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6.1 Halsa kommune

6.1.1 Vinjefjorden

O conceito de arte é amplo e divergente, especialmente entre historiadores e críticos. No entanto era entre os filósofos que ocorriam as características questionadoras. Sócrates, dizia que arte “é tudo o que é belo e útil”. Platão (427 - 348 a. C.) conceituou a arte como “obra feita segundo modelo que o artista tem na mente” ou ainda “arte é a imitação, cópia

imperfeita da natureza – habilidade humana”. Já Aristóteles afirmava que “arte pode ser qualquer ideia preestabelecida pelo artista."

Porém, com o avanço das tendências culturais, a arte sofreu transformações significativas, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, quando a contemporaneidade exerceu profundas mudanças de ruptura de novas linguagens.

De acordo com Rizolli (2005, p. 12-13), “a arte encontra-se, então, diante de novos comportamentos criativos, sígnicos e estéticos, relacionando Dada e a Pop Art [...], reforçando que os focos de análise serão sempre os valores da linguagem pictórica”.

Por isso torna-se necessário conhecê-la profundamente para que possamos problematizar propostas a fim de desenvolver projetos consistentes de acordo com as transformações, as necessidades e a preferência das pessoas, bem como seu aprimoramento, organizando atividades como ouvir, ver, tocar, transformar, organizar, dentre outras.

Segundo Ferraz e Fusari (1992, p. 71):

Para desenvolver um bom trabalho de Arte, o professor precisa descobrir quais são os interesses, vivências, linguagens, modos de conhecimento de arte e prática de vida de seus alunos. Conhecer os estudantes na sua relação com a própria região, com o Brasil e com o mundo, é um ponto de partida imprescindível para um trabalho de educação escolar em Arte que realmente mobilize uma assimilação e uma apreensão de informações na área artística. É nessa relação com o mundo que os estudantes desenvolvem as suas experiências estéticas e artísticas, tanto com as referentes de cada um dos assuntos abordados no programa de Arte, quanto com as áreas da linguagem desenvolvida pelo professor. (Artes plásticas, Desenho, Música, Artes Cênicas).

E foi dentro desta perspectiva que, em 2010, o Prof. Rizolli desenvolveu com os alunos da UATU/UPM, com o auxílio e a colaboração da coordenadora do programa, uma disciplina chamada História da Arte nos Museus Parisienses, e levou sua turma de alunos para visitar os museus de Paris, uma das cidades com maior concentração de museus, tendo como destaque os do Louvre e D‟Orsay. A viagem teve duração de uma semana e, de acordo com Rizolli,

foi uma experiência riquíssima [...] tanto como professor, como [...] visitante e [...] me provocou a me aprofundar mais e mais nos diferentes museus que a gente iria conhecer, dos diferentes acervos que a gente iria tratar, a visitar e também no processo de selecionar as obras, os artistas, fazer todo um mapeamento da cidade, um mapeamento da própria planta do museu pra que

não se perdesse tempo dentro dos espaços, dos ambientes... e o grupo foi assim, extremamente feliz. As pessoas que decidiram ir com a gente, foram pessoas incríveis, absolutamente humanas, onde todo mundo, o tempo todo ficava tentando se auxiliar, tentando se ajudar, minimizando o cansaço, porque você passar um dia no museu, você nem percebe, mas você anda quilômetros dentro de um museu, né, e pessoas de idade, mas foi sempre assim, uma [...] um jogo muito simpático [...] muito prazeroso.

Para a professora coordenadora Misa,

Foi maravilhoso até pras alunas [...] o convívio porque o Marcos Rizolli é maravilhoso [...] Pra falar de arte. Então foi [...] uma viagem que deu super certo [...]. As alunas adoraram. Graças a Deus fomos e voltamos muito bem, sem problema nenhum.

Em síntese, a UATU/UPM, movida por um instrumento que tende a promover o diferencial de seus alunos, formula suas propostas “artísticas” a fim de que os alunos estudem e conheçam a arte, diferenciando conceitos, materiais e formas de trabalho de cada artista e suas obras, transformando o conceito em linguagem e em personagens. Como se percebe na atenção dos alunos voltada às obras nos museus de Paris (FIG. 18).

FIGURA 18 – Foto da visita ao museu em Paris

Fonte: http://www.mackenzie.br/21198.html. Acesso em 18 de outubro de 2012.

