4. ANALYSEKAPITTEL
4.2 T ILPASNINGSEVNE
129
No que se refere ao perfil dos apicultores a primeira diferença significativa é quantidade de apicultores vinculados aos EES, a Associação de Apicultores do Município de São Rafael (AAMSR) é constituída por 29 (vinte e nove) associados; a Associação de Apicultores da Serra do Mel (APISMEL) por 77 (setenta e sete) associados e a Cooperativa de Agricultura Familiar de Apodi (COOAFAP) conta com 170 (cento e setenta) cooperados, onde destes, 94 (noventa e quatro) atuam na apicultura. Esta diferença é importante, pois quanto maior a quantidade de sócios, maior a capacidade de influir na sociedade.
Com relação à faixa etária dos apicultores, as organizações avaliadas apresentam uma diferença marcante para o relacionamento colaborativo.
Tabela 5-1 – Comparativo da faixa etária dos apicultores.
ESS Idade < 35 anos Idade > 35 anos
AAMRS 62,2% 37,8%
APISMEL 45,6% 54,4%
COOAFAP 31,9% 68,1%
Fonte: Pesquisa de Dados em Campo, 2008/2009.
Como mostra a tabela 5-1, na AAMSR à maioria dos apicultores têm idade inferior a 35 anos demonstrando que o seu quadro associativo, devido a sua faixa de idade, apresenta um elevado potencial de aprendizagem dos princípios básicos da economia solidária e conseqüentemente, capacidade de promover melhorias no relacionamento colaborativo. Em uma condição intermediária a APISMEL apresenta 45,6% de associados com idade inferior a 35 anos e 54,4% com idade superior a esta idade, o que representa um maior equilíbrio entre a quantidade de aqueles apicultores mais jovens e aqueles com maior experiência. Já na COOAFAP, a maioria dos cooperados tem idade superior a 35 anos (68,1%), o que demonstra um maior nível de experiência de vida.
O reflexo desta diferença na idade dos apicultores é sentido na relação de tempo de apicultura e tempo de associativismo como apresentado na tabela 5-2.
Tabela 5-2 – Relação de tempo de apicultura e associativismo.
ESS Tempo de apicultura Tempo de associativismo
Até 05 anos Mais de 05 anos Até 05 anos Mais de 05 anos
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APISMEL 50,7% 49,4% 63,7% 36,4%
COOAFAP 49,9% 50,1% 48,0% 52,1%
Fonte: Pesquisa de Dados em Campo, 2008/2009.
Como conseqüência destes números pode-se afirmar que a AAMRS com faixa de idade mais baixa apresenta os menores tempos de apicultura e associativismo, e os piores resultados na matriz de relacionamento com 0,7433 no relacionamento vertical e 0,7742 no relacionamento horizontal. Em seguida aparece a APISMEL com 36,4% dos associados com mais de 05 anos de associativismo e aproximadamente a metade dos apicultores acima de 35 anos e a outra metade abaixo desta idade e um índice de relacionamento vertical de 0,7468 e um índice de relacionamento horizontal de 0,7527.
Finalmente aparece a COOAFAP, onde mais da metade dos apicultores têm mais de 05 anos de apicultura e associativismo e apresenta os melhores índices de relacionamento, 0,7851 no relacionamento vertical e 0,7924 no relacionamento horizontal.
Os resultados sugerem que o empreendimento de economia solidária onde os apicultores têm maiores tempos de apicultura e de associativismo apresentam os melhores padrões de relacionamento colaborativo.
Os números também sugerem que o nível de escolaridade não é determinante para a melhoria dos relacionamentos colaborativos, pois a COOAFAP com o melhor relacionamento tem 80,8% dos cooperados somente alfabetizados, enquanto a APISMEL tem 53,3% com este mesmo nível de escolaridade e a AAMSR somente 37,5%.
Este fato merece ser analisado em conjunto com as informações sobre o nível de assessoramento para capacitação e o nível de apoio técnico recebido pelos EES estudados. Todos os empreendimentos reconhecem receber algum tipo de apoio técnico e assessoramento para capacitação dos seus membros e isto minimiza os efeitos do baixo nível de escolaridade dos apicultores identificado pela pesquisa de campo.
A variável principal fonte de renda apresenta-se como fator relevante para a análise dos números apresentados na matriz de relacionamento. Fica demonstrado que nos empreendimentos onde os apicultores reconhecem a apicultura como a principal fonte de renda apresentou os melhores desempenhos no relacionamento colaborativo (Tabela 5-3).
Tabela 5-3 – Comparativo da principal fonte de renda.
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Apicultura Agropecuária Outras Fontes
AAMRS 17,2% 48,3% 34,5%
APISMEL 37,7% 35,1% 27,2%
COOAFAP 61,7% 19,1% 19,2%
Fonte: Pesquisa de Dados em Campo, 2008/2009.
Pode-se concluir que nos EES em que a apicultura já é considerada a principal fonte de renda pela maioria pelos apicultores, existe um maior nível de comprometimento e confiança nas relações associativas.
