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Differansesetninger

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5. SETNINGER MALT pA BANEANLEGGET I DRIFTSFASEN

5.2 Setningsutvikling på Hovedbanen

5.2.4 Differansesetninger

Grabe (2004) afirma que, nas Ilhas Britânicas, diferenças dialetais na entoação estão devidamente confirmadas. Estudos realizados mostram que o nível de variação no sistema

entoacional da língua é bastante considerável. Por exemplo, falantes do inglês britânico sulista produzem declarativas com entoação descendente, e perguntas com marcadores morfossintáticos com finais ascendentes. Os falantes de Belfast, por sua vez, parecem não fazer tal distinção, produzindo os dois tipos de sentenças com entoação ascendente.

Comparações entre variedades do inglês costumam tomar como referência a língua padrão falada no Sul da Inglaterra. Essa é a variedade que está descrita em livros-texto para a entoação do inglês. Mas essa é uma realidade que, aos poucos, se vem transformando. Entre 1997 e 2002, foram dados os primeiros passos em direção à confecção de um projeto designado IViE (Intonational Variation in English), cujos objetivos principais são:

1. A criação de um amplo corpus de gravação de diversos dialetos urbanos do inglês falado nas Ilhas Britânicas, registrando estilos de fala de diferentes grupos de falantes, controlado por dialeto, idade, sexo, grupo social.

2. O fornecimento de transcrições linguísticas para o auxílio na quantificação da variação entoacional, em especial, o efeito do dialeto, estilo e falante.

3. O fornecimento de um número de análises linguísticas sobre os dados, utilizando evidência acústica e transcrição prosódica.

As gravações que constituíram o corpus do projeto IViE foram realizadas entre 1997 e 2000, em nove locais urbanos distribuídos nas Ilhas Britânicas. Doze falantes foram gravados em cada localidade e todos eles participaram da mesma série de tarefas, evocando cinco estilos de fala. O corpus contém 36 horas de dados de fala de 108 falantes. Os dados foram divulgados em CD-ROM, em formato wave (.wav). Os CDs contêm dados de nove dialetos e cinco estilos de fala.

Um objetivo adicional do projeto era de fornecer análises linguísticas dos padrões de entoação presentes na coleção que pudessem ser lidos por computadores. Essa meta exigiu a criação de um sistema de notação que permitisse a comparação da entoação de vários dialetos de uma mesma língua.

Foram gravados nove dialetos urbanos do inglês falado por grupos de adolescentes em Londres, Cardiff, Cambridge, Liverpool, Leeds, Bradford, Newcastle, Belfast e Dublin. Desses, três dialetos eram falados por minorias étnicas: o inglês de falantes de punjabi, o inglês galês e o inglês do Caribe falado em Londres. O punjabi foi escolhido por ser a segunda língua mais falada no Reino Unido. Já os caribenhos constituem o segundo grupo de imigrantes mais

influentes nas Ilhas Britânicas. Os falantes do inglês galês eram bilíngues e falavam galês em casa ou na escola.

Todas as gravações foram feitas nas escolas onde os informantes estudavam, sendo escolhidos ambientes silenciosos. Os informantes estavam com 16 anos de idade, na ocasião em que as gravações foram realizadas, havendo sido escolhidos pelos professores que lhes ensinavam inglês, com a exigência, na escolha, de terem nascido nas localidades escolhidas para a pesquisa. Em cada uma das nove cidades, doze estudantes foram escolhidos, seis do sexo masculino e seis do sexo feminino, sendo todos conhecidos uns dos outros e alguns eram amigos próximos. Todos os informantes participaram da mesma bateria de atividades, com o propósito de evocar dados comparáveis em cinco estilos de fala:

Cada falante leu vinte e duas (22) frases descontextualizadas e com diferentes estruturas gramaticais: declarativas; interrogativas (total, parcial); questões não marcadas por palavras interrogativas. Em outra tarefa, cada falante leu uma passagem do conto de Cinderela. A escolha desse texto deveu-se à familiaridade de todos os falantes com a história, o que limitaria as opções de interpretação diferente do conteúdo. A tarefa seguinte exigia a recontagem da mesma história, da própria memória, com o auxílio de figuras. Mais duas atividades interativas foram realizadas: um jogo interativo envolvendo dois falantes e uma quinta tarefa envolvendo uma conversação de três a cinco minutos sobre um determinado tópico.

No final da sessão de gravação, os informantes responderam a um questionário, contendo perguntas sobre local de nascimento deles próprios e de seus pais, em que área da cidade moravam, o tipo de residência em que viviam e qual a ocupação dos pais.

