Como uma das práticas avaliativas, a EMTM também realiza, no final de cada semestre, uma semana de avaliações, denominada “SEMINÁRIOS”. Durante esse período, os educandos e professores participam de trabalhos orientados, com o objetivo de avaliar os diversos segmentos e atividades desenvolvidas na da escola.
No dia 06 de julho de 2009, iniciou-se essa semana de trabalhos. Os educandos foram agrupados em uma das quadras da escola e receberam uma pasta, contendo o cronograma das atividades que seriam realizadas naquela semana, juntamente com uma autoavaliação que os educandos poderiam preencher no intervalo ou em casa e entregar no dia seguinte. O cronograma dessa semana consta no Apêndice 5 (p. 159).
Neste dia estavam presentes aproximadamente 80 educandos (número estimado pela quantidade de cronogramas entregues) incluindo educandos da EJA noite e uma turma de EJA manhã. Iniciaram-se os trabalhos com uma apresentação cultural. Em seguida, o professor Armando, juntamente com o professor Jorge, leram com os educandos a proposta para aquela noite. Após essas apresentações, houve o intervalo e, em seguida, os educandos dirigiram-se para o auditório para ouvirem o relato de experiências de dois ex-alunos da escola. Durante a fala dos ex- alunos, ambos elogiaram a qualidade do trabalho da EMTM e o comprometimento dos professores. Ressaltaram a preocupação dos professores com os educandos e também a assiduidade dos profissionais.
Em seguida, abriu-se espaço para perguntas e, nesse momento, o professor Armando ressaltou que a aluna que estava dando seu depoimento ingressou no projeto em maio de 2008 e concluiu o Ensino Fundamental no final do mesmo ano, em função do seu
comprometimento com o projeto. Armando pediu que a ex-aluna Selma (que havia sido convidada para os Seminários) falasse o que mudou em sua relação com os filhos, já que ela havia mencionado que atualmente se considera como exemplo para os filhos.
Em seu depoimento, Selma declara que voltou a estudar por causa dos filhos, para estimulá-los na escola. Comenta que costumava ouvir: _ “não vou estudar, você não
estudou”. Contudo, ao mostrar o primeiro boletim para os filhos, ouviu de sua filha que ela seguiria o exemplo a mãe: teria apenas notas boas. Segundo Selma, ela cumpriu o prometido. Hoje, a própria filha lhe dizia que não desistisse de seus sonhos.
A seguir, o professor Armando perguntou aos educandos quais as dificuldades enfrentadas na nova escola e como procuravam superá-las.
Manuel, outro ex-aluno convidado, também elogiou a qualidade do trabalho realizado na EJA pela EMTM e o comprometimento dos professores. Ressaltou a preocupação dos professores com os educandos e também a assiduidade dos educadores, além de destacar que “nessa escola todos os alunos têm direito de participar, na outra não”.
Diante das comparações entre escolas , feitas pelos ex-alunos , uma aluna perguntou por que essas pessoas permanecem na escola, mesmo não estando satisfeitas. Manuel diz que iriam esperar os resultados e, caso não fossem satisfatórios, reuniriam em grupo para conversar com a direção.
Finalizada a conversa com os ex-alunos, o professor Roberto apresentou, utilizando um projetor, algumas informações importantes sobre a proposta pedagógica, organização e funcionamento da EJA. Os pontos abordados estão sintetizados no quadro seguinte.
Pontos apresentados
Organização das turmas: Turma básica ou de Referência Grupo de professores: nove
Organização dos grupos de trabalho (quatro grandes áreas) Atendimento a grupos específicos separados da turma (manhã) Organização das turmas por projetos
Critérios para certificação: autonomia, socialização, cidadania – pautada no respeito e tolerância às dificuldades _ ,domínio da leitura e escrita, desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático.
Após a apresentação do projeto, abriu-se espaço para o debate, mas como o horário já estava bastante avançado, apenas uma aluna se manifestou perguntando se, estando na 8ª série, ela concluiria no ano em curso.
O professor Jorge informou que o projeto não se organiza por série e que é necessário que o educando atenda à maior parte dos critérios exigidos para a certificação para que ele conclua o ensino fundamental.
O segundo dia de trabalhos, 07 de julho de 2009, contou com a participação apenas dos educandos do noturno e tinha aproximadamente 70 educandos presentes. Os trabalhos iniciaram pontualmente às 19h15min.
Para a realização desse trabalho, os educandos foram divididos em 7 grupos. Todos os educandos foram reunidos no auditório da escola e, aleatoriamente, foi entregue uma ficha contendo um número de um a sete. Esse número indicaria a sala para a qual o educando deveria se encaminhar para dar início aos trabalhos. Solicitou-se dos educandos que não trocassem o número com outro colega, para garantir a diversidade nos grupos.
