4. ANALYSEKAPITTEL
4.3 E VNE TIL UTHOLDENHET
Com relação às semelhanças sócio-políticas apresentadas pelos empreendimentos solidários estudados a evolução positiva do número de associados ocorrido na APISMEL e na COOAFAP no ano anterior a pesquisa, demonstra a renovação do quadro associativo ocorrido nestas EES, diferentemente da AAMSR onde o seu número de sócios não apresentou variação.
Em todos os EES estudados, o corpo diretivo é forma por mais de 07 sócios, mostrando existir a preocupação com a participação coletiva na tomada de decisão, tão importante para a coesão social do grupo (REIS; FRANÇA FILHO, 2005).
A sustentabilidade política dos três EES estudados é elevada, pois os empreendimentos e seus sócios participam de movimento social ou popular e realiza ações de cunho social ou comunitário, na área de atuação de cada empreendimento. Esta forma de atuação mostra que todos os empreendimentos possuem a capacidade de promover uma intervenção no ambiente onde esta inserida e isto desperta nos membros dos EES, o sentido de comprometimento baseado na percepção de que são capazes de contribuir para o desenvolvimento da comunidade.
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Ao tratar da importância desta capacidade de contribuir para o desenvolvimento local, Arruda (2006, p. 209) afirma que
Na busca de autodesenvolvimento da comunidade, portanto, há que estimular tanto o desabrochar das capacidades individuais quanto daquelas que resultam da complementaridade e da sinergia gerada pelo pensar e agir em comum dos participantes. O ponto de partida é a diversidade do conjunto de talentos, capacidades, competências que constituem a singularidade e a criatividade de cada um. O método é colocá-las em comum, buscando construir laços solidários de colaboração no interior da comunidade, de modo a desenvolver quanto possível os talentos, capacidades e competências coletivas.
Esta afirmação complementa o pensamento de Reis e França Filho (2005) que defendem que o conhecimento é primordial para a sustentabilidade de iniciativas de economia solidária e que este conhecimento apresenta-se em três dimensões: a habilidade técnica produtiva, a habilidade gerencial e formação geral.
Os empreendimentos também participam de organismos de rede ou fórum de articulação da economia solidária, apresentadas por Mance (1999) como redes de movimentos sociais formadas por um amplo conjunto de fóruns e articulações variadas com o objetivo de promover e propagar atividades de financiamento, produção e consumo baseado no vínculo recíproco. Esta participação é salutar para a sustentabilidade dos empreendimentos solidários já que desta forma possibilita manter-se em funcionamento cumprindo os objetivos a que se propõe dentro da filosofia da economia solidária.
Outra semelhança entre os empreendimentos é a sua desvinculação com grupos étnicos, religiosos ou de mulheres que poderia ser um fator positivo para o relacionamento colaborativo e para a sustentabilidade dos EES. Á revelia desta desvinculação na pesquisa de campo ficaram evidenciados os resultados positivos obtidos pelo grupo de mulheres da COOAFAP que após a obtenção de um financiamento pelo PRONAF-Mulher estão produzindo com sucesso produtos de beleza a base de mel para comercialização em todo o estado do Rio Grande do Norte.
A sustentabilidade da APISMEL e da COOAFAP é potencializada por duas características comuns a estes EES, o número de apicultores vinculados aos empreendimentos e a área de abrangência das organizações, já que estas características facilitam a realização das ações públicas ao melhorar a capacidade de intervir no ambiente onde esta inserida. Na AAMSR esta capacidade é prejudicada pela pequena quantidade de apicultores e pela pequena área de abrangência da sua atuação e desta forma “têm pouca capacidade de pressão em função de sua pouca representatividade política e social” (VEIGA; FONSECA, 2001, p. 59)
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Outra característica de diferencia a AAMSR com relação à APISMEL e a COOAFAP com conseqüentemente no nível de sustentabilidade sócio-política é as características do local de beneficiamentos dos produtos. Na APISMEL e na COOAFAP a estrutura de produção é mais adequada para agregar valor aos produtos, como a produção de mel em sachês para atender as vendas destinadas a merenda escolar através do Programa Compra Direta da Produção da CONAB.
Embora todas as organizações afirmarem realizar ações visando melhorar a qualidade dos produtos oferecidos ao mercado, nenhuma delas possui o certificado do SIF. Na pesquisa levantou que a COOAFAP possuir um entreposto de mel no assentamento Laje do Meio, com capacidade de cumprir todas as normas do Sistema de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e este fato constitui-se numa característica que potencializa a sustentabilidade da cooperativa.
Tabela 5-11 - Comparativo sustentabilidade sócio-política.
Sustentabilidade sócio-política AAMSR APISMEL COOAFAP
- Ano de criação - Número de apicultores
- Evolução do número de sócios/cooperados - Freqüência das reuniões
- Composição do corpo diretivo - Divulgação e comercialização - Local de beneficiamento - Apoio e assessoramento técnico - SIF (capacidade produtiva) - Grupo étnico/religioso/gênero - Garantias e diretos dos apicultores - Diferença de renda
- Articulação social - Articulação na rede de ES
Fonte: Pesquisa de Dados em Campo, 2008/2009.
Todos os empreendimentos estudados foram criados no período entre 2001e 2005, portanto não existindo uma diferença significativa no tempo de desenvolvem suas atividades.
Com relação a freqüências das reuniões realizadas pelas organizações com os seus membros ficou evidenciado que a COOAFAP adota a prática de realizá-las trimestralmente
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enquanto a AAMSR e a APISMEL, bimestralmente. Segundo Holzmann (2001) estes encontros, em tese, representam a oportunidade democrática de acesso à participação dos associados/cooperados na tomada de decisão, promovendo a construção o sentimento de confiança e comprometimento com as ações coletivas da organização. Singer (2002a) trata da importância da realização destas reuniões alertando que
O maior inimigo da autogestão é o desinteresse dos sócios, sua recusa ao esforço adicional que a prática democrática exige. Em geral não é a direção da cooperativa que sonega informações aos sócios, são estes que preferem dar um voto de confiança à direção para que ela decida em lugar deles. E a direção, às vezes, a aceitar o pedido, sobretudo quando se trata de decisões que podem suscitar conflitos entre sócios. É, em geral, mais fácil conciliar interesses e negociar saídas consensuais num pequeno comitê de diretores do que numa reunião mais ampla [...] (SINGER, 2002a, p 19-20).
Isso demonstra que a AAMSR e a APISMEL apresentam vantagem neste item, devido à importância da realização de encontros periódicos entre a direção e os apicultores de forma a incentivar a participação nas discussões e decisões do coletivo, ao qual se está associada.
Com as características apresentadas acima os indicadores de sustentabilidade sócio- política da COOAFAP é de 0,8280, o melhor dentre as organizações estudadas; em segundo lugar aparece a APISMEL com um 0,7947, por último a AAMSR que apresentou um índice de 0.7742 demonstrando ser o empreendimento solidário com menor capacidade de sustentabilidade sócio-política.