação, como eu já tinha falado, na pós-graduação, para ser um bom difusor de ciência, um bom comunicador oral, como autor de livros, autor de artigos etc” (S4).

A falta de formação para o ensino de Astronomia é observada por S5:

“O que acontece na parte da Astronomia é que os professores têm pouca formação. Foi objeto de pesquisa que eu fiz também em que passei alguns formulários para esses professores, os quais avaliaram os professores em ensino de Astronomia. Eles acham que ensino em Astronomia é fundamental, mas não tiveram a disciplina na sua graduação” (S5).

S6, que utiliza a divulgação científica como ferramenta de motivação em sala de aula, como visto em seu relato no tópico 5.6 desta pesquisa, defende a estratégia didática da divulgação científica como estímulo às ciências:

“Então, acho que nas escolas de ensino básico, fundamental e médio, deveria também ter, acho eu, a didática. Acho que, naturalmente, a didática tem que ser essa, pra tentar cativar o aluno, para tentar trazer o aluno pra ciência. Nós estamos perdendo grandes cientistas; nós estamos perdendo grandes nomes da ciência para outras áreas. Às vezes, a gente vê um advogado que queria ser um cientista e ou outras pessoas que estão numa área, mas porque você foi pra essa área? ‘Ah eu fui por uma questão econômica, professor’ [...] Você vê que são pessoas ávidas pela leitura da divulgação cientifica; então, eu acho que tem muita gente aí que está sendo perdido pra outras áreas; nós estamos sobrecarregando determinadas áreas como direito, engenharia, e deixando a ciência um pouquinho de lado” (S6).

Aos olhos dos sujeitos, é função de um pesquisador aproximar-se tanto dos professores do ensino básico quanto da população em geral. Eles deixam clara essa postura em seus discursos. De acordo com S1:

“Eu sempre defendi a tese de que o pesquisador tem que fazer seus resultados de pesquisa chegarem até a escola, chegarem até seu público. Caso contrário, os resultados da pesquisa dele ficam presos nas revistas acadêmicas, onde a gente publica os artigos para a comunidade acadêmica, destinadas ao nosso próprio público de pesquisadores. Eu acho que as pesquisas deles deveriam chegar até as escolas, em forma talvez de breves notícias, de boletins, de informativos periódicos, não só para as escolas como também para o próprio público. Por exemplo, no jornal diário, impresso, tem lá a tirinha dos horóscopos. Não tem? E é horóscopo; todo dia tem horóscopo; então por que não pode ter do ladinho do horóscopo, todo dia, uma notícia da Astronomia, de um fenômeno astronômico, numa linguagem apropriada para a população aprender também Astronomia e não só Astrologia, são resultados de pesquisas. Pensando nisso, aliás, a gente aqui, no nosso observatório, nós publicamos um informativo mensal, justamente preocupados com isso, tentar trazer para o público escolar e também para o público, para a comunidade, os principais acontecimentos de Astronomia, os deméritos, e experiências que os professores passam em sala de aula, ensinando Astronomia. A gente pede para o coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia, que tem os e-mails das escolas do Brasil todo. Não todas as escolas, todas as escolas que participam da olimpíada, para ele divulgar mensalmente esse boletim. Mas não chega assim para o público não, para as escolas, basicamente, é ensino fundamental e médio” (S1).

Dada a ênfase feita pelo pesquisador com relação à importância da valorização de espaços não só para o horóscopo, como também para os fenômenos da Astronomia, é oportuno lembrar aqui a importância de não preconizar a ciência em detrimento das crenças e conhecimento comum, conforme já discutido no corpo teórico deste trabalho (KANTOR, 2012). E, ainda, como bem expressa Moscovici (2009, p. 199), “a ciência e o senso comum – crenças em geral – são irredutíveis um ao outro, pelo fato de serem modos de compreender o mundo e de se relacionar a ele”.

Na mesma linha de pensamento, ao defender a necessidade de o pesquisador divulgar ciência tanto na escola quanto para a sociedade em geral, S5 chama a atenção para a falta de envolvimento dos cientistas nas ações de divulgação científica.

“[...] não só mostrar o que faz, mas entender que a ciência, ela utiliza, ela precisa desses mecanismos não só para ter um elemento motivador, mas, principalmente, para sua consolidação. Vejo que ainda há um envolvimento muito pequeno por parte dos colegas envolto no meio científico com as questões da divulgação seja nas escolas, seja da população em geral. O fato é o seguinte: somos um país que foi colonizado e trouxe muito pouco dos colonizadores para essas ações que envolvem divulgação que é para além daqueles que vão ser cientistas ou não. A ciência é um elemento que deveria ser considerado um elemento de cultura como samba, a música e a ciência está lá no meio, mas acho que isso acabou não vindo durante a colonização. E isso impacta na forma de pensar dos nossos cientistas. Então, eu vejo com muito pesar a pouca ou quase nenhuma atuação dos colegas em relação a isso” (S5).

