3. Grunnhensyn i reaksjonsvalget
3.2. Skyldprinsippet
Primeira oficina de mecânica agrícola a se instalar na cidade, no início da década de 1990 Está em processo de expansão.
Foto Gilmar José Ribeiro, 2006.
Indianópolis, a partir do final da década de 1970, assume as características de uma cidade, cujos aspectos são bem próximos daquilo que Santos (1997) chama de cidade dos notáveis, para se transformar, na década de 1990, naquilo que o mesmo autor classifica como cidade econômica, devido à presença de técnicos e profissionais ligados aos empreendimentos agrícolas. Dessa forma, Indianópolis passou a representar, para a sua população tanto urbana quanto rural, uma nova perspectiva de melhoria das condições de vida. A modernização da agricultura, associada ao aumento dos negócios e aos empréstimos bancários, assim como a presença de um ensino mais avançado, era o indicativo, para os habitantes do município, de que a vida, realmente, poderia melhorar.
3.5 - Indianópolis e Suas Mudanças
Indianópolis apresentava, até a década de 1970, um pequeno núcleo urbano, com enormes terrenos vagos por toda a sua extensão, tanto no centro como na periferia.
A cidade não possuía equipamentos urbanos além da Prefeitura e da igreja, situadas na praça central (Urias José da Silva). A sua infra-estrutura básica era precária, não possuía asfalto, rede de esgoto, e a iluminação pública era deficitária, fornecida por uma pequena usina instalada no ribeirão Mandaguari. O serviço de abastecimento de água também era precário, feito por uma caixa d’água que recebia a água de um rego que corria a céu aberto e era oferecida à população sem nenhum tipo de tratamento; parte dos moradores possuía cisternas ou utilizava as minas e os regos d’água, que eram abundantes. A área central era ocupada pelas famílias mais importantes e a cidade não tinha características de periferização.
A estrutura fundiária urbana era constituída por terrenos de grandes dimensões, bem diferentes dos atuais. Existia também uma grande quantidade de terrenos vagos no centro da cidade, assim como terrenos públicos espalhados em vários locais.
Apresentava uma arquitetura com edificação muito antiga, a maioria das casas possuíndo calçadas de pedra constituídas de escadas e um grande número de janelas voltadas para a rua, sendo construídas junto às calçadas. Elas eram também muito distantes umas das outras. Alguns quarteirões possuíam pouquíssimas casas, chegando a ter quarteirões com uma ou duas casas e, segundo alguns moradores mais velhos, ainda existiam alguns ranchos, nas partes mais afastadas do centro.
Com o aproveitamento agrícola do cerrado e a chegada das companhias agrícolas, criou-se o mito do progresso e, uma vez que a cidade estava-se expandindo desse modo, as pessoas passaram a acreditar no seu desenvolvimento.
Como a cidade não tinha mão-de-obra suficiente para atender às novas demandas da agricultura no cerrado, chegam os imigrantes, vindos de outras regiões, principalmente do Nordeste, para trabalhar como mão-de-obra assalariada, uma vez que as relações de trabalho não capitalistas vão desaparecendo. O grande fluxo populacional provocou uma reordenação do espaço urbano, com a construção de novas habitações, acontecendo a expansão da área urbana, com instalação dos equipamentos necessários, como água e energia, voltados para atender às novas necessidades da população.
O senhor M., que foi prefeito no final da década de 1970 e início da década de 1980, conta como se deram as mudanças e o crescimento da cidade, nesse período:
A cidade tava recebeno muita gente e não tinha casa para alugar então nós fizemos a doação de mais de quinhentos terrenos criando infra-estrutura, a cidade começou a crescer e melhorar e a chegada da Caind que dava quase mil empregos aumentou a pressão para melhorar a cidade. A prefeitura doava os terrenos e ainda dava a areia e o saibro para a pessoa construir e ajudar a melhorar a cidade ai começou a chegar gente de todo lugar e as lavouras foi aumentano e o progresso foi melhorano, em 1978 chegou a luz elétrica depois chegou o banco e o telefone (M.A.S. Conforme trabalho de campo em 22/06/06).
As palavras do senhor M. mostram como o poder público se preocupava com o crescimento da cidade e como ele agiu para garanti-lo.
Grandes mudanças ocorrem, a partir da década de 1980, com a implantação das lavouras de café, quando grandes fluxos de pessoas chegam para trabalhar na sua colheita. Vinham grupos de homens e até famílias inteiras do norte de Minas ou então do Nordeste, que chegavam sem as mínimas condições econômicas e de moradias. Muitos eram acolhidos nas próprias fazendas, outros ganhavam terreno da Prefeitura e, aos poucos, construíam suas casas, alguns ganhavam a própria casa. Essas e outras facilidades, como serviço médico oferecido pelo poder público, iam atraindo parentes e amigos, que vinham depois.
O senhor J. A., que foi prefeito até o final da década de 1980, descreve as ações do poder público, em relação ao crescimento da cidade:
Eu fiz muitas doações de terreno porque tava vino muita gente de fora para trabalhar aqui e a cidade precisava crescer era preciso ter casa para o povo morar, nóis doava também o material como a areia e o cascalho depois começou a chegar os paranense e com isso a cidade cresceu muito, foi construído novas casas. Na roça tava começano as lavouras de café e de soja e tava melhorano o movimento na cidade e aumentano o comércio e com isso tudo foi melhorano, foi construído a rede de esgoto, o asfalto e a ciadade foi mudano até virar o que é hoje (J.A. Conforme trabalho de campo em 22/06/06).
De acordo com as palavras do senhor J., podemos constatar que a expansão urbana está diretamente ligada às transformações ocorridas no campo e trouxe novos moradores para o campo e também para a cidade. A prosperidade das lavouras de café causou a expansão da cidade que, aos poucos, foi exigindo do poder público a abertura de ruas e os serviços de abastecimento de água e energia elétrica; o comércio foi sendo ampliado, com o surgimento de novas lojas e supermercados.
A expansão urbana se dá sem nenhum tipo de controle ou ordenamento, uma vez que não existia e continua não existindo uma legislação municipal que regulamente normas para as novas construções ou aprovação das novas áreas de loteamento.
As relações de trabalho assalariado (capitalista) estão presentes hoje, no campo, com a força de trabalho, sendo esta, predominantemente, exercida pelos migrantes, uma vez que a modernização expulsou os antigos trabalhadores do meio rural como, por exemplo, os agregados.
3.6 - Aspectos da Modernização da Cidade
O processo de modernização começa a se intensificar já no final da década de 1970, com a chegada do banco, da energia elétrica fornecida pela Cemig, do telefone, enfim, dos serviços básicos que são estruturados durante as décadas seguintes; o serviço de água passa a ser feito pela COPASA, a cidade recebe o asfalto.
O serviço de iluminação e a rede de energia encontram-se presentes em, praticamente, toda a cidade. O abastecimento de água, fornecida pela COPASA, abrange todo o núcleo urbano, ao contrário da rede de esgoto, que não atende a toda a população.