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Virksomhetsregnskap

In document ÅRSRAPPORT 2020 (sider 65-78)

5. FREMTIDSUTSIKTER 61

6.2 Virksomhetsregnskap

Governança corporativa é o sistema por meio do qual se exerce e se monitora o controle nas corporações. Está claro, desde logo, que este sistema está intimamente vinculado à estrutura de propriedade, às características do sistema financeiro, à densidade e profundidade dos mercados de capitais e ao arcabouço legal de cada economia.

Na literatura econômica, o enfoque predominante no tratamento desta questão é o da teoria da agência. Nesta perspectiva, um sistema de governança corporativa emerge justamente para procurar resolver o problema de agência oriundo da separação da propriedade do controle das corporações. Na medida em que uma grande corporação tem sua propriedade pulverizada e seu controle entregue a executivos não proprietários, coloca-se o problema de como garantir que o comportamento destes executivos esteja afinado com a maximização do valor para os acionistas. Do ponto de vista dos acionistas, uma gestão profissionalizada implica delegar

autonomia aos administradores, tornando-se inevitáveis as assimetrias de informação advindas da nova separação de poderes, podendo levar a uma divergência de interesses. A questão do monitoramento fica complicada neste contexto, dado o chamado “problema do

free-rider”: uma vez que cada acionista detém uma participação pequena das ações da

companhia e qualquer ação que ele tomar no sentido de melhorar o desempenho da companhia traria benefícios para todos os demais acionistas, apesar de ele arcar com todos os custos desta eventual ação, os incentivos para um monitoramento são diminutos. O sistema de governança corporativa (GC) deveria, portanto, oferecer uma solução economicamente eficiente para este problema (Rabelo, F. & Silveira J, 1999).

Qualquer sistema de governança corporativa mantém relações de complementaridade com outros arranjos institucionais da economia: o mercado de trabalho, a organização interna do trabalho das firmas e as instituições de mercado, entre outras. A eficiência de um sistema de governança deve ser avaliada independentemente do modo como estas outras instituições funcionam.

Utilizando a visão neoinstitucionalista, Kester (1992) argumenta que os problemas de coordenação e controle não se resumem àqueles associados com a separação da propriedade do controle, mas incluem também os problemas relativos às trocas contratuais entre os agentes econômicos. Ele utiliza o termo “governança contratual” para referir-se aos sistemas que cuidam deste último tipo de problema e acredita que o enfoque mais útil para analisar esta questão é o da teoria dos custos de transação (Williamson, 1985).

Segundo Kester (1992), na perspectiva da teoria da agência a preocupação maior consiste em criar mecanismos eficientes (sistemas de monitoramento e incentivos) para garantir que o comportamento dos executivos esteja alinhado com o interesse dos acionistas. Elos e contratos entre outros stakeholders, particularmente aqueles entre a corporação e seus parceiros no comércio (e.g. clientes, fornecedores, subcontratados) são relegados ao domínio

das transações de mercado pura e simples, em que é implicitamente assumido que estas relações serão apropriadamente controladas enquanto os mercados forem razoavelmente eficientes e competitivos.

No enfoque da teoria dos custos de transação, a unidade apropriada de análise é o fluxo de transações entre um produtor e seus fornecedores ou clientes. A preocupação básica é determinar o limite ótimo da firma. Parte-se do suposto de que a dependência exclusiva nos mecanismos de mercado pode sujeitar a firma aos riscos do oportunismo autointeressado. Um sistema eficiente de governança deverá, portanto, elaborar mecanismos especializados de incentivos, salvaguardas e resolução de conflitos que possam promover a continuidade dos relacionamentos comerciais que são eficientes na ausência de oportunismo autointeressado, relacionamentos esses que de outro modo poderiam romper-se sob regras contratuais exclusivamente de mercado. O ideal seria, então, um sistema de governança corporativa que minimizasse os custos de agência atuando em paralelo com um sistema de governança contratual que minimizasse os custos de transação.

Entretanto, um eficiente sistema de governança corporativa pode ser um pré-requisito necessário, mas não vai por ele mesmo levar a uma performance superior, o que garantirá ao investidor o retorno esperado sobre seus recursos.

Conforme Morin e Jarrel (2001), os modelos de VBM determinam uma linguagem comum para toda a empresa, criando uma cultura consistente e com foco no valor para todos os níveis de atividade da organização, no intuito de alinhar os processos internos da organização, a estratégia e a comunicação ao investidor. Importante salientar que a ideia de maximização do valor para os acionistas não esta destoante com do interesse dos demais stakeholders. Conforme indicado por Gitman (1997), uma empresa atenta aos stakeholders evitará, conscientemente, medidas que possam ser prejudiciais a eles, já que essas no longo prazo podem ser prejudiciais ao seu valor. Completa, ainda, que, em se mantendo um bom

relacionamento entre as partes, preocupação vista como responsabilidade social da empresa, ela mesma poderá atingir melhor seu objetivo de maximização da riqueza dos acionistas por meio da cooperação – em lugar do conflito – com seus stakeholders.

A geração de valor superior beneficia não somente os acionistas, mas também os empregados, os clientes e a sociedade em que a empresa está inserida. Os empregados ganham segurança, maiores oportunidades e maiores salários. Os clientes se beneficiam, pois a firma é capaz de atrair mais capital a custo reduzido, que pode ser investido em atividades que melhor atendam às necessidades dos consumidores, em termos de produtos, serviços e custos. A sociedade em que a empresa esta inserida se beneficia com mais empregos diretos e indiretos, e maior capacidade da empresa investir em atividades sociais.

Dessa forma, pode-se notar que existe uma estreita relação entre os modelos de VBM e a governança corporativa, já que facilita a comunicação entre acionistas, administradores e mercado, além de alinhar o interesse dos envolvidos.

Muitas empresas exaltam as virtudes de maximizar o valor para o acionista na sua declaração de missão, relatórios anuais e comunicados aos investidores, mas não são capazes de explorar ao máximo o potencial de criação de riqueza vinda de uma perspectiva baseada em valor. Esse fato é resultado da dificuldade em enxergar a conexão direta entre as estratégias de negócios e o valor de mercado dos mesmos. Entender a relação entre estratégia, finanças, governança corporativa e o valor da companhia é a chave para tomar decisões de criação de valor consistentes.

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