Segundo S3, cabe aos pesquisadores atuar na formação de professores e na popularização da ciência. Em sua opinião, os conceitos da Astronomia desencadeiam o processo de divulgação científica, servindo de instrumento para outras áreas do conhecimento.

“Eu acho que há até dois níveis aí, o nível de formação de professores, eu acho que a importância de utilizar um conhecimento em Astronomia e ter uma interdisciplinaridade nisso. Então, na formação dos professores, seja lá da área que for, inclusive posso até dizer na área de literatura; posso trabalhar os professores de literatura não para eles aprenderem os conceitos de Astronomia de uma forma precisa, mas para eles entenderem as questões básicas da Astronomia que possam servir de instrumento para as outras áreas do saber, na História, na Geografia, na Biologia. É muito difícil você entender o processo da vida na Terra, se você não entende qual é o processo de origem e formação da Terra; como é que isso acontece? E aí vem a perspectiva astronômica; então, nisso, eu não defendo na formação de professores disciplinas e disciplinas de Astronomia, reconhecimento astronômico forte, mas de uma forma integrada aos saberes específicos; então, acho que o pesquisador ou professor das instituições de ensino tem a obrigação de fazer isso. A gente tenta fazer isso aqui, trabalhando nos cursos de Física, de Biologia, de Geografia, de Ciências Ambientais, de diferentes cursos de graduação, na Pedagogia. E tentar trabalhar esses conhecimentos através de disciplinas que são de formação bem mais ampla, em outro nível. Ao mesmo tempo, eu acho que cabe a nós professores e pesquisadores da universidade ver de que forma este conhecimento pode ser popularizado, pode ser divulgado para a sociedade como um todo” (S3).

Na mesma concepção, S5 acredita que a contribuição que um pesquisador pode dar para a disseminação de conhecimentos da Astronomia, entre professores do ensino básico e a população em geral, é:

“Fazendo divulgação científica e cursos de formação continuada para professores” (S5).

Essas atividades, na avaliação de S6, devem ser efetivadas com a realização de eventos práticos e participativos utilizando uma linguagem acessível.

“[...] repassar conceitos de forma mais simples e adequada possível, se ele tiver habilidade e tempo na forma de oficinas, dependendo do assunto a ser abordado, oficinas mais práticas, mais hands-on, mais participativas. Mas depende muito do perfil de cada pesquisador; tem pesquisador que escreve de maneira excelente, então, basta fazer artigos para jornais, revistas, ser um bom comunicador na parte escrita” (S4).

Para S6, o pesquisador deve servir de ponte entre o ensino médio e o ensino superior. Além disso, ele vê a divulgação científica como fonte de conexão entre áreas específicas e do ensino médio.

“[...] os professores que pesquisam nessa área, geralmente, estão pesquisando um tema muito específico. Um está estudando o background de microondas do universo, o outro está estudando ondas gravitacionais, o outro está estudando uma estrela específica, seja lá uma supernova específica, seja lá o que for, uma estrela de Nêutron; então, cada um trabalha na sua área, mas a gente percebe que, quando a questão é divulgação científica, essas pessoas se encontram. Então, levar essa ideia para os professores do ensino médio e fazer a ponte entre eles, talvez, o encontro amplo de ensino médio e ensino superior, e as pessoas se largarem um pouco da pesquisa específica que fazem e ir ali para o geral. Então, isso eu acho muito importante para que o professor que está na linha de frente do ensino médio possa levar novidades para os alunos” (S6).

Em suma, os pesquisadores convergem para o entendimento comum de que a educação científica e a divulgação científica se irradiam em ambientes formais e não formais. De forma geral, os extratos das entrevistas expressam a representação da necessidade de uma formação para o exercício da divulgação científica e para a formação de professores na disseminação do conhecimento da Astronomia. Além disso, percebe-se o reconhecimento da necessidade de o pesquisador se aproximar dos professores do ensino básico e da população em geral, e ainda, de que a divulgação científica pode ser uma motivação didática e uma ferramenta de integração entre as áreas do conhecimento.

Os déficits do diagnóstico apontados pelos pesquisadores evidenciam o cenário do ensino de ciências brasileiro e, especificamente, o ensino da Astronomia, no que se refere à falta de formação de professores (LANGHI; NARDI, 2005, 2007, 2008; HENRIQUE;

ANDRADE; L’ASTORINA, 2010; LANGHI, 2011), a necessidade de o pesquisador se aproximar das escolas de ensino básico (NEITZEL, 2006; LANGHI; NARDI, 2009), a necessidade de formação para atuar na área de divulgação científica (DOCUMENTO ABJC para SBPC, IV CONFERÊNCIA NACIONAL DE CT &I, [s. d.]) e consequentes erros conceituais (LANGHI; NARDI, 2007; LANGHI, 2011; AMARAL; OLIVEIRA, 2011), refletindo nos resultados da educação em ciências do país.