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Igrejas não Católicas, mostrando uma nova espacialização da fé, na cidade de Indianópolis Foto Gilmar José Ribeiro, 2006.
3.1 - O Espaço e a Sociedade
Para se compreender as especificidades de uma cidade, é preciso pensar os seus espaços como um todo, incluindo-se aí o município, ou seja o espaço rural e o urbano; é preciso pensar o espaço geográfico, e a maneira como esses espaços se articulam, levando em consideração suas determinações históricas e sociais na atualidade, uma vez que a cidade é produto de uma construção coletiva permanente e, acima de tudo, contraditória, pois as diferenças sociais e espaciais aparecem em relevo.
A sociedade, seja ela rural ou urbana, é marcada por contradições e disputas onde se estabelecem relações políticas e de poder, sendo a cidade o locus onde aparece, de forma mais clara, o seu caráter heterogêneo, fruto das disputas capitalistas, marcadas pelas diferenças sociais e pelos interesses conflitantes, mas o espaço, seja ele rural ou urbano, não pode ser analisado apenas pelo seu caráter econômico, pois é nele que as pessoas estabelecem os seus modos de vida, vivenciam a sua cultura, constroem a sua história de vida pessoal.
Nesse sentido, é importante que o espaço geográfico seja pensado como resultado das relações sociais de um determinado momento histórico, de uma determinada sociedade. É nessa perspectiva que Carlos e Rossini escrevem que:
O espaço como produto social é processo de produção concreto, nascido do trabalho, que por seu lado nada mais é do que a resposta do homem a uma série de necessidades a que ele deve satisfazer para sobreviver. Portanto, a gênese do espaço geográfico é a existência humana, condição essencial para que o homem possa “fazer história”, produzir e transformar seu próprio espaço. É a ação humana consciente que transforma o meio natural em espaço (CARLOS E ROSSINI, 1983, p. 7-9).
Desse modo, é preciso pensar o espaço como um espaço humanizado, uma vez que é produzido e apropriado pela sociedade. Portanto, o espaço geográfico é produto da ação social, uma vez que, além de habitá-lo, a sociedade também dele se apropria. Dessa maneira, há que se ressaltar que, em cada momento histórico, há uma produção social especifica, relativa ao desenvolvimento das forças produtivas e, conseqüentemente, uma produção espacial determinada.
De acordo com Castells (2000, p. 181-182),”o espaço é um produto material em relação com outros elementos materiais – entre outros os homens, que entram também em relações sociais determinadas, que dão ao espaço uma forma, uma função, uma significação social”. Desse modo, torna-se de extrema importância conhecer o processo histórico de
transformação do município de Indianópolis para melhor compreender a sua nova configuração espacial.
Dentro do contexto mencionado, pode-se perceber que a modernização da agricultura promove um processo de reorganização sócio-espacial em duas direções, ou seja, o campo se reestruturou como local da produção mecanizada e as cidades foram se equipando, no sentido de atuar como suporte para a concretização desse processo.
De acordo com Souza e Santos (1986, p. 17) “O espaço construído, como resultado das diferentes forças sociais que determinam a evolução de uma sociedade em cada momento histórico, constitui o campo de evidência por excelência das práticas culturais”. Neste contexto, entendemos que o espaço do município e, sobretudo, da cidade de Indianópolis, somente pode ser explicado considerando-se suas particularidades históricas precedentes e também as recentes, ocorridas a partir da década de 1970, como as transformações econômicas, sociais e culturais, desenvolvidas com a implantação da modernização agrícola e econômica.
O município de Indianópolis vem sendo modificado, ao longo do tempo, tendo como principal objetivo se adequar ao processo de modernização. Entendemos também que as mudanças na organização econômica e social levam ao desenvolvimento de “novas” relações e a uma “nova” organização do espaço. Desse modo, o nosso objetivo, neste capítulo, é no sentido de analisar as especificidades espaciais, criadas pela modernização agrícola, e as mudanças que ocorreram no município, que passa a conviver com uma nova espacialização da fé, determinada por mudanças sócio-econômicas e religiosas significativas.