É percebido que os índices de sustentabilidade econômica também recebem influencia desta variável, pois como mostra a tabela 5-3, a COOAFAP com 61,7% dos apicultores reconhecendo a apicultura como principal fonte renda obteve um índice de sustentabilidade econômica de 0,6143; já a APISMEL com 37,7% obteve um índice de sustentabilidade econômica de 0,6036 e finalmente a AAMSR, onde somente 17,2% dos apicultores têm a apicultura como principal fonte de renda, apresentou um índice de sustentabilidade econômica de 0,5869. Isto demonstra que os empreendimentos onde a apicultura é reconhecida como a principal fonte de renda pela maioria dos apicultores foram aquelas com melhor indicador de sustentabilidade econômica.
A partir da pesquisa de campo foi possível perceber que existe uma significativa diferença nos tipos de recursos utilizados para viabilizar o processo produtivo de cada um dos empreendimentos estudados. Na AAMSR, 34,5% dos apicultores trabalham com recursos próprios e 48,3% com recursos obtidos a fundo perdidos e de doação através de programas de políticas públicas de geração de renda. Na APISMEL a maioria dos apicultores, 65,8%, afirma trabalhar com recursos próprios, recursos estes oriundos da atividade de beneficiamento e comercialização de castanha de caju, principal atividade do município de Serra do Mel. Já na COOAFAP é percebido que o empreendimento possui uma maior capacidade de articulação para viabilizar a obtenção de financiamento para seus cooperados e como reflexo desta articulação 77,7% dos cooperados afirma trabalhar com recursos oriundos de financiamentos.
Ao analisar a produtividade obtida nos EES, observou-se que na AAMSR, 65,5% dos apicultores afirma obter uma produtividade acima de 20 Kg/colméia/ano, na APISMEL este número é de 70,2% e na COOAFAP, 77,7%, mostrando que em todos os empreendimentos estudados a produtividade é superior a média da região nordeste de 25 Kg/colméia/ano
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(PAULA NETO; ALMEIDA NETO, 2006) e também da média nacional apresentada pelo SEBRAE de 15 Kg/colméia/ano.
Quando avaliado a quantidade de enxames utilizados no processo produtivo, a pesquisa de campo mostrou que 96,5% dos apicultores da AAMSR trabalham com até 20 enxames; na APISMEL este número eleva-se para 40,3% e na COOAFAP para 50,0%. É pertinente afirmar que na APISMEL, 26,0% e na COOAFAP, 13,8% dos apicultores já produzem com mais de 50 enxames. Estes números demonstram que os apicultores classificam-se, segundo Brasil (2007), como pequenos produtores.
Um dos fatores determinantes para a melhoria da sustentabilidade sócio-política e econômica dos EES é o canal de distribuição dos produtos ao mercado, ou seja, o cliente preferencial dos apicultores. Na COOAFAP, que obteve os melhores índices de sustentabilidade, 96,8% dos apicultores comercializa seus produtos através da cooperativa; na APISMEL, o percentual apresenta-se em 77,9% e na AAMSR somente 6,9% dos apicultores comercializam sua produção através da organização associativista. Segundo Veiga e Fonseca (2001), uma das principais formas de sabotar o direcionamento de esforços para os resultados comuns começa quando o cooperado/associado realiza a negociação de seus produtos preferencialmente fora da cooperativa.
De acordo com a pesquisa de campo, ao analisar a relação de gênero presente nos empreendimentos descobriu-se que em todos eles, o grupo de apicultores é formado por no mínimo 77,7% de homens como mostra a tabela 5-4, demonstrando a predominância dos homens.
Tabela 5-4 – Relação de gênero nos EES estudados.
ESS Homens Mulheres
AAMRS 79,3% 20,7%
APISMEL 85,7% 14,3%
COOAFAP 77,7% 22,3%
Fonte: Pesquisa de Dados em Campo, 2008/2009.
Estes dados são relevantes, pois segundo Lisboa (2003, p. 51) na economia solidária se conjuga “simultaneamente o social e econômico, o subjetivo e o objetivo, o estrutural com o pessoal, o masculino com o feminino”, acrescentando que
[...] há uma dimensão de gênero dentro da ES levando mulheres e homens a redefinirem suas identidades e papéis e resignificando o campo econômico, tradicional domínio masculino. Praticamente em todos os casos conhecidos da ES há
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o protagonismo das mulheres, sendo que em geral estas iniciativas econômicas não capitalistas se caracterizam por serem maioritariamente grupos de mulheres que vivem em condições de pobreza.
Um exemplo deste protagonismo das mulheres acontece na COOAFAP quando as cooperadas dos assentamentos Milagres e Vila Nova obtiveram financiamento do PRONAF- Mulher, para a produção de mel destinado a confecção de produtos de beleza e higiene pessoal. Esta ação ajuda a atingir um dos objetivos mais cobiçados da ES, agregar valor aos seus produtos.
Outro ponto semelhante nas organizações é o fato de todas elas terem conseguido articular a realização da capacitação da sua mão-de-obra através de treinamentos. Pode-se perceber este poder de articulação ao visualizar que na Associação de Apicultores do Município de São Rafael, 86,2% dos associados já participaram de algum treinamento. Na Associação de Apicultores de Serra do mel este número é de 62,3% e na Cooperativa de Agricultura Familiar de Apodi de 83,0%.