Assim que os educandos se acomodaram nas salas onde aconteceriam os trabalhos, cada sala recebeu um professor que deu as orientações gerais para a realização do trabalho. O professor ajudou na escolha de um relator e um coordenador e, em seguida, ausentou-se da sala, indo encontrar-se com seus pares para preenchimento das fichas de avaliação, pois essa ficha contém uma parte que deve ser preenchida coletivamente pelos professores de cada educando.
Os educandos conheciam as questões que deveriam ser tratadas (ver Apêndice 6, p. 160), uma vez que elas estavam na pasta, junto com a programação da semana.
O relator deveria produzir um relatório com as conclusões do grupo sobre cada ponto do roteiro, para ser entregue aos professores. Os grupos receberam folhas de papel Kraft e pincéis para produzirem uma síntese das discussões que seriam apresentadas em plenária no dia seguinte. Durante a realização dos trabalhos, observamos o envolvimento e participação de todos os educandos nas discussões, mesmo sem a presença de um professor ou qualquer outro funcionário.
No que tange à tarefa realizada pelo grupo de professores, pode-se perceber que eles acompanham de perto seus educandos, tendo conhecimento inclusive de detalhes de suas vidas particulares, como mostram as falas seguintes:
No dia 08 de julho, os educandos encaminharam-se para o auditório, e cada um dos grupos apresentou a síntese de suas discussões.
Nesse dia, todos os grupos haviam preparado um cartaz com as sínteses das discussões e utilizaram-no para apresentar ao grupo. Para a apresentação, todos os integrantes dirigiam-se à frente, apresentavam-se, e dois ou três educandos expunham o que haviam conversado no grupo. Durante as apresentações, alguns professores e educandos questionavam algum ponto que não havia ficado claro ou faziam algum comentário concordando com o que estava sendo apresentado. Notou-se nesse momento que os educandos não se sentiam constrangidos ou inibidos para apresentar os pontos que desejavam, mesmo que ele fosse constituído de uma crítica ao trabalho de algum professor, por exemplo. Ficou evidenciado que há uma prática da escola em realizar trabalhos dessa natureza (ver Quadro síntese no Apêndice 7, p. 161).
O encontro do dia 09 de julho de 2009 teve como objetivo a entrega das atividades realizadas pelos educandos ao longo do primeiro semestre, juntamente com suas fichas de avaliação. Os educandos foram divididos em dois grupos: as turmas básicas foram para a sala de aula, e os integrantes das três turmas compostas por educandos com cinco anos ou mais de escolarização permaneceram no auditório.
Antes da entrega da ficha aos educandos, o professor Jorge explicou novamente a certificação, enfatizando que os educandos pertencentes ao grupo que estava no auditório ficam na escola, em média, um a dois anos, dependendo do comprometimento de cada um com o projeto.
O professor Armando enfatizou que no projeto não há seriação, fez a leitura dos itens da ficha com os educandos, buscando esclarecer o caráter individual dos conceitos. Disse que não há médias; portanto, não é possível comparar o B de um educando com o de outro, pois o item que o primeiro precisa desenvolver para alcançar o conceito A é, em geral, diferente daquilo que falta ao outro educando. Portanto, a comparação só é possível de ser feita entre os diferentes desempenhos do próprio educando.
Gabriela: “A mãe da aluna X saiu do hospital” Gabriela: “A esposa do aluno Y quase morreu.”
Roberto: “O marido da aluna N está preso e ela está envolvida na busca de
advogado...”
Jorge: “O aluno M tem dificuldade de escrita”
Armando: “O aluno D é A, ele está faltando agora, mas a produção dele é
muito boa.”
Janaína: “Na Matemática ele (referindo-se a um dado aluno) não sabia fazer
Explicou que o conceito C indica que o educando está avançando na maioria dos conteúdos . Esclareceu que o conceito D pode indicar três casos diferentes, sendo eles: falta de compromisso, grande dificuldade do educando ou pouco tempo de permanência na EJA, o que comprova ter sido pouco avaliado. Ressaltou que, dos educandos presentes, ninguém possuía conceito D , que traduz falta de compromisso.
Após essas explicações, cada educando recebeu um envelope com suas atividades e a ficha de avaliação. O objetivo, nesse momento, é que cada educando fizesse a leitura de sua ficha e esclarecesse suas dúvidas com os professores.
Nesse momento, vários educandos estavam abrindo o envelope e procurando exclusivamente as atividades de Matemática. Um fato curioso foi o diálogo travado por duas alunas:
- Nós sabemos Matemática e por que na hora da prova a gente não consegue? - É que a gente fica nervosa e dá um branco.
Após a análise das atividades e das fichas, os educandos devolveram o envelope para que fosse arquivado, pois esse material seria utilizado no final do ano letivo, momento em que se processa a certificação ou não dos educandos.