Entendemos, assim, que essas mudanças, embora sejam analisadas em um determinado recorte histórico-espacial, não são privilégios da sociedade indianopolense, uma vez que elas sempre estiveram em curso, sendo aceleradas a partir do processo de modernização da agricultura, que se desdobrou, também, em modificações importantes nas práticas religiosas da população do município.
A “modernidade” chega em Indianópolis com a transformação agrícola, determinando um novo impulso econômico do município, o que, nas últimas décadas do século XX e inicio do século XXI, possibilitou dinamizar a fluidez de informações, mercadorias, serviços e capital investido na modernização da agricultura, contribuindo por sua vez para acelerar as transformações culturais e religiosas.
Entretanto, consideramos importante ressaltar que a vida rural, que era predominante no Brasil até a década de 1970, apresentava uma concepção religiosa e mágica do mundo, que só se transforma na medida em que ocorre um intenso processo de urbanização, que amplia os
contatos com o mundo e que, por sua vez, provoca uma desorganização dos sistemas tradicionais, levando os indivíduos a redefinirem os seus papéis sociais e os seus valores.
A urbanização e a globalização, seguramente, estão entre os fenômenos mais importantes para a sociedade moderna, uma vez que esses processos, atualmente, ultrapassam os limites da cidade, atingindo também o meio rural. O campo também está se urbanizando e assumindo, portanto, as características do modo de vida urbano.
O desenvolvimento pelo qual o Brasil passou, a partir da década de 1970, criou a necessidade da estruturação dos meios de transportes e comunicação e, aos poucos, o país foi ganhando uma nova configuração territorial, uma vez que houve mudanças profundas no processo produtivo, no qual as relações de trabalho antigas foram substituídas pelas novas relações capitalistas de trabalho.
De acordo com Schwarcz (2002), a partir de meados da década de 1960, os brasileiros começam a conviver com um processo de modernização da agricultura que ocorre de forma violenta e selvagem, uma vez que o pequeno proprietário, o posseiro e o parceiro não mais seriam vítimas, somente, dos contratempos da natureza, nem os trabalhadores das oscilações da exportação dos produtos agrícolas. A partir de então, milhões de homens, mulheres e crianças seriam expulsos do campo, com o processo de modernização da agricultura baseado no pacote tecnológico, com o uso de máquinas, insumos e crédito seletivo e excludente, que favorecia apenas os grandes.
Hoje, é facilmente perceptível que a modernização da sociedade capitalista se dá na contramão das sociedades tradicionais, considerando os sistemas tradicionais como velhos, ultrapassados, algo que não deve ser valorizado, enquanto a modernização simboliza o novo, o moderno, o atual, com forte presença dos produtos industrializados e da alta tecnologia empregada na produção.
O modelo técnico-científico foi a base do processo de modernização brasileira, o que, por sua vez, causou a desestruturação das organizações anteriormente existentes. No caso do cerrado triangulino e também indianopolense, sistemas antigos de festas, de trabalho e de tradições cederam lugar a um novo arranjo espacial.
De acordo com Bacelar (2003), o desenvolvimento econômico do Triângulo Mineiro ocorre atraindo grandes investimentos, não só de capital interno, mas também externo, o que leva à instalação de grandes empresas multinacionais em suas principais cidades, como Uberlândia, o que provoca uma reestruturação na sua rede urbana, por meio de uma refuncionalização mais atualizada, que redefine o papel das cidades da região.
3.2 - A Cidade No Contexto da Sociedade Moderna
De acordo com o contexto mencionado, devemos entender que o processo de urbanização e modernização das cidades, ocorrido a partir das últimas décadas do século XX, tem causado transformações significativas na vida do homem urbano, mudando seu comportamento social, econômico e, sobretudo, religioso.
Nesse sentido, consideramos que o entendimento da cidade passa também pela compreensão da produção de seu espaço urbano e da dimensão humana da sociedade urbana. De acordo com o contexto, pode-se perceber que a cidade capitalista apresenta, em seu interior, as contradições inerentes ao modo de produção capitalista.