Este desempenho só foi possível com a parceria realizada com entidades da sociedade civil e órgãos governamentais que vem atuando através da formulação de política pública para desenvolvimento de práticas de geração de renda, baseadas em organizações associativistas.
Tabela 5-5 – Comparativo da mão-de-obra utilizada na produção.
ESS
Mão-de-obra Familiar não
remunerada Troca de serviços Outras Formas
AAMRS 55,2% 44,8% -
APISMEL 63,6% 23,4% 13,0%
COOAFAP 33,0% 56,4% 10,6%
Fonte: Pesquisa de Dados em Campo, 2008/2009.
Como apresentado na tabela 5-5, a mão-de-obra utilizada no processo produtivo em todos os empreendimentos solidários analisados na pesquisa é familiar não remunerada e a troca de serviços entre os associados/cooperados, demonstrando que a apicultura é uma atividade eminentemente familiar como afirma Brasil (2007).
O mel foi citado como o principal produto explorado pelos apicultores dos empreendimentos pesquisados e, na maioria dos casos, como mostra a tabela 5-6, este é o único produto proveniente dos enxames.
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Tabela 5-6 – Comparativo de produtos.
ESS
Produtos
Mel Mel e Cera Mel, Cera e
Própolis Mel, Cera e Néctar AAMRS 79,3% 6,9% 6,9% 6,9% APISMEL 85,7% 10,4% 3,9% - COOAFAP 54,3% 36,2% 1,1% 8,5%
Fonte: Pesquisa de Dados em Campo, 2008/2009.
Levando em consideração que a organização que obteve os melhores índices de sustentabilidade econômica, a COOAFAP, é aquele que apresenta uma melhor diversificação de seus produtos; a produção de outros produtos como a geléia real, pólen e apitoxina poderia ser um dos caminhos para alavancar a sustentabilidade dos empreendimentos solidários.
Dentro desta visão de inovação das ações da economia solidária, Demoustier (2006, p. 175) afirma que os EES “[...] devem encontrar formas de estruturação, para escapar do risco de se encerrar em lógicas demasiadamente estreitas ou criar uma concorrência entre elas mesmas em um mesmo território.
Ao analisar a produtividade obtida nos EES, observou-se que na AAMSR, 65,5% dos apicultores afirma obter uma produtividade acima de 20 Kg/colméia/ano, na APISMEL este número é de 70,2% e na COOAFAP, 77,7%, mostrando que em todos os empreendimentos estudados a produtividade é superior a média da região nordeste de 25 Kg/colméia/ano (PAULA NETO; ALMEIDA NETO, 2006) e também da média nacional apresentada pelo SEBRAE de 15 Kg/colméia/ano.
O rendimento obtido pelos apicultores também é um fator de semelhança entre os empreendimentos, como apresentado na tabela 5-7.
Tabela 5-7 – Comparativo de rendimento com apicultura. ESS Rendimento Até 05 SM Acima de 05 SM AAMRS 89,0% 11,0% APISMEL 93,5% 06,5% COOAFAP 94,7% 05,3%
Fonte: Pesquisa de Dados em Campo, 2008/2009.
Os números mostram que embora existam diferenças na produtividade e quantidade de colméias que os apicultores utilizam no processo produtivo, estas diferenças não se traduzem
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em diferentes resultados no rendimento obtido pelos apicultores na atividade apícola. Esta informação pode ser explicada pelas diferentes formas de manejo utilizado no processo produtivo; pela diferentes níveis de sofisticação do processo de beneficiamento do mel e pelos diferentes padrões de qualidade almejados pelas organizações e suas conseqüentes implicações nos custos de produção.
Como mostra a tabela 5-8, fica claro que a Associação de Apicultores do Município de São Rafael foi o empreendimento que apresentou a menor quantidade de características consideradas importantes para a sustentabilidade de uma organização solidária e fundamentado nestes dados pode-se concluir que é a organização com maiores dificuldades para manter-se atuando no longo prazo.
Tabela 5-8 – Comparativo de perfil e processo produtivo.
Fatores/Características AAMSR APISMEL COOAFAP
- Faixa etária dos apicultores - Tempo de apicultura - Tempo de associativismo - Apoio técnico e assessoramento
- Apicultura como principal fonte de renda - Produtividade
- Quantidade de enxames
- Comercialização através do EES - Relação de gênero
- Mão-de-obra familiar/troca de serviço - Diversificação da produção
- Rendimentos dos apicultores
Fonte: Pesquisa de Dados em Campo, 2008/2009.
Diante de tal situação a APISMEL e a COOAFAP demonstraram possuir um número superior de características que fortalecem a sua sustentabilidade, onde pode-se ressaltar; (1) a grande quantidade de apicultores que comercializam sua produção através dos EES, (2) o maior tempo atuação dos apicultores no associativismo e (3) a maior produtividade obtida pelos apicultores pertencentes a estas organizações.
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