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SETNINGER MALT UNDER FYLLINGENE

In document parsell Kløfta - Trøgstad (sider 18-0)

Ulbrich (2004) esclarece que há três variedades no padrão do alemão. O alemão falado na Áustria, o falado na Suíça e o falado na própria Alemanha. A situação linguística na Suíça difere fundamentalmente da situação na Alemanha. Em primeiro lugar, o alemão é apenas uma das quatro línguas nacionais da Suíça, incluindo francês, italiano e retorromânico. Uma segunda diferença na situação linguística da Alemanha e da Suíça envolve a relação entre dialetos regionais e a variedade padrão. Na Suíça, uma „diglossia medial‟ existe (HOVE. 1999, p.3 apud ULBRICH, 2004), que se caracteriza por uma rígida separação entre dialeto e a forma padrão. A fala dialetal é utilizada na comunicação diária, enquanto a variedade padrão é limitada a comunicações formais (escola, universidade, igreja, mídia). Uma caracterização similar uniforme da relação entre dialeto e a variedade padrão não se aplica à Alemanha. Nas regiões urbanas do norte da Alemanha, a fala dialetal apenas é típica entre pessoas mais velhas, de áreas rurais e socialmente definidas. As áreas do sul da Alemanha são caracterizadas por um contínuo

dialeto-língua padrão, que é comparável à situação linguística na Áustria. Nessa área, transições suaves entre o dialeto e o padrão prevalecem.

Apesar de um aumento geral no interesse em variação prosódica no alemão, ainda se conhece pouco sobre as características prosódicas do alemão suíço. As características fonológicas e fonéticas do alemão suíço padrão foram muito menos investigadas que os níveis gramaticais e lexicais. No campo da pesquisa fonética, há mais investigações sobre os aspectos segmentais do que sobre as características prosódicas, cujas descrições normalmente se limitam às características do acento lexical.

O estudo foi baseado em 11 noticiários jornalísticos lidos por suíços e alemães. A grande variabilidade na pronúncia de falantes-padrão torna a sua demarcação difícil (regional, nacional, social, estilística e situacionalmente etc.). Entretanto considera-se que esses falantes possuem status comparáveis e uma pronúncia que é igualmente aceita em seu próprio país.

As gravações foram realizadas nos estúdios de agências de notícias da Suíça e da Alemanha, sendo os textos lidos por 20 apresentadores de notícias. A proporção de homens e mulheres entre os leitores difere nos dois grupos. O grupo suíço era composto de 7 homens e 3 mulheres, enquanto o grupo alemão continha 5 homens e 5 mulheres.

Todos os falantes leram o mesmo texto, que foi fornecido com a ortografia normal. A restrição do texto lido limitou as opções do falante, assim como o grau de emotividade e ênfase. As possibilidades sintáticas também foram controladas pela pontuação e o fluxo da fala apresentava menos interrupções, atrasos, repetições, elipses etc.. Dessa forma, o exame das unidades linguísticas foi facilitado de modo substancial. A comparabilidade direta do estilo de fala, do contexto de fala e do falante é desta maneira assegurada, desde que a variabilidade inerente a fatores geolinguísticos, sociolinguísticos e condições de situações específicas seja controlada.

Os dados foram submetidos à análise perceptivo-auditiva e acústica. Para a análise acústica foi utilizado o programa Praat. Foram analisadas a frequência fundamental dos enunciados, a duração das sentenças, as pausas internas (ocorridas na sentença) e externas (ocorridas entre as sentenças). Na análise perceptiva, os ouvintes, que eram linguistas e estudantes de linguística e fonética, se encarregaram de identificar, por meio da percepção auditiva, a origem dos informantes e separá-los de acordo com a sua origem em dois grupos: o dos suíços e o dos alemães.

Os dados revelaram diferenças interdialetais (cross-varietal) na taxa de elocução. Os falantes suíços leram as notícias com uma taxa de elocução significativamente mais lenta que os falantes alemães. Concluiu-se que a taxa mais lenta se deveu mais às diferenças no número e na duração das pausas, que pela taxa da articulação propriamente dita.

De modo geral, a análise do comportamento da frequência fundamental (F0) registrou uma queda da F0 do início ao final das sentenças que formam um parágrafo. Os dados dos falantes suíços não mostraram um declínio sistemático no traçado da F0 ao longo das sentenças. Enquanto os informantes alemães mantiveram uma constância na taxa de declínio da altura melódica, os falantes suíços apresentaram uma variação na elevação do pitch. Os falantes alemães produziram sílabas acentuadas com similar padrão melódico (uma ou outra subida ou queda), enquanto os informantes suíços alternaram o padrão do pitch: elevação seguida de queda e vice-versa.

É oportuno lembrar que o dado de fala foi extraído de noticiários, o que exige um estilo característico de construção do texto e consequentemente um estilo de fala próprio. Normalmente a primeira sentença introduz a situação ou o local de um determinado acontecimento, mais detalhes são dados na parte medial do parágrafo e, em geral, a sentença final fornece a conclusão do assunto. A estrutura do texto jornalístico influencia, pois, o estilo de fala, isto é, na parte medial do parágrafo se encontra a questão central do assunto, o que exige do leitor uma maior realização de pausas, assim como se exige que elas sejam mais extensas, para facilitar a compreensão do ouvinte. Na posição final do parágrafo, encerra-se o assunto e, portanto, obviamente, as pausas não devem ter a mesma extensão.

O estudo forneceu resultados preliminares da comparação entre as variedades suíça e alemã, mas, infelizmente, os achados não podem ser generalizados, devendo ser considerados apenas exemplificadores, visto que os dados foram limitados a apenas um estilo de fala. Caso se tratasse de fala espontânea, seriam percebidas as mesmas incidências? Para responder a essa questão, faz-se necessária pesquisa adicional sobre outros estilos de fala.

Logicamente, o estudo comparativo da entoação declarativa nas variedades no padrão do alemão tem sua importância sobretudo porque, no que diz respeito ao alemão suíço, a prosódia tem sido menos investigada do que os aspectos gramaticais ou lexicais. Apesar de, como dito, a pesquisa haver sido baseada em leitura de noticiários jornalísticos, limitando-se, assim, a um estilo de fala, ela favoreceu a análise comparativa da prosódia, tomando por base enunciados

declarativos. Os resultados, de maneira geral, mostram uma linha de declínio da F0 ao longo dos enunciados, o que é uma característica encontrada em outros dialetos (cf. MORAES, 1999).

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