Como exemplo deste empenho e aprendizado constante, podemos observar os trabalhos realizados no módulo “Aquarela” e expostos para que toda comunidade interna da universidade pudesse apreciar.

FIGURA 19. Exposição Aquarelando UATU/2012 Fonte: arquivo pessoal

Cabe salientar que esse sucesso teve início no ano de 2003, quando a UATU/UPM começou a “promover atividades educacionais que visavam à atualização de conhecimento e ao desenvolvimento de novas habilidades”70, como se pode apreciar por alguns registros

(FIGS. 20, 21, 22).

70Disponível em <http://www.mackenzie.br/fileadmin/IPM/Responsabilidade_Social/balanco/balanco2003.pdf.> Acesso em 19out.2012.

FIGURA 20. Foto da Exposição Aquarelando FIGURA 21. Foto da Exposição Aquarelando

Figura 22. Foto de objeto da Exposição Aquarelando. Fonte: Balanço social 2003

Essa exposição hoje chama-se Aquarelando, mas no “passado chamava-se Aquarela e que, pelo fato de haver muita demanda pelo curso”71, acontece “uma vez por ano [...] essa

exposição [...] é um dia bastante festivo na abertura, que eu chamo o coral da UATU/UPM, a gente faz um lanche coletivo.”

No que tange a valores e qualidade de vida, a UATU/UPM tem se demonstrado eficaz, como mostra o depoimento de uma aluna sobre artes72: “Comecei a descobrir outros nichos” [...] “faço uma porção de cursos, inclusive artes” [...] “encho a cabeça de coisas boas”.

Como se observa, essas pessoas ainda possuem projetos de vida, querem continuar crescendo, mantêm seus sonhos vivos mesmo após a aposentadoria, preservando suas

71 Segundo informações da professora coordenadora Misa, entrevista anexa.

habilidades intelectuais. Ou seja, viver implica um aprendizado eterno, e a universidade auxilia neste processo.

Rizolli (2005, p. 8-10) relata que, “desde o tempo de artesão até a mais absoluta profissionalização, o conceito de artista se firma diante da obra de arte, com isso percebe que a ideia de artista sempre esteve subordinada à função social”, esclarecendo ainda que “a arte seria um método de universalidade”, contrariando Moore (1998), para quem: “Toda arte tem poder mágico [...] é filosoficamente significativa e pessoalmente expressiva, ou pode ter o poder especial de evocar e transmitir um espírito particular àqueles que entram em contato com ela”.

Nesse contexto, a arte é um elemento vitalizador, independentemente de raça, cor, sexo ou posição social, pois cada indivíduo a percebe das mais diversas formas e situações, relacionando-a, muitas vezes, com seu passado, com seu presente ou experiências reais, provando com isso do mais inusitado espaço de autonomia expressiva, deixando seus conceitos se transformarem em espaços de criação particulares.

Ruggiero (1964, p. 347) afirma que “o que caracteriza uma obra de arte – ou as formas artísticas – é a sua cogitação original e maravilhosa que forja a matéria de modo inusitado, no sentido de correspondência com a imaginação”, ou seja, imaginação representada de forma sensível e especial pelos alunos da Universidade Aberta.

Segundo Warhol (1981, p. 98), artista é aquele que “produz certas coisas – imagens, significados, figuras, formas, efeitos [...] que a gente não tem necessidade nem sequer interesse. Nem sabemos por que, mas, por qualquer razão, ele insiste em criar e oferecer”.

Por algum momento, alunos da terceira idade nem se quer imaginavam oferecer seu significado e atrair os olhares para as obras realizadas, poder expor seus sentimentos através da arte depois da aposentadoria:

Agora com um olhar um pouco mais amplo do que

anteriormente [...] percebo coisas que eu não percebia antes [...] o que a arte sempre trabalhou.

E nos apresentam sua própria arte, diferente dos conceitos.

Essa forma de criar e oferecer nos remete aos trabalhos artísticos realizados manualmente por pessoas da terceira idade, que de alguma forma buscam se ocupar do tempo livre após o afastamento das obrigações diárias promovido pela aposentadoria.

FIGURA 23 - Exposição Aquarelando 201273.