O sistema capitalista gera contradições profundas, que se manifestam de forma mais clara na cidade, onde elas estão inseridas no cotidiano das pessoas que, em suas relações humanas, criam hábitos, estabelecem convivências e definem modos de vida; incluindo nesse cotidiano o homem, com toda sua complexidade, em diferentes momentos, seja no trabalho, no lazer, ou nos momentos mais íntimos (DAMIANI, 1997).
Hoje (2006), essas contradições se apresentam de forma mais visível também no campo e nas pequenas cidades, que estão adquirindo cada vez mais as características da urbanização, uma vez que as relações de trabalho e os modos de vida também estão se modernizando e passando por transformações cada vez mais rápidas, em função das facilidades de comunicação.
A cidade moderna é permeada por relações cada vez mais complexas e, na sua ampla diversidade, que envolve também os aspectos sócio-culturais, possibilita a individualidade, mas também o encontro com o “outro”, gerando as convivências, as trocas de informações e as identidades (ROSENDAHL E CORRÊA, 2005).
A complexidade da vida moderna faz com que, no espaço urbano, as relações sociais se tornem cada vez mais complexas, gerando novas possibilidades de vida, que se ampliam cada vez mais, com o avanço tecnológico e científico, e que, ao mesmo tempo, limita a possibilidade de conquista daqueles que não têm acesso aos bens produzidos por esse avanço.
Desse modo, mesmo, com todas as suas contradições, a cidade pressupõe movimento, cor, cheiro, barulho; e, por mais difícil que seja defini-la, pode-se perceber a sua importância, uma vez que ela sempre desempenhou e continua a desempenhar um papel fundamental na vida e nas transformações do espaço e das sociedades (BEAUJEU-GARNIER, 1997).
No caso do Triângulo Mineiro e, particularmente, de Indianópolis, as transformações do espaço urbano estão relacionadas com as transformações ocorridas no campo, advindas da
aceleração do processo de globalização que, por sua vez, acelera o processo de mudanças que passa a alterar, de forma cada vez mais rápida, as características dos modos de vida até então predominantes.
Segundo Castells (1983), a globalização levou a um intenso processo de urbanização, que atingiu todas as áreas do planeta e se torna cada vez mais intenso, devendo ser entendido como produção social das formas espaciais, na perspectiva de apreender as relações entre o espaço construído e as transformações estruturais de uma sociedade. A modernização agrícola das áreas de cerrado, da forma como foi implementada, tornou-se um fator decisivo sobre o processo de urbanização, uma vez que causou a expulsão dos trabalhadores do campo para a cidade, para onde se transferiram, também, grande parte dos proprietários de terra, que se transformaram em empresários rurais, já que as fazendas são tratadas, atualmente, como empresas.
Portanto, a modernização agrícola influenciou não só o processo de urbanização nas cidades, mas também foi responsável pelo processo de urbanização do campo, já que forçou a criação de meios para viabilizar a produção moderna, que provocou o surgimento de novas demandas no campo, exigindo a presença de máquinas, profissionais e insumos, dentre outros.
Dessa maneira, as cidades, principalmente as pequenas, chamadas por Milton Santos de cidades locais, tiveram que se reestruturar para se adaptar à nova realidade econômica mundial. No caso do Brasil e, particularmente, de Indianópolis, as novas demandas do campo passaram a exigir a criação de infra-estrutura e demais elementos, necessários para atender a produção agrícola. Nessa perspectiva, por possuírem atividades relacionadas ao meio rural modernizado e estarem em uma “região agrícola”, as cidades locais ou pequenas se transformaram em cidades do campo e também econômicas (SANTOS, 1994).
Com a modernização do campo e o surgimento de novas estruturas produtivas, mudaram-se os conceitos de cidade, uma vez que elas eram, anteriormente, analisadas somente em função do número de habitantes, e atualmente a cidade moderna é definida, também, por outros fatores que no passado eram insignificantes, mas que hoje são importantes para uma análise mais criteriosa da sua importância e do seu papel na rede urbana à qual pertence.
