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Virksomhetsmodellering

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Assim como existem vários tipos de ecologia, também existem vários tipos de ecofeminismo, pois a maioria das vertentes do feminismo, com exceção do feminismo Liberal20, pode ser incluída no ecofeminismo. Podemos dizer que as demais vertentes convergem em muitos pontos, mas algumas podem ser criticadas por serem excessivamente essencialistas ou espiritualistas (MELLOR, 1997; STOREY, 1998; STURGEON, 1997; SYDEE; BEDER, 2001.).

O essencialismo e o espiritualismo mostram sua fragilidade ao tentar explicar a opressão por leis reducionistas naturais, ou seja, inclinam-se a ver as mulheres como um grupo homogêneo em função dos seus atributos biológicos inerentes, atributos que lhes dão uma afinidade com o mundo natural, uma característica que seria inexistente nos homens. Discordamos desse pensamento, pois consideramos ser importante reconhecer as diferenças biológicas entre homens e mulheres, mas, como explicamos anteriormente, a aplicação do

conceito de gênero nos anos setenta enfatizava as diferenças no âmbito das construções sociais em torno do papel dos homens e mulheres nas suas comunidades. Portanto, enfatizar as diferenças biológicas pode dificultar ainda mais as relações de gênero, separando homens e mulheres em vez de uni-los em relações de respeito mútuo. Nesse sentido, o essencialismo e o espiritualismo podem universalizar as características, as qualidades, as identidades e os comportamentos das mulheres como membros de um grupo, e não como indivíduos de culturas com pensamentos e experiências diferentes. Assim, reproduzem-se as relações hierárquicas e dualistas, às quais o ecofeminismo se opõe, e desprezam-se as relações fundamentadas no respeito pela diferença, que são essenciais para o ecofeminismo na desconstrução de dualismos. Tais críticas não representam uma rejeição total dos essencialismos ou universalismos, pois eles podem servir para afirmar que as mulheres têm um papel importante na preservação e conservação do meio ambiente, por possuírem, tanto quanto os homens, relações profundas com os assuntos envolvidos, entendendo-os também em profundidade.

Uma posição alternativa, sugerida por Ynestra King (1981 apud MELLOR, 1997, p. 40), é a de perceber o essencialismo como uma "identidade política" que une as pessoas diferentes. Por exemplo, o caso das mulheres que participaram do acampamento de paz no Greenham Common, na Inglaterra em 1982. Apesar de pertencerem a culturas diferentes, elas formaram um acampamento e criaram, em sinal de protesto, uma corrente humana em torno do local onde as armas nucleares eram implantadas. Por mais que as mulheres tivessem identidades diferentes, estavam lá por um objetivo em comum, ou seja, o protesto contra as armas nucleares. No entanto, isto não necessariamente significa que essa ação política pertença somente ao sexo feminino, uma vez que os homens também participaram, mas indica que essencialismos podem ultrapassar divisões de gênero para alcançar uma identidade política.

Apesar dessa crítica, não se pode rejeitar o ecofeminismo, pois ele é pluridimensional, e existem apoios teóricos que vão além do essencialismo e do espiritualismo (ver Armbruster (2000); Mellor (1997); Sturgeon (1997) e Warren (1997, 2000). Essas autoras afirmam que o foco principal do ecofeminismo é a conexão entre a dominação e as opressões, não justificáveis, das mulheres, dos outros marginalizados e da natureza não-humana. Essa afirmação significa que a proposta feminina não parte somente do ponto de vista das mulheres, pois, como Kelly (1997) explicou, o ecofeminismo detém-se não somente sobre as

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Porque as fundamentações das feministas liberais ou neoliberais não criticam o sistema antropocêntrico, no qual o ser humano é o centro do mundo, e as mulheres podem obter o direto à igualdade dentro do sistema existente.

injustiças contra mulheres e a natureza não-humana, mas também rejeita todas as formas de dominação e todos os dualismos. Esta rejeição é fundamental para o ecofeminismo, pois as ecofeministas consideram que os dualismos vão além de divisões binárias ou dicotomias, sendo mais a separação de dois reinos, onde um lado é subordinado a outro. Como Moyer explica:

Dualismo é visto como uma separação e dominação impregnada e naturalizada na cultura e caracterizada por exclusão radical, distanciamento e oposição entre ordens, que são construídas sistematicamente como mais alta ou mais baixa, como inferior e superior ou como governado e governante.21 (MOYER, 2001, p. 80).

Consoante o que foi explicado anteriormente, isto ocorre porque no paradigma dominante as partes estão separadas, como por exemplo, a natureza e a cultura. Neste caso, a uma parte é normalmente atribuído mais valor do que a outra, por uma ordem hierárquica, e tais valores são socializados pela estrutura social. Assim, a desconstrução22 de dualismos é importante, pois poderá desmascarar as opressões sociais que eles mantêm. A partir dessa desconstrução, as pessoas e as representações escravizadas pelos dualismos podem ser liberadas. Abrem-se, desta forma, as possibilidades de fomentar uma aceitação da diferença e caminhos para entender as inter-relações e interdependências entre a natureza não-humana e a natureza humana, e destas aceitações melhorar o entendimento da importância e da riqueza de diversidade.

Podemos sintetizar, afirmando que o ecofeminismo é um movimento que promove novas relações ecológicas e éticas, e atitudes baseadas no cuidado sensível, entre os seres humanos e entre eles/elas e a natureza não-humana, o que por sua vez pode abrir caminhos para a construção de identidades novas. Esses caminhos são necessários para a reavaliação do egocentrismo, do individualismo e do materialismo, presentes nos sistemas baseados nas relações hierárquicas. Tal fundamentação pode ser vista nos posicionamentos teórico, ético e metodológico do ecofeminismo.

21

“It is seen as a separation and domination inscribed and naturalised in culture and characterised by radical exclusion, distancing, and opposition between orders, constructed as systematically higher and lower, as inferior and superior, as ruler and ruled” Moyer (2001, p. 80).

22

“Desconstrução no contexto de uma lógica discursiva, que revela a persistência das relações irredutíveis na tentativa de esclarecer ou distinguir o significado de articulações culturais e políticas, que normalmente são cheias de ambivalência e ambigüidade, como as relações de gênero” Hesse (1997, p. 390).

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