Arquivo pessoal

O tempo livre decorrente da aposentadoria também permite que as pessoas se dediquem a atividades antes “impossíveis”, como lembrado por uma das entrevistadas quando nos conta das coisas que mais gosta de fazer, entre as quais está “pintar”. Com isso, a vida ganha mais sentido, se modifica diante do que antes era considerado imutável. A arte também pode influenciar no comportamento dos idosos, potencializando a sensibilidade e o conhecimento.

Exemplos desses trabalhos não faltam, podemos encontrar à venda ou expostos em diversos locais, como exposições, encontros de idosos ou feiras de artesanato. Produzidos com o puro intuito de fazer arte sob a forma simples, única ou exclusiva.

Grupos apresentam seus trabalhos como artes encantadoras provenientes da descoberta de uma nova fase da vida74, ou pela própria necessidade de angariar fundos com intuito de proporcionar maior remuneração familiar. Remuneração esta que sustenta, de acordo com os dados do IBGE/2010, cerca de 38% da população das grandes capitais, ou seja, os idosos das grandes capitais é que são responsáveis pelo sustento da família, responsabilidade esta

73 Mais fotos da exposição estão disponíveis nos anexos, ps.254 e 255.

garantida pela aposentadoria. Mesmo com a resistência do mercado de trabalho, muitos desses idosos continuam trabalhando, especialmente quando possuem nível superior, enquanto a maioria, considerada velha pelo mercado de trabalho, aposenta-se.

Esta “reconfiguração” familiar é muito lembrada por teóricos e especialistas da

medicina, ainda assim pouco atendida, pois a prática ainda não é compatível com a atitude. Cabe salientar que o idoso não apenas traz consigo problemas, doenças, preocupações.

Ele também carrega inúmeros benefícios, e como exemplos podemos citar Cora Carolina75, doceira de profissão, que publicou seu livro quando tinha quase 76 anos de idade, demonstrando a força da arte através da poesia:

Sou mais doceira e cozinheira Do que escritora, sendo a culinária a mais nobre de todas as Artes: [...]Sobrevivi, me recompondo aos bocados, à dura compreensão dos rígidos preconceitos do passado. Preconceitos de classe.

Preconceitos de cor e de família. Preconceitos econômicos.76

Não é só através da poesia que Cora Coralina expressa seus distintos momentos de humanidade, mas foi através deles que teve seu reconhecimento. Superando o preconceito, inclusive, de ser mulher.

Esses preconceitos, até a primeira metade do século passado, afetaram drasticamente o sexo feminino: as mulheres eram destinadas ao casamento, à formação de uma família, ao cuidado da casa e do marido, sem poder gozar de privilégios, fossem quais fossem. Contrariando a mulher de hoje, que como bem citado por Silva (1969, p. 112), está “bem integrada na realidade do mundo atual, moderna, evoluída, gozando de privilégio que a época lhe outorga e aceitando as correspondentes responsabilidades”. Responsabilidades que até então eram destinadas somente aos homens.

Neste trabalho estamos mostrando que, mesmo sendo fonte de “problema” para muitos, o envelhecimento nos apresenta seu lado “novo”; que a arte de viver a terceira idade tece um panorama inusitado – a idade é um simples fator de caminho natural, que tem seus pontos negativos e positivos, e tudo vai depender do percurso de cada indivíduo.

75 Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, foi uma poeta e contista brasileira. Considerada uma das principais escritoras brasileiras, teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), quando já tinha quase 76 anos de idade.Doceira de profissão, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.

A preocupação com a qualidade de vida (QV) na terceira idade também necessita de atenção. O idoso deve ter sua autonomia e independência, bem como sua autoestima valorizada. Como o Brasil não é mais um país jovem, fica aqui a pergunta: Quando é que a geração da terceira idade passará a ser mais valorizada?

Rica em seus conhecimentos, valores e sabedoria, a idade traz consigo uma bagagem repleta de emoções complexas que dominam a esfera afetiva, tornando o idoso um ser sensível. Precisamos usufruir desses conhecimentos em benefício da humanidade.

Não só na poesia e na arte de pintar a terceira idade está sendo lembrada, mas também na arte de viver, de ver a vida, de ser “jovem”. A mídia e o marketing têm reavaliado seu foco e priorizado os consumidores conhecidos como idosos, pois é através deles que muitas empresas conseguem se manter no mercado, com a garantia dos salários da aposentadoria que esta geração potencializa.