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Para a coleta de dados, optou-se por utilizar: entrevista semiaberta com professores, observação participante, questionários aplicados aos educandos e análise de documentos.

A opção pela observação participante se deu pelo fato de essa metodologia contemplar os aspectos presentes no trabalho. Para Denzin (1978 apud LÜDKE e ANDRÉ,

1986, p. 28), a observação participante é “uma estratégia de campo que combina simultaneamente a análise documental, a entrevista de respondentes e informantes, a participação e a observação direta e a introspecção” (p.183).

Ainda segundo Lüdke e André (1986), essa metodologia é uma das mais utilizadas nas pesquisas em educação. Segundo as autoras, usada como método principal ou quando associada a outras técnicas de coleta, a observação possibilita “um contato pessoal e estreito

do pesquisador com o fenômeno pesquisado, o que apresenta uma série de vantagens. [...] a experiência direta é sem dúvida o melhor teste de verificação da ocorrência de um determinado fenômeno” (LÜDKE e ANDRÉ, 1986, p.26).

A observação participante permite ao pesquisador acompanhar, por um período maior de tempo, os fatos que deseja observar, mas para tanto essa não deve ser feita de maneira espontaneística. É necessária a elaboração de um roteiro e principalmente da definição do foco da pesquisa. Para isso, é preciso delimitar o objeto de estudo. “Definindo-se claramente

o foco da investigação e sua configuração espaço-temporal, ficam mais ou menos evidentes quais aspectos do problema serão cobertos pela observação e qual a melhor forma de captá- los” (LÜDKE e ANDRÉ, 1986, p.25).

As entrevistas foram realizadas com dois professores: um de Matemática e outro professor da equipe, que se dispuseram a participar do trabalho em momentos independentes e marcados previamente de acordo com a disponibilidade dos profissionais. Segundo Bogdan e Biklen (1994, p.134): “uma entrevista consiste numa conversa intencional, geralmente entre

duas pessoas, embora por vezes possa envolver mais pessoas (MORGAN, 1988), dirigida por uma das pessoas, com o objetivo de obter informações sobre a outra”.

Escolhemos essa metodologia por acreditar que ela permite obter informações mais profundas, uma vez que possibilita o redirecionamento e a formulação de questões com base das respostas do entrevistado.

Além das entrevistas com os professores, aplicamos questionários aos educandos para compreender como estes percebem as estratégias e instrumentos de avaliação utilizados pelo professor de Matemática para acompanhar os seus desempenhos.

Por último, analisamos documentos14, tais como a proposta pedagógica da escola, algumas provas, registros no caderno e a ficha de avaliação individual dos educandos.

14 Nessa pesquisa, como Ludke e André (1986, p.38), consideramos documentos “‟quaisquer materiais escritos que possam ser usados como fonte de informação sobre o comportamento humano‟ (Phillips, 1974, p.187)” incluindo uma variedade de textos “desde leis e regulamentos, normas, pareceres, cartas memorandos, diários pessoais, autobiografias, jornais, revistas, discursos, roteiros de programas de rádio e televisão até livros, estatísticas e arquivos escolares”.

Segundo Hosti (1969, apud LÜDKE e ANDRÉ, 1986, p. 39), há pelo menos três situações básicas em que é apropriado o uso da análise documental, sendo elas:

 Quando o acesso aos dados é problemático, seja porque o pesquisador tem limitações de tempo ou de deslocamento, seja porque o sujeito da investigação não está mais vivo...

 Quando se pretende ratificar e validar informações obtidas por outras técnicas de coleta, como a entrevista, o questionário ou a observação.

 Quando o interesse do pesquisador é estudar o problema, considerando própria expressão dos indivíduos, ou seja, quando a linguagem dos sujeitos é crucial para a investigação.

Neste trabalho, buscamos analisar documentos para confrontá-los com as observações realizadas e com os dados obtidos por meio as entrevistas e os questionários.

Encerrada a coleta, buscamos organizar os dados adequadamente, de forma a responder às questões formuladas . Inicialmente, foram transcritas as entrevistas realizadas com os professores. Com a realização das entrevistas, pretendemos conhecer a dinâmica da prática avaliativa adotada pela escola e, em especial, aquela realizada pelo professor de Matemática.

Após as entrevistas com os professores, aplicamos questionários aos educandos para identificar como eles percebem a maneira e os instrumentos utilizados pelo professor de Matemática na avaliação de suas aprendizagens.

Pretendemos com esses instrumentos, juntamente com a análise de provas, das fichas de avaliação e com os registros das conversas realizadas para a definição da certificação dos educandos, analisar como estão os educandos em relação ao aprendizado de Matemática. Tentaremos identificar a articulação entre a relação dos educandos com a escola, a Matemática, seu desempenho e a implicação desse aproveitamento em sua certificação.

Para auxiliar nessa análise, anexamos também o modelo de uma das avaliações aplicadas e o processo de sua correção.

Outras provas realizadas, mas que não tiveram sua correção acompanhada15, também foram anexadas com o objetivo de auxiliar na análise das estruturas presentes nesse instrumento de avaliação.

Como o processo avaliativo da escola não é feito apenas por disciplina, ele utiliza outros espaços e instrumentos, que foram por mim acompanhados e registrados.

Inicialmente, apresentamos os materiais e as orientações repassadas aos educandos para a realização do seminário de avaliação e, em seguida, os registros detalhados desses momentos.

Durante o período de realização dos seminários, os educandos realizaram uma autoavaliação que também foi anexada, e as respostas dos educandos tabuladas. Nesse instrumento, os educandos avaliam os diversos aspectos e segmentos da escola. Dessa forma, esse material pode fornecer informações que ajudam a compreender como a relação estabelecida pelo educando com o ambiente escolar interfere no seu desempenho.

Outro momento que faz parte do processo avaliativo da escola é a conversa inicial que tem como objetivo apresentar o projeto da EJA ao candidato e também conhecer um pouco das expectativas do futuro educando. Por isso, o trabalho registra também esse momento, ilustrado por uma entrevista realizada com um jovem que desejava ingressar no projeto.

Capítulo 3

PRÁTICAS AVALIATIVAS EM MATEMÁTICA NA ESCOLA