Nesse sentido, segundo Santos (1979), as cidades, para serem consideradas como cidades locais, precisam apenas, e tão somente, ter a presença de um aparelho comercial, administrativo e bancário. O autor afirma, ainda, que a cidade não deve ser pensada apenas pelo número de seus habitantes, pois os aspectos demográficos, por si, não definem a
importância nem tampouco o papel de uma cidade. É preciso considerá-la em toda sua amplitude.
Um aspecto bastante relevante em relação ao papel da cidade moderna é que, atualmente, não só as cidades grandes, mas também as pequenas, estão inseridas no processo de produção da economia capitalista, com o predomínio de relações de trabalho modernas que estão presentes, atualmente, também no campo, que foi-se modernizando e adquirindo as características da indústria. Dessa maneira, as relações de trabalho não capitalistas foram cedendo lugar para as relações capitalistas modernas de trabalho, tanto na cidade, seja ela grande ou pequena, quanto no campo.
A cidade é, hoje, um espaço extremamente importante, onde se desenvolvem as relações entre os homens, sejam elas sociais, políticas, econômicas ou culturais. Nesse sentido, podemos perceber que as diversas situações que ocorrem na cidade são também reproduzidas no campo, uma vez que este, hoje, é também parte do sistema capitalista industrial, que reproduz as relações de produção e de trabalho, onde se utilizam a ciência e a tecnologia, reproduzindo também as relações sociais e culturais do espaço urbano.
Nessa perspectiva, Milton Santos define o papel da ciência e da técnica na sociedade atual, escrevendo que:
A fase atual da história da humanidade, marcada pelo que se denomina de revolução científico-técnica, é freqüentemente chamada de período técnico- científico. Em fases anteriores, as atividades humanas dependeram da técnica e da ciência. Recentemente porém, trata-se de interdependência da ciência e da técnica em todos os aspectos da vida social, situação que se verifica em todas as partes do mundo em todos os países. O próprio espaço geográfico pode ser chamado de meio técnico científico (SANTOS, 1997, p. 71).
De acordo com a definição de Santos, podemos perceber que, diante do atual nível de tecnologia empregada na produção, tanto rural quanto urbana, fica cada vez mais difícil definir os limites entre cidade e campo.
O espaço urbano e o rural estão inter-relacionados e a expansão da técnica ocorre em ambos, só que no campo ela ocorre de forma mais rápida, uma vez que existem mais facilidades no processo de substituição das técnicas antigas.
Nesse sentido, reestruturar uma cidade, mesmo que seja pequena, exige grandes investimentos, uma vez que construir um viaduto, uma nova avenida ou até mesmo destruir alguma obra já acabada fica mais caro do que fazer investimentos no campo, financiando a sua produção. Pois as mudanças no campo são mais fáceis, encontram menos obstáculos, por
isso mesmo não requerem investimentos tão altos quanto os que são aplicados na reestruturação da cidade (SANTOS 1993).
De acordo com o exposto, percebe-se que as mudanças ocorridas nas pequenas cidades estão diretamente relacionadas às transformações do campo, uma vez que este passa, constantemente, por mudanças, que são cada vez mais rápidas, devido ao alto nível da tecnologia empregada. No município de Indianópolis, pode-se perceber, claramente, que, com a chegada da tecnologia, incorporada à produção, a cidade tornou-se também espaço de consumo, inserindo-se no contexto da globalização, tanto em nível de consumo como de produção, no seu espaço rural e urbano, o que modificou completamente a sua estrutura de funcionamento.
Há de se ressaltar que o número de população das chamadas cidades locais ou pequenas, hoje, é irrelevante, uma vez que elas são marcadas por uma intensa relação com o mundo, em função dos meios modernos de informação, comunicação e também pela mobilidade populacional. Hoje, Indianópolis é um espaço ocupado por diversos estrangeiros, integrados ao sistema produtivo do município.