Foi adotado um sistema de notação para a realização das transcrições da variação entoacional baseado no conceito ToBI, cujo sistema de notação foi criado para a transcrição de variedades padrão do inglês. IViE pretende comparar diretamente transcrições de variação entoacional evidenciando, especificamente, a variação dialetal. Assim, transcrições prosódicas foram feitas, separadas por camadas: uma para a transcrição da variação no nível da sílaba acentuada; outra, para a transcrição da variação fonética e uma terceira, para a transcrição da variação fonológica. O sistema fonológico proposto é baseado na teoria métrica autossegmental. Uma transcrição IViE completa é composta de cinco níveis de transcrição (duas ortográficas e três prosódicas). Cabe ressaltar que a camada fonética e a camada referente à proeminência foram desenvolvidas para aumentar o nível de transparência e reprodução da transcrição fonológica.

A análise das gravações se organizou da seguinte maneira: não foi feita a notação de um enunciado de um determinado falante de forma isolada, mas em comparação com o enunciado produzido por outro falante do mesmo dialeto. A análise se iniciou com os dados do texto lido, o conto de Cinderela. Assim, para cada dialeto estudado foi feita a comparação de cada frase entoacional seguida da notação, utilizando como dado a produção de enunciados feitos pelos falantes do mesmo dialeto. Como o texto era conhecido por todos os participantes, houve uma uniformidade de interpretação do conteúdo.

No sistema IViE, costuma-se iniciar pela identificação da sílaba proeminente mais evidente. Em seguida, faz-se a identificação do comportamento do pitch no nível das sílabas proeminentes. Essa etapa requer cuidado na percepção e na análise do traçado da frequência fundamental. As notações são registradas na camada fonética e, depois, é feita a classificação fonológica. A análise pode gerar conclusões do tipo: o padrão entoacional de dois enunciados pode apresentar diferenças na implementação fonética da entoação, no entanto o padrão pode contribuir para a comparação do significado de um enunciado. O corpus forneceu evidências quantitativas da variação entoacional nas Ilhas Britânicas. Os dados mostraram que o dialeto influi na realização fonética da entoação. Além do dialeto, o tipo de enunciado e o falante exercem um considerável efeito na escolha fonológica. Na leitura de frases declarativas e de interrogativas observou-se que a produção do acento nuclear esteve sujeita a uma maior variação nas questões, independentemente do dialeto. Os falantes de diferentes dialetos apresentaram, nas frases interrogativas, uma maior variedade de tipos de acento nuclear. Já nas declarativas, foram observadas três ou quatro opções de acento por dialeto.

O tipo de variação observado no corpus IViE levanta questões sobre a descrição linguística da entoação. Em uma língua padrão, a representação da variação não tem uma função clara. Na falta de dados quantitativos na distribuição de um padrão específico, em um contexto particular, a base de cada representação nem sempre é evidente. Algumas podem ser baseadas em padrões que os falantes produzem frequentemente. Outras representações refletem as principais características entoacionais de uma determinada língua, sem que elas representem de fato seus padrões mais frequentes. Isso, no entanto, pode ser sistemático; um padrão não é necessariamente sem importância por ser raro. Sendo assim, é preciso desenvolver novos modelos de entoação que possam dar conta da variação entoacional.

O projeto IViE envolveu a criação de amplo corpus de gravação de diferentes dialetos urbanos do inglês falado nas Ilhas Britânicas, fazendo uso de um número representativo de informantes por localidade. Apesar de as variáveis idade, sexo, escolaridade haverem sido controladas, o estudo se restringiu a informantes adolescentes, o que pode ser visto como uma limitação na representação da entoação dialetal dos dialetos estudados. Todos os falantes participaram da mesma série de tarefas, visando à evocação de diferentes estilos de fala, mas a pesquisa falhou por não deixar clara a descrição dos cinco estilos de fala, atendo-se, apenas, a descrever as tarefas verbais a que foram submetidos os informantes, tais como leituras de frases descontextualizadas, leitura de texto, narrativa, jogo interativo e conversação.

A análise das gravações foi feita de forma comparativa entre informantes de um mesmo dialeto, tomando como referência inicial o texto lido, a história de Cinderela. Os dados mostraram que, independentemente do dialeto, na leitura de frases declarativas e interrogativas constatou-se que a produção do acento nuclear apresentou uma maior variação nas questões. Nas frases interrogativas a variação foi maior do que nas declarativas. Informações semelhantes são encontradas sobre a entoação do espanhol (cf. SOSA, 1999).

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