TOTAL 95 35 (37%) 60 (63%)
GFPC - INFORDEPE, 2014
A seleção deste público-alvo em específico prende-se com a necessidade de tentar perceber a performance linguística – restringindo-me apenas à competência da Expressão Escrita e, mais especificamente, dado o âmbito deste trabalho, aos desvios ortográficos à norma do PE – de um grupo de professores do ESTV, dado que, até ao momento, neste nível de ensino, as disciplinas são lecionadas, paralelamente, em português, tétum e indonésio, apesar de, teoricamente, a Língua Portuguesa assumir já um caráter obrigatório no ES. Além disso, de acordo com o Estatuto da Carreira Docente (2010), a Língua Portuguesa constitui-se como a “língua principal de instrução
e de aquisição da ciência e do conhecimento”.
Convém recordar que estamos perante uma amostra de informantes, na sua
esmagadora maioria e por fatores diversos, com uma proficiência
elementar/intermédia no domínio da Língua Portuguesa. Saliente-se ainda que estes professores têm como público-alvo jovens que já frequentaram alguns anos de ensino ministrados em Língua Portuguesa, o que pressupõe, não direi por todos, mas por
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parte de alguns, um conhecimento e um domínio razoáveis da mesma. Embora não seja objeto deste trabalho, seria, talvez, surpreendente, comparar o perfil de ambos em termos de domínio efetivo da Língua Portuguesa. O desejável seria que os alunos que concluem o 12º ano de escolaridade tivessem frequentado todos os níveis de ensino em português. Nesta sequência, parece-me legítimo colocar a seguinte questão: será que os professores já estão aptos a desenvolver todo o processo de ensino-aprendizagem do ciclo do ES em Língua Portuguesa?
Relativamente ao Questionário133 aplicado para traçar o perfil sociolinguístico
dos docentes, esta amostra teve como denominador comum o facto de todos eles serem professores do ESTV.
Este Questionário tinha como objetivo principal apurar algumas variáveis qualitativas do grupo de informantes que poderiam ser determinantes para o estudo em causa e que teriam, certamente, reflexo na produção do corpus. Assim, procedeu- se à aplicação do Questionário, nos 9 distritos, durante a primeira semana de março de 2014, pelos docentes portugueses afetos ao Projeto de Formação Inicial e Contínua de Professores (PFICP) que lecionaram o CLP de preparação para o ENCCLP, tendo sido submetidos 75 informantes.
O Questionário visava traçar o perfil sociolinguístico dos mesmos, sendo constituído por 9 partes:
1ª) Dados biográficos;
2ª) Formação académica/profissional; 3ª) Aquisição da língua;
4ª) Língua(s) de escolarização;
5ª) Conhecimentos linguísticos atuais; 6ª) Línguas e experiência profissional; 7ª) Proficiência linguística em português; 8ª) Contacto com a Língua Portuguesa;
9ª) Estatuto da Língua Portuguesa em Timor-Leste.
Quando o Questionário foi distribuído pelos informantes, foram igualmente fornecidas algumas instruções sobre o seu preenchimento. Por exemplo, para responder às perguntas do Questionário, foi-lhes dito que deveriam assinalar a
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resposta com um X, tendo sempre em atenção a opção mais adequada ao seu perfil, ou ainda através de uma resposta sucinta e objetiva. Explicitou-se, ainda, que os dados do Questionário se destinariam a um trabalho de investigação, no âmbito do Mestrado em Ciências da Linguagem, da Universidade do Minho, e, como tal, seriam absolutamente confidenciais, garantindo-se, portanto, o anonimato da identidade dos respondentes. Por fim, solicitou-se que respondessem o mais sinceramente que pudessem, por forma a que os dados obtidos fossem coerentes e refletissem o respetivo perfil de cada um. Refira-se que, dadas as dificuldades generalizadas no domínio da Língua Portuguesa, e dado que não foi aplicada uma versão prévia do Questionário, por limitações de tempo, a maioria das questões foi objeto de paráfrase por parte dos professores portugueses, para que os constrangimentos a nível da interpretação não se afigurassem como um obstáculo intransponível e que tivessem como reflexo uma escolha aleatória das opções de resposta ou, em última instância, a ausência de resposta.
Este Questionário, que tinha como objetivo primordial proceder ao levantamento da LM dos aprendentes, os conhecimentos relativos a outras línguas e, sobretudo, o contacto e o nível de proficiência em português, permitirá igualmente traçar, ainda que de forma superficial, o perfil dos respetivos progenitores.
