6. UTVIKLING AV SPORETS GEOMETRISKE STANDARD
6.3 Vindskjevhet
Em espanhol, diversos fatores lexicais, sintáticos, morfológicos, fonéticos e fonológicos permitem estabelecer e classificar variedades regionais. E não há dúvida de que um dos fatores que mais facilmente permite a identificação da origem geográfica de um falante é a entoação.
Sosa (1999) esclarece que, na literatura especializada sobre questões dialetais do espanhol, é notória a preocupação em afirmar que a língua espanhola varia substancialmente em sua melodia ou entoação. Embora as diferenças sejam significativas e de natureza distinta, elas não são caracterizadas com muita precisão. No entanto o autor supracitado explica que: (i) as diferenças dialetais baseadas na entoação estão circunscritas geograficamente; (ii) os falantes são conscientes destas diferenças; (iii) há um número limitado de traços entoacionais que permitem aos falantes reconhecerem semelhanças pertencentes à própria variedade geográfica, assim como identificarem diferenças em outro falante, oriundo de outra variedade dialetal.
De acordo com Sosa (1999), quando se trata de estudos da entoação de dialetos distintos, só é possível fazer comparações quando o sentido global é o mesmo, ou seja, quando o sentido que a entoação comunica, a partir de um texto, é equivalente nos dialetos postos em
comparação. Em outras palavras, a comparação interdialetal deve tomar por base uma noção semântico-pragmática de equivalência. No caso de uma mesma frase ser produzida em um dialeto com um contorno melódico ascendente e em outro, com um contorno melódico descendente, contendo conteúdos linguísticos idênticos e mesma conotação expressiva, podemos dizer então, que temos, nesta situação, uma diferença dialetal. As diferenças melódicas se expressam no interior do grupo ou de grupos que compõem as orações. Dessa forma, os domínios nos quais se deve comparar a entoação dos dialetos são os grupos melódicos.
Sosa (1999) realizou um estudo que teve como objetivo comparar a entoação de dois tipos mais frequentes de oração (asserção e interrogação), em vários dialetos hispano-americanos notoriamente distintos entre si, e o espanhol culto de falantes peninsulares, procedentes de distintas regiões (Madri, Pamplona, Barcelona e Sevilha). Dentre os dialetos hispano-americanos, foram analisados o de Buenos Aires, Bogotá, Cidade do México, San Juan, Caracas, Havana e Lima. A escolha dos locais se baseou na impressão de que seus dialetos são suficientemente distintos. Além deste critério, há outra razão, qual seja, a existência de outros trabalhos publicados sobre a entoação dos referidos dialetos, o que permite uma possível comparação entre os diferentes estudos.
Todos os informantes, de ambos os sexos, são representativos de seus respectivos dialetos, universitários, com idades entre 24 e 34 anos. Constatou-se que, para os tipos de orações estudadas, não foram observadas diferenças notáveis entre homens e mulheres em nenhum dialeto. A amostra dos dados do espanhol peninsular se baseou em entrevistas de quatro informantes, doutores em literatura espanhola, professores universitários, com idades entre 48 e 62 anos.
Os tipos de orações utilizados foram: orações declarativas finais, questões totais e perguntas com palavras interrogativas. Os informantes foram orientados a falar da forma mais natural possível, evitando produzir frases claramente expressivas, a fim de que fosse possível obter curvas melódicas o menos marcadas possível dessas orações. O questionário elaborado para as entrevistas foi lido por cada informante. As trinta orações do questionário, utilizado para a comparação dos enunciados declarativos e interrogativos, foram construídos, em sua maioria, com sons surdos para facilitar a análise das curvas melódicas.
Na literatura, normalmente as frases declarativas são caracterizadas por uma cadência ou um declínio pronunciado na parte final do enunciado. São as que respondem a uma pergunta e
expressam um determinado fato, um juízo categórico ou uma afirmação. As interrogativas totais são as que podem ser respondidas com um sim ou um não. Em espanhol, como em português, o que distingue um enunciado declarativo de seu correspondente interrogativo é basicamente a entoação. É na entoação de frases interrogativas que se notam as distinções sistemáticas mais claras entre as variedades do espanhol, mas é também onde se encontra um número significativo de traços comuns, quando se faz uma comparação com as declarativas, uma vez que os informantes, de modo geral, mantêm uma altura global mais alta em todo o enunciado interrogativo.
Os resultados encontrados em relação aos enunciados declarativos mostram coincidências claras entre os dialetos pesquisados. A configuração característica é uma curva descendente, cujo ponto mais alto se situa no nível da primeira sílaba acentuada e, logo em seguida, inicia-se a descida. Já para os enunciados interrogativos, pode-se afirmar que o contorno melódico é distinto para cada dialeto. Sobre as entoações características dos dialetos investigados, constatou-se que as diferenças são mais de caráter fonológico do que fonético. O peso das diferenças entre os dialetos se deve aos tons que constituem a representação fonológica que gera os grupos melódicos.
Observou-se, também, que, em certos dialetos hispano-americanos, os contornos mais distintivos se produzem no final dos enunciados. Essas formas marcadas se evidenciam em situações de ênfase ou mais emotivas. A investigação não confirmou a hipótese de que a acentuação em si mesma é um fator que incide na altura tonal das sílabas, como se supunha para o espanhol. Para mostrar efetivamente que a frequência é um dos componentes do acento espanhol, seria necessário estabelecer seu efeito, quando se associam os acentos tonais a sílabas acentuadas.
Na pesquisa sobre o comportamento da entoação em variedades do espanhol de Sosa, tomando por base frases declarativas e interrogativas, os resultados encontrados sobre os enunciados assertivos apontam a existência de uma uniformidade entre os dialetos pesquisados. Nos enunciados interrogativos, no entanto, as diferenças são notáveis entre os dialetos. Em outras línguas, resultados semelhantes têm sido encontrados em pesquisas que partem da análise de modalidade de frases, tal como no trabalho de Moutinho e Zerling (2002) sobre a prosódia no português europeu e no francês, a seguir abordado.