5. Findings and discussion
5.5 Perceptions of causes of jiggers` infection and infestation
5.5.1 The community’s perception of causes of jiggers
A posição entre os pesquisadores é unânime, ao considerar que não existe uma política específica voltada para a Astronomia no país. Quando questionado sobre as políticas públicas para a área, S2 afirma:
“Pouca, para não falar nenhuma. Atualmente, além daquilo que estaria no senso comum, o apoio aos cursos de pós-graduação, à pesquisa; mas ao desenvolvimento da Astronomia enquanto ciência, não saberia informar, não saberia falar” (S2).
Na avaliação de S3, com exceção da Olimpíada Brasileira, não existe nada específico para a Astronomia e que a realização do Ano Internacional, em 2009, não derivou ações contínuas.
“[...] não existe nada específico para a Astronomia a não ser a Olimpíada Brasileira de Astronomia. Tirando a olimpíada, não existe nada específico para a Astronomia.Os editais e os programas que podem vir a favorecer na divulgação da Astronomia, eles estão, muitas vezes, vinculados a editais maiores, em que a gente acaba tendo certo prejuízo pela demanda. Um exemplo: o edital saiu para a popularização dos espaços, zoológicos e todos, agora em novembro. Eram trinta milhões e o número de projetos que foram solicitados pelo edital chegaram a quase três mil pedidos. Então, isso mostra que há uma demanda muito mais de recursos ainda para essa área, em particular, a Astronomia. Eu acho que, nas políticas públicas, não há um sentido real. Em 2009, houve um incentivo em função do Ano Internacional, mas que também ficou muito voltado há algumas ações que, depois, não tiveram continuidade” (S3).
No mesmo entendimento, S4 não visualiza nenhuma política pública, embora reconheça o apoio nos âmbitos da pesquisa e pós-graduação das ciências em geral e a realização de alguns projetos, na área, como o Gemini , o Soar e o ESO. Em consonância com as discussões teóricas trazidas por Steiner (2011), S4 relata que não há um consenso sobre a adesão ao European Southen Observatory (ESO) na comunidade científica.
“Política pública que eu saiba não existe nenhuma. Que eu saiba, existe para as ciências como um todo, ou seja, apoio do CNPq, Capes, para a pesquisa e pós-graduação, graduação também é o caso da Capes. [...] Há grandes projetos na Astronomia envolvendo participação de outros países, com softwares de outros países para fazer a participação do Brasil efetiva em observatórios astronômicos de ponta, projeto Gemini, Projeto Soar, um outro telescópio que fica lá no Hawaii, mas não é uma política pública geral, e o Brasil se candidatou para participar do ESO. No meu ponto de vista, acho isso muito importante, aproveitar essa oportunidade, atualmente, mas não é unânime, não é baseado em uma política pública na área de divulgação científica, muito menos eu conheço alguma coisa na Astronomia ou na área de educação. No âmbito geral, sei que o conteúdo da Astronomia está inserido nos PCNs, em algumas séries” (S4).
S6 também defende a necessidade de estabelecer políticas específicas para as áreas.
“[...] deveria haver um interesse maior em divulgar políticas para determinadas áreas” (S6).
Algumas sugestões para a implementação de uma política para a área são dadas por S1 e S5:
“[...] acho que uma boa reforma curricular seria a inserção da disciplina Astronomia como componente obrigatório pelo menos para os cursos de Física. Então, acho que, no caso da formação de professores de ciências, em Ciências Biológicas, eu não sei se seria uma boa ideia inserir como obrigatória. Mas pelo menos no curso de Física, as disciplinas de Astronomia deveriam ser obrigatórias. Uma coisa que valeria a pena investir é na formação continuada de professores. Na formação continuada de professor, não encarados como cursos de curta duração, mas um processo mais contínuo de formação de professores, um processo mais prolongado. Nesse caso, poderia até incluir daí a preocupação com o ensino não formal. Por exemplo, o próprio professor que nos visitasse aqui no observatório, ao invés dele ser um agente passivo no atendimento, apenas trazendo seus alunos, ele, então, teria condições de atender seus próprios alunos ali mesmo no observatório, como se o observatório fosse uma extensão da sua própria aula, da sua própria sala de aula, mas, para isso, seria preciso remanejar algumas questões de currículo, as políticas públicas etc.” (S1).
“Como eu te falei, tem saído bastante edital, e se isso continuar. Agora, o que eles têm que fazer é manter uma regularidade disso. Se eles não mantiverem os editais, a cada ano ou a cada dois anos, o investimento que eles fizeram pode se perder. Então, manter a regularidade do fomento para divulgação” (S5).
Quando indagados se tiveram acesso ao Plano Nacional de Astronomia, uma proposta do governo federal, apresentada pela comissão especial de Astronomia, em 2010, com exceção de S5, os demais sujeitos disseram que não tiveram conhecimento sobre a proposta.
“Não, não conheço não” (S1). “Não” (S2).
“Não, não cheguei a ter conhecimento. Inclusive, eu faço parte da comissão de ensino e divulgação da Sociedade Astronômica Brasileira, e que eu saiba, nenhum de nós da comissão recebeu esse plano” (S3).
“Não, não sei se você está falando do mesmo; foi uma intenção, foi um plano, não sei se teve esse nome não. E foi quem que lançou? Porque pode ser que a gente esteja falando da mesma coisa, porque, após aquelas discussões dentro da academia, de profissionais que atuam na pesquisa, houve uma tentativa de criar um plano estratégico etc. Posso até procurar aqui, mas eu não lembro de ter sabido disso aí” (S4).
“Tive, tive. Não estou lembrado da parte da divulgação, mas eu tive sim” (S5).
“Não, ainda não” (S6).
Além da falta de uma política específica voltada para a Astronomia no país, os extratos das entrevistas evidenciam que a comunicação e a divulgação de informações, dentro da própria área de Astronomia, são frágeis. Cabe aqui chamar a atenção para o fato de que quanto mais coesa uma comunidade se apresenta em suas fronteiras, maior a possibilidade de atingir os interesses comuns. Dessa coesão, emerge a representação da imagem e identidade do grupo. Ainda conforme Moscovici (2009), ao representar a si mesmo, um grupo só pode comunicar ou influenciar adotando um estilo comportamental, que significa comportamento simbólico. “Em um estilo comportamental, uma ação e uma representação estão associadas, conferindo sentido e relevância comunicativa” (MOSCOVICI, 2009, p. 360).