A priori, não obstante a amostra se afigurar como um grupo relativamente
homogéneo (talvez a variedade linguístico-cultural constitua o principal fator distintivo entre os informantes), os dados recolhidos permitiram estabelecer um paralelismo entre os informantes, por analogia e/ou contraste, em aspetos diversificados, mas com particular enfoque no que diz respeito aos conhecimentos linguísticos atuais, assim como em relação à proficiência geral no domínio da Língua Portuguesa.
Depois da aplicação e recolha dos dados, procedeu-se ao tratamento dos Questionários, o que consistiu, basicamente, na sistematização da informação neles contida, sob a forma de tabelas e gráficos. As tabelas e os gráficos permitiram não só uma leitura transversal dos dados recolhidos, mas também uma análise comparativa e contrastiva dos mesmos.
Ainda em relação ao Questionário para determinar o perfil sociolinguístico, e de forma a garantir o anonimato dos informantes, estes foram identificados com um código: a letra Q (referente a “Questionário”), seguida de duas letras que permitissem
95 6 2 10 4 6 6 4 9 4 1 3 6 10 4 Gráfico 5 - Naturalidade dos Informantes
identificar o distrito e um número atribuído a cada informante, por ordem crescente, a começar no nº 01. A atribuição do número foi aleatória, ou seja, não obedeceu a um critério de ordem alfabética, precisamente por se desconhecer a identidade do informante.
Além destes dados primários – recolhidos especificamente para esta pesquisa -, foi minha intenção recorrer igualmente a outros dados secundários a que pude ter
acesso, nomeadamente através da Direção Nacional dos RH do ME (EMIS134) e da base
de dados do PMIS (Personal Managing Information System), da Comissão da Função Pública. Estas informações existentes nos órgãos governamentais contribuíram também com argumentos fidedignos, ajudando, assim, a definir com mais nitidez a amostra em estudo.
Apresenta-se, a seguir, uma síntese sobre o perfil sociolinguístico dos 75 informantes.
3.2.1. Análise dos dados do Questionário 1. Dados Biográficos
As respostas às 5 questões relacionadas com os dados biográficos – data de nascimento, idade, sexo, distrito onde nasceu e distrito onde mora – permitem perceber que os 75 informantes que constituem este grupo, 44 do sexo masculino e 31 do sexo feminino, encontram-se entre a faixa etária dos 24 (idade mínima) e dos 56 (idade máxima) anos, sendo que a média de idades corresponde aos 36. Isto
significa que estamos
perante um grupo
relativamente jovem, para além do predomínio do sexo
masculino. No que diz
respeito à naturalidade dos informantes, conforme se pode observar no Gráfico 5,
todos os distritos de Timor-Leste estão representados (os 13).135 Regista-se, ainda, a
134
EMIS – Sistema de Gestão da Informação para a Educação.
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Indonésia, com 4 respondentes que, apesar de serem desta nacionalidade, residem em Timor-Leste há muitos anos. No entanto, é de salientar que a atual
residência dos informantes é
representativa apenas de 9 distritos, conforme nos mostra o Gráfico 6. Se atentarmos no Gráfico 5, percebemos que os distritos de Baucau e de Viqueque são os que apresentam o maior número de respondentes (10 cada um), ao passo que o Gráfico 6 evidencia que é no distrito de Díli que os professores se concentram mais, pois os distritos de Baucau e Viqueque apresentam apenas 4 informantes. Este facto mostra também que há uma tentativa de as pessoas, de uma forma geral, se fixarem na cidade de Díli, em detrimento dos demais distritos, talvez pelas melhores condições socioeconómicas e pelos serviços que a capital oferece à população.
Comparando os Gráficos 5 e 6, percebemos que no Gráfico 6 não estão representados os distritos de Ainaro, Bobonaro, Manatuto e Manufahi, o que se explica pelo facto de aí não haver escolas do ESTV. Além disso, a distribuição dos informantes por distrito evidencia que houve uma migração de 28 informantes para o distrito de Díli pois, da amostra em análise, apenas 6 são naturais de Díli e o gráfico
apresenta 34 informantes.136
Consultando os dados recolhidos, verifica-se que 39 informantes não residem atualmente no distrito onde nasceram e as migrações registaram-se de diversos distritos para Díli, de Díli para Aileu, de Ainaro e de Lautém para Covalima e 3 de nacionalidade indonésia para Ermera (2 casos) e Oecusse (1 caso).
2. Formação Académica / Profissional
No que concerne a este item, os informantes foram questionados acerca das habilitações literárias que possuem e, ainda, da escola, distrito e nível de ensino e, por fim, disciplina que lecionam.
em 23/04/2014.
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De acordo com uma notícia publicada em www.sapo.tl, a 14 de maio de 2014, em cada 4 migrantes em Timor-Leste, 3 acabam por fixar residência em Díli.
7 4 7 34
5 4 5 5 4