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4.3 EØS-REGELVERKET

4.3.3 Vilkår for å tilby investeringstjenester .1 Hjemstatsregulering

O estudo do hipertexto começou muito antes do século XXI. Desde as áreas da gramática e literatura, com Roland Barthes e Michel Foucault, até às ciências aplicadas da informática. A ideia de hipertexto foi, conta Zamith (2008, p. 28) “pela primeira vez descrita em 1945 pelo físico e matemático Vannevar Bush, no artigo «As We May Think»”, mas a sua terminologia é atribuída a Ted Nelson, 20 anos depois, para designar a escrita e leitura não linear em computadores.

Perante o modelo linear ou sequencial que ordena os meios tradicionais, surge um novo paradigma discursivo no qual o modelo estrutural funciona muito próximo do pensamento por processos associativos e não de forma linear. A hipertextualidade é a possibilidade de conexão entre vários textos, através de hiperligações (Canavilhas, 2001), materializada numa série infinita de ligações. Oferece também a possibilidade de construção de um texto interligado com outros elementos – texto, som, vídeo, links externos – que permitem complementar esse conteúdo e “cada conexão suplementar acrescenta ainda mais heterogeneidade, novas fontes de informação, novas linhas de fuga” (Lévy, 1999, p. 120)

Quando lemos um livro, ouvimos música, assistimos a um filme ou simplesmente estabelecemos comunicação com alguém desencadeamos uma série de conexões mentais, com significados e associações. Ao navegar na Internet a mesma associação é feita, página por página ou de link em link, numa extensa rede de significados. A passagem da cultura escrita para a digital originou outro tipo de texto, onde as informações e os dados, organizados, conectados entre si, num aglomerado de memória em bits é representado pelo hipertexto. A prática hipertextual significa relacionar assuntos, organizando a informação de modo a que seja possível a sua recuperação sempre que desejarmos, através de uma busca por palavras, conexões ou significados. O leitor movimenta-se livremente entre textos digitais, numa composição não sequencial e de leitura não linear (Landow, 1995), composto por uma estrutura de blocos e links eletrónicos variáveis.

“Un texto compuesto de bloques de palabras (o de imagénes) electrónicamente unidos mediante multiplex trayectos, cadenas o recorridos en una textualidad abierta, eternamente inacabada y descrita com términos como enlace, nodo, red, trama y trayecto” (Landow, 2006, p. 24)

Primo e Recuero (2006) identificam três estádios para o hipertexto: o primeiro diz respeito aos processos hipertextuais dos textos impressos; o segundo aparece identificado com a navegação não linear que os utilizadores podem realizar entre páginas web; e finalmente, o terceiro associado a uma prática convergente, de um hipertexto que é construído de forma colaborativa. Para Primo e Recuero (2006) é a web 2.0 que representa a “segunda geração de serviços online”, ao mesmo tempo potenciadora de formas de publicação, de partilha e de organização. Para Tim O’ Reilly, criador do termo, a web 2.0 não possui rigidez ou limites, é uma plataforma em que os

usuários controlam os seus dados, concebida numa “arquitetura de participação” e onde tudo é construído coletivamente. Como tal, deve basear-se nos princípios “rich user experience”, isto é, quanto mais um sistema é utilizado, mais evolui e mais claras estão as necessidades de adaptação e em “trust your users”, ou seja, a importância da participação dos usuários da web é fundamental para o seu desenvolvimento.

Os leitores da web já se encontram familiarizados com a tecnologia e torna-se urgente perceber como tudo está relacionado, discutindo a forma, o conteúdo, as rotinas e as ferramentas de publicação. Enquanto possibilidade tecnológica, “o hipertexto é bastante utilizado na estruturação dos conteúdos da publicação, no entanto, é pouco explorado nas narrativas dos fatos jornalísticos” (Mielniczuk, 2005, p. 2)

Landow (2006) elenca onze tipos de links e como podem ser percorridos. Mas olhando para o campo do jornalismo, o link, estudado por Palácios (2001) e por Mielniczuk (2003; 2005) é o elemento fundamental do hipertexto, por ser capaz de estruturar a narrativa de forma a permitir a flexibilização e o acesso a diferentes informações, “um elemento integrante de uma narrativa verosímil e que pretende dar conhecimento ao público de fatos acontecidos” (Mielniczuk, 2005, p. 6). A autora propõe uma tipologia de links para os webjornais, que até aqui tinham apenas sido estudados noutras disciplinas, e divide-a em três grupos: a navegação do produto, a abrangência do link e o tipo de informação, como ilustra a figura seguinte:

Navegação Conjuntivo Disjuntivo Universo de Abrangência Internos Externos Organização da Publicação Editorial Organizativos Narrativos Acontecimento

Detalhamento Oposição Exemplificação ou Particularização Complementação ou Ilustração Memória Serviços Publicidade

Figura 1: tipologia dos links em um produto jornalístico desenvolvido para a web

(Mielniczuk, 2005, p. 11)

Com base nos conceitos debatidos por Lévy (1999) e mais recentemente por Landow (2006), mas já num enquadramento 3.0, reunimos treze mandamentos desta fórmula pluralista e textual que é o hipertexto e que encontra no digital uma imensa capacidade de multiplicação:

1. Singular a cada experiência.

2. Cada espectador (em frente ao computador) é simultaneamente autor. 3. Capaz de produzir um conteúdo/obra com o seu próprio olhar.

4. Traz o seu olhar do mundo seja qual for o seu interesse. 5. Configura o seu espaço e tempo.

6. O hipertexto reúne informação em formato heterogéneo. 7. Organiza informação com laços associativos transversais. 8. Construído em redes não lineares.

9. Elimina toda a ideia de hierarquia ou centralidade. 10. Perda de identidade ou união.

11. Multiplicidade impessoal e coletiva.

12. É uma forma de organizar a informação que cria novos caminhos, novos mundos.

13. Cada usuário cria múltiplas conexões de elementos heterogéneos.

Na era do hipertexto 3.0 o leitor é ativo e tem à sua escolha um número de caminhos pelos quais navega de acordo com os seus gostos e interesses (Landow, 2006) e assume- se uma nova forma de organização, num sistema de links multidirecionais. A

possibilidade de associar linguagens permite criar, também no jornalismo, a integração de vários recursos que trazem à leitura um enorme potencial, aumentado pelo áudio, visão e tato. Esta integração de linguagens despertam o utilizador para a hipermédia e para novos cenários interativos.

Na entrada para a web 3.0 Landow (2006) observa este novo papel reservado ao hipertexto, capaz de possibilitar múltiplas leituras e que em muito beneficiou do crescimento da própria Internet. Supõe-se, por isso, que na era do hipertexto 3.0, que quem determina a centralidade da leitura não é mais o autor, mas sim o leitor, que orienta a sua navegação não apenas preso a um suporte, mas auxiliando-se dos seus sentidos, numa rede de sons, imagens, gráficos, animação e vídeo. O ponto negativo é que a aglomeração e a variedade de informação é tanta que, embora hiperligados, são produtos autónomos e poderão provocar um maior distanciamento ao conteúdo original do que aproximação.