De acordo com Singer (1998), não se pode compreender a economia de uma cidade fora do contexto de sua existência, uma vez que suas funções especializadas e a rede à qual pertence são fatores decisivos para determinar o seu tamanho, o vigor de sua economia e também as perspectivas para o seu desenvolvimento
Nesse contexto, é possível tentar compreender o crescimento e as transformações de Indianópolis, relacionando-os ao desenvolvimento da rede urbana do Triângulo Mineiro, liderada por Uberlândia, que se intensifica, a partir da década de 1970, com o rodoviarismo, que possibilitou o intercâmbio comercial e a ampliação das relações econômicas e sociais do Triângulo Mineiro e de Indianópolis com o restante do país.
Oliveira e Soares definem a importância do novo papel da cidade pequena na rede urbana, considerando que:
No período atual, globalizado, a pequena cidade passa a ter um novo papel para si na rede urbana; através de uma relação do local com o global, ou seja, mediatizada pelo desenvolvimento tecnológico esta passa a receber os diversos produtos materiais e imateriais (serviços, consumo, informação) da cidade moderna; inserindo características do circuito superior em conteúdo e forma (OLIVEIRA E SOARES, 2000, p.10).
De acordo com o exposto, podemos observar que as cidades pequenas também estão inseridas no processo de desenvolvimento imposto pela globalização. Para entender a
dinâmica do desenvolvimento do Brasil, é preciso lembrar que o poder político sempre esteve nas mãos de pequenos grupos, que usam esse poder para satisfazer aos seus próprios interesses e se perpetuarem no poder. Não foram poucas as vezes em que a força foi utilizada, para que pudessem atingir seus objetivos.
Normalmente, nas pequenas cidades do país, esse poder é privilégio de poucas famílias que, quase sempre, são detentoras de grandes propriedades de terras. Em Indianópolis, essa realidade não é muito diferente, uma vez que os fazendeiros, direta ou indiretamente, sempre exerceram influência no poder político e, muitas vezes, de forma dissimulada, conseguem impor seus interesses e historicamente controlam o poder local. Durante muitos anos, conseguiram, com manobras e ações políticas, evitar o crescimento e desenvolvimento do município, mas a chegada de novos grupos, que implementaram a modernização agrícola, com o uso de novas tecnologias, promoveu um importante crescimento econômico e demográfico, o que os obrigou a se modernizarem, para continuar controlando o poder.
Com o processo de abertura da economia brasileira ao capital internacional, durante o governo Juscelino Kubstchek (1956-1961), ocorreram mudanças na estruturação da rede urbana do país. As cidades pequenas e médias, que exerciam funções locais, passaram a ser mais dinâmicas, causando um importante processo de expansão urbana.
O desenvolvimento dos meios de comunicação facilitou o contato entre as cidades, o que mudou a forma de relacionamento entre elas. As pequenas passaram a ter maiores contatos com as maiores, o que fez com que elas se tornassem consumidoras dos produtos e mercadorias que antes eram encontrados somente nas cidades maiores, enquanto continuaram ligadas às atividades do campo.
Dessa forma, as cidades pequenas passaram a desenvolver as novas funções ligadas ao campo, pois este passou a depender dos produtos agrícolas vindos da cidade, o que, por sua vez, causou, nelas, uma reestruturação, no sentido de atender as novas demandas do campo.
Segundo Harvey (1980), uma cidade se define, também, pelo seu desenvolvimento econômico, advindo do aumento dos fixos e fluxos, não só de mercadorias, mas também de pessoas, assim como da sua própria localização. No caso de Indianópolis, o cultivo da agricultura, nas áreas de cerrado, juntamente com a construção das rodovias na região, são fatores que possibilitaram o seu desenvolvimento, que se deu com o aumento do fluxo de pessoas e de mercadorias.
Com a chegada de novas pessoas, que vêm dos mais distantes e diferentes lugares, Indianópolis adquire novas características, não só econômicas, mas também políticas, sociais,
culturais e religiosas, transformando totalmente a paisagem até então predominante. Nesse universo, marcado por novos conteúdos, o município desenvolve novas funções, principalmente aquelas ligadas à agricultura moderna.
Na perspectiva de entender o significado da cidade, Soares (1995) afirma que a cidade